Dados sobre utilizadores deste modelo
União Soviética

Aeronaves do mesmo tipo ou relacionadas:

Il-2 «Sturmovik»
Bombardeiro leve / táctico
IL-2 M3 «Sturmovik»
Bombardeiro leve / táctico
IL-10 «Sturmovik»
Bombardeiro leve / táctico

IL-10 «Sturmovik»
Bombardeiro leve / táctico (Ilyushin)
IL-10 «Sturmovik»

Dimensões:Motores/ Potência
Comprimento: 11.65 M
Envergadura: 14.6 M
Altura: 3.4
1 x motores Mikulin AM-42
Potência total: 2000 HP/CV
Peso / Cap. carga Velocidade / Autonomia
Peso vazio: 3250 Kg
Peso máximo/descolagem: 5872 Kg
Numero de suportes p/ armas: 6
Capacidade de carga/armamento: 500 Kg
Tripulação : 2
Passageiros: a
Velocidade Maxima: 551 Km/h
Máxima(nível do mar): 507 Km/h
De cruzeiro: 420 Km/h
Autonomia standard /carregado : 500 Km
Autonomia máxima / leve 600 Km.
Altitude máxima: 9700 Metros


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Canhões / Metralhadoras
- 2 x 23mm VYa-23 (Calibre: 23 ) - 1 x 12.7mm UB «Universalny Berezina» (Calibre: 12.7 ) - 2 x 7.62 DT Degtiarev (Calibre: 7.62 )

Forum de discussão

O último dos três principais modelos do bombardeiro táctico Sturmovik, juntou as modificações que há muito tempo haviam sido pedidas, modificando consideravelmente a aeronave.

O modelo «10» foi muito modificado, no sentido de conseguir proteger tanto o piloto quanto o operador da metralhadora, que nos modelos anteriores estava praticamente desprotegido.

A sua entrada em produção foi possível, porque o numero de instalações industriais entretanto erguidas permitiu o desenvolvimento da aeronave sem parar o ritmo das entregas.

Com a versão «10», os técnicos do gabinete Illyushin tentaram melhorar as prestações da aeronave com uma nova versão do motor Mikulin, que permitiu um aumento de 16% na potência.
A esse aumento da potência vieram juntar-se as vantagens de um completo estudo aerodinâmico, que incluiu por exemplo um sistema de recolha total das rodas, o redesenho do cockpit. Ao mesmo tempo o estudo levou a que fosse possivel - pela primeira vez - proteger completamente o piloto e o operador da metralhadora.

O IL-10 também marcou o abandono definitivo dos suportes para foguetes, dado os foguetes terem demonstrado ser virtualmente inuteis devido à sua falta de precisão. No entanto, a possibilidade de eles serem instalados, continuou a ser prevista.

O modelo substituiu virtualmente todos os IL-2M/Type 3 ao serviço.
Apenas alguns anos após a entrada ao serviço, quando no inicio dos anos 50 começou a guerra da Coreia, o IL-10 começou a ser utilizado como bombardeiro táctico, seguindo as mesmas regras da II guerra mundial. No entanto rapidamente se tornou evidente que o IL-10 não tinha qualquer hipótese de se defender nem dos caças Mustang nem dos novos caças a jacto norte-americanos.
O primeiro avião abatido na guerra foi um IL-10 atingido por um caça F-80C. Mais tarde, os ainda mais modernos F-86 com metralhadoras auxiliadas por um radar de tiro, podiam abate-lo muito antes de se encontrarem ao alcance da metralhadora 12.7 da retaguarda.

Os IL-2 / IL-10 «Sturmovik» foram substituidos por caças MiG-15 e YaK-23 adaptados, embora aquelas aeronaves fossem muito menos eficientes na função de ataque ao solo.

Informação genérica:
Os aviões do tipo «Sturmovik» ou passaro de assalto[1] começaram a ser desenvolvidos ainda no final dos anos 30, tendo a aviação soviética previsto a necessidade de aeronaves especializadas, dedicadas à função de ataque ao solo para apoio a curta distância.
Embora a frente leste tenha sido o teatro de guerra onde este tipo de aeronave mais foi utilizado, inicialmente a produção de uma aeronave dedicada ao ataque não foi vista como absolutamente prioritária pelas autoridades soviéticas.
O primeiro «Sturmovik» só voou pela primeira vez em Dezembro de 1939.

O projecto inicial previa uma aeronave com dois lugares em alguns pontos comparável ao Stuka alemão em termos de dimensões e capacidade de carga, embora não na capacidade para bombardeio de precisão (o Sturmovik não é um bombardeiro de voo picado).

As autoridades militares preferiram optar por uma versão monolugar, por considerarem que a dimensão da União Soviética impunha a necessidade de uma aeronave com maior autonomia. Assim, a poupança de peso do segundo tripulante foi aproveitada para aumentar a capacidade de transporte de combustível.
O IL-2 foi especialmente reforçado para proteger o piloto, pois esperava-se que uma aeronave de ataque pudesse ser atacada por armamento anti-aéreo.

Depois que se verificou a eficácia dos bombardeiros alemães de voo picado contra a Polónia e a França, o projeto do bombardeiro de voo picado Pe-2 recebeu mais atenção. A linha de montagem do Sturmovik estava já organizada e por isso, embora o Sturmovik não pudesse cumprir a mesma função ele recebeu prioridade de produção.

Essa prioridade foi no entanto afectada após o ataque alemão de 1941, com a necessidade de transportar para longe da frente algumas das fábricas, como por exemplo as duas fábricas que produziam os motores Mikulin.
A fábrica GAZ-18 em Voronezh foi bombardeada pelos alemães em 1941 e com a evacuação, a produção do Sturmovik chegou a ser quase interrompida, com apenas 29 exemplares entregues no crítico mês de Dezembro de 1941.

