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Carro de combate pesado



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M26 «Pershing»
Carro de combate pesado

M103-A2
Carro de combate pesado

 

M103-A2
Carro de combate pesado (Chrysler Corporation)
M103-A2

Projeto: Chrysler Corporation
Estados Unidos da América
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
6.99
11.39m
3.63m
3.55M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
52t
56.7t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
AVDS-1790-2A
810cv
37 Km/h
20 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Lagartas
1660 Litros
130Km
5
60º
1.2M
2.3M
0.91M

Armamento básico
- 1 x 120mm M58 L/60 (Calibre: 120mm - Alcance estimado de 0.2Km a 2.5Km)
Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

O desenvolvimento de um carro de combate pesado por parte do exército dos Estados Unidos tem o seu inicio com os estudos sobre como seria a guerra contra a Alemanha e principalmente, sobre que meios seriam necessários para romper a linha Siegfried.

Vários estudos foram iniciados e prosseguiram durante todo o periodo da guerra. Poucos meses depois do desembarque na Normandia, as grandes perdas alemãs e a rapidez do avanço aliado, tornaram o desenvolvimento de um tanque pesado redundante, já que a linha Siegfried foi ultrapassada sem necessidade de grandes meios blindados.

As ideias e conceitos dos estrategas americanos também eram muito confusas, já que o tanque T26, era na altura considerado um tanque pesado, pelo que viaturas com maior blindagem receberam prioridade secundária.

Mas quando acabou a II guerra mundial, os norte-americanos concluiram que estavam em grande desvantagem perante os novos tanques pesados soviéticos como os tanques da familia IS-2 até ao T-10, armados com canhões principais de 122mm e poderosa blindagem.

O Brig.General Gideon Barnes (na foto), foi desde 1943 um dos principais defensores da introdução de carros de combate mais pesados, mais blindados e melhor armados, mas as suas posições foram sempre contrariadas pelo comando das forças terrestres.

Quando o desastre dos Sherman após 6 de Junho de 1944 se tornou evidente, com o tanque americano a mostrar ser completamente ineficaz perante os blindados alemães e as peças principais do Tiger, Tiger II, Panther e novas versões dos caça-tanques baseados no Panzer IV, todos se voltam para Barnes, que finalmente recebeu carta branca para desenvolver as suas teorias sobre as necessidades do exército americano.

Sem os entraves colocados ao desenvolvimento de tanques pesados, Barnes incentivou o desenvolvimento de um novo tanque pesado, que pudesse utilizar uma arma de calibre superior aos 90mm dos tanques M26, que foram a resposta possível na altura.

Os americanos começaram a desenvolver um carro de combate que pudesse ser superior a tudo o que os alemães pudessem desenvolver e colocar no terreno nos dois anos seguintes, caso a guerra continuasse até ao fim de 1945.

Desde o inicio se considerou que um carro de combate dificilmente poderia aceitar uma versão adaptada de uma peça de 155mm, pelo que se passou a estudar a adaptação de uma peça anti-aérea de 120mm.
Foi autorizada a produção de 1200 tanques T29 e 500 tanques T30, mas o fim da guerra na Europa e no Japão, levou ao cancelamento dos pedidos.

Só quando começou a guerra na Coreia, é que os militares americanos perceberam que os carros de combate que tinham ao serviço eram absolutamente desadequados para as necessidades do campo de batalha, que se tinham alterado muito em apenas cinco anos.

O projeto de carro pesado que estava em estudo era o T43 e foi este que recebeu prioridade, embora sofresse atrasos por causa dos novos sistemas que deveria incorporar e também por causa do novo armamento de 120mm que precisava ser adaptado.
O grande peso do veículo e o esforço a que este submeteria o sistema motriz e toda a mecânica exigiram medidas adequadas.

Durante a primeira metade da década de 1950 o desenvolvimento continuou de forma lenta. Foi necessário vencer vários obstáculos técnicos, como também internos, nomeadamente pelos serviços de logística, que se opunham à introdução de um carro de combate que consideravam excessivamente pesado e que poderia levar os serviços de logística a situações de ruptura.

Em 1957 o exército dos Estados Unidos enviou um lote de 72 tanques M103 para a Alemanha, onde foram incorporados nas forças do 6º exército americano, onde substituiram carros médios M48.

Os M103 foram incorporados numa unidade, mas em caso de guerra, eles deveriam ser utilizados em pelotões de 3 unidades cada, para apoiar os batalhões de carros médio M48 de todo o 7º exército.

