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Viatura de transporte VIP

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GAZ 12 «ZIM»
Viatura de transporte VIP

GAZ 13 «Tchaika»
Viatura de transporte VIP

GAZ 14 «Tchaika»
Viatura de transporte VIP

 

GAZ 13 «Tchaika»
Viatura de transporte VIP (GAZ)
GAZ 13 «Tchaika»

Projeto: GAZ
Russia
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
5.7
n/disponivel
2m
1.61M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
2t
2.4t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
GAZ V8 5530cc
195cv
160 Km/h
0 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Duas rodas motrizes
80 Litros
0Km
1+6
N/disponivel
0M
0M

Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

A rapidez galopante com que os modelos norte-americanos mudavam, com novos modelos lançados todos os anos, levou a que os veículos soviéticos que eram na prática cópias, rapidamente ficassem obsoletos e ultrapassados.

O antigo GAZ-12 (ou ZIM) ficou por isso ultrapassado durante a década de 1950 e um substituto era necessário. Na verdade o primeiro «Tchaika» ou gaivota, foi um GAZ-12 / ZIM com alterações estéticas e umanova grelha, já com o elemento metálico de asas abertas que se tornou padrão nas viaturas seguintes.

O primeiro veículo a utilizar o nome Tchaika, foi na verdade um GAZ-12 com uma nova grelha e alterações cosméticas. Este veículo, produzido em 1955 é também conhecido como Winters-12V


Desenhados pelo mesmo projetista, com base no Packard Patrician de 1955, Tchaika-13 e o ZIL-111 são extremamente parecidos.
Mas o Tchaika, deveria servir para substituir o GAZ-12 (cuja produção terminou em 1959), prevendo-se por isso a sua produção em grande escala.
Embora várias fontes na União Soviética e posteriormente na Russia aleguem que o desenvolvimento das viaturas foi independente, tanto esta tese, como a de que não houve influência direta dos modelos da Packard foi há muito colocada de parte.
Na verdade, O GAZ-13 aparenta ser pouco mais que uma versão encurtada do ZIL-111, com cerca de 40cm a menos e com muito menos detalhes luxuosos, nomeadamente menos cromados, que caracterizavam o ZIL-111.

Os dois veículos podem aliás ser facilmente confundidos um com o outro. Eles são tão fáceis de confundir, que o próprio Nikita Krutchev se queixou de que os veículos dos camaradas do politburo e do comité central (ZIL) se confundiam com os dos camaradas dos escalões secundários do partido comunista (GAZ) que era suposto terem carros inferiores.

A versão GAZ-13 é a versão standard entre 1961 e 1962 foi produzida uma versão cabriolet, conhecida como GAZ-13B e uma versão com uma separação entre o compartimento do condutor e dos passageiros, conhecida como modelo 13A (lançada em 1958).

O Packard modelo 1955 norte-americano foi a inspiração para criar o ZIL-111.
Se a ZIL fez modificações muito grandes no seu modelo (ver ZIL-111G), a fábrica de Gorki não seguiu pelo mesmo caminho.
Enquanto que a ZIL passou a produzir limousines para as esferas mais altas do poder a GAZ continuou a produzir o modelo Tchaika-13 durante mais 20 anos, sem modificações especialmente significativas.

Os Tchaika-13 eram essencialmente utilizados pelos escalões secundários da administração soviética e pelo corpo diplomático. Eles não precisavam ser ou parecer tão sofisticados quanto os veículos norte-americanos porque se destinavam a utilização interna, servindo como viaturas de prestigio para os chamados «Aparatchik» do Partido Comunista.

Ainda que fosse destinado a escalões secundários, há notícias de que vários lideres soviéticos tinham na realidade preferência pelo GAZ Chaika, preferindo-o aos mais sofisticados e luxuosos ZIL.

Os Tchaika-13 foram durante muito tempo, simbolos do poder dos funcionários do partido e das administrações locais. A viatura não estava à venda e era apenas distribuida aos organismos oficiais. O modelo permaneceu em produção até 1981, e continuava em produção quando já tinha sido apresentado o seu substituto o GAZ 14. O consumo deste modelo estava na ordem dos 20 litros a cada 100km (5km/ litro)

Abaixo o GAZ-13 em versões descapotaveis para utilização em cerimónias oficiais e em paradas militares. Notar a grelha com elementos retangulares e o simbolo da ZIL e a diferente grelha do Tchaika.


