Aeronaves do mesmo tipo ou relacionadas:

Tupolev Tu-114
Aeronave comercial Longo Alcance
Tu-142 «Bear F»
Avião de patrulha marítima e luta anti-submarina
Tu-95 MS «Bear H»
Bombardeiro pesado / estratégico

Tupolev Tu-114
Aeronave comercial Longo Alcance (UAC-Tupolev)
Tupolev Tu-114

Dimensões:Motores/ Potência
Comprimento: 54.1 M
Envergadura: 51.1 M
Altura: 15.44
4 x motores Kuznetsov NK-12MV
Potência total: 59200 HP/CV
Peso / Cap. carga Velocidade / Autonomia
Peso vazio: 85800 Kg
Peso máximo/descolagem: 175000 Kg
Numero de suportes p/ armas: 0
Capacidade de carga/armamento: 30000 Kg
Tripulação : 5
Passageiros: 120 a 220
Velocidade Maxima: 870 Km/h
Máxima(nível do mar): 820 Km/h
De cruzeiro: 770 Km/h
Autonomia standard /carregado : 9000 Km
Autonomia máxima / leve 10900 Km.
Altitude máxima: 12000 Metros


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Forum de discussão

Em Agosto de 1955, já com o muito mais moderno e mais pequeno Tu-104 em desenvolvimento, o governo da União Soviética considerando a necessidade de possuir uma aeronave que realmente servisse de meio de propaganda do regime, decidiu emitir uma ordem para que vários dos gabinetes estatais de desenvolvimento, tratassem de apresentar ideias para o futuro transporte de grande alcance soviético.

Na altura, sabia-se que tanto a Grã Bretanha quanto os Estados Unidos tinham em desenvolvimento projetos de aeronaves a jato, pelo que os soviéticos demonstraram inicialmente algum interesse no desenvolvimento desse tipo de transporte.

Com efeito a URSS já tinha em desenvolvimento uma aeronave comercial a jato baseada no bombardeiro Tu-16, o Tupolev Tu-104 com uma configuração que lembrava o Comet britânico apresentado alguns anos antes, embora com apenas dois motores. No entanto o Tu-104, previsto para transportar 70 passageiros não podia ser visto como uma aeronave suficiente para mostrar a pujança do regime soviético.

Entre as razões encontrava-se o facto de os motores soviéticos, demasiado gastadores, limitarem a autonomia das aeronaves.
Por esta razão, é decidido partir para a conversão do bombardeiro Tu-95 (que tinha sido lançado recentemente) para produzir uma aeronave comercial de longo alcance.

De facto, as autoridades soviéticas tinham tal urgência na aeronave (periodo da guerra fria em que havia constantes contatos internacionais) que deram ordem para que dois bombardeiros Tu-95 fossem convertidos para o transporte de passageiros.

Não dispondo de motores a jato adequados, os soviéticos utilizaram os quatro grandes motores Kuznetsov que permitiam ao avião atingir uma velocidade superior à de alguns dos jatos comerciais da altura.

Não é correto afirmar que o Tu-114 foi um concorrente do Constellation, já que se trata de aeronaves com dimensões muito diferentes. O Tu-114, é muito mais uma resposta ao Boeing B707, utilizando motores extremamente potentes, qua quase permitiam ao avião soviético atingir as performances de uma aeronave a jato.

De facto, quando foi lançado em operação comercial o Tu-144 conseguia atingir uma velocidade de cruzeiro de 770km/h e máxima de 870, quando o Comet britânico não atingia os 700km/h de cruzeiro e estava limitado a 805km/h de velocidade máxima.
Por esta altura o B707 da Boeing atingia uma velocidade máxima de 1000km/h e uma velocidade de cruzeiro de 970km/h.

Esta desvantagem e o facto de os motores Kuznetsov se demonstrarem complicados de manter, levou a que rapidamente as autoridades soviéticas pensassem em outro tipo de aeronave para responder às necessidades.
Essa resposta só viria na forma do quadrireator Ilyushin-62.

Informação genérica:
As aeronaves do tipo TU-95 foram concebidas em meados da decada de 1950 e incorporaram muitas das características do B-29, que foi copiado na antiga União Soviética depois que pelo menos três deles pousaram de emergência durante missões contra o Japão.

As autoridades soviéticas não libertaram os aparelhos e num caso chegaram mesmo a acusar o piloto de espionagem. Estaline ordenou que o avião fosse copiado e dessa cópia resultou o Tupolev Tu-4, que é exactamente igual ao B-29.

Os rápidos desenvolvimentos da aviação a jacto depois da II guerra mundial transformaram o B-29 num avião obsoleto, pelo que a URSS teve que produzir um novo avião, capaz de competir com o novo bombardeiro B-36H uma aeronave com seis motores e capacidade para 36,000Kg de bombas, que teria uma vida útil muito curta.

A necessidade de uma aeronave de longo alcance tornou-se vital, se a União Soviética queria garantir a capacidade de atacar os Estados Unidos com bombas atómicas.

Os projectistas da URSS pegaram o projecto do TU-4/B-29 e beneficiando da experiência obtida, junto com os seus próprios desenvolvimentos de aerodinamica já efectuados, desenvolveram o Tu-20, que mais tarde viria a ser conhecido como Tu-95, que voou pela primeira vez em 1952.

O aparecimento do B-52 levou a URSS a tentar produzir um bombardeiro de longo alcance com motor a jacto, mas os projectistas nunca conseguiram construir uma aeronave que conjugasse a capacidade de carga do Tu-95, com a sua velocidade.

Estas razões levaram a que o Tu-95 se mantivesse durante muitos anos como o mais importante bombardeiro estratégico da União Soviética, e que se transformou mesmo num icone da guerra fria.

Com o desenvolvimento dos mísseis intercontinentais ele começou a perder importância e ainda mais quando apareceu o bombardeiro TU-22M «Backfire» que embora tivesse uma autonomia bastante menor (2410Km) podia transportar muito mais carga.

Porém, jogou a favor do TU-95 a sua robustez e o seu menor custo de operação.

Entre as principais versões do Tu-95 encontram-se as seguintes:

Tu-95
(Bear A) A primeira versão operacional

Tu-95K


Tu-95 RT
Versão de reconhecimento naval

Tu-142
Tu-142 (Bear F) de luta anti-submarina.

Tupolev Tu-114
Os problemas com o desenvolvimento de motores a jato suficientemente poderosos para garantir a viabilidade de um bombardeiro a jato de longo alcance, também se reflectiram na aviação civil soviética.

Em meados da década de 1950, já com britânicos e americanos engajados em projetos de aeronaves comerciais a jato, os soviéticos decidiram não perder tempo e desenvolver um avião que pudesse de alguma forma ombrear com aqueles.

Não é correto afirmar que o Tu-114 fosse pensado para concorrer com aeronaves como o Super Constellation da Lockeed, dado o Tu-114 ser muito maior.
O Tu-114 é uma resposta soviética dentro das medidas do possível ao aparecimento do Boeing B707, do DC-8 e mesmo do Comet britânico.

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