Os fuzileiros navais americanos também receberam uma versão do M103, e aguardaram mais de 10 anos, desde 1948 até 1958 para finalmente operarem um tanque pesado. A introdução da viatura ao serviço, ficou dependente de uma garantia do exército de que apoiaria a introdução do modelo nas forças terrestres, o que garantiria a operacionalidade do mesmo e a disponibilidade de peças e munições. Um total de 219 exemplares foram entregues aos fuzileiros navais.

Em 1963, quando o exército começou a receber os novos tanques M60, armados com uma peça principal de 105mm (derivado do modelo L7 britânico), concluiu-se que as vantagens do M103 eram comparativamente reduzidas relativamente ao M60 e que a peça de 105mm, muito mais moderna, era igualmente eficiente a longa distância.
Os fuzileiros navais americanos no entanto, continuaram a utilizar o modelo.

A última e mais poderosa versão do carro de combate M103 foi a versão M103-A2. Tratava-se de uma versão convertida de carros mais antigos, que receberam um motor a Diesel e sistemas que se tinham tornado standard com a introdução do M60.

A autonomia do carro de combate pulou de 130km para 480km, ao que não foi estranho o aumento dos tanques de combustível que passaram a transportar 1660 litros em vez de 1058 litros de combustível.

A partir de 1967 os fuzileiros navais começaram a colocar os M103-A2 na situação de reserva ativa, aguardando o esperado projeto de tanque germano-americano, MBT-70 que viria a falhar e os desenvolvimentos do M551 Sheridan, uma viatura ligeira, armada com uma peça de 155mm.
Em 1972 o M103-A2 começou a ser retirado de serviço, mas os fuzileiros navais ficaram dependentes de projetos que acabaram por não ter sucesso, deixando a força numa situação desconfortável, pois mesmo modernizando os seus M48, eles continuariam a ser inferiores aos carros soviéticos que poderiam enfrentar.
Os fuzileiros acabaram recebendo carros M60-A1, que na prática substituiram totalmente o M103-A2 a partir de 1974.

Informação genérica:
Embora o mais numeroso carro de combate norte-americano durante a II guerra mundial tenha sido o M4 Sherman, os militares americanos desenvolveram varios modelos de carro de combate, destinados a estudar qual seria a opção mais eficiente para derrotar os carros de combate alemães.

É importante frisar que nos Estados Unidos, ao contrário da Grã Bretanha ou da União Soviética os especialistas consideravam duvidosa a necessidade de um carro de combate pesado. Os estudos de desenvolvimento dos veículos pesados começaram ainda antes de os Estados Unidos entrarem na guerra.

O primeiro veículo com estas características, ficou conhecido como M6 e só foi apresentado no inicio de 1942. Tratava-se de uma viatura lenta e desajeitada cujo peso e armamento não justificava a produção.

Por causa das diferentes doutrinas britânicas, as forças armadas da Grã Bretanha tinham pedido à industria americana uma viatura blindada mais protegida que o Sherman.
Esse veículo foi apresentado na forma do T14 e tratava-se de um veículo parcialmente inspirado no «Sherman», com uma parte frontal idêntica, um grande. Uma versão americana deste carro de combate foi desenvolvida e recebeu a designação T20.
Além do T20 foram desenvolvidas várias derivações, como o T20-E2 e depois derivados como o T22 e o T23.
Estes carros de combate foram testados com várias armas, entre as quais o canhão de 76mm que também equipava o M4 «Sherman». Até ao final de 1942 estes veículos continuaram em desenvolvimento mas apenas como objetos de estudo, não havendo uma clara intenção de os produzir.

No inicio de 1943, os americanos entraram pela primeira vez em contacto com o Tiger-I alemão, armado com uma peça de 88mm e que dispunha de uma poderosa blindagem. De imediato os técnicos americanos procuraram adaptar os seus vários modelos de forma a desenvolver um carro de combate que pudesse ser equivalente.
Desse estudo surgiu o T23, cuja versão E3 ficou pronta em Março de 1943, tendo-se cogitado a possibilidade da sua produção a partir de 1944 e também o T25, que se distinguia por possuir uma peça principal de 90mm, dando-lhe assim um poder de fogo que em teoria era equivalente ao do Tiger I alemão.

