Aeronaves do mesmo tipo ou relacionadas:

Ju-89 V2
Bombardeiro pesado / estratégico
Do-19
Bombardeiro pesado / estratégico
He-177 A5 «Greiff»
Bombardeiro pesado / estratégico
Me-264
Bombardeiro pesado / estratégico

Me-264
Bombardeiro pesado / estratégico (Messerschmitt)
Me-264

Dimensões:Motores/ Potência
Comprimento: 21.3 M
Envergadura: 43 M
Altura: 4.3
4 x motores BMW-801 radial
Potência total: 6920 HP/CV
Peso / Cap. carga Velocidade / Autonomia
Peso vazio: 21150 Kg
Peso máximo/descolagem: 56000 Kg
Numero de suportes p/ armas: 0
Capacidade de carga/armamento: Kg
Tripulação : 8
Passageiros: 0 a 0
Velocidade Maxima: 560 Km/h
Máxima(nível do mar): 450 Km/h
De cruzeiro: 350 Km/h
Autonomia standard /carregado : 12000 Km
Autonomia máxima / leve 15000 Km.
Altitude máxima: 8000 Metros


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Canhões / Metralhadoras
- 2 x 20mm MG-151/20 (Calibre: 20 ) - 4 x 13mm MG 131 (Calibre: 13 )

Forum de discussão

O Me-264, foi resultado de um desenvolvimento da autoria da própria Messerschmitt durante os últimos anos da década de 1930.

Willy Messerschmitt, chegou a apresentar a Hitler em 22 de Novembro de 1937 um projeto de aeronave capaz de voar 6.000km a 600km/h transportando uma tonelada de bombas. Na altura Hitler não mostrou nenhum interesse, mas Messerschmitt continuou a projetar os seus bombardeiros de longo alcance.

Ainda nesse ano ele considerou uma aeronave comercial, destinada a fazer voos de longa distância para transportar produtos agricolas de alto valor, de países tropicais para a Alemanha. Esse projeto ficou conhecido como o avião das bananas, fruta extremamente cara na Alemanha da década de 1930.

Os planos de Messerschmitt acabaram sendo adiados. Mas quando a França caiu, os Estados Unidos tomaram começaram a tomar posições favoráveis ao Reino Unido, que levariam à lei do emprestimo e arrendamento, que permitia aos Estados Unidos fornecer armamento aos inimigos da Alemanha.

Este problema voltou a chamar a atenção dos líderes alemães para a possibilidade de um conflito com os Estados Unidos, país que tinha sempre sido considerado como economicamente poderoso mas militarmente fraco.

Uma nova especificação foi considerada, com a possibilidade de uma aeronave com base em Brest em França atingir os Estados Unidos.
W.Messerschmitt voltou novamente ao desenho e aprimoramento dos modelos que já tinha concebido, para responder a esse projeto de especificação.

Inicialmente o ministério do ar pediu uma aeronave para apoio às operações dos submarinos alemães no atlântico. As opções eram reduzidas (Fw-200, desenhado para o mercado civil, o Heinkel He-177 em protótipo e o gigantesco hidroavião Bv-222 de seis motores) e Messerschmitt aproveitou para apresentar o seu projeto de quadrimotor.

Em 5 de Março de 1941, alegadamente sob pressão do próprio Hitler, o ministério do ar alemão colocou uma encomenda para 30 bombardeiros de longo alcance destinados a operações de fustigação contra a América.
Os meios para construir seis protótipos foram imediatamente disponibilizados.
O projeto foi então designado Me-264.


Um dos três protótipos construidos: Dos trinta inicialmente encomendados, seis receberam recursos imediatos mas apenas três acabaram por ser construidos e desses só dois chegaram a ser terminados. Ainda que imponentes, os motores Jumo 211 nunca atingiram a potência necessária e o mesmo ocorreria com os motores BMW



Dúvidas

Dentro do ministério do ar, muitos responsáveis consideraram que com os motores disponíveis, dificilmente o Me-264 poderia corresponder ao que Messerschmitt afirmava ser possível fazer com o avião.
Novas estimativas, levaram a concluir que mesmo que a aeronave fosse redesenhada para receber seis motores, ainda assim não conseguiria atingir nenhum ponto no continente americano e voltar sem reabastecimento.

Os técnicos da fábrica entretanto também tinham concluido a mesma coisa e começaram a desenhar soluções. Duas soluções apareceram como alternativa.
A primeira consistia em utilizar um segundo Me-264 carregado com combustível, para reabastecer o Me-264 que fizesse a viagem até à America e a segunda consistia na colocação de foguetes que auxiliassem a descolagem do aparelho, poupando assim combustível.

Mas outro problema surgiu, com o atraso na produção do novo motor Junkers-Jumo 213-J que deveria desenvolver 2100cv.

O primeiro voo acabou por ocorrer em 23 de Dezembro de 1942, enquanto o VI exército estava cercado em Estalinegrado, mas o avião recebeu motores Jumo-211J com 1340cv cada um (potência total de 5360cv, pouco mais de 60% do previsto).

