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Caça-tanques



Veículos idênticos ou relacionados:


Tamoyo-III
Carro de combate médio

EE-18 «Sucuri-II»
Caça-tanques

EE-T1/T2 - Osório
Carro de combate médio

 

EE-18 «Sucuri-II»
Caça-tanques (Engesa)
EE-18 «Sucuri-II»

Projeto: Engesa
Brasil
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
6.3
7.75m
2.8m
2.52M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
16.5t
18t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
Scania DS-11 Diesel 6cyl.
295cv
115 Km/h
45 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Seis rodas motrizes
380 Litros
600Km
4
60º
30º
1M
0M
0.6M

Armamento básico
- 1 x 105mm L-7 (Calibre: 105mm - Alcance estimado de 4.4Km a 4.4Km)
Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

Durante o periodo de grande desenvolvimento por que passou a industria militar brasileira nos anos 80, vários projectos foram sendo apresentados pelas empresas brasileiras, de entre as quais se destacou claramente a ENGESA de S. José dos Campos (SP).

A empresa produzia na altura os veículos blindados URUTU de transporte de pessoal e o igualmente conhecido veículo blindado de reconhecimento Cascavel, equipado com canhão de 90mm de baixa velocidade.

Com mercados emergentes em mente, mas também com a possibilidade de encomendas por parte do exército brasileiro para um veículo mais poderoso que o Cascavel embora com grande mobilidade, a ENGESA desenhou um caça-tanques.
Ou seja: Um veículo blindado relativamente desprotegido mas poderosamente armado, capaz de engajar veículos mais poderosos de surpresa e utilizar a sua alta velocidade para escapar à possibilidade de ser destruido.

Esse veículo chamou-se Sucuri.

Inicialmente o Sucuri deveria ser equipado com uma torre basculante FL-12 idêntica à utilizada no veículo AMX-13 ou Panhard EBR, com um canhão de 105mm.

Posteriormente, e porque a torra francesa foi considerada complexa, cara, e razão da dificuldade enfrentada pela Engesa em vender o veículo, foi decidido construir uma torre de concepção da própria Engesa, o que implicou também a troca do canhão por outro, de origem italiana e baseado no canhão L-7 britânico de calibre 105. Com este novo canhão, o Sucuri-II passava a ter possibilidade de disparar munição «flecha» perfurante, que era a mais eficiente contra veículos blindados, mesmo veículos blindados pesados.

A nova torre acabou por resultar num completo redesenho do Urutu transformando-o num veículo muito superior ao seu antecessor. Com uma nova silhueta mais baixa e melhor perfil balistico frontal. A nova torre foi também resultado dos estudos da Engesa para o veículo que estudava no momento, o carro de combate médio EE-T1/T2 Osório.

Para um veículo desenhado em meados dos anos 80, o Sucuri estava bastante bem equipado, com periscopios para comandante e atirador e um telemetro laser, canhão giroestabilizado, podendo efectuar busca de alvos com o veículo em movimento.

O novo motor, juntamente com a nova torre, reduziram o peso do Sucuri-II para 18 toneladas, ou seja 500Kg. A menos que o 18500Kg do modelo inicial do Sucuri.

O Sucuri-II podia ser assistido com muita facilidade e o seu motor era facil de remover.

O Sucuri-II, com o fim da empresa Engesa não chegou a entrar em produção.

Ele constituiu porém um marco na industria militar brasileira, porque enquanto que com os outros veículos o Brasil se limitou a copiar conceitos e ideias de outros países, com o Sucuri-II - um caça-tanques leve numa plataforma 6x6 - houve uma tentativa de inovar que se não era completamente inovadora, era-o pelo menos na ideia de que esse tipo de veículo faria sentido no futuro, pelo menos para as condições da américa latina como substituto do veículo Cascavel, que ainda hoje está em operação em muitos países do mundo.

Informação genérica:
Desde o inicio da década de 1970 que a industria militar brasileira sofreu um considerável crescimento, resultado das opções do governo militar imposto pelo golpe de 1964.

Na altura, o Brasil foi sujeito a várias pressões internacionais e a restrições severas no que respeita ao fornecimento de material militar de primeira linha pelos Estados Unidos, que tinham sido o principal fornecedor de material brasileiro pelo menos desde a II guerra mundial.

Com uma estrutura industrial enriquecida pela experiência da instalação de grandes fábricas de automóveis, o Brasil de 1970 dispunha de alguma capacidade para desenvolver os seus próprios projetos, de forma a garantir alguma autonomia.


Alguns modelos foram modificados ou produzidos em pequenas séries, outros não chegaram ao estágio de produção.




