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Viatura de transporte VIP

Veículos idênticos ou relacionados:


GAZ 12 «ZIM»
Viatura de transporte VIP

GAZ 13 «Tchaika»
Viatura de transporte VIP

GAZ 14 «Tchaika»
Viatura de transporte VIP

 

GAZ 14 «Tchaika»
Viatura de transporte VIP (GAZ)
GAZ 14 «Tchaika»

Projeto: GAZ
Russia
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
6.114
n/disponivel
2.02m
1.52M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
2.385t
2.59t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
V8 5529cc
220cv
175 Km/h
0 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Duas rodas motrizes
N/disponível
0Km
1+6
N/disponivel
0M
0M

Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

O desenvolvimento da Limousine GAZ-14 ocorre em meados da década de 1970, principalmente porque até para os padrões soviéticos, a limousine GAZ-13 que continuava em produção desde 1958 já se encontrava ultrapassada.

Segundo várias referências, o publico alvo utilizador deste veículo (funcionários do partido comunista, escalões secundários do estado soviético e dirigentes das republicas soviéticas) começaram a afirmar que o GAZ-13 estava completamente ultrapassado, o que implicava a necessidade de um novo veículo.

Embora se trate de um novo modelo, a industria soviética seguiu neste caso a sua antiga tradição de manter o máximo possível e mudar apenas o que tinha mesmo que ser mudado.

O regime comunista, tinha mantido uma estrita hierarquia social no que respeitava à produção de viaturas de luxo.
Assim, a fábrica ZIL da capital soviética, continuava a produzir os ZIL-111G e posteriormente os ZIL-114 mais sofisticados e modernos, enquanto que para os escalões secundários estava reservado um carro luxuoso, mas mais antigo.
Aliás, o GAZ-13 estava ultrapassado mesmo para os padrões de 1960, mas embora tivesse sido desenvolvida uma modernização, o projeto foi abandonado, tendo servido no entanto como base para o que viria a ser o ZIL-111G.



Vários protótipos foram desenvolvidos até se chegar ao modelo final. O primeiro (topo) era uma cópia clara de modelos americanos, fazendo mesmo lembrar o Ford LTD fabricado no Brasil. O segundo protótipo já mostrava alguma identidade própria. Embora ainda mostrasse clara inspiração americana, nomeadamente no Dodge Polara de 1972


Embora seja um novo carro o GAZ-14 (ou Tchaika-14) é também parcialmente um «restyling» do modelo Tchaika-13.
Os projetistas tentaram o possível para transformar uma plataforma já ultrapassada e introduzir uma viatura com um aspeto mais moderno para o final da década de 1970. A plataforma base é a mesma, embora o veículo tenha sido alongado, e a potência aumentada em 10%
Os bancos escamoteaveis centrais passaram a dispor de maior espaço e a movimentação no interior do veículo passou a ser mais fácil.

A limousina da fábrica GAZ manteve-se no entanto a um nível inferior ao das viaturas da ZIL, que serviam para representação interna e externa. As limousines ZIL-114 / ZIL-117 tinham a preferência das individualidades de topo.

O primeiro modelo de pré série saiu da fábrica em 1977. O modelo destacava-se pelas suas qualidades e em alguns casos era mais sofisticado que alguns ZIL produzidos poucos anos antes.

Mikhail Gorbatchev: A perestroika matou o GAZ-14 «Tchaika»
A viatura era destinada aos escalões secundários e era um simbolo claro de status. Ao contrário dos ZIL, deveria ser produizida em maior número.
Esta associação do GAZ-14 (como do anterior GAZ-13) aos escalões da burocracia da administração soviética, acabou criando problemas.
O carro era agora um simbolo do desperdicio e da corrupção que afetava de forma clara o regime soviético.

Com a chegada de Mikhail Gorbatchev ao poder no Kremlin, começou o principio do fim para as limousines da GAZ destinadas aos funcionários e altos escalões do partido.
Por um lado a crise económica na União Soviética e a política de transparência e reformas levaram a que um carro de luxo, destinado unicamente aos funcionários do partido fosse visto como supérfluo.

