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Viatura de transporte VIP



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ZIS-110
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ZIS-110
Viatura de transporte VIP (ZIL)
ZIS-110

Projeto: ZIL
Russia
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
6
n/disponivel
1.96m
1.73M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
2.575t
2.8t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
6005cc
140cv
140 Km/h
20 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Duas rodas motrizes
N/disponível
0Km
6
N/disponivel
0M
0M

Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

Claramente inspirado no modelo norte-americano Packard «Super-eight» de 1942, o ZIS-110 era um dos veículos preferidos de José Estaline e veio substituir o anterior modelo ZIS -101A que também tinha sido construido por inspiração do líder soviético.

Embora o ZIS-110 só tenha aparecido depois do fim da guerra, em Agosto de 1945 numa primeira série de 5 viaturas, a sua produção foi pensada pelo próprio Estaline ainda em 1942 e os trabalhos prosseguiram em segredo. Como outros veículos do tipo ele era acima de tudo uma afirmação política de que a União Soviética também era capaz de produzir viaturas de luxo como as que se fabricavam na europa ocidental ou nos Estados Unidos.

O ZIS-110 continuou em produção até 1958, altura em que foi substituido pelo modelo ZIS-111 tendo sido produzidos 2083 exemplares da viatura.

Além de ter servido como viatura de prestigio o ZIS-110 foi também produzido em versão ambulância. Foi produzida uma versão com célula blindada chamada ZIS 115, num total de 32 exemplares.
O ZIS-110, como outros veículos da antiga URSS não estiveram nunca disponíveis para compra e eram produzidos apenas por encomenda das entidades oficiais.

Notar que depois da morte de José Estaline, o «ZIS» em que o «S» siginifica Stalin, foi alterado para «L» de Likatchev. Os ZIS passaram portanto a chamar-se ZIL.




Informação genérica:
Desde a fundação da União Soviética que os dirigentes comunistas deram especial importância às viaturas de representação para os altos dirigentes das estruturas dos vários partidos comunistas das republicas e do governo central soviético.

Estaline, deu especial atenção e importância ao desenvolvimento deste tipo de viatura e os primeiros veículos do tipo foram mesmo construidos na fábrica que levava o nome do ditador comunista Estaline.

Surge assim o ZIS 101, derivado do modelo americano Buick-90 de 1933. Desde o inicio os soviéticos mostraram especial interesse por copiar as enormes lomousines norte-americanas, preferindo os modelos americanos aos modelos europeus.

A esta realidade não é alheio o facto de as empresas americanas, terem carta branca para negociar com o regime comunista russo, podendo desenvolver negócios com o regime de Moscovo, da mesma forma que os faziam com a Alemanha hitleriana.

Dentro da mesma linha de desenvolvimento, e copiando os modelos da Packard, que era na altura uma das mais conceituadas se não mesmoa mais conceituada e luxuosa empresa automovel americana, surgiu o ZIS-110, que era uma cópia do Packard Super.Eight, que apareceu em 1942.

Embora a industria soviética estivesse completamente empenhada na guerra, o desenvolvimento dos carros de luxo, continuou em segredo, mesmo quando nos Estados Unidos, a industria estava proibida de desenvolver viaturas civis.
Assim, os soviéticos mostraram o ZIS-110 em Agosto de 1945, quando os americanos ainda estavam a discutir a paz com o Japão.

Limousines sovieticas

Luxo e extravagância comunista
A razão pela qual os regimes comunistas demonstraram todos uma grande apetência pelo luxo e pela extravagância é sujeita a muita polémica e discussão.

De entre as razões para tal comportamento estará o facto de numa sociedade equalitária, o ser humano continuar a precisar de formas para se diferenciar. Num regime em que existe apenas uma marca de cada tipo de produto (quando existe), viajar numa viatura exclusiva é um sinal de poder e diferenciação como poucos.

As viaturas de representação soviéticas eram normalmente fabricadas em pequenas séries por fabricas de viaturas de transporte ou tractores. Na maior parte dos casos trata-se de cópias de modelos norte-americanos, embora também existam cópias de modelos europeus ou claramente inspirados em modelos europeus. Em alguns casos as plataformas foram também aproveitadas para o desenvolvimento de viaturas utilitárias, como taxis ou ambulâncias.

Os veículos de luxo soviéticos eram cópias de equivalentes ocidentais e curiosamente havia modelos específicos para cada escalão da administração do estado. Krutchev chegou a queixar-se de que o carro dos camaradas do politburo confundia-se com os carros dos funcionários de segundo escalão do partido, o que levou a produzir um novo carro de luxo, especificamente para aqueles dirigentes, frisando através dos automóveis, as divisões de classes numa sociedade supostamente equalitária.

As limousines transformaram-se num simbolo de uma sociedade estratificada, simbolos de status, que contribuiram para distanciar cada vez mais o povo dos dirigentes.

Era de tal forma claro esse sentimento, que durante a Perestroika, com o objetivo de mostrar que as coisas estavam a mudar, Gorbatchev mandou encerrar a linha de montagem de limousines GAZ, onde se produzia o GAZ-14, quase exclusivamente destinado aos funcionários do partido.
Desde a formação da União Soviética que os dirigentes comunistas sempre demonstraram uma grande inclinação para a utilização de viaturas de representação altamente luxuosas. Lenin, o primeiro líder, não escondia o seu gosto pelo luxo e pela extravagância e o seu sucessor, José Estaline, também possuiu uma colecção de limousines de alto luxo.