Inicialmente o GAZ-13 dispunha de um motor que resultava da junção de dois motores de 2445cc do GAZ-VOLGA atingindo assim uma cilindrada de 4890cc. Em 1958, foi introduzido um motor de 5500cc.
A GAZ ainda considerou a possibilidade de modernizar o GAZ-13 Chaika logo no inicio da década de 1960, competindo diretamente com o ZIL-111G e transformando-o num carro mais moderno e sofisticado, mas a função da GAZ era a de produzir limousines mais baratas e faceis de construir, o que tornava inviável investir em novas modificações nas linhas de montagem.
O GAZ Chaika-13 modernizado. Apenas um exemplar foi produzido em 1961 mas a verdadeira modernização só ocorreria quase vinte anos depois. Este estudo acabaria no entanto por ser utilizado como base para o desenvolvimento do ZIL-111G.


O Tchaika-13 também serviu de modelo para a viatura chinesa de representação Hong Qi 770, que os chineses mativeram em produção praticamente até aos anos 90, modernizando-a posteriormente.

Informação genérica:
Desde o final da década de 1940, uma segunda fábrica soviética começou a desenvolver viaturas de prestigio.

Tratava-se da fábrica GAZ, que começou por produzir a limousine ZIM.

O ZIM (homenagem ao ministro soviético Molotov) era inspirado no Cadillac Fleetwood de 1948 e destinava-se a ocupar um lugar de destaque, mas secundário quando comparado com o ZIS-110 que era utilizado pelo próprio Estaline e pelos membros do comité central do Partido Comunista..

Comparação com os modelos norte-americanos
Torna-se impossível não comparar os veículos fabricados na União Soviética com os seus equivalentes norte-americanos. Este tipo de comparação tornou-se mais comum quando após o fim da URSS, muitos modelos russos foram vendidos para o ocidente.

As conclusões apontam para uma qualidade geral muito inferior à dos seus equivalentes Packard. Os veículos em muitos casos são quase espartanos. A potência do motor do Chaika-13 por exemplo, não atingia os 200cv enquanto que os modelos americanos atingiam ou superavam os 300cv utilizando cilindradas equivalentes. A velocidade também era inferior, embora neste quesito, haja a considerar o facto de muitos dos carros soviéticos serem blindados, para utilização por entidades oficiais.
A série 12 deveria ser utilizada como viatura de representação para os escalões superiores dos partidos comunistas das repúblicas e para os funcionários das repúblicas soviética. A diferenciação era absoluta e o veículo era um claro simbolo da posição ocupada dentro da rigida estrutura hierarquica soviética,

Os chassis desenvolvidos para as viaturas de luxo da GAZ, partilhavam componentes com taxis e ambulancias.
Tendo um publico alvo muito maior, as viaturas de representação da GAZ foram produzidas em muito maior número.

Durante a década de 1950, o ZIM/GAZ M12 foi a limousine mais produzida na União Soviética.

A série 13
Depois da série 12, passou-se para a série 13, já sob a designação GAZ-13 Tchaika (Gaivota). Na realidade o GAZ-13 era virtualmente idêntico ao ZIL-111 que na altura tinha substituido o ZIL-110, como viatura para o topo de gama.

Desta forma, a limousine dos altos escalões do partido e a limousine dos escalões secundários e dos dirigentes das repúblicas era praticamente a mesma.

Foi o próprio Nikita Krutchev, que lembrou os emgenheiros de que o carro do lider da União Soviética parecia igual ao carro dos presidentes das repúblicas e que isso tinha que mudar.

Por isso, no inicio da década de 1960, uma modernização do modelo da GAZ foi estudada, mas os trabalhos não prosseguiram. Ao invés, foi a ZIL que acabou por apresentar uma modernização do modelo ZIL-111, dando origem ao modelo ZIL-111G e acabando assim com um «periodo equalitário» em que os dirigentes soviéticos tinham todos o mesmo tipo de carro de luxo.

