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Veículo médio de reconhecimento

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EBR / FL-10
Veículo médio de reconhecimento (Panhard-Auverland)
EBR / FL-10

Projeto: Panhard-Auverland
França
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
5.56
6.15m
2.42m
2.58M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
12.5t
15t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
Panhard 12H6000
200cv
100 Km/h
45 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Oito rodas motrizes
370 Litros
630Km
4
30º
40º
1.2M
1.9M
0.4M

Armamento básico
- 1 x 75mm CN-50 L/61 (Calibre: 75mm - Alcance estimado de 0.5Km a 1.5Km)
Sistema de radar auxiliar:

País: Portugal
Designação Local:Panhard EBR
Qtd: Máx:50 - Qtd. em serviço:0
Situação: Retirado
Operacionalidade:


Tendo chegado á conclusão de que a operação de carros de combate convencionais, se tornaria dificil, quer pela complexidade envolvida, quer pela pouca utilidade prática de tais meios, as forças armadas portuguesas optaram por, dentro das suas possibilidades adquir ir algumas unidades do veículo francês Panhard. Este veículo permitia alguma proteção contra armas ligeiras, ao mesmo tempo que permitia ter uma peça bastante poderosa (75mm) numa plataforma móvel.

Panhard ETT
Panhard ETT de transporte de tropas. Embora não tenha sido utilizada em França, foi adquirida por Portugal
Porém, embora a poderosa peça de 75mm transformasse o EBR numa arma temível, ele não tinha de facto qualquer rival, e a sua peça principal, optimizada para perfurar blindagem, não tinha grande utilidade em África, onde se fosse utilizada para proteger colunas de tropas, teria que enfrentar tropas de infantaria.

Das 50 unidades adquiridas, que começaram a ser entregues em 1959, 29 ficaram em Portugal e 21 foram enviadas para Angola. No entanto, cedo se verificou que a sua utilização era complexa, e que o seu tamanho, os tornava dificeis de utilizar. O Panhard EBR era um veículo adequado para a função defensiva anti-tanque, e de reconhecimento, nada adequado á guerra de guerrilha, e ás operações de contra-insurgencia que se desenrolavam no teatro angolano.

O PANHARD EBR tornou-se um dos icones da revolução ocorrida em 25 de Abril de 1974, quando veículos deste tipo tomaram o Terreiro do Paço pela manhã, e mais tarde, cercaram o quartel da Guarda Nacional Republicana no largo do Carmo, em Lisboa.

EBR
Panhard EBR de guarda às traseiras do quartel da GNR no largo do Carmo dia 25 de Abril de 1974, provavelmente entre as 13:00 e as 14:00 Notar que o veículo está de costas para o edificio que está a cercar, porque se espera um ataque por parte de forças fieis ao governo que podem tentar libertar o presidente do conselho de ministros.


Estes veículos foram gradualmente retirados de serviço durante os anos 80.


Forum de discussão

O Panhard EBR equipado com a torre FL-10, é um veículo de reconhecimento que está armado com um canhão longo de 75mm, derivado daquele que foi utilizado pela carro de combate PzKpfw «Panther» que os franceses adaptaram para esta função.
A torre fora inicialmente desenhada para o carro de combate AMX-13.
Os modelos iniciais foram no entanto produzidos com uma torre FL-11 mais pequena (que se distingue por não possuir a projecção traseira que protege o sistema de alimentação da peça principal) e com uma arma de menor potência, que rapidamente foi julgada insuficiente.

O Panhard EBR no inicio dos anos 50 era um veículo revolucionário e entre várias caracteristicas próprias, destaca-se o curioso sistema de suspensão que permite elevar as quatro rodas centrais quando o veículo se desloca em estrada. Isto dava ao Panhard EBR uma capacidade para atravessar terrenos irregulares, que não poderiam ser atravessados por viaturas sobre rodas.
Notar no entanto, que mesmo esta configuração não podia competir com carros sobre lagartas, como foi largamente demonstrado em Portugal pelos utilizadores da viatura.

Outra curiosidade consistia na possibilidade de o veículo poder ser conduzido a partir da retaguarda, com a mesma velocidade de ponta. Esta capacidade aumentava muito a possibilidade de sobrevivência do Panhard EBR quando desempenhasse missões de reconhecimento.

