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Brasil
Porta aviões classe
São Paulo
(tipo Clemenceau)

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 27307 Ton
Deslocamento máx. : 32780 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 235 M - Largura: 31.7M
Calado: 8.6 M.
6 x Caldeiras de alta pressão DeLaval / Indret ()
2 x Turbinas acopladas tipo Parsons (126000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 1340 Autonomia: 13500Km a 18 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 32 nós

Canhões / armamento principal
2 x Bofors / BAE Systems 40mm Trinity Mk 3 (Calibre: 40mm/Alcance: 10Km)

Radares
- RACAL-DECCA TM-1226 (Navegação - Al.med: 27Km)
- Kelvin Hughes KH-1006 (Navegação - Al.med: Km)
- SELEX Sistemi RTN-30X / SPG-75 (Director de tiro - Al.med: 39Km)
- Thomson-CSF / Thales DRBV 15 «Sea Tiger» (Combinado Aerea/superficie - Al.med: 94Km)
- Thomson-CSF / Thales DRBV 23B (Pesquisa aérea - Al.med: 162Km)

Aeronaves embarcadas
- 4 x Sikorsky / United Technologies SH-3B Seaking
- 6 x Douglas Skyhawk-II A-4M


Forum de discussão

Embora ja operasse porta-aviões desde os anos 60, a marinha do Brasil, só atingiu a maioridade, no que respeita á operação de porta-aviões, com a aquisição do antigo porta-aviões frances, Foch, da classe Clemanceau [1].

Este navio, que em França foi basicamente utilizado como porta-helicópteros, foi favorecido por esse facto, não apresentando tanto desgaste quanto o seu irmão mais velho. De qualquer maneira, com a transferência os sistemas defensivos do navio foram retirados, até porque não seriam compatíveis com sistemas idênticos operados pela marinha brasileira. As peças DCN de 100 Creussot Loire (o navio tinha inicialmente oito e depois viu o seu numero reduzido a quatro) ou os lançadores de misseis anti-aéreos e os seus respetivos sistemas de controle de tiro foram removidos antes da entrega.

Desta maneira, o Brasil acabou recebendo um navio desarmado e com pouco valor militar
Como é evidente o Brasil também não comprou nenhum dos aviões franceses que tradicionalmente operavam desde a coberta destes aviões, optando por adquirir um lote de aviões A-4 Skyhawk de fabrico norte-americano e propriedade do Koweit.

Estes aviões, podem ser considerados ultrapassados, mas em contrapartida têm uma vida útil considerável pela frente e podem servir para a marinha brasileira "entrar" da forma mais fácil na operação de aviões de combate de asa fixa embarcados.
A modernizaçõ das aeronaves foi aliás contratada com a brasileira Embraer.

A marinha brasileira iniciou então todo um trabalho de adaptação e criação de novos conceitos e tácticas cujo desenvolvimento será necessário no sentido de garantir a continuação desta arma na marinha.

Modernização do São Paulo

A modernização do São Paulo tem no entanto enfrentado problemas, atrasos e aparentes mudanças de rumo.
O navio adquirido ainda no século XX completou já 10 anos como propriedade da marinha brasileira e continua sem praticamente ter estado ao serviço, senão por muito curtos periodos de tempo, normalmente entre reparações.
A oportunidade para efectuar reparações adicionais, tem aparecido regularmente e à medida que vão sendo feitas reformas, aparecem com regularidade novos problemas até então não detetados, que levam a mais reparações e naturalmente a mais atrasos.

A modernização das aeronaves Skyhawk foi programada, e os sistemas de combate do navio foram modificados e actualizados de forma a garantir a sua compatibilidade com os de outros navios da marinha do Brasil, nomeadamente através da instalação do sistema Siconta-Mk.4. Uma das catapultas foi reforçada para permitir a utilização de todas as catapultas na sua capacidade máxima (20t) em caso de necessidade.

