Dados sobre utilizadores deste modelo
União Soviética

Aeronaves do mesmo tipo ou relacionadas:

MiG-15 bis «Fagot-B»
Avião de caça
MiG-17F «Fresco C»
Avião de caça

MiG-15 bis «Fagot-B»
Avião de caça (MiG-MAPO)
MiG-15 bis «Fagot-B»

Dimensões:Motores/ Potência
Comprimento: 10.86 M
Envergadura: 10.08 M
Altura: 3.7
1 x motores VK-1 (RD-45F 8 RB-41)
Potência total: 2700 Kgf
Peso / Cap. carga Velocidade / Autonomia
Peso vazio: 3681 Kg
Peso máximo/descolagem: 5380 Kg
Numero de suportes p/ armas: 2
Capacidade de carga/armamento: 200 Kg
Tripulação : 1
Passageiros: a
Velocidade Maxima: 1107 Km/h
Máxima(nível do mar): 1076 Km/h
De cruzeiro: 600 Km/h
Autonomia standard /carregado : 800 Km
Autonomia máxima / leve 1330 Km.
Altitude máxima: 15200 Metros


- - -

Canhões / Metralhadoras
- 1 x 37mm N-37 (Ru) (Calibre: 37 ) - 2 x 23mm NR-23 / AM-23 (Calibre: 23 )

Forum de discussão

O MiG-15 foi o primeiro caça a jacto a entrar em combate com forças aéreas ocidentais, na guerra da Coreia.

Embora o primeiro MiG-15 em operação tenha sido o MiG-15SV, o mais significativo dos MiG-15 foi o MiG-15Bis, que foi o resultado de melhoramentos introduzidos na versão inicial de produção do MiG-15SV, equipado com um motor britânico Rolls Royce RB-41. O «BIS» estava equipado com um motor VK-1, um RD-45F melhorado (este último uma cópia melhorada do motor Rolls Royce RB-41), com uma potência cerca de 20% superior.

O primeiro MiG-15bis modificado voou pela primeira vez em Setembro de 1949 e estava equipado com um canhão de 37mm (N-37) e dois canhões de 23mm (NS-23KM). Ele também tinha pontos fixos com capacidade para transportar duas bombas de 50kg ou 100kg.

Quando começou a guerra na Coreia, com um ataque por parte da Coreia do Norte contra o sul, tudo parecia correr bem nas primeiras semanas, mas o envio de reforços por parte dos Estados Unidos, levou a que o ataque apoiado pelos soviéticos resultasse num desastre.
Um contra-ataque fortemente apoiado pela aviação americana, recuperou todo o território perdido para o exército da Coreia do Norte e ainda ocupou quase toda a Coreia do Norte.

A resposta soviética, incluiu o envio para o campo de batalha do caça MiG-15.
O aparecimento desta nova aeronave apresentou sérios problemas para a força aérea dos Estados Unidos, pois a sua manobrabilidade e qualidades, mostraram ser superiores às dos caças a jacto que os norte-americanos tinham utilizado durante a primeira fase da guerra, os F-80C «Shooting Star». Ainda que no primeiro recontro no dia 8 de Novembro de 1950 os F-80 tenham levado a melhor, os pilotos americanos afirmaram que dificilmente poderiam enfrentar o MiG, principalmente por causa da sua enorme velocidade de ascenção.


Os americanos viram-se forçados a enviar para a Coreia o seu caça mais recente, o F-86A «Sabre», mas mesmo essa aeronave não demonstrou uma clara superioridade sobre o MiG-15, que manteve a vantagem da manobrabilidade.
No entanto, a superior resistência do equipamento e o treino mais eficiente, garantiram a superioridade aérea sobre a Coreia do Sul, embora não a tenham conseguido garantir de forma absoluta no norte.