T-55-M2
O primeiro modelo do Panhard EBR, com a torre FL-11 com um canhão de 75mm
De facto, com o «novo» canhão, e com a velocidade dos projecteis a passar de 600 para 1000m/s, o Panhard EBR, equipado com a torre FL-10 e o canhão de 75mm de alta velocidade transformou-se num veículo anti-tanque.

Essas modificações fizeram dele em 1955, o mais poderoso veículo anti-tanque sobre rodas existente no mundo. O peso da viatura também foi aumentado, atingindo as 15 toneladas o que lhe reduziu um pouco a mobilidade.

As viaturas armadas com a torre FL-10 foram a partir do final dos anos 50, convertidas para utilizar a torre FL-11 [1] mas desta vez armada com uma canhão de 90mm.

Embora fosse um dos mais sofisticados equipamentos ao serviço, o Panhard-EBR sofria de necessidade de manutenção cuidada, mercê da sua complexidade mecânica.
Esses problemas e a necessidade de encontrar um veículo mais simples para as necessidades francesas na guerra em África, levou ao desenvolvimento do Panhard AML.

No entanto, o desenvolvimento do AML não retirou o EBR de serviço que continuou a ser utilizado comno viatura blindada de reconhecimento. Nas linhas de montagem o Panhard EBR foi substituido pelo AMX-10RC.


[1] - A mesma torre que tinha equipado as primeiras versões, mas com um canhão mais cuerto de 75mm.

Informação genérica:
As origens do projecto do Panhard EBR (Engin Blindé de Reconnaissance) datam de Julho de 1945, quando foi emitida uma especificação de veículo blindado para o exército da França.
Os estudos, tinham na realidade começado ainda antes do final da guerra, pelo que pelo menos parte do projecto foi apenas retomado. O protótipo do Panhard, foi conhecido inicialmente pelo numero de projecto, 212 e posteriormente à sua aceitação foi baptizado com o nome de Panhard-EBR/Mod.1951. A produção deste modelo começou em 1950 e prolongou-se até 1960.

Ao contrário do AMX-13, o EBR não só não tinha lagartas, como podia elevar as suas quatro rodas centrais, o que lhe permitia a grande mobilidade em estrada, que era a sua principal vantagem.

Panhard EBR
Duas versões do Panhard EBR. Acima a torre FL-10 e abaixo a torre FL-11
O Panhard EBR começou por ser fornecido ao exército francês equipado com a torre FL-11 armada com um canhão curto de 75mm.

Pouco mais tarde o EBR recebeu a torre FL-10 armada com um canhão de alta velocidade de 75mm, derivado do modelo que equipava o carro de combate PzKpfw-V «Panther». Essa arma (de maior comprimento) equipava o carro de combate leve AMX-13.

Embora o Panhard equipado com o canhão de 75mm mais longo fosse mais poderoso, ainda assim, para o cenário europeu, com o aparecimento dos novos carros de combate soviéticos, tornou-se rapidamente obsoleto. Por isso, já próximo ao final dos anos 50 a maior parte da frota da Panhard EBR foi convertida, substituindo a torre FL-10 pela torre FL-11, mas desta vez armada com um canhão de 90mm.

Neste caso, o novo canhão do EBR disparava munições com menor velocidade, mas esta era compensada pelo maior calibre.

O Panhard EBR foi igualmente utilizado por Portugal, que adquiriu várias unidades para utilização tanto no continente português como em África.
A utilização em África não foi no entanto considerada satisfatória.

Os veículos portugueses estavam equipados com a peça de 75mm e torre FL-10, que era considerada suficiente para as eventuais ameaças no cenário africano. Além disso poderia permitir acomodar um maior numero de projecteis.

Foram desenhadas variantes do Panhard-EBR, e a mais conhecida foi a do veículo de transporte de tropas ETT, baseado parcialmente no chassis do EBR, embora com um arranjo diferente de transmissão.

O Panhard ETT, transportava até 14 militares mais o condutor no seu interior protegidos contra tiro de armas ligeiras. A França não chegou a adoptar o modelo, embora ele tenha sido exportado.

A última modernização do Panhard EBR, consistiu na substituição do canhão de 75mm de alta pressão, por um canhão de 90mm igualmente poderoso, e capaz de utilizar munição anti-tanque tipo perfurante, o que permitia ao EBR atacar mesmo carros de combate seus contemporâneos como o T-55 ou o T-64, embora não o podendo fazer em campo aberto, por causa da sua falta de blindagem.

Calcula-se que nas suas várias versões tenham sido produzidos cerca de 1200 destes veículos.