Navios deste tipo:

Dreadnought
Couraçado «tipo Dreadnought»
Minas Geraes
Couraçado «tipo Dreadnought»
Neptune / Colossus
Couraçado «tipo Dreadnought»
Bellerophon
Couraçado «tipo Dreadnought»
St. Vincent
Couraçado «tipo Dreadnought»

Listar navios do tipo
Couraçado «tipo Dreadnought»


Brasil
Couraçado «tipo Dreadnought» classe
Minas Geraes
(tipo Dreadnought)

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 19588 Ton
Deslocamento máx. : 23240 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 162.4 M - Largura: 25.3M
Calado: 7.6 M.
6 x Caldeiras (oleo) ()
2 x Máquinas a vapor Tripla expansão (30000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 850 Autonomia: 18000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 23 nós

Canhões / armamento principal
12 x Armstrong 305mm/45 Mk.X / XIII - UK (Calibre: 305mm/Alcance: 19Km)
14 x Elswick Shpb. (Armstrong) 120mm/40 m.1886 (UK) (Calibre: 120mm/Alcance: 9.05Km)
4 x US Naval Gun Factory 76mm/50 (US) Mk.21 m.1920 (Calibre: 76mm/Alcance: 15Km)
4 x Bofors / BAE Systems 40mm /L60 Mod Mk.V (2x) (Calibre: 40mm/Alcance: 7.2Km)


Primeiros grandes couraçados de uma marinha sul-americana, os dois navios da classe Minas Gerais eram na altura em que foram entregues à Marinha do Brasil, os dois mais poderosos navios de guerra do mundo. Notar que este tipo de navio é também conhecido no Brasil como encouraçado. O significado é basicamente o mesmo e representa grandes navios com blindagem.

A marinha brasileira foi fortemente influenciada pelos resultados da batalha de Tsushima em 1905 e os planos navais brasileiros, que previam a construção de um numero maior de navios, mas com armamento menos poderoso foram alterados com o plano naval de 1906, que previa a construção de dois couraçados de 19,500 toneladas e um de 28,000 toneladas. Os primeiros equipados com 12 canhões e o último com 14 canhões de 305mm.
As embarcações eram extremamente poderosas para a altura e colocavam a marinha brasileira entre as únicas três do mundo que possuiam este tipo de navio.

A imprensa internacional chegou a especular sobre a possibilidade de o Brasil pretender vender esses navios para o Japão ou para a Alemanha, mas na verdade esses rumores nunca passaram disso mesmo. Na verdade, a compra dos dois navios tornava a marinha brasileira na mais poderosa marinha sul americana. Os dois couraçados eram mais poderosos que toda a marinha argentina junta.
Foi esta enorme diferença que acabou por despoletar uma resposta da Argentina e também do Chile, que resultou nos couraçados da classe Rivadavia da Argentina e do Almirante Latorre do Chile.

Com a sua chaminé frontal entre o mastro em tripé e a ponte de comando (que tornava complicada a observação de tiro que ficava obstruida pelo fumo), e com a longa distância entre as duas chaminés, o Minas Geraes, mostrava claramente a influência directa do HMS Dreadnought, do qual o Minas, foi um melhoramento, dado ser mais protegido e melhor armado pois dispunha de seis torres, contra cinco no Dreadnought. O arranjo das suas torres, previa que as torres laterais estariam escalonadas (uma mais à frente que a outra) ao contrário do Dreadnought, onde as torres laterais estavam na mesma secção do navio.
A marinha do Brasil adoptou uma posição conservadora no respeitante ao sistema propulsor. Assim, ao contrário do Dreadnought, que dispunha de turbinas a vapor, o Minas Geraes era propulsionado pelos tradicionais e testados motores de tripla expansão. Isto permitia mais facilidade na eventual manutenção no Brasil, e o consumo inferior destas unidades, permitia também uma maior autonomia dos navios.

Representação esquemática do Minas Gerais quando foi entregue à marinha brasileira e após a sua última modernização.
Esse conservadorismo no entanto, teria um custo elevado, pois o sistema motriz impunha maiores limites à velocidade máxima, o que fez com que esta classe fosse de facto ultrapassada pelos navios argentinos construídos alguns anos depois, beneficiando dos progressos incrivelmente rápidos do armamento no periodo anterior à I Guerra Mundial.

Esses progressos rápidos levaram a que o Brasil, cancelasse a construção do terceiro couraçado (Rio de Janeiro) que deveria ser maior e com mais poder de fogo, porque entretanto os canhões de 305mm estavam já obsoletos.

Para piorar a situação, os dois couraçados participaram na chamada «revolta da chibata», um motim ocorrido em Novembro de 1910, poucos dias depois da chegada ao Rio de Janeiro do couraçado São Paulo.
Os marinheiros tomaram os navios e ameaçaram atacar a cidade do Rio de Janeiro (na altura a capital do país) se não fossem cumpridas as suas exigências.

Sem capacidade para agir perante o poder detido pelos revoltosos o governo aceitou as exigências. No entanto, as revoltas continuaram e apossou-se dos governantes uma terrível desconfiança para com a marinha, tendo chegado a cogitar-se a possibilidade de os navios serem vendidos.