MiG versus Sabre
Na imagem Acima os rivais da guerra da Coreia.
Embora quer o MiG-15 quer o MiG-17 fossem dados como superiores aos seus congéneres ocidentais, na verdade a sua qualidade de fabrico deixava muito a desejar. Muitos comentários foram feitos para tentar explicar o desastroso comportamento das aeronaves russas durante a Guerra da Coreia, em que superiores MiG-15 foram derrotados pelos F-86 americanos que no papel eram inferiores.
A proporção de aeronaves abatidas foi de sete aviões russos abatidos por cada avião americano. [1]
Muitas vezes a desproporção foi atribuida à péssima formação dos soviéticos, no entanto há imensos relatos de pilotos soviéticos considerados ases da aviação que foram abatidos por pilotos regulares americanos. É também importante frisar que durante o conflito, especialmente na primeira fase, vários países do bloco soviético enviaram pilotos para a Coreia para treino, dado se considerar que a vitória era certa. Além dos pilotos dos países do Pacto de Varsóvia também pilotaram os MiG-15 pilotos chineses.

Entre as explicações avançadas para as vitórias americanas está a superior qualidade do radar acoplado ao sistema de pontaria do F-86, que permitia às metralhadoras 12.7mm do avião americano destruir os MiG-15 a distâncias de quase 3.000 metros.
Este tese no entanto, não é do agrado dos pilotos, que consideram que atribuir a diferença ao sistema de armas e não ao piloto é uma forma de reduzir a importância do factor humano no resultado do conflito.

O MiG-15 foi igualmente fabricado sob licença na Polónia (cerca de 500 produzidos como Lim-2S) e na Checoslováquia (620 produzidos pela Aero Vodochody como S.103s).

Estes países enviaram tripulações para a guerra da Coreia que deveria aproveitar a ocasião para treino.


[1] - A proporção de aeronaves MiG abatidas para cada F-86, é discutida, embora a proporção gire entre um valor máximo de 14 MiG para cada F-86 abatido e desça até à proporção de 5 MiG abatidos por cada F-86.
A proporção de 5:1 até 7:1 em combate aéreo é a proporção revista e normalmente aceite por fontes russas, considerando as aeronaves F-86 que foram danificadas em combate mas que conseguiram voltar a terra, salvando os pilotos.

Esta proporção no entanto, conta todos os aviões F-86 abatidos em combate e perdidos para avarias, mas não considera o numero de aeronaves perdidas pelos soviéticos e chineses nas mesmas circunstâncias, dado não haver registos.

É no entanto claro que existiu uma grande desproporção entre aeronaves perdidas pelos dois lados durante o conflito. Entre as razões para a diferença estará a menor resistência e qualidade geral de construção das aeronaves soviéticas.
O MiG-15 foi desenvolvido em muito pouco tempo e estava muito longe de ser uma aeronave «pronta» e foi enviada para a Coreia como medida desesperada.

A má qualidade da protecção do piloto também está entre as possibilidades que explicam o grande numero de perdas dos MiG.
Sabe-se que a versão «bis» incluiu maior proteção para o piloto.

Informação genérica:
No final da II guerra mundial, os três principais gabinetes de projectos aeronauticos da União Soviética (Lavochkin, Yakovlev e MiG) receberam a incumbência de apresentar um projecto de caça a jacto, que deveria utilizar dois motores lado a lado.

A análise dos resultados, levou à apresentação de uma nova especificação em 1946 que pedia um interceptor com velocidade e capacidade para destruir bombardeiros ocidentais como o B-29. O MiG-15 é o resultado desse processo de seleção.

O primeiro dos MiG a jacto, estava equipado com dois motores BMW tomados aos alemães, com potência de 800Kgf cada um colocados lado a lado. Ele foi conhecido como I-300 e foi desenvolvido em apenas 14 meses, tendo voado pela primeira vez em 24 de Abril de 1946. O primeiro protótipo voou 19 vezes tendo-se despenhado após totalizar 6 horas e 23 minutos de tempo de voo.
O primeiro avião de pré série estava pronto em 13 de Outubro de 1946. Ele passou a ser conhecido como MiG-9, e era equipado com dois motores RD-20, que era um BMW-003A copiado (ver MiG-19).