Para piorar a situação, no que respeitava à versão com seis motores o concorrentes Junkers Ju-390 podia utilizar maior quantidade de componentes já desenvolvidos, colocando o bombardeiro da Messerschitt numa posição de desvantagem.

A continuação dos problemas levou a que no outono de 1943 a marinha alemã abandonasse a ideia de utilizar o Me-264 como bombardeiro naval, já que os modelos da Junkers (290 e 390) aparentavam ter mais futuro.

A falta do motor Jumo-213-J levou a que um ano depois do primeiro voo (Dezembro de 1943) um outro protótipo fosse testado com motores BMW-801 (que produzia apenas 1730cv de potência contra os previstos 2100cv do da versão J do motor Jumo-213), mas nesta altura a Messerschmitt tinha já recebido ordens para concentrar os seus esforços no desenvolvimento do caça a jato Me-262 que se tinha tornado prioritário.

Dois dos protótipos acabaram sendo perdidos. O segundo protótipo foi destruido num ataque aéreo no final de 1943 e em 18 de Julho de 1944 o primeiro protótipo, que se encontrava ao serviço foi danificado e nunca mais foi reparado.

O programa foi definitivamente cancelado, quando a Alemanha perdeu o acesso aos poços de petróleo na Romenia. Nessa altura, com as reservas de petróleo disponíveis reduzidas a um décimo, o cancelamento de todos os bombardeiros pesados era a única opção para a Alemanha.

Informação genérica:

Bombardeiros pesados alemães


Uralbomber - O bombardeiro dos Urais
Este foi um projeto de aeronave de bombardeamento estratégico iniciado pelo III reich alemão durante a década de 1930.

Walther Wever[2], o primeiro chefe de estado-maior da Luftwaffe e impulsionador do projeto de bombardeiro estratégico alemão. A sua morte a 3 de Junho de 1936 contribuiu decisivamente para alterar o futuro da Luftwaffe e provavelmente o destino da II guerra mundial.
Mesmo após a chegada de Hitler ao poder, os militares da força aérea continuaram a dar ao projeto de bombardeiro estratégico de longo alcance, a importância que lhe davam outros países.
O principal defensor da criação de uma força aérea «Luftwaffe» com capacidade de bombardeamento estratégico foi o Tenente-General Walther Wever, principal impulsionador do projeto e primeiro chefe de estado-maior da força aérea alemã.

É Wever, que em 1934 emite um pedido para as várias industrias alemãs, para que apresentem projetos para um bombardeiro de longo alcance para a Luftwaffe. Esse projeto receberá o nome não oficial de «Uralbomber». O nome oficial era Langstrecken-Grossbomber.
O nome indicava uma grande capacidade de Wever para entender onde estaria o principal adversário militar do III Reich alemão, esperando que os soviéticos colocassem naquela área as suas industrias militares e estratégicas.
As especificações foram apresentadas à Dornier e à Junkers (as empresas com capacidade demonstrada para desenvolver o projeto) no verão de 1935

Os protótipos foram apresentados até ao final do ano de 1936:

Dornier Do-19
Com linhas relativamente antiquadas mas mais elegantes que o seu concorrente, o projeto da Dornier mostrou não corresponder ao que a própria designação «Uralbomber» poderia implicar. Capaz de lançar 1500kg de bombas a uma distância de 900 a 1000km (voltando à base de partida) o Do-19 não teria capacidade para atacar alvos muito profundamente em territórios inimigos.

Junkers Ju-89
Maior, mais caro e mais rápido que o modelo da Dornier, o modelo da Junkers foi considerado demasiado grande e demasiado gastador, pelo que também foi considerado desajustado para as necessidades da Luftwaffe.


Os dois modelos eram relativamente sofisticados para a época e não ficavam a dever nada aos seus congéneres contemporâneos britânicos, no entanto o problema dos motores que eram relativamente pouco potentes, acabou por não permitir uma autonomia adequada.
Para complicar o problema, em 1936 Walther Wever morre num acidente de avião e com o desaparecimento do principal impulsionador do bombardeiro de longo alcance, o desenvolvimentod e ambos os projetos foi suspenso no final de 1936 e cancelado em Abril de 1937.

Albert Kesserling[2], comandante da Luftwaffe após a morte de Wever: Desinteresse pelos bombardeiros estratégicos
A Luftwaffe de Albert Kesserling
Para substituir Wever, foi escolhido um general que não tinha qualquer entusiasmo pelo projeto de bombardeiro de longo alcance, Albert Kesserling.
Kesserling pretendia construir uma Luftwaffe que funcionasse como braço tático da Wermacht (exército alemão). Para Kesserling fazia muito mais sentido desenvolver bombardeiros de precisão (voo picado) que pudessem ser utilizados em coordenação com as unidades no terreno, atacando onde a infantaria ou os blindados necessitassem de apoio.

Os detratores do projeto afirmaram várias vezes que só a matéria prima para construir um bombardeiro de longo alcance era mais cara que um bombardeiro tático já pronto.