Por essa razão e para dar o exemplo, o presidente do comité central do PCUS ordenou o cancelamento da produção do GAZ-14 em 1988 e para dar o exemplo ordenou também que os moldes para a produção da viatura fossem destruidos, bem como todos os planos, para que não fosse possível voltar a produzir a viatura.

Como tinha acontecido com a série anterior (GAZ-13) também a série 14 recebeu uma versão adequada para paradas militares. No entanto, seriam sempre paradas militares onde não aparecessem os generais de primeiro escalão, que nesse caso deveriam utilizar um ZIL e não um GAZ.

Já durante a era Gorbatchev essa distinção começou-se a esbater.

Várias destas viaturas foram vendidas para países do mundo onde foram utilizadas como viaturas oficiais. De entre esses países destaca-se Cuba, onde Fidel Castro se deslocava num GAZ-14.

Um desses veículos ainda é utilizado como taxi para turistas endinheirados:


Informação genérica:
Desde o final da década de 1940, uma segunda fábrica soviética começou a desenvolver viaturas de prestigio.

Tratava-se da fábrica GAZ, que começou por produzir a limousine ZIM.

O ZIM (homenagem ao ministro soviético Molotov) era inspirado no Cadillac Fleetwood de 1948 e destinava-se a ocupar um lugar de destaque, mas secundário quando comparado com o ZIS-110 que era utilizado pelo próprio Estaline e pelos membros do comité central do Partido Comunista..

Comparação com os modelos norte-americanos
Torna-se impossível não comparar os veículos fabricados na União Soviética com os seus equivalentes norte-americanos. Este tipo de comparação tornou-se mais comum quando após o fim da URSS, muitos modelos russos foram vendidos para o ocidente.

As conclusões apontam para uma qualidade geral muito inferior à dos seus equivalentes Packard. Os veículos em muitos casos são quase espartanos. A potência do motor do Chaika-13 por exemplo, não atingia os 200cv enquanto que os modelos americanos atingiam ou superavam os 300cv utilizando cilindradas equivalentes. A velocidade também era inferior, embora neste quesito, haja a considerar o facto de muitos dos carros soviéticos serem blindados, para utilização por entidades oficiais.
A série 12 deveria ser utilizada como viatura de representação para os escalões superiores dos partidos comunistas das repúblicas e para os funcionários das repúblicas soviética. A diferenciação era absoluta e o veículo era um claro simbolo da posição ocupada dentro da rigida estrutura hierarquica soviética,

Os chassis desenvolvidos para as viaturas de luxo da GAZ, partilhavam componentes com taxis e ambulancias.
Tendo um publico alvo muito maior, as viaturas de representação da GAZ foram produzidas em muito maior número.

Durante a década de 1950, o ZIM/GAZ M12 foi a limousine mais produzida na União Soviética.

A série 13
Depois da série 12, passou-se para a série 13, já sob a designação GAZ-13 Tchaika (Gaivota). Na realidade o GAZ-13 era virtualmente idêntico ao ZIL-111 que na altura tinha substituido o ZIL-110, como viatura para o topo de gama.

Desta forma, a limousine dos altos escalões do partido e a limousine dos escalões secundários e dos dirigentes das repúblicas era praticamente a mesma.

Foi o próprio Nikita Krutchev, que lembrou os emgenheiros de que o carro do lider da União Soviética parecia igual ao carro dos presidentes das repúblicas e que isso tinha que mudar.

Por isso, no inicio da década de 1960, uma modernização do modelo da GAZ foi estudada, mas os trabalhos não prosseguiram. Ao invés, foi a ZIL que acabou por apresentar uma modernização do modelo ZIL-111, dando origem ao modelo ZIL-111G e acabando assim com um «periodo equalitário» em que os dirigentes soviéticos tinham todos o mesmo tipo de carro de luxo.

