O U-214, é o mais recente na linha de submarinos desenvolvidos pelos estaleiros alemães e algumas dúvidas parecem existir quanto quer às origens quer quanto à qualidade deste tipo de navio.
(ver quadro [1] com esclarecimentos sobre o tema).
 |
| Maquete mostrada à imprensa portuguesa aquando da assinatura do contrato de aquisição dos submarinos portugueses conhecidos como U209PN. |
O U214, é o resultado do processo de estudos e actualização que foi levado a cabo desde que foi aprovado o projecto do submarino U212, até que foi finalmente aprovado para produção o submarino U212-A.
Um dos principais problemas da industria alemã durante o processo de desenvolvimento do U212/U212-A e que levou a atrasos de seis anos foi o facto de se considerar que o Oxigénio líquido necessário para fazer funcionar as células de combustível teria que ser colocado (como o Hidrogénio) fora da zona pressurizada.
Com os desenvolvimentos que decorreram durante o periodo que foi de 1988 até 1996, os alemães produziram tanques de combustível, que foram certificados como sendo suficientemente resistentes para cumprir com as exigências de segurança necessárias para que a colocação dos tanques de combustível dentro da área pressurizada fosse autorizada e certificada.
 |
| Submarino U214 da marinha grega, em testes: O primeiro navio da classe Papanikolis, que terá quatro unidades. |
Ao contrário do outro submarino alemão com sistema AIP (o U212), o U214 não tem grande coisa a ver com o TR-1700 que a Thyssen desenhou para a armada da Argentina no final dos anos 70. A Thyssen e a HDW eram na realidade empresas concorrentes e TR-1700 (que inspirou o layout do U212) por um lado e U209 (que inspirou o layout do U214) por outro eram projectos de empresas concorrentes.
A crise da industria naval europeia no entanto, forçou um movimento de cooperação, patrocinado pelo governo alemão, que mais tarde viria a resultar na fusão da maioria das empresas (as que escaparam à falência).
Quando a industria naval alemã verificou ser possível a colocação dos tanques de Oxigénio do sistema AIP, dentro da área pressurizada do submarino, isso implicou imediatamente duas coisas. Não só sería possível desenvolver uma versão de submarino com AIP baseada na estrutura do U209, como seria poss+ivel mesmo colocar um sistema AIP nos submarinos U209 existentes no mundo.
O desenvolvimento do U214, começa portanto apenas em 1996, quando os estudos para a viabilidade do sistema AIP estão terminados para o U212 e a viabilidade da colocação dos tanques de Oxigênio na área pressurizada foi comprovada e certificada.
Partindo do U209 e do seu arranjo interior, os engenheiros alemães fizeram basicamente a mesma coisa que com a estrutura interna do TR-1700, ou seja, alteraram o casco exterior de forma radical, alteraram a vela e tornaram o submarino U214 muito mais hidrodinâmico que o U209.
As alterações continuaram com a instalação do sistema AIP, que no U214 já não precisou de mudar para fora do casco pressurizado os tanques de Ocigénio- o que tornou muito mais facil a instalação de sistemas o e desenvolvimento do submarino.
Enquanto que a configuração dos tubos de torpedos do TR-1700 e do U212 é exactamente a mesma (duas fileiras de três tubos), o U214 difere do U209 também na configuração da sala de torpedos. Os tubos de torpedos do U214 têm uma configuração única, com três fileiras de tubos de torpedos, uma superior com dois tubos, a central com dois tubos e a inferior com quatro tubos. Na figura ao lado, nota-se claramente a disposição de metade dos tubos. Alegadamente, esta disposição dos tubos, tem por objectivo facilitar e tornar mais rápido o recarregar dos tubos, que no caso do U214, podem disparar torpedos, mas também mísseis, além de minas.
Os U214 estão equipados com um sistema AIP que mantendo o mesmo motor Permasin, inclui no entanto uma alteração significativa relativamente ao sistema AIP dos submarino U212. No U214 os módulos de células de combustível BZM-120 são apenas dois em vez de nove, e cada um deles tem uma potência de 120kW. O resultado é que na realidade com esta configuração a potência do U214 relativamente ao U212 é menor (240kW do U214 cotra 306kW do U212).