No entanto, mesmo após o cancelamento do Dornier Do-19 e do Junkers Ju-89, o bombardeiro de longo alcance não morreu, embora tenha deixado de ter prioridade.
Um novo pedido de estudo foi solicitado à Heinkel pelo Ministério do Ar.
Uma especificação alternativa tinha sido produzida em 1936, enquanto os dois modelos Do-19 e Ju-89 estavam em desenvolvimento.

«A bomber»

Esse novo projeto, conhecido como «bombardeiro A» teria autonomia e prestações superiores aos dois modelos já em fase de produção de protótipos.

A especificação pedia uma aeronave com capacidade para voar a uma velocidade de 540km/h e capacidade para transportar 2.000kg de bombas num raio de ação operacional de 1600km. Em alternativa deveria ter capacidade para transportar 1.000kg a 2900km e voltar.
Esta exigência era fenomenal para 1936, pois nenhuma aeronave conhecida tinha esta capacidade.

O pedido para o desenvolvimento foi entregue à Heinkel, recebendo a designação «projeto 1041». Os trabalhos começaram em Setembro de 1936 e viriam a resultar no Heinkel He-177.

No entanto, o resultado não foi melhor.
A opção dos novos chefes da Luftwaffe, especialmente de Albert Kesserling e posteriormente de Ernst Udet, acabou por também não favorecer o modelo da Heinkel.
O projecto da Heinkel nunca recebeu todos os recursos e prioridade que necessitava e isso afetou de forma determinante o desenvolvimento da ideia.
A introdução do Junkers Stuka na guerra civil de Espanha e os resultados obtidos com o seu bombardeamento de precisão, aumentaram o número de defensores dos bombardeiros leves e médios, em detrimento dos bombardeiros de grandes dimensões.

O bombardeiro dos Açores
Herman Goering, afirmou em 1943, que lhe tinha sido apresentado um ano antes, em 1942, uma aeronave alemã que poderia entrar em produção.
Segundo Goering, o avião podia atingir a costa leste dos Estados Unidos partindo dos Açores.

Hoje sabemos que em 1941, Hitler discutiu a questão do ataque à América. O comandante da marinha alemã, almirante Erich Raeder terá dito a Hitler, que para atacar a América, seria necessário tomar a Islândia, os Açores e as Canárias, antes que os americanos as tomassem.
Hitler, que já estava a pensar no ataque à URSS não teve em consideração as sugestões.

No entanto numa conferência em 11 de Novembro de 1940, Hitler reconheceu que a única forma efetiva para atacar a América em caso de guerra, era construir bases nos Açores de onde fosse possível lançar o ataque. As minutas da reunião referem que a Lufthansa já utilizava os Açores para as suas rotas comerciais.
(Na imagem, um hidroavião Bv-142 que operava entre a Horta e Nova Iorque para transportar correio)
Aliás, o sucesso inicial dos bombardeiros de voo picado, acabou por influir no desenvolvimento do He-177, cuja especificação exigia a possibilidade de efetuar bombardeio de precisão e voo picado.
O He-177 nunca correspondeu às espectativas, foi colocado em produção antes dos seus problemas de motores terem sido resolvidos e ainda que mais de 1.000 exemplares tenham sido produzidos, ele em nada influiu no destino do conflito.

«Amerikabomber»

A designação «Amerikabomber» é uma designação genérica relativa aos projetos alemães para desenvolver um bombardeiro com capacidade para atingir a América. A primeira destas especificações foi emitida pelo ministério alemão do ar no inicio de 1938 e pedia um bombardeiro com autonomia para 6700km com uma carga de 1 tonelada de bombas.

Os trabalhos para aprimoramento da especificação foram acelerados ainda em 1940, mais de um ano antes de os Estados Unidos entrarem na guerra.
Os alemães pretendiam desenvolver um bombardeiro que pudesse atingir os Estados Unidos, partindo de bases em França [1] e Hitler aparentemente sempre teve sonhos de ver Nova Iorque em chamas.

Ainda que os planos tivessem começado a ser desenvolvidos durante a década de 1930, só em 1942 é que foi dada atenção aos projetos que entretanto tinham recebido atenção secundária.

De entre os projetos apresentados pelas industrias alemãs, destaca-se o
Me-264, já que Willy Messerschmitt tinha desenvolvido projetos privados para uma aeronave com capacidade para voos intercontinentais sem escalas.

O Me-264B deveria ser uma versão com seis motores, mas acabou sendo preterido em favor do Junkers Ju-390 também com três motores, mas que tinha a vantagem de possuir elementos comuns com o Ju-290 já desenvolvido.
Nenhum dos «Amerikabomber» chegou a ser utilizado operacionalmente.



[1] - Os planos alemães para o desenvolvimento destas aeronaves foram levados a sério pelos norte-americanos. A politica americana relativamente ao controlo do Atlântico e das ilhas portuguesas dos Açores foi condicionada pela possibilidade de os alemães utilizarem aquelas ilhas como base para o lançamento dos seus ataques.

[2] - Tanto Wever como Kesserling eram generais do exército antes de serem transferidos para a recém-criada Luftwaffe. Mas se Wever se dedicou à tarefa tentando criar uma nova força, muitos dos outros continuaram a ser generais do exército que viam a Luftwaffe como uma extensão do exército.

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