Série 14
A modernização da limousine dos escalões secundários, só ocorrerá depois de meados da década de 1970, com o desenvolvimento e apresentação do GAZ-14 Tchaika.
Nessa altura já a gama ZIL tinha evoluido bastante. Por isso, embora os Tchaika-14 fossem muito mais modernos que os Tchaika-13, eles continuavam a ser inferiores aos ZIL utilizados pelos escalões de topo da hierarquia soviética.

Manteve-se assim a separação de classes, mesmo dentro das estruturas de topo do Partido Comunista.

Limousines sovieticas

Luxo e extravagância comunista
A razão pela qual os regimes comunistas demonstraram todos uma grande apetência pelo luxo e pela extravagância é sujeita a muita polémica e discussão.

De entre as razões para tal comportamento estará o facto de numa sociedade equalitária, o ser humano continuar a precisar de formas para se diferenciar. Num regime em que existe apenas uma marca de cada tipo de produto (quando existe), viajar numa viatura exclusiva é um sinal de poder e diferenciação como poucos.

As viaturas de representação soviéticas eram normalmente fabricadas em pequenas séries por fabricas de viaturas de transporte ou tractores. Na maior parte dos casos trata-se de cópias de modelos norte-americanos, embora também existam cópias de modelos europeus ou claramente inspirados em modelos europeus. Em alguns casos as plataformas foram também aproveitadas para o desenvolvimento de viaturas utilitárias, como taxis ou ambulâncias.

Os veículos de luxo soviéticos eram cópias de equivalentes ocidentais e curiosamente havia modelos específicos para cada escalão da administração do estado. Krutchev chegou a queixar-se de que o carro dos camaradas do politburo confundia-se com os carros dos funcionários de segundo escalão do partido, o que levou a produzir um novo carro de luxo, especificamente para aqueles dirigentes, frisando através dos automóveis, as divisões de classes numa sociedade supostamente equalitária.

As limousines transformaram-se num simbolo de uma sociedade estratificada, simbolos de status, que contribuiram para distanciar cada vez mais o povo dos dirigentes.

Era de tal forma claro esse sentimento, que durante a Perestroika, com o objetivo de mostrar que as coisas estavam a mudar, Gorbatchev mandou encerrar a linha de montagem de limousines GAZ, onde se produzia o GAZ-14, quase exclusivamente destinado aos funcionários do partido.
Desde a formação da União Soviética que os dirigentes comunistas sempre demonstraram uma grande inclinação para a utilização de viaturas de representação altamente luxuosas. Lenin, o primeiro líder, não escondia o seu gosto pelo luxo e pela extravagância e o seu sucessor, José Estaline, também possuiu uma colecção de limousines de alto luxo.

Foi aliás Estaline que decidiu que a União Soviética também deveria construir a sua própria gama de viaturas luxuosas, tendo mesmo apoiado a construção de carros desportivos nos anos 30. Depois do triunfo dos comunistas na China, também os dirigentes chineses se voltaram para a produção de viaturas de prestigio e alto luxo, que pretendiam de alguma forma mostrar que os seus regimes conseguiam ter um padrão de produção equivalente ao dos países ocidentais.

Dividimos as limousines soviéticas em três grupos.
ZIS 101 - A série que juntamente com o ZIS-110 representa. A primeira fase de desenvolvimento, com limousines exclusivamente para utilização da administração de topo. Estas viaturas foram construidas antes e desenvolvidas durante a II guerra mundial, ficando em produção até à década de 1950.

ZIM / GAZ - As séries de veículos da fabrica GAZ, destinados não aos funcionários de topo, mas sim aos funcionários dos escalões secundários. Estes veículos eram menos luxuosos, mas foram construidos em muito maior número.

ZIL 111/114 - As séries mais luxuosas, partindo do ZIL-111 de 1958, até aos veículos que estavam ao serviço na era Gorvachov. Estes veículos destinavam-se à administração de topo, altos funcionários do Kremlin e membros do politburo.


