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Navios da renascença classe
Caravela portuguesa «Caravelão»
(tipo Caravela / Dhow)

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 40 Ton
Deslocamento máx. : 70 Ton.
Tipo de propulsão: Aparelho vélico
Comprimento: 19 M - Largura: 7M
Calado: 2.5 M.
Tripulação / Guarnição: 22 Autonomia: 4000Km a 8 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 12 nós


Forum de discussão

A Caravela portuguesa é um navio especificamente adaptado em Portugal, com um objectivo muito claro: Explorar a costa ocidental de África.

Tendo sido adaptado em Portugal isso não quer no entanto dizer que o navio tivesse sido uma invenção dos portugueses.

Com contactos com toda a Europa, e com grandes investimentos feitos para contratar alguns dos maiores especialistas da Europa e inclusivé mestres e homens de mar de origem berbere, é natural que a opção dos portugueses para as suas viagens exploratórias ao longo da costa de África tivesse sido por uma configuração de navio que tinha a possibilidade de voltar para trás, no caso de se concluir ter chegado a um beco sem saída.

Nesse caso, a caravela de pano latino permitia com alguma facilidade voltar para trás, mesmo que contra o vento.

A opção pela Caravela está também ligada à necessidade de ir tão longe quanto possível, o que tornaria a utilização de outros navios pouco aconselhável. A Caravela era rápida, mais rápida que outros navios do seu tempo e só teria problemas se houvesse falta de vento.

Contra a falta de vento a única solução seria utilizar um navio a remos do tipo da Galera, mas isso implicava ter que recorrer a uma grande tripulação de remadores e esses navios, preparados para curtas travessias e operações no Mediterrâneo pura e simplesmente não tinham lugar para as provisões necessárias para viagens de meses.

Logo, a opção pela Caravela é resultado da necessidade imposta pelas condições da investigação e da descoberta.

Caravelão

A Caravela utilizada em grande parte das descobertas recebia o nome de «Caravelão» o que independentemente do nome não implicava que fosse um navio maior, antes pelo contrário. O Caravelão era mais pequeno que a Caravela e em vez de três mastros poderia ter apenas dois. Tinha menor calado e mais facilmente poderia ser utilizado em águas com pouca profundidade, o que permitia explorar baías e a foz de muitos rios africanos, uma vez que os portugueses contavam encontrar o outro extremo do rio Nilo, e acreditaram mesmo que o tinham encontrado quando descobriram a desembocadura do rio Senagal.

Quando as rotas para atingir a Índia começaram a ser conhecidas e documentadas, os portugueses passaram a conhecer os ventos dominantes e a partir daí, passou a ser possível utilizar navios mais pesados com velas maiores (quadradas) como era o caso das Naus e das Carracas, porque nessa altura, sabendo-se já como encontrar as rotas com ventos favoráveis a viagem tornara-se uma rotina, exactamente como no norte da Europa.

No entanto, continuaram a ser utilizados em Portugal navios de pequeno porte derivados da caravela, nomeadamente para utilização como pesqueiro ou navio de transporte costeiro. Mesmo já durante o século XX, ainda havia velas latinas no rio Tejo.


Informação genérica:
As origens da Caravela são normalmente associadas ao navios ligeiros utilizados no mediterrâneo, especialmente os navios de origem árabe que utilizavam vela triangular.

As origens mais remotas no mediterrâneo encontram-se nas embarcações de um povo árabe, conhecido como «Nabateus» que habitavam na costa do Mediterrâneo oriental e do Mar Vermelho. Estes árabes, utilizavam os tradicionais «Dhows»[1] da peninsula arábica, em várias versões, entre as quais se encontravam navios de vela triangular com um pequeno castelo de popa.

O Dhow e a chamada Caravela latina, partilham a vela triangular e a grande manobrabilidade como principal característica.

A estrutura do navio e forma de construção é no entanto diferente consoante se trate de construção mediterrânica, atlântica ou índica.

A enorme vantagem dos Dhows e das Caravelas que foram utilizados como navios de transporte, de pesca mas também de guerra estava na manobrabilidade e não na sua capacidade de transportar armamento.



[1]Designação para quase todo o tipo de embarcação árabe que no entanto é contestada, dado não só terem existido os navios de grande porte (ver Ghanga e Baghala) como ainda vários outros tipos de navios com diferentes denominações e configurações. Não se tratava no entanto de navios com capacidade militar.