Navios deste tipo:

Comandante João Belo
Fragata
Uruguay
Fragata

Listar navios do tipo
Fragata

Notícias relacionadas
Fragatas João Belo, perdem comprador
Confirmada a venda das Fragatas João Belo ao Uruguai
Transferência da fragata Bartolomeu Dias



Portugal
Fragata classe
Comandante João Belo
(tipo Commandant Riviere)

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 1750 Ton
Deslocamento máx. : 2250 Ton.
Tipo de propulsão: Motor a Diesel
Comprimento: 102.5 M - Largura: 12M
Calado: 4.4 M.
4 x Motor a Diesel 12 PC (16000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 180 Autonomia: 13500Km a 15 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 24.5 nós

Canhões / armamento principal
2 x DCN - Naval 100mm Creusot-Loire m.53 (Calibre: 100mm/Alcance: 17Km)
2 x Bofors / BAE Systems 40mm /L70 Mod.1958 (1 x) (Calibre: 40mm/Alcance: 12Km)

Torpedos

Radares
- Thomson-CSF / Thales DRBC 31D (Director de tiro - Al.med: 22Km)
- RACAL-DECCA RM 316 (Navegação - Al.med: 27Km)
- Thomson-CSF / Thales DRBV 50 (Superficie - Al.med: 30Km)
- Thomson-CSF / Thales DRBV 22A (Pesquisa aérea - Al.med: 67Km)

Sonares
- General Dynamics Canada SQS-510 / Pesquisa activa/ataque


Forum de discussão

As fragatas (ou escoltadores oceânicos) da classe João Belo foram navios adquiridos por Portugal nos anos sessenta. Foram fabricados nos estaleiros de Nantes, em França numa altura em que Portugal era um país internacionalmente isolado.

A marinha portuguesa estava naquele tempo interessada na aquisição de fragatas inglesas da classe "Leander" mas a oposição politica a Portugal inviabilizou tal compra. A urgência na aquisição de meios navais que servissem como afirmação de soberania nas aguas africanas e no extremo oriente Macau-Timor, forçou Portugal a optar por um projecto já feito.

De projecto francês é uma fragata/aviso para operações no ultramar. Não era no seu projecto, um navio especialmente sofisticado, dado não ter por objectivo enfrentar-se com navios de marinhas inimigas, mas tão só exercer soberania, mostrar bandeira e agir contra a utilização das águas territoriais por forças opositoras.

Com as João Belo, apoiadas pelas corvetas das Classes "Baptista de Andrade" e "João Coutinho", já era possivel cumprir essa missão. Estas fragatas não estavam equipadas com misseis, quando começavam a ser norma nos navios principais das marinhas europeias, mas naturalmente, este tipo de navio, embora europeu, não era considerado pelos franceses como um navio principal. Essa é a razão do seu armamento ser inferior.
Estes navios na prática substituiram as fragatas inglesas do periodo da II Guerra Mundial, da classe Álvares Cabral que foram adquiridas por Portugal em 1959.

De qualquer forma, na marinha portuguesa, operaram, antes de lhes ser efectuada uma modernização, após cerca de 40.000 (quarenta mil) horas de operação cada uma.

Modernização.
Chegaram a existir planos para a remoção de todos os canhões de popa, para aí instalar um convés e um hangar, para a operação de helicópteros Lynx. No entanto, o navio poderia resultar demasiado lento e a sua estabilidade poderìa ser colocada em causa. Outra possibilidade igualmente aventada, foi a remoção das torres de popa para a colocação de misseis anti-navio idênticos aos utilizados na classe "Vasco da Gama" (Harpoon) ou misseis Exocet. Quaisquer das alterações acabaram sendo "arquivadas".

A modernização ocorrida entre 1987 e 1989 teve em vista transformar as João Belo em fragatas com uma vincada vertente ASW (anti.submarine warfare). Desta maneira, a principal alteração nas João Belo foi a instalação do sonar AN/SQS-510, que é igual ao utilizado nas "Vasco da Gama", a substituição dos lançadores de torpedos por versões idênticas ás instaladas nas fragatas mais modernas, a alteração das defesa contra ataques de torpedos e melhoramentos significativos na área da guerra electrónica. No sentido de reduzir a tripulação as João Belo, viram retirada uma das peças de 100mm á popa e viram igualmente criadas instalações para pessoal feminino a bordo.

Estes navios tinham já depois do ano 2000 pouca utilidade militar. O sonar AN/SQS-510 que transportavam era suficientemente moderno, mas já não havia submarinos soviéticos para caçar. Este navio, embora também esteja em termos de equipamentos de comunicação ao nível das fragatas Vasco da Gama do tipo MEKO-200 não podia entrar em operação de combate (para caça a submarinos) sem ser protegido por outros navios. Como esses outros navios também possuem sonares modernos - para guerra anti-submarina), a utilidade das João Belo torna-se quase nula.

Curiosamente, a única utilidade que podem ter (e que foi reduzida com a modernização) vem do facto de disporem de canhões, com um alcance de 17Km e rápida cadência de tiro, o que no tempo em que cada João Belo estava equipada com três deles, era considerado um, senão o único dos seus pontos fortes, se fosse necessário apoiar forças em terra, desde que dentro do alcance de tiro das peças Creusot-Loire.

A substituição destes navios foi já decidida e Portugal adquiriu duas fragatas da classe Karel Doorman que as vão substituir a partir do final de 2008.

Após neggociações com a marinha do Uruguai, as duas fragatas foram transferidas para aquele país. O «NRP Comandante João Belo» passou a chamar-se «ROU Uruguay» e o «NRP Comandante Sacadura Cabral» passou a chamar-se «ROU Pedro Campbell».


Informação genérica:
Os navios do tipo Comandant Riviére são navios relativamente baratos e simples de construir que foram configurados pelos franceses para servir nas suas possessões ultramarinas.
Eses foram construidos com base nas antigas classes Le Corse (1702t) e Le Normand.

É o tipo de navio que não participa em combates com outros navios de guerra de primeira linha, e que funciona como navio de policiamento naval pesado.

Esta função secundária no entanto não impediu a França de modernizar as suas fragatas ao longo dos anos acrescentando-lhes capacidade para disparar mísseis, que inicialmente não tinham.

Além da França, Portugal também adquiriu quatro navios desta classe.

Parte dos navios franceses foram vendidos ao Uruguai, quando a classe foi retirada de serviço em França.

Posteriormente, também os dois últimos navios portugueses foram colocados à disposição do Uruguai, para incorporação na marinha daquele país em 2008.