Mísseis do mesmo tipo:
V-1
Míssil de cruzeiro
V-2
Míssil balistico médio / longo alcance

V-2
Míssil balistico médio / longo alcance


Fabricante: Mittelwerk GmbH
Função principal: Ataque ao solo
Alcance: 320km
Precisão: 250m
Velocidade: 5760km/h
Tipo de ogiva : Alto Explosivo / pre fragmentadaPeso da ogiva : 980Kg.
Peso total: 12500KgComprimento: 14 M.
Diâmetro: 1650mmSistema orientação: Inercial

 


O míssil alemão V-2 foi o primeiro míssil balístico operacional da História.

Na realidade, o míssil é designado A-4 (e é como A-4 que ele foi encomendado à fábrica pelas autoridades alemãs), mas por insistência do ministro alemão da propaganda Goebbels, a arma passou a ser designada como «Verteltungswaffe 2» ou arma de vingança numero 2, daí V-2.

O desenvolvimento de foguetes tinha sido iniciado por Werner Von Braunn ainda na década de 1920, mas depois da chegada de Hitler ao poder, os militares alemães interessaram-se pelo projeto e atribuiram grandes recursos a Von Braunn a partir de 1936.
Esses recursos permitiram a construção da gigantesca instalação secreta de Peenemunde.

A construção de um míssil balístico era no final dos anos 30, tecnologia de ponta, pelo que muitos dos sub-sistemas tiveram que ser desenvolvidos e testados separadamente. O primeiro teste efectivo do sistema ocorreu apenas em Fevereiro de 1942. Os primeiros três testes resultaram num completo fracasso e apenas à quarta tentativa, em 3 de Outubro de 1942, foi possivel conseguir um lançamento com sucesso.

Mas , ainda que Hitler tenha autorizado a produção em massa do míssil V-2 no Verão de 1942 (antes do primeiro lançamento com sucesso), decorreu bastante tempo até que todos os sistemas estivessem em condições para serem utilizados operacionalmente contra os aliados.

Para piorar as coisas, o complexo de Peenemunde foi descoberto pelos aliados e bombardeado por 500 bombardeiros britânicos na noite de 17 para 18 de Agosto de 1943. A instalação ficou inoperacional e a produção de mísseis teve que ser transferida para a fábrica subterrânea da Mittelwerk próximo de Nordhausen, 120km a sudeste de Berlim.


Custos altíssimos

O principal problema do programa V-2 foram os custos de desenvolvimento e o principal prejudicado com esses custos foi a Luftwaffe, a força aérea alemã. O exército prometera que os seus mísseis, poderiam ganhar a guerra contra a Inglaterra, onde a Luftwaffe tinha falhado durante 1940.
O resultado foram cortes nos fundos e acima de tudo nas matérias primas destinadas à fabricação de aeronaves.

A Luftwaffe tinha o seu próprio projecto de míssil, mas o programa mais afectado pelo desvio de recursos foi o de desenvolvimento do bombardeiro estratégico alemão que a força aérea alemã pretendia construir.

Sistema móvel ou fixo ?

De entre os problemas que os alemães tiveram que resolver após o primeiro lançamento com sucesso, esteve o do sistema de lançamento.
Sendo um míssil que utilizava combustível líquido - extremamente volátil - O combustível tinha que ser transferido para o míssil imediatamente antes do lançamento.
Inicialmente, considerou-se uma instalação muito automatizada de lançamento, em que os mísseis chegavam a uma espécie de linha de montagem subterrânea onde eram abastecidos e depois transportados sobre os mesmos carris para o ponto de lançamento.

Os pontos de lançamento foram sempre o calcanhar de aquiles do sistema e os aliados desenvolveram os seus melhores esforços para destruir todas as plataformas de lançamento de que tinham conhecimento.

Eficácia financeira ?

Foram produzidas 5200 mísseis V-2, com um custo médio de 75,000 RM (Reichmark) por unidade, ainda que pouco mais de 3,000 mísseis tenham sido lançados. Calcula-se que o numero de vítimas mortais do lado dos aliados tenha estado entre 7,000 e 7,500.
Na verdade, do lado alemão, morreram mais de 9,000 trabalhadores escravos vítimas de maus tratos, para construir os mísseis e os locais de produção e lançamento.

O custo total de produção foi de 390 milhões de RM, e teria sido equivalente ao custo de 3,000 a 4,000 tanques Panther.

Informação genérica:
Os cientistas alemães tinham começado a desenvolver o seu interesse pelos foguetes ainda em meados dos anos 20 e o inicio desse desenvolvimento nada teve que ver com a asceção do nazismo vários anos mais tarde.

O primeiro lançamento de um foguete com combustível sólido equipado com um sistema de navegação ocorreu em 1931.
Curiosamente, quando os nazis chegaram ao poder na Alemanha, o desenvolvimento destes sistemas foi afectado, porque Hitler não gostava do relacionamento que os cientistas alemães tinham com a comunidade cientista internacional.

A Wermacht
No entanto, com os recursos que passou a ter disponíveis o exército alemão decidiu patrocinar o desenvolvimento de armas de artilharia a foguete, com o objectivo de ganhar capacidade para efectuar ataques a longa distância.
Os mísseis alemães de médio alcance eram portanto uma arma do exército e dentro do exército eram controlados pela arma de artilharia.
Por esta razão, a Wermacht financiou o desenvolvimento das armas, mesmo quando os primeiros testes de demonstração resultaram em fracassos.

A Luftwaffe. A força aérea alemã, também também desenvolveu um sistema adequado para atacar a Grã Bretanha. Inicialmente conhecido como FZG-76 e mais tarde como bomba voadora V-1

A V-1 foi aliás o primeiro sistema a ter sido declarado operacional. Tratava-se de um míssil de cruzeiro com sistema de orientação inercial, destinado a atacar a Grã Bretanha a partir de bases na Europa ocupada.

Outro sistema foi produzido, a bomba voadora V-2, que na prática foi o primeiro míssil balístico da História. Ele também foi resultado das especificações do exército alemão para bombardeamento a longa distância.


Quer a V-1 quer a V-2 foram consideradas pelos alemaes como «armas de retaliação», no entanto, a quantidade de armas produzidas foi demasiado pequena e o seu real impacto na guerra foi praticamnete nulo.


Vergeltungswaffen
O avanço dos cientistas alemães no campo dos foguetes, levou a que os sistemas desenhados por eles, caíssem no âmbito das armas de retaliação, uma expressão da propaganda Nazi, utilizada para designar o desenvolvimento de armamentos tão modernos que pudessem desequilibrar os pratos da balança, que depois de 1942, começavam a pender para o lado dos aliados e dos soviéticos.
As «Vergeltungswaffen» constituiram-se em mais um enorme sorvedouro de recursos para o II reich alemão, e em vez de ajudarem numa eventual vitória acabaram facilitando a derrota da Alemanha.


Além do míssil balístico V2, ou A4, na sua designação de fábrica, outros projetos foram sendo desenvolvidos. O estudo de mísseis com mais um estágio já estava avançado e foram feitos estudos para aumentar o alcance do A4 (V2) acrescentando-lhe asas. Este projeto foi nomeado A4b e mais tarde A9.

Foi igualmente desenvolvido o super-foguete de impulso A10 que seria utilizado para transportar um A4b. Este projeto destinava-se a desenvolver um sistema capaz de atingir a América. O projeto começou ainda em 1940, tendo sido adiado e retomado apenas no final de 1944. O projeto não passou do papel.

   
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