Navios deste tipo:

Invincible (1909)
Cruzador de batalha
Indefatigable
Cruzador de batalha
Lion
Cruzador de batalha
Tiger
Cruzador de batalha
Renown
Cruzador de batalha
Hood
Cruzador de batalha

Listar navios do tipo
Cruzador de batalha

Acontecimentos relacionados
Operação Rheinubung
Ataque a Mers-El kebir



Reino Unido
Cruzador de batalha classe
Hood
(tipo Cruzadores de batalha britânicos)
Cruzadores de batalha britânicos

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 42450 Ton
Deslocamento máx. : 48350 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 262.8 M - Largura: 31.8M
Calado: 9.7 M.
4 x Turbinas acopladas Brown Curtiss ()
24 x Caldeiras (oleo) GEC Yarrow (144000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 1397 Autonomia: 10000Km a 20 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 30 nós

Canhões / armamento principal
8 x Armstrong 381mm /42 Mk.I Mod.1912 UK (Calibre: 381mm/Alcance: 26.52Km)
8 x Armstrong 102mm L/45 UK Mk.XVI Mod. 1934 (Calibre: 102mm/Alcance: 18.15Km)
24 x Vickers Defence 40mm L/62 Mk VIII Pom-Pom (Calibre: 40mm/Alcance: 3.475Km)


Forum de discussão

O HMS Hood pertence a uma classe de quatro navios dos quais apenas o Hood foi concluido.
Ainda antes do inicio da I guerra mundial, o conceito de «Cruzador de batalha» estava a ser posto em causa e o número de navios do tipo (que eram tão caros quanto os couraçados) tinha sido reduzido.
Porém a volta ao comando dos destinos da marinha britânica do almirante Fisher, o maior defensor do conceito, fez com que os cruzadores de batalha voltassem a ter preferência.

A ideia de grandes navios, poderosamente armados mas com blindagem menor recebeu um grande impulso, quando no final de 1914, apenas alguns meses após o inicio da guerra, uma força britânica constituida basicamente por dois cruzadores de batalha, destruiu nas Falkland a esquadra alemã do Pacífico, que pretendia voltar à Alemanha.
A vitória, foi resultado de uma miriade de fatores, mas foi entendida como demonstração da vantagem do cruzador de batalha, que dependia em grande parte da velocidade.

O HMS Hood foi desenvolvido depois da batalha das Falklands e encomendado em 7 de Abril de 1916, apenas alguns meses antes da batalha de Jutlândia.
Nessa batalha, o conceito de cruzador de batalha saiu completamente desacreditado.
Verificou-se que havia tendência dos almirantes para utilizar os navios como se fossem couraçados, com consequências desastrosas, já que eles eram incapazes de deter os projeteis de couraçados inimigos.

Tarde para cancelar o navio

Quando o almirantado analisou os resultados da batalha de Jutlândia, era já demasiado tarde para cancelar a construção do Hood, pelo que apenas foram cancelados os seus três irmãos projetados.
Ainda no estado de projeto, foram feitas alterações radicais ao navio, de forma a que este pudesse ficar protegido contra as ameaças modernas. O cinturão protetor de 203mm passou para 305mm e o deslocamento previsto de 36.000t foi muito aumentado para quase 40.000t. O desenho das torres foi revisto, permitindo elevar os canhões a 30 graus, o que permitia atingir alvos a maior distância.

O Hood durante a guerra em Espanha
Quando em 1936 começou a guerra civil de Espanha, navios franquistas impediram a passagem de um navio mercante britânico. O governo de Londres sentiu-se posto em causa e ordenou o envio do Hood para o porto francês de St. Jean-de-luz.

Na noite de 21 para 22 de Abril foi decidido que o cruzador de batalha acompanharia os três contra-torpedeiros em apoio de três navios mercantes britânicos, com o objetivo de sinalizar à Espanha de Franco, que não se deveria intrometer com a liberdade de movimentos dos navios.

