Aeronaves do mesmo tipo ou relacionadas:

DH-106 Comet-1
Aeronave comercial Medio Alcance
DH-106 Comet-4
Aeronave comercial Medio Alcance
Hs-801 «Nimrod»
Avião de patrulha marítima e luta anti-submarina

DH-106 Comet-1
Aeronave comercial Medio Alcance (de Havilland)
DH-106 Comet-1

Dimensões:Motores/ Potência
Comprimento: 28.61 M
Envergadura: 34.98 M
Altura: 8.99
4 x motores de Havilland Ghost-50
Potência total: 9000 Kgf
Peso / Cap. carga Velocidade / Autonomia
Peso vazio: 27000 Kg
Peso máximo/descolagem: 47600 Kg
Numero de suportes p/ armas: 0
Capacidade de carga/armamento: 5700 Kg
Tripulação : 2+2
Passageiros: 32 a 36
Velocidade Maxima: 725 Km/h
Máxima(nível do mar): Não disponível
De cruzeiro: 0 Km/h
Autonomia standard /carregado : 0 Km
Autonomia máxima / leve 2400 Km.
Altitude máxima: 13000 Metros


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Forum de discussão

O de Havilland Comet, foi o primeiro jato comercial da História.

O projeto que havia de levar ao desenvolvimento do Comet começou ainda durante a II guerra mundial no inicio de 1943, e depois da derrota alemã em Estalinegrado.

Nessa altura, a Grã Bretanha estava já segura de que a vitória seria uma questão de tempo e por isso começaram os estudos iniciais para determinar que tipo de aeronaves de transporte seriam necessárias após a derrota da Alemanha.

O desenvolvimento do projeto chegou a 1945 com uma configuração de aeronave comercial para 24 passageiros. Um avião comercial a jato era considerado na altura demasiado arriscado mas a empresa britanica BOAC, colocou uma encomenda para 25 exemplares em Dezembro de 1945, embora o número tenha posteriormente sido reduzido para apenas dez.

O desenvolvimento tinha que ser rápido para cumprir com os prazos da encomenda. Os mais importantes engenheiros da de Havilland dedicaram-se ao projeto tendo estudado várias configurações possíveis.

O primeiro voo ocorreu a 27 de Julho de 1949. O segudo protótipo voou exactamente um ano depois, a 27 de Julho de 1950. No entanto, a existência da aeronave não foi conhecida senão algumas semanas antes da feira internacional de Farnborough em Setembro de 1949, tendo atraido a atenção internacional. Em 25 de Outubro de 1949 o primeiro protótipo do Comet voou até ao aeroporto de Tripoli na Líbia, na altura uma base da RAF.

A ausência de problemas de maior com o Comet, levou a uma rápida aceitação do modelo para produção e introdução ao serviço das linhas aéreas. O primeiro modelo de produção saiu de fábrica em 9 de Janeiro de 1951.

Recordes pulverizados
Na história da aviação, nunca uma aeronave se tinha mostrado tão revolucionariamente superior como o Comet.
A título de exemplo, se um Comet e um Douglas DC-6 (um dos mais sofisticados aviões comerciais da altura) saíssem de Londres na mesma altura com destino a Johanesburgo, quando o DC-6 chegasse, já o Comet se encontrava a meio caminho de volta a Londres.

O Comet superiorizou-se também no capítulo da operação a grande altitude, onde se superiorizou aos aviões de motores a pistão, acontecendo a mesma coisa nos aeroportos africanos onde as temperaturas elevadas complicavam a operação dos outros modelos.

Para somar a tudo isto, os motores a jato tinham muito menos peças móveis e eram por isso mais simples no capítulo da manutenção.

Em 20 de Outubro de 1952 foi a vez da poderosa PANAM americana colocar uma encomenda para uma versão melhorada do Comet (que resultaria no Comet-3). Essa versão já teria as janelas redondas e não janelas quadradas e isto ainda antes dos acidentes com os modelos Comet-1.

No entanto uma sequência de falhas e acidentes no Comet-1 destruiria o futuro de toda a linha do Comet, mesmo dos modelos seguintes.