Também existem informações que indicam que a marinha do Brasil está a procurar modernizar aeronaves Tracker, para utilização como aeronave de transporte.
Especula-se sobre a possibilidade de haver estudos para o desenvolvimento de uma versão modificada desta aeronave para utilização como radar aerotransportado, mas até ao momento tal possibilidade não passa de rumor não confirmado.
As aeronaves Skyhawk são especializadas para ataque e o São Paulo não pode operar nenhum caça supersonico moderno, porque as catapultas são insuficientes para isso.

Problemas

A não existência de um sistema de defesa aérea é outro calcanhar de Aquiles do navio.
Em todas as marinhas, os porta-aviões são os mais importantes navios da uma esquadra e tudo é feito para os proteger.
Mas o São Paulo está praticamente desarmado, os aviões não são capazes de defender o navio e a marinha brasileira não possui navios de defesa aérea ou com capacidade efetiva de defesa aérea.
A utilização do sistema Siconta Mk.4, permitirá a instalação de sistemas de defesa mas apenas pequenos mísseis anti-aéreos de curto alcance foram instalados. Em teoria será possível instalar sistemas mais sofisticados, ainda que não possam resolver completamente o problema da defesa do navio.

Os críticos do São Paulo apontam a já relativamente avançada idade, como fator negativo. O São Paulo está em reparações há muitos anos e aparentemente terá que continuar em sucessivas reparações até 2025, ano que é normalmente apontado como limite para a sua operação na marinha. Segundo esses mesmos críticos, o São Paulo é o maior fiasco da história da marinha brasileira e sairá de serviço, sem nunca ter entrado de fato ao serviço.

Porém, apesar das críticas, em Junho de 2011 o navio aparentava preparar-se para entrar ao serviço em meados de 2011, embora seja necessário decorrer um periodo de 12 a 24 meses para formação, e mais um periodo de paragem até que o São Paulo seja considerado operacional para alguma funçao. Está disponível um numero reduzido de aeronaves Skyhwak das mais antigas e o fabricante Embraer ainda não entregou nenhuma aeronave modernizada.

Se ficar operacional o São Paulo será um navio importante no contexto sul-americano, com um considerável valor militar, ainda que os seus sistemas de armas sejam relativamente ultrapassados.
O São Paulo deverá servir como plataforma de treino para aviação de combate de asa fixa. Em termos operacionais ele terá capacidade para voltar a efectuar o mesmo tipo de missões que eram desempenhadas pelo antigo A-11 «Minas Gerais».

No inicio de 2013 o futuro do navio continuava relativamente indefinido, existindo dúvidas sobre a utilidade de instalar novos sistemas de armas num navio com quase 60 anos de idade, 12 deles ao serviço da marinha brasileira. Durante esses 12 anos o São Paulo não esteve operacional por mais de três meses continuos.



[1] - A Argentina, que operou um porta-aviões do tipo do antigo A11 Minas Gerais, já utilizava aviões Super Etendard a partir daquele navio (entretanto desactivado). O Brasil limitava-se a operar helicopteros embarcados, assim como aviões para guerra anti-submarina.
Informação genérica:
Classe de porta-aviões franceses construida no fim dos anos 50 e constituida por duas unidades, o Foch e o Clemenceau.

A classe destinou-se a substituir porta-aviões de origem norte-americana e britânica que tinham sido fornecidos aos franceses após o final da II guerra mundial.

Tratou-se da primeira classe de porta-aviões completamente planejados e construidos na França após a II guerra mundial.

Os navios estiveram ao serviço até ao final do século XX, altura em que foram retidados de serviço.

O Clemenceau, iniciou um lento processo em que se movimentou pelos mares, sendo recusado pelos estaleiros que não queriam aceita-lo para desmanche por causa da grande quantidade de amianto (asbestos) que foi aplicado no navio durante a construção nos anos 50, altura em que aquele produto ainda não tinha sido declarado nocivo para a saúde.

O segundo navio, não foi desmanchado, mas em vez disso vendido à marinha do Brasil.

Naquele país, o navio foi submetido a várias modificações, mas problemas com as tubagens resultaram num acidente que enviou o navio para os estaleiros durante a segunda metade da primeira década do século.