Ao inicio da manhã os navios mercantes foram abordados entre as 3 e as 6 milhas da costa pelo cruzador ligeiro Almirante Cervera (classe Galicia) que obedecia ao governo rebelde de Francisco Franco. Os navios mercantes pediram ajuda por radio aos contra-torpedeiros que por sua vez contataram o Hood.

O comandante do navio britânico avisou o navio franquista de que a Grã Bretanha não reconhecia as pretensões do comandante do Almirante Cervera e informou que tinha ordens para garantir o livre trânsito dos navios britânicos, transmitindo para estes uma mensagem por rádio informando que poderiam prosseguir que assim o entendessem. Os navios espanhóis não tiveram outra opção que não deixar passar os navios britânicos.
Mas as modificações foram insuficientes, embora o aumento da proteção tivesse baixado a sua velocidade projetada de 32 para apenas 30 nós. Depois das modificações o Hood aparecia como o mais poderoso navio de guerra do mundo. Ele era incrivelmente rápido para 1920, e a sua proteção de 305mm era quase idêntica à dos couraçados mais modernos da Royal Nayv (330mm para os Queen Elizabeth).

Ao custo de 6 milhões de libras, o Hood custara o dobro de um couraçado da classe Queen Elizabeth, e era o mais recentes e moderno navio da Royal Navy. Obviamente ele não foi afetado pelas negociações para a redução do número de navios de guerra das principais potências navais.

Se o HMS Hood foi durante o periodo entre-guerras o mais poderoso e emblemático navio da esquadra britânica, durante esse periodo o galopar dos desenvolvimentos tecnológicos também o tornaram relativamente antiquado.

Modernizações parciais

O Hood continuava a ser um navio poderoso, o que justificava investimentos na modernização. Por isso foram realizadas várias intervenções, destinadas a aumentar a capacidade do navio.

A maior de todas decorreu entre 1929 e 1931, quando o Hood foi submetido a uma série de modificações em que se instalaram canhões anti-aéreos tipo pom-pom. Foi instalada uma catapulta (que acabou sendo removida em 1932) e a capacidade de combustivel foi aumentada para 4615t.

Entre 1936 e 1939 foram feitas pequenas alterações que levaram o navio para o estaleiro durante curtos periodos de tempo. Foram removidas duas peças de 5.5 polegadas e instaladas quatro peçad e 4 polegadas. Foi acrescentado mais um conjunto de oito canhões pom-pom e os tubos para torpedos foram removidos por terem sido considerados inuteis. Já em 1940 foram-lhe instalados lançadores de foguetes.
Nenhuma destas modificações no entanto, poderia ultrapassar o verdadeiro problema.

Reconstrução prevista para 1941/1942

No inicio de 1939, era já evidente que, com a capacidade dos novos armamentos, era agora possível atingir navios inimigos a grandes distâncias. Isto fazia com que o impacto do projetil ocorresse quase na vertical. Além disso, havia o problema da aviação e dos ataques aéreos com bombas, contra as quais a única proteção seria a blindagem das cobertas.
Ora era conhecido que essa era uma das principais deficiências do Hood, que tinha uma proteção de apenas 3 polegadas (76mm) para projeteis vindos de cima.

Reconhecendo este problema, foram autorizadas verbas para uma grande modernização que deveria ter inicio em 1941. O aspeto geral deveria ficar como a seguir se mostra:

Na imagem, o Hood como ficaria após a grande reconstrução que chegou a estar prevista.

Os planos destinavam-se a aumentar a sua protecção contra projecteis disparados de grandes distâncias que pudessem perfurar a fraca blindagem das cobertas do navio, mas também deveriam ser substituidas as caldeiras, instalada uma nova estrutura de ponte de comando em torre como nos navios da classe Queen Elizabeth e King George V.
A defesa anti-aérea deveria receber 12 peças de 133mm para utilização dupla (anti-aérea e anti-navio). Um hangar daria ao navio capacidade para catapultar aeronaves de observação.

Se a reconstrução tivesse sido levada a cabo, o Hood poderia então ser considerado um couraçado rápido, já que a proteção contra projeteis que atingissem o navio na vertical seria aumentada, ficando o navio mais protegido contra ataques aéreos e tornando-se um alvo muito dificil para outros navios.