Série 14
A modernização da limousine dos escalões secundários, só ocorrerá depois de meados da década de 1970, com o desenvolvimento e apresentação do GAZ-14 Tchaika.
Nessa altura já a gama ZIL tinha evoluido bastante. Por isso, embora os Tchaika-14 fossem muito mais modernos que os Tchaika-13, eles continuavam a ser inferiores aos ZIL utilizados pelos escalões de topo da hierarquia soviética.

Manteve-se assim a separação de classes, mesmo dentro das estruturas de topo do Partido Comunista.

Limousines sovieticas

Luxo e extravagância comunista
A razão pela qual os regimes comunistas demonstraram todos uma grande apetência pelo luxo e pela extravagância é sujeita a muita polémica e discussão.

De entre as razões para tal comportamento estará o facto de numa sociedade equalitária, o ser humano continuar a precisar de formas para se diferenciar. Num regime em que existe apenas uma marca de cada tipo de produto (quando existe), viajar numa viatura exclusiva é um sinal de poder e diferenciação como poucos.

As viaturas de representação soviéticas eram normalmente fabricadas em pequenas séries por fabricas de viaturas de transporte ou tractores. Na maior parte dos casos trata-se de cópias de modelos norte-americanos, embora também existam cópias de modelos europeus ou claramente inspirados em modelos europeus. Em alguns casos as plataformas foram também aproveitadas para o desenvolvimento de viaturas utilitárias, como taxis ou ambulâncias.

Os veículos de luxo soviéticos eram cópias de equivalentes ocidentais e curiosamente havia modelos específicos para cada escalão da administração do estado. Krutchev chegou a queixar-se de que o carro dos camaradas do politburo confundia-se com os carros dos funcionários de segundo escalão do partido, o que levou a produzir um novo carro de luxo, especificamente para aqueles dirigentes, frisando através dos automóveis, as divisões de classes numa sociedade supostamente equalitária.

As limousines transformaram-se num simbolo de uma sociedade estratificada, simbolos de status, que contribuiram para distanciar cada vez mais o povo dos dirigentes.

Era de tal forma claro esse sentimento, que durante a Perestroika, com o objetivo de mostrar que as coisas estavam a mudar, Gorbatchev mandou encerrar a linha de montagem de limousines GAZ, onde se produzia o GAZ-14, quase exclusivamente destinado aos funcionários do partido.
Desde a formação da União Soviética que os dirigentes comunistas sempre demonstraram uma grande inclinação para a utilização de viaturas de representação altamente luxuosas. Lenin, o primeiro líder, não escondia o seu gosto pelo luxo e pela extravagância e o seu sucessor, José Estaline, também possuiu uma colecção de limousines de alto luxo.

Foi aliás Estaline que decidiu que a União Soviética também deveria construir a sua própria gama de viaturas luxuosas, tendo mesmo apoiado a construção de carros desportivos nos anos 30. Depois do triunfo dos comunistas na China, também os dirigentes chineses se voltaram para a produção de viaturas de prestigio e alto luxo, que pretendiam de alguma forma mostrar que os seus regimes conseguiam ter um padrão de produção equivalente ao dos países ocidentais.

Dividimos as limousines soviéticas em três grupos.
ZIS 101 - A série que juntamente com o ZIS-110 representa. A primeira fase de desenvolvimento, com limousines exclusivamente para utilização da administração de topo. Estas viaturas foram construidas antes e desenvolvidas durante a II guerra mundial, ficando em produção até à década de 1950.

ZIM / GAZ - As séries de veículos da fabrica GAZ, destinados não aos funcionários de topo, mas sim aos funcionários dos escalões secundários. Estes veículos eram menos luxuosos, mas foram construidos em muito maior número.

ZIL 111/114 - As séries mais luxuosas, partindo do ZIL-111 de 1958, até aos veículos que estavam ao serviço na era Gorvachov. Estes veículos destinavam-se à administração de topo, altos funcionários do Kremlin e membros do politburo.