Durante o ano de 1911 a situação foi de acalmia, mas os navios não saiam para o mar e não recebiam manutenção. Por isso, logo em 1912 já os dois couraçados apresentavam graves problemas de corrosão, resultado de não terem a manutenção recomendada pelo fabricante.

Mais tarde, o Brasil chegou a considerar a construção de um terceiro couraçado tipo Super-Dreadnought com 10 canhões de 381mm, e um deslocamento aproximado das 32.000 toneladas, mas esse navio nunca chegou a ser construído. Ver couraçado Riachuelo-II

Por causa de uma certa obsolescência (que também afectou o próprio HMS Dreadnought) foram abandonados os planos para enviar os dois navios para a Europa, para combater junto com a esquadra britânica, depois que o Brasil entrou na guerra contra a Alemanha.

O Minas Geraes depois da modernização. Notar que o navio ficou com apenas uma chaminé, e teve a sua ponte alterada (comparar com a imagem de topo que mostra o navio em 1910 quando foi entregue)


Ocorreu uma pequena modernização dos dois navios no inicio dos anos 20, em que foram introduzidos dois canhões antiaéreos de 76mm.

Uma segunda modernização teve lugar 1934 e 1937, apenas do Minas Geraes, em que foram instalados quatro novos canhões de 40mm, em substituição dos canhões de 76mm. Nessa modernização o navio foi equipado com caldeiras a óleo (em vez de caldeiras a carvão), tendo a sua potência aumentada. Os depósitos de carvão foram convertidos para depósitos de óleo combustível e foi colocada uma destilaria para o tratamento do óleo, e um novo sistema de ventilação.

O Minas Geraes conseguiu na altura atingir a velocidade de 23 nós (O São Paulo só atingia 21/22). O numero de tripulantes foi reduzido para 850, especialmente por causa da redução do numero de caldeiras de 18 para 6.
O segundo navio da classe, o São Paulo porém, estava em muito pior estado de conservação e não chegou a ser submetido à modernização, acabando por servir como bateria flutuante no Recife até ao fim da II Guerra Mundial, passando à reserva em 1947. Foi finalmente rebocado para desmanche, mas afundou próximo das ilhas dos Açores em 1951. O Minas Gerais, foi igualmente vendido para sucata, tendo sido abatido em 1954.

Notas:

Couraçados no Atlântico-Sul - Brasil x Argentina
 -Minas Geraes
-São Paulo
-Rivadavia
-Moreno
-Rio de Janeiro
Deslocamento21 200 T30 000 T30 250 T
Comprimento 165.8M181.3M204.7M
Largura (boca) 25.3M30M27.1M
Canhões principais 12 x 305mm 12 x 305mm 14 x 355mm
Canhões secundários 22 x 120mm
8 x 47mm
12 x 152mm
16 x 102mm
20 x 152mm
10 x 76mm
Potência

23 500 cv

39 000 cv 34 000 cv
Velocidade máxima 21 nós 22.5 nós 22 nós
Cinturão blindado 229mm305mm229mm



Informação genérica:
Embora o nome «HMS Dreadnought» seja apenas o nome de um navio da Royal Navy, o primeiro couraçado deste tipo foi de tal forma revolucionário, que «Dreadnought» passou a designar não só o navio, como a classe de navios idênticos que lhe seguiu, e foi utilizada até para designar todas as classes de navios tanto da Grã Bretanha quanto de outros países que seguiam as mesmas regras básicas de configuração.

Até ao lançamento do HMS Dreadnought era corrente a existência de múltiplos calibres de canhões com função anti-navio.

O HMS Dreadnought, lançado em 1905, alterou radicalmente essa aproximação ao problema da artilharia embarcada, incorporando dez canhões de 305mm, e excluindo o até ali tradicional armamento secundário.
O impacto do novo navio foi de tal forma grande, que os outros navios construidos anteriormente se tornaram de um momento para o outro obsoletos, passando a ser referidos como pré-Dreadnought.

Influência italiana
Curiosamente, o conceito ou ideia inicial não vieram de um britânico, mas sim de um engenheiro naval italiano de nome Vittorio Cunimberti, que em 1903 tinha proposto a ideia de armar os couraçados com canhões de grande calibre, forçando os combates navais a ocorrer a distâncias muito maiores.

O objectivo era destruir os navios inimigos a uma distância tal, que tornasse inutil o lançamento de torpedos, que na altura eram vistos como a maior ameaça contra os navios couraçados.

A partir do aparecimento do HMS Dreadnought, o poder das marinhas do mundo passou a ser determinado e contado em termos de numero de navios do tipo Dreadnought que cada marinha possuia.

Os derivados e os originais

Conforme explicado acima, embora se apelidem de navios do tipo «Dreadnought» os couraçados com canhões principais de um só calibre e em maior numero, a classe e derivados directos é constituida pelas seguintes classes de navios:

Classe Dreadnought (o navio original)
Classe St. Vincent (Classe idêntica mas com ligeiras modificações)
Classe Bellerophon

Além destas classes da Royal Navy, foram construidos dois navios que se seguiram imediatamente à construção do próprio Dreadnought. Trata-se dos dois couraçados brasileiros da classe «Minas Geraes». Estas quatro classes de navios são por definição parte da mesma família de navios embora tenham sido construidos não para a Royal Navy mas sim para a marinha brasileira.