Porém o aumento das tensões na Europa e finalmente o inicio da II guerra com a invasão da Polónia, levaram ao cancelamento da reconstrução. A Grã Bretanha precisava demasiado do Hood, para se dar ao luxo de colocar o navio fora de serviço durante quase dois anos.

Após várias operações durante a fase inicial do conflito, de onde se destaca a participação do Hood no ataque à esquadra francesa em Mers-El-Kebir, o navio (o mais rápido navio da esquadra metropolitana britânica) ou Home Fleet, foi enviado juntamente com o couraçado Prince of Wales para encontrar o couraçado alemão Bismarck.

Em frente a todo o vapor

Quando ao alvorecer de sexta-feira, 24 de maio de 1941, às 05:37 o Bismarck foi encontrado, o HMS Hood agiu como estava previsto segundo os planos. Às 05:46, confirmada a presença dos navios alemães, os dois navios britânicos alteraram a sua rota para se dirigirem diretamente aos navios alemães.

O Hood começou a disparar com os quatro canhões de proa, enquanto avançava à máxima velocidade possível na diração do Bismarck.
Sabe-se que o comandante do Bismarck achou aquela opção estranha, mas o Hood estava a agir conforme tinha sido pre-determinado.

Sabendo que a principal desvantagem do Hood era a sua proteção contra projeteis que atingissem o navio na vertical o Hood tinha que encurtar a distância que o separava do Bismarck, para que o navio alemão tivesse que disparar os seus projeteis com um menor angulo, evitando assim atingir o Hood num ponto vital. Ainda assim, a posição dos navios não permitia que o Hood se dirigisse ao Bismarck oferecendo o angulo mais reduzido, ao mesmo tempo que se aproximada do alvo.

A pontaria dos navios alemães acabaria por não dar tempo ao Hood para se por a salvo de ser atingido nos seus pontos mais desprotegidos.

Inicialmente, às 05:55 um projetil que terá sido disparado pelo cruzador pesado Prinz Eugen terá atingido o Hood, tendo-se declarado um fogo a bordo. A situação do navio estava então muito complicada, pelo que o comandante decidiu manobrar para que todos os oito canhões do Hood pudessem disparar sobre o Bismarck. Ao manobrar desta maneira, o Hood passou a oferecer um alvo muito maior para os sofisticados sistemas ópticos de pontaria do Bismarck.

Um projetil disparado pelo couraçado Bismarck durante a sua sétima ou oitava salva, aparentemente terá penetrado a leve couraça do Hood, por cima de um dos paiois. O navio já estava em chamas, resultado de já ter sido atingido por fogo do cruzador pesado Prinz Eugen.

A explosão em cadeia que se seguiu partiu o navio em dois. Da sua tripulação de aproximadamente 1400 homens, apenas três se salvaram.

O mesmo problema que tinha resultado na perda de três cruzadores de batalha num só dia em Jutlandia em 1916, voltava para produzir mais uma (embora não a última) vítima.





Notas
Os 24 canhões antiaéreos estavam acomodados em três torres octuplas
Informação genérica:
Quando os grandes navios blindados começaram a dominar as águas, cedo se tornou evidente que eles poderiam ser atacados por navios muito mais pequenos, logo que os torpedos começaram a fazer parte da guerra no mar.
Como resultado disso, os couraçados tinham que ser escoltados por navios mais rápidos que poderiam atacar os torpedeiros.

É assim que surgem os contra-torpedeiros e depois os navios com capacidade para atacar os contra-torpedeiros, os cruzadores, que vão aumentando de blindagem para se debaterem uns contra os outros, nascendo os cruzadores protegidos e posteriormente os cruzadores blindados blindados, além dos cruzadores ligeiros.

Rapidamente, a estratégia naval tem que entrar em linha de conta com duas realidades:

Por um lado o combate entre os navios principais, os couraçados, e por outro o combate entre os navios mais rápidos.

Cruzadores de batalha com peças de 343mm

Com a corrida aos armamentos a aquecer, as peças de 12 polegadas (305mm) que equipavam os principais navios britânicos fora abandonadas em favor do calibre 13.5 polegadas (343mm).