O avião assumiu uma importância considerável na estratégia soviética, ainda que a sua utilização fosse diferente da do Stuka, pois o Sturmovik não tinha a mesma capacidade para ataques de precisão que era característica do vombardeiro alemão de voo picado.

O avião é tão necessário ao exército vermelho como ar e pão
A interrupção da produção levou à intervenção directa de Estaline, que entendia este tipo de aeronave como absolutamente necessário, levando-o a afirmar que ele era tão importante quanto o ar que os soldados respiram.

A produção foi reposta a partir do inicio de 1942 na fábrica de Kuibishev no meio de uma incrível confusão, que levou a que a linha de montagem tivesse sido inicialmente instalada ao ar-livre. A falta de materiais adequados, piorou ainda mais a qualidade dos aviões, que estavam a ser fabricados por trabalhadores que viviam ao lado das máquinas na linha de montagem debaixo da neve.

A 5 de Janeiro de 1942, embora em terríveis condições, a fábrica já estava a produzir cinco unidades por dia, ou 150 por mês. Mas a falta de materiais levou a que vários componentes do Sturmovik voltassem a ser fabricados em madeira, o que reduziu a resistência estrutural da aeronave levando a muitos acidentes. A produção da versão monolugar do Sturmovik continuou até Agosto de 1942, altura em que foi substituído nas linhas de produção pela versão adaptada para dois lugares.

IL-2 2 lugares
Vários IL-2 monolugar foram adaptados incluindo um segundo lugar para um operador de metralhadora de calibre 12.7mm destinado a defender o avião contra ataques dos caças alemães.
A adaptação não era eficiente, mas mesmo assim foi autorizada por causa do tremendo numero de perdas que a aeronave sofreu.

IL-2M

A segunda versão do IL-2 resultou das altíssimas perdas do modelo inicial. A partir do final de 1941 ainda na fábrica de Voronezh tinha sido decidido aumentar a protecção traseira, substituindo o vidro blindado por um painel em aço, mas a modificação não alterou grandemente o ritmo das perdas. A redução da qualidade de construção por causa das faltas de materiais também reduziu a eficiência do modelo. Mesmo a introdução dos novos foguetes de 132mm não aumentou a eficiência do avião, excepto no ataque contra colunas de veículos não blindados.

Como a reconversão das linhas de montagem para produzir uma versão de dois lugares não era viável, pois implicava parar a produção durante meses, foi decidido optar por uma solução intermédia, com uma modificação ao IL-2 base.

IL-2M / Type 3
No seguimento do modelo IL-2M, e tentando responder às queixas dos pilotos soviéticos que afirmavam que a aeronave tinha falta de potência, foi concebida a versão «Type 3».
Trata-se de uma tentativa de somar todas as modificações que resultaram no IL-2M, a um novo motor modificado, o Mikulin AM-38F que tinha mais potência.
Esta será de todas a versão mais produzida do Sturmovik.

IL-10
A última versão do IL-2 foi a versão 10, a qual resultou de um redesenho da aeronave, que não foi possível colocar em produção senão em 1944.
É a primeira versão do Sturmovik que tem uma protecção eficaz para o operador da metralhadora à retaguarda.

Esta versão do Sturmovik foi posteriormente fabricada pela «Avia» na Checoslováquia.


Verdades e mitos sobre o Sturmovik
O IL-2 e o seu derivado IL-10 quando vistos em conjunto representam um numero de aeronaves fabricadas que consegue o record de mais fabricado avião de combate da História.
No entanto, esse record, esconde um outro menos brilhante, que é o de mais abatido avião da História.

Referido como «Tanque Voador» o Sturmovik aparece descrito como um avião destinado a caçar tanques, no entanto quando analisamos as características dos canhões e metralhadoras que levava instalados, facilmente concluímos que as armas não tinham capacidade para efectivamente desabilitar carros de combate médios ou pesados e os foguetes tinham uma probabilidade de acerto residual.

O efeito do Sturmovik era, como o do Stuka, um efeito psicológico, pois se o avião não era eficiente na destruição de tanques, é evidente que ele tinha a capacidade de atacar com eficiência forças de infantaria utilizando canhões, metralhadoras e os foguetes idênticos aos Katiusha que podia transportar nas asas.
Acima de tudo, o Sturmovik tinha a possibilidade de atacar as colunas de abastecimento alemãs, equipadas com veículos não blindados de variadíssimos tipos, sendo essa a utilização mais eficiente do avião.

Na fase inicial da guerra o Sturmovik foi abatido em grandes números pelos caças Me-109.
Mas com o aumento da pressão dos aliados ocidentais, a maioria dos caças Me-109 e Fw-190 foi enviada para a frente ocidental.
A leste a força aérea alemã praticamente já não possuia caças a partir de 1944, o que deixou o controlo dos ares para os soviéticos, permitindo aos IL-2/IL-10 atacar a seu bel-prazer.

Por isto, o principal inimigo dos russos eram os canhões anti-aéreos, dado que os alemães equiparam vários veículos blindados ligeiros com canhões anti-aéreos que conseguiam ser cada vez mais eficientes e acompanhavam as colunas de veículos.

Depois da II Guerra, o Sturmovik foi utilizado na guerra da Coreia. Nesse teatro de operações as debilidades mesmo do modelo IL-10 eram evidentes contra aeronaves como o Mustang e posteriormente contra os aviões a jacto norte-americanos.


[1] - Curiosamente o mesmo nome em alemão foi dado ao Me-262 adaptado para a função de bombardeamento.

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