Uma versão melhor protegida do T25, conhecida como T26, viria a resultar no tanque Pershing, que só chegou ao campo de batalha na Europa, quando a guerra estava praticamente no fim.

Os americanos foram apanhados desprevenidos, como resultado da incapacidade em perceber que o tanque Panther alemão seria um tanque médio destinado a substituir o Panzer IV e que seria produzido em grande quantidade. A falta de consenso entre os americanos também criou problemas, por causa da padronização. Os comandos do exército queriam 7.000 tanques T25, a que se somariam 1.000 unidades do T26, mas armados com peças de 75mm e 76mm respectivamente.
Já os comandantes da arma blindada norte-americana, não estavam interessados em nenhum desses carros, porque queriam tanques com canhão de 90mm
O resultado foi a perda de grandes quantidades de tanques Sherman para os alemães.

Só quando os americanos desembarcaram na França e tiveram que defrontar as poderosas unidades blindadas alemãs que colocaram na frente ocidental os seus carros de combate mais poderosos como Tiger-II e grande quantidade de tanques médios Panther e caça-tanques «Panzerjagger»), os comandos americanos finalmente perceberam que o armamento de 75 e 76mm era completamente desadequado para enfrentar a ameaça alemã. Foi pedido que os carros de combate passassem a dispor de uma peça principal de 90mm e que houvesse viaturas de apoio com obus de 105mm.

O T26E3 foi finalmente escolhido para equipar o exército norte-americano em Janeiro de 1945, tendo recebido a designação M26 «Pershing» em homenagem ao general americano John J.Pershing.
O modelo T26E2, equipado com obus de 105mm foi igualmente adoptado com a designação M45.

A partir do desembarque na Normandia, os americanos começaram a olhar com muito mais cuidado para o desenvolvimento dos carros de combate pesados e com o aproximar do fim do conflito ficou claro que os soviéticos também possuiam vários modelos de carros de combate pesados.

O contacto com o Tiger II, convenceu os americanos a desenvolverem carros de combate mais pesados. O primeiro destes veículos foi o T29. Depois foi desenvolvido o T30 e posteriormente o T34 (nada tem a ver com o famoso modelo russo) que era um Pershing aumentado, com oito rodas laterais e com um armamento mais poderoso, uma peça de 120mm.

O fim da II guerra mundial, levou à suspensão do desenvolvimento destes carros de combate, mas as notícias do desenvolvimento pelos russos de carros de combate pesados, como o IS-3 e posteriormente o T-10, levaram a que os norte-americanos reatassem o seu programa de desenvolvimento de carros de combate pesados.

Em 19 de Maio de 1948, foi aprovado o desenvolvimento de uma derivação do T34, designada T43. Em 4 de Janeiro de 1952 foram encomendados 80 pelo exército dos Estados Unidos. Só em Setembro de 1953 o projeto deixou de ser secreto. A produção começa em Dezembro de 1952 e termina em Junho de 1954.

Em Abril de 1943 o T43-E1, a versão de produção, passa a ser designada M103.








M46 «Pershing»

Já depois do final da guerra, os esforços dirigiram-se no sentido de melhorar as prestações do M26, nomeadamente instalando um motor mais poderoso. O projecto conhecido como T40, passará a ser produzido como M46.
Este veículo diferencia-se especialmente pela utilização de um novo motor Continental, de 810cv, que pretendia melhorar as prestações do M26.
Os desenvolvimentos posteriores levariam aos modelos M-47 e M-48 De notar no entanto que, o Pershing, embora desenvolvido como carro de combate pesado antes do final da II guerra, foi reclassificado como carro de combate médio, pouco depois do fim do conflito.


[1] - O erro de avaliação americano, sobre os carros pesados alemães.

Ainda que inicialmente a questão fosse considerada secundária, hoje aceita-se que os estrategas norte-americanos cometeram um enorme erro de avaliação, quando pela primeira vez tomaram conhecimento do desenvolvimento do tanque PzKpfw-V / «Panther» ou «Pantera». O «Panther» era tão grande e tão pesadamente armado, que os americanos pensaram que ele seria um tanque pesado, uma espécie de substituto do Tiger-I. Por isso concluiram que esses carros de combate seriam produzidos em quantidades relativamente pequenas.
Porém, e ao contrário do que os norte-americanos previram, o Panther era de facto classificado como tanque médio pelos alemães. Ele destinava-se a substituir o PzKpfw-IV e não o Tiger (que seria substituido pelo PzKpfw-VI-B «Tiger-II»).