Naturalmente que, com a introdução deste tipo de armamento, os cruzadores de batalha também receberam o novo armamento. Duas classes foram construidas com este armamento, os Lion e Tiger, que foram muito acarinhados pela imprensa, mas que na realidade nunca foram navios eficientes


Cruzadores de batalha com peças de 381mm

No final de 1914, a vitória britânica na batalha naval das Falkland e a volta ao almirantado do almirante Fisher (o homem que mais tinha advogado o conceito), a ideia dos cruzadores de batalha muito rápidos voltou a ser defendida e verbas atribuidas à construção de novos navios, que deveriam desenvolver velocidades muito elevadas (mais de 30 nós). Com a introdução das peça de 15 polegadas (381mm) este calibre também começou a ser introduzido nos cruzadores de batalha, ainda que o entusiasmo da marinha para com estes navios tivesse vindo a ser reduzido.
Por isso apenas dois navios foram lançados numa altura de transição. Os dois navios armados com seis peças de 381mm chegarão à II guerra mundial.

Ainda que a batalha de Jutland tenha arrefecido o interesse pelos cruzadores de batalha antes do fim da guerra, uma classe ainda mais poderosa, também armada com peças principais de 381mm foi lançada, mas apenas uma unidade, o cruzador de batalha Hood chegaria a entrar ao serviço.

O almirante John Fisher: O homem que impulsionou a construção de cruzadores de batalha.
Estratégia para um desastre

Em Agosto de 1914, logo no inicio da I guerra, durante a batalha de «Helligolang Bight», o prestigio dos cruzadores de batalha atingiu o seu ponto alto.
O recontro, aparentava confirmar que tudo o que se tinha dito de positivo sobre este tipo de navio se confirmava.

Grandes e extremamente rápidos, os cruzadores de batalha da Royal Navy podiam aparecer rapidamente, desferir golpes tremendos com o seu poderoso armamento e desaparecer rapidamente antes que pudessem aparecer couraçados inimigos.

Interpretação dos resultados dos confrontos envolvendo cruzadores de batalha

Os sinais no entanto não foram todos positivos. Ainda no final desse ano, e ainda que os britânicos tenham afundado os navios do esquadrão alemão do pacífico nas Falkland, notou-se que a leve blindagem dos cruzadores de batalha tinha sido perfurada pelos tiros de 210mm dos cruzadores blindados alemães.
Mas estas informações, não foram consideradas importantes, pelo que na Grã Bretanha o almirante Fisher, o principal defensor do conceito continuou a impulsionar a construção de mais cruzadores de batalha.

Nesta imagem uma das mais dramáticas fotos da I guerra mundial: o cruzador de batalha HMS Invincible explode durante a batalha de Jutlandia.



Jutlandia: Desastre para os cruzadores de batalha

Poucas semanas depois de o HMS Hood e outros três navios iguais terem sido encomendados (Tratou-se da mais poderosa classe de cruzadores de batalha alguma vez concebida), ocorre a batalha de Jutlândia. M Jutlândia, por um conjunto de razões, os cruzadores de batalha foram utilizados como se fossem couraçados e mandados enfrentar uma esquadra alemã.

A blindagem dos cruzadores de batalha era demasiado fina e a proteção contra projecteis disparados a grande distância era pura e simplesmente desadequada. Os navios podiam ser facilmente atingidos pelos disparos das peças alemãs de grande calibre, nomeadamente pelos canhões de 280mm e 305mm.

O resultado de Jutlândia foi desastroso. Embora os britânicos tenham obtido uma vitória táctica, o país perdeu em um único dia três cruzadores de batalha. Um deles afundou-se após receber 6 impactos de armas de grande calibre, quando na mesma batalha um couraçado britânico recebeu 16 impactos e não se afundou.

A ideia e o conceito do Almirante Fisher caiu por terra em Jutlândia. Dos navios do tipo que tinham sido encomendados apenas um foi terminado e mesmo esse seria destruido em combate, por causa dos mesmos problemas que foram encontrados neste tipo de navios durante a I guerra mundial


   
---