Entre os veículos experimentais que apenas chegaram à fase de produção, estão os derivados brasileiros do carro de combate leve M3/M5 Stuart.
O último derivado, é o único que pode realmente ser considerado um produto brasileiro, mas menos de 20 deles chegaram a ser produzidos.

A viatura blindada M113, passou por uma radical modificação no Brasil. Muitos M113 foram adaptados e modificados para que pudessem utilizar componentes brasileiros reduzindo drásticamente os custos de produção.

O que é menos conhecido, é que utilizando o conhecimento técnico desenvolvido com aquele programa, uma empresa brasileira a MOTOPEÇAS, desenvolveu uma viatura blindada de transporte de pessoal, que teria eventualmente capacidade para substituir o M113.

Vários problemas, de entre os quais se destaca a dificuldade para ser utilizado em águas com alguma ondulação, levaram ao cancelamento do projeto.

Caminho idêntico foi o do carro de combate M41, de que o Brasil tinha recebido vários exemplares. Um programa de modernização dessas viaturas levou a industria brasileira BERNARDINI a desenvolver uma viatura própria, que ficou conhecida como Tamoyo.

Porém, provavelmente o mais famoso e efémero dos projetos da industria militar brasileira da década de 1980 tenha sido o carro de combate EE-T1 Osorio.

A viatura desenvolvida ainda durante a guerra do golfo, apresentava características muito interessantes que a colocavam numa posição interessante no mercado internacional.

No entanto, considera-se hoje que demasiado optimismo, dificuldade em garantir o fornecimento de elementos chave, como o armamento principal e o desinteresse do exército brasileiro, levaram ao abandono do projeto.

Caça-tanques
Podemos considerar que o conceito de veículo caça-tanques tem a sua origem no termo alemão «Panzerjager» (literalmente caça-blindados) e que foi desenvolvido durante a II Guerra Mundial com o objectivo explicito de reduzir a superioridade blindada soviética em termo de números.

O conceito alemão de caça-tanques aplica-se normalmente a carros de combate (vulgo tanques) adaptados para utilizar uma arma de maior calibre colocada directamente sobre o chassis em vez de instalada numa torre com deriva de 360 graus.
Esse conceito derivou – e foi uma adaptação – do conceito de canhão de assalto que também partia do mesmo principio, só que com a colocação de uma arma principal de baixa velocidade que disparava munição explosiva, mais adequada contra infantaria ou posições fortificadas.

Praticamente todos os principais tanques alemães da II Guerra Mundial (Panzer-I/II/III/IV/V/VI e VI-B) tiveram a sua versão caça-tanques e os soviéticos também adaptaram o conceito, produzindo versões caça-tanques dos seus carros de combate T-34 e KV-1.

Os norte-americanos, que tinham feito experiências antes da guerra sem resultados práticos, desenvolveram a sua própria doutrina para a utilização de veículos caça-tanques a partir de 1940 após a invasão da França. Como rapidamente se verificou que as experiências até ali desenvolvidas eram insuficientes, desenvolveu-se uma doutrina em que os «Tank-Destroyers» estavam levemente armados e tinham a velocidade como o seu principal argumento. A teoria não resultou por várias razões, de entre as quais se destaca o facto de os chassis utilizados serem de tanques M4-Sherman que acabavam não sendo tão rápidos quando seria desejavel. Os norte-americanos acabaram por abandonar a ideia de unidades de caça-tanques, embora tenham continuado a utilizar os veículos em operações combinadas.

O conceito modernizado

Curiosamente, o conceito de caça-tanques evoluiu de tal forma que já no final do século XX voltaram a aparecer viaturas que adaptaram o conceito norte-americano de caça tanques, desenvolvendo viaturas rápidas mas fracamente blindadas. Por isso há modelos de viaturas mais modernas que também cabem nesta designação, embora ela tenha muito mais que ver com a doutrina de cada força.

Ao contrário dos caça-tanques segundo o conceito alemão e soviético da II Guerra Mundial, os actuais seguem o conceito e doutrina americana.
Isto faz com que na prática o conceito de «caça-tanque» se confunda com a viatura pesada de reconhecimento, que seguindo um conceito parecido, tem alta mobilidade (normalmente é uma viatura sobre rodas) mas pode atacar em caso de necessidade carros de combate pesados do inimigo, embora com riscos elevados.

Exemplos desse tipo de utilização dual, são o Panhard EBR que curiosamente estava armado com uma arma derivada da que equipava o carro de combate alemão Panther e o caça-tanques Panzerjager-IV.
O conceito também se confunde com o de «tanque leve».

Presentemente e seguindo este conceito são comercializadas várias viaturas do tipo, tanto nos Estados Unidos (Striker) como na Rússia (Sprut-SD) e na Europa (Centauro), China (PTL-02) e África do Sul (Rooikat).