Esta análise americana, levou a que o tanque Sherman fosse considerado suficiente para combater os principais carros alemães, relegando para segundo plano o desenvolvimento de um carro mais pesado que o Sherman e atrasando por isso a entrada ao serviço do tanque «Pershing».

Carros de combate pesados do pós guerra



Após o final da II guerra mundial, os países vencedores lançaram-se numa corrida para desenvolver carros de combate pesados, poderosamente blindados e armados, que pudessem controlar o campo de batalha, no caso de o conflito entre ocidente e leste se transformar numa guerra mundial.


A União Soviética tinha a clara liderança. Ainda antes da invasão alemã os russos tinham sido os primeiros a estudar grandes carros de combate, alguns deles com multiplas torres. Esses estudos resultaram no poderoso tanque KV-1, que estava operacional quando a Alemanha invadiu a URSS.

Os técnicos russos continuaram a aprimorar o KV-1, que posteriormente se transformou no carro de combate IS-1 e IS-2. Depois da morte do ditador comunista Estaline, a última derivação da viatura ficou conhecida como T-10. Com 52t e uma peça principal de 122mm o T-10 atingia uma velocidade de 50km/h, e tinha uma autonomia de 300km.


Já os britânicos, desenvolveram doutrinas durante a década de 1930 que pediam carros de combate pesados, mas extremamente lentos. A industria britânica continuou a desenvolver carros mais pesados, tendo em consideração a esperada evolução dos blindados alemães. Apóa a guerra, a Grã Bretanha passou a desenvolver uma viatura ainda mais pesada, que acabaria por se concretizar na forma do tanque Conqueror, armado com uma peça de 120mm. Lento, o Conqueror tinha como principal vantagem o poder da sua arma principal. Com o aparecimento da peça de 105mm instalada nos carros britânicos, a única vantagem do Conqueror desapareceu.

Por seu lado os americanos, embora tivessem desenvolvido tanques pesados, fizeram-no praticamente por questões de estudo, já que os comandos das forças terrestres americanas estavam absolutamente convencidos de que os tanque Sherman seria suficiente para derrotar os alemães.
Tendo entendido de forma amarga a seguir a Junho de 1944 que o Sherman era virtualmente inutil perante os carros alemães, os americanos injetaram recursos nos projetos de tanques pesados, que no entanto apenas permitiram colocar um carro pesado no terreno em Março de 1945, um mês antes da derrota da Alemanha.

Só com a guerra na Coreia, os projetos de tanques pesados sofreram um novo impulso, perante o continuo aparecimento de novos tanques pesados soviéticos, como o T10. No entanto, o principal resultado de todo o esforço americano resultou no carro de combate M103, que com um peso de 56,6t atingia uma velocidade de 34km/h. A enorme torre e o armamento pouco eficiente, levaram a que o veículo não fosse bem visto. Apenas os marines o utilizaram durante algum tempo.

A França desenvolveu no periodo que se seguiu ao conflito, alguns modelos mais pesados de entre os quais se destaca o ARL44, no entanto, armado com uma peça de 90mm este modelo era pouco mais que um Char B1.bis da II guerra mundial, com um armamento mais poderoso, não podendo realmente ser considerado um carro pesado.

Os três tanques pesados de russos britânicos e americanos, acabaram por ser retirados de serviço por diversas ordens de razões. A União Soviética retirou os seus T-10 de serviço porque se verificou que eles tinham poucas vantagens perante os novos T-55, tendo cedido muitos deles a países satélites como o Egito. Os britânicos retiraram os Conqueror porque a sua principal vantagem desapareceu com a introdução de novos armamentos. Os americanos nunca gostaram do conceito e o exército retirou-os de serviço durante a década de 1960.

Posteriormente, tanto os Estados Unidos quanto a Grã Bretanha, desenvolveram carros de combate mais pesados, no entanto a partir da década de 1960/1970 a evolução foi no sentido de adotar apenas um modelo de carro de combate, pelo que os carros M1 Abrams, ou os Chieftain e Challenger britânicos já não têm uma função específica e passaram a ser designados como MBT (Main Battle Tank).

A União Soviética nunca voltou a desenvolver carros de combate pesados. O seu modelo T-64 e T-72 transformou-se no carro principal da URSS e posteriormente da Russia, assumindo-se como carro de combate médio.