Um motor britânico, para os russos

Curiosamente, a URSS encontrava-se em fase de negociação da compra de motores Rolls-Royce RB-41 «Nene» que estava em produção desde 1944. Era o mais potente motor a jato do mundo na altura, e a sua oferta aos soviéticos é hoje vista como uma opção desastrosa dos britânicos, que lhes deram quase de mão beijada, meios para produzir o melhor caça do inicio dos anos 50..

Com uma potência de 2270 kgf, o motor britânico, era muito mais poderoso que a soma dos dois motores alemães que equipavam o MiG-9, tornando desnecessária a colocação de dois motores lado a lado. O novo avião, redesenhado para acomodar o novo motor, terá uma velocidade que lhe permite servir como interceptor, será conhecido como MiG-15.
O desenvolvimento na União Soviética do motor RB-41 da Rolls Royce foi extremamente rápido e os técnicos da Klimov, começaram a copia-lo de imediato, dando-lhe o nome de RD-45.

O primeiro voo do MiG-15 ocorreu a 30 de Dezembro de 1947 e um ano depois, a 30 de Dezembro de 1948, ocorre o primeiro voo da versão definitiva de produção, que ficará conhecido como MiG-15 SV (alcance de 1175km motor com 2270kgf e autonomia para 1100km - peso vazio de 3523kg e máximo de 4963kg - Comprimento de 10.04M envergadura de 10.08m e altura de 3.7m)

Porém, várias deficiências foram notadas na aeronave, pelo que ainda em Novembro de 1948 começou o desenvolvimento de uma versão mais sofisticada, que seria conhecida como MiG-15 BIS.

Já em Novembro de 1950 foram enviados MiG-15 para a guerra da Coreia.

A rapidez com que os soviéticos colocaram no ar uma aeronave com motor a jacto foi surpreendente, especialmente para os norte-americanos, que gozavam de absoluta superioridade aérea na primeira fase da guerra. A superioridade aérea foi aliás uma das razões que permitiram às forças das Nações Unidas resistir e voltar a empurrar as forças norte-coreanas e chinesas para norte.

MiG-17

Paralelamente ao desenvolvimento do MiG-15bis (uma versão melhorada do MiG-15), as autoridades soviéticas ordenaram o desenvolvimento simultâneo de uma versão mais sofisticada, conhecida como i-330.
O objectivo do i-330 era o de construir uma aeronave com um motor mais potente e com capacidade para se aproximar da barreira do som. Com esse objectivo a aeronave seria mais longa e com um tratamento aerodinâmico mais refinado, com uma asa mais fina e completamente redesenhada. O MiG-17 utilizava também o motor VK-1 que também equipava o MiG-15bis.
O primeiro voo do MiG-17 ocorreu em 1 de Fevereiro de 1950 e ele atingiu a velocidade de MACH 0.95. A sua produção foi iniciada em seis fábricas da União Soviética em Setembro de 1951. O MiG-17 utilizava o mesmo armamento do MiG-15bis e foi declarado operacional em Outubro de 1952.

Mas rapidamente, o desenvolvimento do motor VK-1 com pós combustão (VK-1F), bastante mais potente, levou ao desenvolvimento de uma versão mais poderosa do MiG-17 que voou ainda em Setembro de 1951. Com uma potência máxima de 3.380kgf, o motor VK-1F oferecia um aumento de 25% de potência relativamente ao motor que equipava a versão anterior e também o MiG-15bis.

Surge assim o MiG-17F (F de Forsirovannyi, que em russo quer dizer incrementado).

Calcula-se que foram produzidos cerca de 9.000 aeronaves MiG-17 / J-5

-

   
---