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O Leopard-1A5 de origem alemã

O processo de modernização dos Leopard, foi naturalmente também considerado no seu país de origem a Alemanha, onde entre 1986 e 1992 um total de 1300 carros de combate foram modernizados.

A principal e mais significativa alteração aos anteriores Leopard-1 foi no sistema de controlo de tiro. O novo sistema EMES-18 da Atlas-Elektronik (agora chamada Rheinmetal Defense), que inclui um sistema de visão térmica

Leopard-1-A5 com a indicação das principais diferenças

Além disso, entre as outras grande diferenças - que permitem identificar exteriormente o Leopard1-A5 é o perfil da torre, que tem um novo desenho e um reforço adicional lateral que acaba por alterar o perfil, ao mesmo tempo que aumenta consideravelmente a protecção.

A protecção, também é aumentada com a inclusão de «saias» blindadas na lateral do veículo.

O sistema de controlo de tiro do Leopard-1A5, é idêntico ao que foi instalado no mais pesado e melhor armado Leopard-II que é a família de tanques que complementou e substituiu o Leopard-1 na Europa.

Trata-se de um equipamento relativamente moderno e também adequado para as necessidades do Brasil.

Nos dias de hoje, continua a existir em muitos meios brasileiros uma certa nostalgia relativamente aos carros de combate desenhados pela ENGESA EE-T1/T2 Osório), que poderiam eventualmente ter permitido ao Brasil uma certa independência no fabrico de carros de combate pesados, que hoje não tem.

Também é afirmado que o Osório era mais adequado para as realidades brasileiras por o seu peso ser inferior aos carros de combate europeus e americanos que acabaram sendo fornecidos em segunda-mão ao exército brasileiro.

Existindo provavelmente alguma lógica nesse raciocínio, a realidade é que em todos os países e forças armadas do mundo, os carros de combate não estão a ficar mais leves nem menos blindados. O movimento é exactamente o contrário.

Nas proximidades do Brasil, começam a aparecer exércitos com carros de combate pesados, como é o caso do Leopard-IIA4 que o Chile vai receber, que demonstram que a “realidade brasileira” é também condicionada pela realidade dos países vizinhos.

O peso dos carros de combate, muitas vezes apontado como um grande problema, é hoje relativamente tratado pelas carretas de transporte, com grande numero de rodas, que distribuem o peso pelo chão, tornando um transporte de um tanque menos prejudicial que o transporte de mercadorias em veículos pesados.

Os carros Leopard-1A5 que deverão equipar o exército brasileiro nos próximos anos, relegando os Leopard mais antigos para reserva ou para unidades secundárias, são adequados para as potenciais ameaças que se podem deparar ao país.

As ameaças no sul do país, na fronteira com a Argentina, Uruguai e Paraguai, são cada menores, pois a possibilidade de integração entre as economias dos países do cone sul tornará inviável confrontações militares no futuro.
Embora outras nuvens se levantem de outras direcções, não é credível que outros países do continente tenham capacidade não só para possuir forças em quantidade suficiente para defrontar qualquer força blindada brasileira (necessariamente apoiada por forças adicionais combinadas) como também não é previsível que tenham capacidade para projectar essas forças dentro das fronteiras do país.
Embora o norte do Brasil se esteja a mudar com o tempo, e o numero de vias de acesso se multiplique, essas vias ainda são em numero muito pequeno, o que transforma qualquer avançada blindada, numa enorme coluna de veículos que facilmente podem ser descobertos e neutralizados.

Os únicos carros de combate que poderiam estar em vantagem táctica sobre os Leopard-1A5, são os futuros Leopard-IIA4 do Chile. Mas neste caso trata-se de um país que utiliza tais veículos em missões de defesa e não possui capacidade para projectar esses veículos para fora das suas fronteiras a distâncias significativas.

A opção por estes veículos, vem confirmar a necessidade de o Brasil dispor de meios capazes para com alguma facilidade proceder à transferência de unidades pesadas para algum ponto do território Brasileiro. Essa capacidade, se for desenvolvida, permitirá também desenvolver a capacidade brasileira para em caso de necessidade participar em operações substanciais de manutenção e imposição de Paz em qualquer região limítrofe, onde for achado necessário utilizar meios pesados.

 



Título: Leopard-1A5 no Brasil (última actualização: 15.06.2006)
Autor: Paulo Mendonça
Referências: Carros de combate brasileiros


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