Ligas demasiado finas de materiais, uma janela no topo da cabine destinada a antenas insuficientemente reforçada e as janelas quadradas e fixadas com rebites, o que criou pontos fracos na fuselagem, estiveram na origem dos problemas.

Essa sequência de acidentes, alguns deles fatais, levou a que não só os Comet-1 mas todos os Comet fossem proíbidos de voar.

Verificou-se que o problema residia na pouca robustez dos modelos Comet-1, que levava a que se desenvolvessem fissuras no metal. Esse problema já tinha sido resolvido nas versões seguintes, mas afetou definitivamente o futuro da aeronave e em última instância, condicionou o futuro de toda a industria aeronáutica.

Informação genérica:
Comet 1
Equipado com quatro motores Ghost Mk.1, o primeiro dos Comet, caracteriza-se pelas janelas quadradas, qute também estiveram na origem dos problemas que levaram à perda de alguns exemplares.
Aos primeiros 12 exemplares, sucederam-se mais dez numa versão conhecida como Comet-1A. Destes 10, dois seriam convertidos para o padrão Comet-1X e 4 para o padrão Comet-1XB, o total produzido foi de 22.

Comet 2
De dimensões ligeiramente mais generosas (mais 94cm) e maior autonomia, o Comet-2 foi pensado para as rotas transatlânticas, com 44 assentos. O primeiro avião voou a 27 de Agosto de 1953.
Após os acidentes os Comet-2 foram reconstruidos com a aplicação de metal mais espesso e janelas redondas.
Foram produzidas 24 aeronaves, mas as modificações foram consideradas insuficientes para a função de transporte transatlântico, pelo que a maioria dos exemplares foi para RAF.

Comet 3
Esta versão do Comet era muito mais longa, resultando numa fuselagem 4.7m mais longa relativamente ao Comet-2 (5.64m relativamente ao Comet 1). A potência também era maior com quatro motores desenvolvendo um total de 18.000kg/f.
Tratou-se no entanto de uma versão de teste, já que tinha sido planeada antecipadamente e não tinha os reforços que foram aplicados aos outros modelos. O Comet-3 não podia ser pressurizado. Apenas dois aviões foram completados e apenas um chegou a voar.

Comet 4
Resultado dos estudos no Comet-3, o Comet-4 foi a versão definitiva do Comet.
Ele tinha uma fuselagem longa e uma capacidade para sentar de 74 a 81 passageiros. No total foram produzidos 76 exemplares.

Comet 5
Uma quinta versão do Comet chegou a ser considerada e proposta. Tratava-se de um Comet com uma fuselagem mais larga e maior comprimento. No entanto o avião não conseguiu reunir o interesse dos potênciais clientes, ao que não foi alheio o facto de ele continuar a ser visto como o desenvolvimento de um avião que tinha dado problemas.

A falta de apoio estatal por parte do ministério dos transportes da Grã Bretanha acabou por deixar o Comet-5 no estadio de desenvolvimento, nunca tendo sequer chegado à fase de protótipo.

Nimrod
Em 2 de Fevereiro de 1965 foi anunciado no parlamento britânico o desenvolvimento do primeiro avião a jato de reconhecimento marítimo. A aeronave que seria conhecida como Nimrod teria como base o Comet-4. Este tipo de aeronave continuou ao serviço até Março de 2010, altura em que foi retirado, essencialmente por causa dos altíssimos custos operacionais.


Fadiga do metal

O problema da fadiga do metal, foi pela primeira vez referido num trabalho de 1837, em plena revolução industrial, indicando que os metais, quando submetidos a tensões cíclicas e essas tensões ocorrem acima de determinados limites, começam a notar-se micro-fissuras, as quais podem agravar-se com a continuação dos ciclos.

O problema da fadiga do metal, não era novidade quando o Comet foi concebido, mas não estava suficientemente estudado o ponto a partir do qual a fadiga do material inevitavelmente acontece.
As aeronaves Comet foram reforçadas de forma a que não se passasse do ponto em que as tensões cíclicas começam a ser um problema. No entanto, quando o problema foi identificado e resolvido era já demasiado tarde.

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