Foi aliás Estaline que decidiu que a União Soviética também deveria construir a sua própria gama de viaturas luxuosas, tendo mesmo apoiado a construção de carros desportivos nos anos 30. Depois do triunfo dos comunistas na China, também os dirigentes chineses se voltaram para a produção de viaturas de prestigio e alto luxo, que pretendiam de alguma forma mostrar que os seus regimes conseguiam ter um padrão de produção equivalente ao dos países ocidentais.

Dividimos as limousines soviéticas em três grupos.
ZIS 101 - A série que juntamente com o ZIS-110 representa. A primeira fase de desenvolvimento, com limousines exclusivamente para utilização da administração de topo. Estas viaturas foram construidas antes e desenvolvidas durante a II guerra mundial, ficando em produção até à década de 1950.

ZIM / GAZ - As séries de veículos da fabrica GAZ, destinados não aos funcionários de topo, mas sim aos funcionários dos escalões secundários. Estes veículos eram menos luxuosos, mas foram construidos em muito maior número.

ZIL 111/114 - As séries mais luxuosas, partindo do ZIL-111 de 1958, até aos veículos que estavam ao serviço na era Gorvachov. Estes veículos destinavam-se à administração de topo, altos funcionários do Kremlin e membros do politburo.


GAZ e ZIL

Depois da guerra, com o fim das necessidades militares, foi decidido que a fábrica ZIS prosseguisse com a produção da viatura de luxo ZIS-110, ao mesmo tempo que também foi decidido desenvolver uma linha de montagem para este tipo de viaturas na cidade de Gorki, no complexo industrial conhecido como GAZ.

Enquanto a ZIL se dedicava a produzir viaturas de topo de gama para utilização pelos lideres de topo, nomeadamente o próprio Estaline, a GAZ recebeu ordens para se dedicar a fabricar viaturas de luxo para os escalões secundários da hierarquia comunista.

A GAZ lançou então o GAZ-12, que foi a limousine mais produzida durante a década de 1950. O modelo seguinte, também construído pelas duas fábricas foi o GAZ Tchaika-13 que era muito parecido (ainda que 40cm menor) com o ZIL-111.
Os governadores das regiões, perfeitos (presidentes de câmara municipal), os dirigentes regionais dos partidos comunistas das várias repúblicas, tinham direito a uma limousine GAZ-13 e a viatura esteve em produção até ao final da década de 1970, tendo-se mantido em produção por mais de 20 anos.
Já a ZIL dedicava-se à produção de limousines de topo e ultra-luxo, para representação do estado soviético central. As limousines ZIL eram normalmente utilizadas nas deslocações dos lideres soviéticos ao exterior e eram utilizadas pelos ministros e altos responsáveis da administração central, da KGB e do politburo do Partido Comunista Soviético.

Na imagem, Leonid Brezhev, secretario geral do PCUS. Este dirigente tinha um especial gosto por carros luxuosos. Brezhnev chegou a ter um acidente em 1980 com um Rolls Royce Silver Shadow, enquanto conduzia embriagado nas ruas dentro da fortaleza do Kremlin. A viatura acidentada foi preservada num museu.
Brezhnev era um entusiasta e durante a sua vida possuiu um total de 82 automóveis. Quando morreu em 1982, ainda era proprietário de 21 exemplares.
Curiosamente, no inicio da década de 1960, com os modelos ZIL-111 e GAZ-13, os dois escalões da administração comunista dispunham de viaturas similares, o que foi notado por Nikita Krutchev e levou a que se decidisse modernizar o ZIL-111 para que se pudesse diferenciar do escalão inferior do escalão superior da administração soviética.

O ZIL-111G, construido propositadamente para distinguir os dirigentes de topo derivou posteriormente, já no final da década de 1980 no modelo ZIL-114 (final da década de 1960) e posteriormente no ZIL- 4104 (4104.7 na versão limousine para sete lugares). É esta a limousine de Mikhail Gorbatchev e o simbolo final do fim da União Soviética.
Limousines e Perestroika

Quando se iniciou a era Gorbatchov, foi decidido acabar com muitos dos privilégios de que gozavam os altos escalões da administração soviética e uma das faces visíveis desses privilégios eram as limousines produzidas pela GAZ.

Por ordem do presidente soviético, a produção do GAZ-14 Tchaika foi interrompida em 1988 e os planos e moldes para o fabrico da viatura foram igualmente destruidos, para dar o exemplo.
Em meados da década de 1990 ainda se tentou recuperar o modelo, mas concluiu-se que, sem os moldes que tinham sido destruidos, a produção mesmo artesanal da limousine seria economicamente inviável.

Em 2012 a ZIL apresentou uma última derivação baseada no mesmo chassis, mas com o acrescento de mais caracteríticas luxuosas, além de seis portas. O modelo não terá sido do agrado do presidente Vladimir Putin, pelo que no final de 2013 foi anunciado que o ZIL 4112R não chegaria a ser produzido em série.

Uma outra limousine, destinada a utilização pelos altos escalões da nomenclatura russa foi entretanto proposto, mas com a crise económica russa que se seguiu à ocupação da Crimeia e invasão da Ucrânia, os planos foram oficialmnte congelados, embora alegadamente continuem em segredo por ordem direta do presidente Vladimir Putin, que como outros líderes russos, também tem uma grande predileção pelo luxo e pela extravagância.