GAZ e ZIL

Depois da guerra, com o fim das necessidades militares, foi decidido que a fábrica ZIS prosseguisse com a produção da viatura de luxo ZIS-110, ao mesmo tempo que também foi decidido desenvolver uma linha de montagem para este tipo de viaturas na cidade de Gorki, no complexo industrial conhecido como GAZ.

Enquanto a ZIL se dedicava a produzir viaturas de topo de gama para utilização pelos lideres de topo, nomeadamente o próprio Estaline, a GAZ recebeu ordens para se dedicar a fabricar viaturas de luxo para os escalões secundários da hierarquia comunista.

A GAZ lançou então o GAZ-12, que foi a limousine mais produzida durante a década de 1950. O modelo seguinte, também construído pelas duas fábricas foi o GAZ Tchaika-13 que era muito parecido (ainda que 40cm menor) com o ZIL-111.
Os governadores das regiões, perfeitos (presidentes de câmara municipal), os dirigentes regionais dos partidos comunistas das várias repúblicas, tinham direito a uma limousine GAZ-13 e a viatura esteve em produção até ao final da década de 1970, tendo-se mantido em produção por mais de 20 anos.
Já a ZIL dedicava-se à produção de limousines de topo e ultra-luxo, para representação do estado soviético central. As limousines ZIL eram normalmente utilizadas nas deslocações dos lideres soviéticos ao exterior e eram utilizadas pelos ministros e altos responsáveis da administração central, da KGB e do politburo do Partido Comunista Soviético.

Na imagem, Leonid Brezhev, secretario geral do PCUS. Este dirigente tinha um especial gosto por carros luxuosos. Brezhnev chegou a ter um acidente em 1980 com um Rolls Royce Silver Shadow, enquanto conduzia embriagado nas ruas dentro da fortaleza do Kremlin. A viatura acidentada foi preservada num museu.
Brezhnev era um entusiasta e durante a sua vida possuiu um total de 82 automóveis. Quando morreu em 1982, ainda era proprietário de 21 exemplares.
Curiosamente, no inicio da década de 1960, com os modelos ZIL-111 e GAZ-13, os dois escalões da administração comunista dispunham de viaturas similares, o que foi notado por Nikita Krutchev e levou a que se decidisse modernizar o ZIL-111 para que se pudesse diferenciar do escalão inferior do escalão superior da administração soviética.

O ZIL-111G, construido propositadamente para distinguir os dirigentes de topo derivou posteriormente, já no final da década de 1980 no modelo ZIL-114 (final da década de 1960) e posteriormente no ZIL- 4104 (4104.7 na versão limousine para sete lugares). É esta a limousine de Mikhail Gorbatchev e o simbolo final do fim da União Soviética.
Limousines e Perestroika

Quando se iniciou a era Gorbatchov, foi decidido acabar com muitos dos privilégios de que gozavam os altos escalões da administração soviética e uma das faces visíveis desses privilégios eram as limousines produzidas pela GAZ.

Por ordem do presidente soviético, a produção do GAZ-14 Tchaika foi interrompida em 1988 e os planos e moldes para o fabrico da viatura foram igualmente destruidos, para dar o exemplo.
Em meados da década de 1990 ainda se tentou recuperar o modelo, mas concluiu-se que, sem os moldes que tinham sido destruidos, a produção mesmo artesanal da limousine seria economicamente inviável.

Em 2012 a ZIL apresentou uma última derivação baseada no mesmo chassis, mas com o acrescento de mais caracteríticas luxuosas, além de seis portas. O modelo não terá sido do agrado do presidente Vladimir Putin, pelo que no final de 2013 foi anunciado que o ZIL 4112R não chegaria a ser produzido em série.

Uma outra limousine, destinada a utilização pelos altos escalões da nomenclatura russa foi entretanto proposto, mas com a crise económica russa que se seguiu à ocupação da Crimeia e invasão da Ucrânia, os planos foram oficialmnte congelados, embora alegadamente continuem em segredo por ordem direta do presidente Vladimir Putin, que como outros líderes russos, também tem uma grande predileção pelo luxo e pela extravagância.