GAZ e ZIL

Depois da guerra, com o fim das necessidades militares, foi decidido que a fábrica ZIS prosseguisse com a produção da viatura de luxo ZIS-110, ao mesmo tempo que também foi decidido desenvolver uma linha de montagem para este tipo de viaturas na cidade de Gorki, no complexo industrial conhecido como GAZ.

Enquanto a ZIL se dedicava a produzir viaturas de topo de gama para utilização pelos lideres de topo, nomeadamente o próprio Estaline, a GAZ recebeu ordens para se dedicar a fabricar viaturas de luxo para os escalões secundários da hierarquia comunista.

A GAZ lançou então o GAZ-12, que foi a limousine mais produzida durante a década de 1950. O modelo seguinte, também construído pelas duas fábricas foi o GAZ Tchaika-13 que era muito parecido (ainda que 40cm menor) com o ZIL-111.
Os governadores das regiões, perfeitos (presidentes de câmara municipal), os dirigentes regionais dos partidos comunistas das várias repúblicas, tinham direito a uma limousine GAZ-13 e a viatura esteve em produção até ao final da década de 1970, tendo-se mantido em produção por mais de 20 anos.
Já a ZIL dedicava-se à produção de limousines de topo e ultra-luxo, para representação do estado soviético central. As limousines ZIL eram normalmente utilizadas nas deslocações dos lideres soviéticos ao exterior e eram utilizadas pelos ministros e altos responsáveis da administração central, da KGB e do politburo do Partido Comunista Soviético.

Na imagem, Leonid Brezhev, secretario geral do PCUS. Este dirigente tinha um especial gosto por carros luxuosos. Brezhnev chegou a ter um acidente em 1980 com um Rolls Royce Silver Shadow, enquanto conduzia embriagado nas ruas dentro da fortaleza do Kremlin. A viatura acidentada foi preservada num museu.
Brezhnev era um entusiasta e durante a sua vida possuiu um total de 82 automóveis. Quando morreu em 1982, ainda era proprietário de 21 exemplares.
Curiosamente, no inicio da década de 1960, com os modelos ZIL-111 e GAZ-13, os dois escalões da administração comunista dispunham de viaturas similares, o que foi notado por Nikita Krutchev e levou a que se decidisse modernizar o ZIL-111 para que se pudesse diferenciar do escalão inferior do escalão superior da administração soviética.

O ZIL-111G, construido propositadamente para distinguir os dirigentes de topo derivou posteriormente, já no final da década de 1980 no modelo ZIL-114 (final da década de 1960) e posteriormente no ZIL- 4104 (4104.7 na versão limousine para sete lugares). É esta a limousine de Mikhail Gorbatchev e o simbolo final do fim da União Soviética.
Limousines e Perestroika

Quando se iniciou a era Gorbatchov, foi decidido acabar com muitos dos privilégios de que gozavam os altos escalões da administração soviética e uma das faces visíveis desses privilégios eram as limousines produzidas pela GAZ.

Por ordem do presidente soviético, a produção do GAZ-14 Tchaika foi interrompida em 1988 e os planos e moldes para o fabrico da viatura foram igualmente destruidos, para dar o exemplo.
Em meados da década de 1990 ainda se tentou recuperar o modelo, mas concluiu-se que, sem os moldes que tinham sido destruidos, a produção mesmo artesanal da limousine seria economicamente inviável.

Em 2012 a ZIL apresentou uma última derivação baseada no mesmo chassis, mas com o acrescento de mais caracteríticas luxuosas, além de seis portas. O modelo não terá sido do agrado do presidente Vladimir Putin, pelo que no final de 2013 foi anunciado que o ZIL 4112R não chegaria a ser produzido em série.

Uma outra limousine, destinada a utilização pelos altos escalões da nomenclatura russa foi entretanto proposto, mas com a crise económica russa que se seguiu à ocupação da Crimeia e invasão da Ucrânia, os planos foram oficialmnte congelados, embora alegadamente continuem em segredo por ordem direta do presidente Vladimir Putin, que como outros líderes russos, também tem uma grande predileção pelo luxo e pela extravagância.