No entanto, os dados conhecidos referem que a marinha da Coreia do Sul, que encomendou três unidades do U214, terá escolhido o sistema de nove módulos, porque pretende fazer maior utilização táctica do AIP como sistema de locomoção.
Futuramente, será possível ao U214 a introdução de mais módulos, produzindo um submarino com maior potência (480kW ou 720kW) mas isso implicará um motor mais potente e maior capacidade para armazenar combustível. Tal opção fará sentido quando (como se espera) os custos do combustível, especialmente o Hidrogénio de grande pureza forem mais reduzidos.
Com o sistema AIP baseado nos módulos SIEMENS BZM-120 o U214 deverá atingir uma velocidade de 6 nós, utilizando o sistema AIP, mas a sua autonomia será superior àquela do U212 com os módulos BZM-34.
Electrónica
Os sistemas electrónicos instalados a bordo dos submarinos U214, podem ser modificados e alterados conforme as especificações e exigências dos operadores do submarino. Os sistemas electrónicos instalados a bordo do U214 são basicamente os mesmos previstos para o U212, sendo alterados apenas se os utilizadores tiverem planos ou exigências específicas, como é por exewmplo o caso dos U214 para a Coreia do Sul, que em principio e conforme tem sido anunciado, optaram pelos módulos de células de combustivel BZM-34 mais antigos em vez dos BZM-120 mais modernos, porque tiveram preferência pela rapidez em velocidade silenciosa, em detrimento da maior autonomia.
O sistema de Combate ISUS-90 é standard em todos os submarinos. Este sistema integra os vários sistemas e sensores a bordo do navio.
A electrónica embarcada pode depender também da capacidade de cada país para introduzir sistemas produzidos localmente e para os integrar. Os submarinos da Coreia terão sistemas desenhados na Coreia, os submarinos gregos, sistemas desenhados na Grécia, assim como os italianos terão torpedos desenhados na Italia, e os portugueses terão um sistema integrado de comunicações desenhado em Portugal.
[1]
Enquanto em alguns sites especializados o U214 aparece mencionado como uma versão mais moderna do U212, noutros afirma-se que se trata de uma versão de exportação, mais barata, ou até que é apenas um U209 modernizado.
Na realidade, analisando tanto quanto possível os dados conhecidos e tentando cruzar a informação solta, o que se pode concluir é que o U214 nem é uma versão aperfeiçoada do U212, nem muito menos é uma versão de exportação melhorada do mais antigo U209.
Algumas das alegações:
O U214, não tem as mesmas características do U212. Ao contrário do U212, o U214 não tem a mesma configuração e organização do tubos de torpedos e não tem a estrutura interna em dois andares como acontece no U212. O U214, é um submarino mais estreito e mais comprido que o U212. A estrutura interna e layout geral do U214, é herdada do U209, especialmente do U209-1400.
Mas a similitude com o U209 fica por aí, porque também não é correcto afirmar que o U214 é um U209 modernizado. Neste caso, também o U212 não seria mais que um TR-1700 modernizado, porque o layout e arranjo interno do U212 é praticamente decalcado do TR-1700 com o acrescento do sistema AIP.
De notar que os preços conhecidos para os submarinos U214 que vão de 330-350 milhões de Euros para os submarinos gregos até 370-420 milhões de Euros para os submarinos portugueses, não são exactamente preços muito menores que os preços apresentados e conhecidos para os submarinos U212, que têm preços estimados entre 380-420 milhões de Euros, e isto apesar de estes últimos serem os modelos de lançamento incluindo os custos com o desenvolvimento do sistema AIP.
A alegada superioridade técnica do U212 não é comprovada pela diferença de preços, quase inexistente, nem pelos dados conhecidos e divulgados pelos clientes quer do U212 quer do U214.
Aço amagnético
Outra das diferenças apontadas é a de que o aço amagnético é uma razão da superioridade do casco do submarino U212. No entanto, os submarinos alemães têm casco amagnético desde os anos 50 e não é exactamente uma novidade. Esse tipo de aço é uma opção da marinha alemã desde há muitos anos. O casco amagnético (também conhecido como Aço Doce) permite ocultar o submarino de meios de detecção de campos magnéticos mas tem a desvantagem de ser menos resistente à pressão e essa é a razão pela qual o U212 não consegue atingir a mesma profundidade do U214 que utiliza um casco sem as mesmas propriedades amagnéticas mas com maior rigidez mecânica. |