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Carro de combate médio



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Projeto: Bernardini
Brasil
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
7.4
8.77m
3.22m
2.2M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
28t
30t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
GM 8V92TA Detroit-Diesel
750cv
68 Km/h
30 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Lagartas
700 Litros
550Km
4
60º
30º
1.3M
2.4M
0.75M

Armamento básico
- 1 x 105mm L-7 (Calibre: 105mm - Alcance estimado de 4.4Km a 4.4Km)
Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

O projecto do tanque Tamoyo, é muitas vezes confundido com outro projecto brasileiro conhecido como Osório, da empresa ENGESA. Trata-se no entanto de produtos diferentes, com objectivos diferentes e filosofias diferentes.

Depois de ter efectuado com sucesso várias modificações e modernizações de veículos de origem norte-americana (ver carros de combate M41-C e M3A1) a empresa Bernardini de São Paulo, decidiu avançar com o passo seguinte, que era o de contruir um novo veículo, com base na capacitação técnica obtida pela empresa ao longo dos anos 70 e inicio dos anos 80.

Desde a ideia inicial, passando pela maturação e preparação do projecto, decorreram sete anos, pelo que o desenvolvimento do Tamoyo iniciou-se ainda antes de ter terminado a modernização dos tanques médios M-41. O primeiro protótipo do novo tanque ficou pronto em 1984.

O veículo foi sendo adaptado e melhorado a cada um dos seus vários protótipos, a medida que novas ideias e possibilidades íam sendo incluidas.
Embora a ideia de colocar um canhão de 105mm do tipo L-7 tivesse sempre sido considerada, foi inicialmente colocado um canhão de 90mm de alta velocidade da mesma família do canhão utilizado no carro de combate Cascavel.
A vantagem do canhão de 90mm, é que ele podia ser fabricado no Brasil. Para produzir o canhão de 105mm L-7 seria necessário obter a licença de fabrico, o que não era considerado impossível.

Com o canhão de 105mm o Tamoyo seria juntamente com o TAM argentino um dos tanques mais leves a dispor daquele tipo de canhão, que nos anos 80 era comum na maioria dos carros de combate ocidentais.

Com as opções de 90mm ou 105mm o fabricante afirmava que o tanque tanto poderia ser utilizado como veículo blindado médio de reconhecimento, como com o canhão maior e maior blindagem e motor poderia formar agrupamentos de carros de combate, adequados para enfrentar qualquer ameaça ao nível das que se poderiam esperar no continente sul americano.

O Tamoyo poderia ser equipado com um computador de tiro da FERRANTI, enquanto que o periscopio era americano, fabricado pela empresa Kolmorgan. Qalguns dos sistemas não estavam (por exemplo) instalados a bordo dos tanques TAM argentinos que eram na altura a referência para os brasileiros.

O motor considerado para o tanque foi inicialmente o conjunto motriz Scania DA14, com a potência aumentada para 736cv fabricado pela Scania no Brasil. Mas a possibilidade de utilizar um motor GM8V92TA Detroit-Diesel também foi considerada, para o caso de o veículo ser exportado e haver preferência por esse motor.

A grande vantagem do Tamoyo como possibilidade para carro de combate brasileiro, estava na grande percentagem de incorporação de componentes fabricados no Brasil. Toda a blindagem, a torre os sistemas hidraulicos, as lagartas, um dos motores e até o canhão (no caso do 90mm) podiam ser fabricados no Brasil. Alguns dos outros equipamentos, embora de origem internacional, poderiam ser «nacionalizados» desde que o numero de sistemas a adquirir fosse suficiente e justificasse a operação.

Outra das curiosidades relativamente ao desenvolvimento do Tamoyo, é a de que terá sido o desenvolvimento deste tanque, que levou a ENGESA, que até aí se tinha especializado no fabrico de veículos blindados sobre rodas a desenvolver o tanque Osório, que foi de raiz pensado para superar o Tamoyo em tudo.

Informação genérica:
Desde o inicio da década de 1970 que a industria militar brasileira sofreu um considerável crescimento, resultado das opções do governo militar imposto pelo golpe de 1964.

Na altura, o Brasil foi sujeito a várias pressões internacionais e a restrições severas no que respeita ao fornecimento de material militar de primeira linha pelos Estados Unidos, que tinham sido o principal fornecedor de material brasileiro pelo menos desde a II guerra mundial.

Com uma estrutura industrial enriquecida pela experiência da instalação de grandes fábricas de automóveis, o Brasil de 1970 dispunha de alguma capacidade para desenvolver os seus próprios projetos, de forma a garantir alguma autonomia.


Alguns modelos foram modificados ou produzidos em pequenas séries, outros não chegaram ao estágio de produção.




Entre os veículos experimentais que apenas chegaram à fase de produção, estão os derivados brasileiros do carro de combate leve M3/M5 Stuart.
O último derivado, é o único que pode realmente ser considerado um produto brasileiro, mas menos de 20 deles chegaram a ser produzidos.

A viatura blindada M113, passou por uma radical modificação no Brasil. Muitos M113 foram adaptados e modificados para que pudessem utilizar componentes brasileiros reduzindo drásticamente os custos de produção.

O que é menos conhecido, é que utilizando o conhecimento técnico desenvolvido com aquele programa, uma empresa brasileira a MOTOPEÇAS, desenvolveu uma viatura blindada de transporte de pessoal, que teria eventualmente capacidade para substituir o M113.

Vários problemas, de entre os quais se destaca a dificuldade para ser utilizado em águas com alguma ondulação, levaram ao cancelamento do projeto.

Caminho idêntico foi o do carro de combate M41, de que o Brasil tinha recebido vários exemplares. Um programa de modernização dessas viaturas levou a industria brasileira BERNARDINI a desenvolver uma viatura própria, que ficou conhecida como Tamoyo.

Porém, provavelmente o mais famoso e efémero dos projetos da industria militar brasileira da década de 1980 tenha sido o carro de combate EE-T1 Osorio.

A viatura desenvolvida ainda durante a guerra do golfo, apresentava características muito interessantes que a colocavam numa posição interessante no mercado internacional.

No entanto, considera-se hoje que demasiado optimismo, dificuldade em garantir o fornecimento de elementos chave, como o armamento principal e o desinteresse do exército brasileiro, levaram ao abandono do projeto.