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Carro de combate pesado

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FV-214 Conqueror
Carro de combate pesado

 

FV-214 Conqueror
Carro de combate pesado (Leyland)
FV-214 Conqueror

Projeto: Leyland
Reino Unido
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
7.72
11.58m
3.99m
3.35M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
61t
65t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
M-120 OHV 12cyl.
810cv
34 Km/h
20 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Lagartas
N/disponível
150Km
4
35º
0.9M
3.35M
0.91M

Armamento básico
- 1 x 120mm M58 L/60 (Calibre: 120mm - Alcance estimado de 0.2Km a 2.5Km)
Sistema de radar auxiliar:


Forum de discussão

Ao contrário dos americanos, os britânicos tinham uma doutrina que implicava a utilização de tanques pesados, poderosamente armados e blindados, sacrificando a velocidade. Desde o final da década de 1930 que esta doutrina levou à produção de vários carros de combate britânicos, muitos dos quais não tiveram grande sucesso.

Durante a II guerra mundial os britânicos introduziram o tanque Churchill, que respondia à doutrina britânica do «Tanque de Infantaria», poderosamente blindado mas muito lento.
Em 1944 os engenheiros britânicos desenvolveram uma versão do Churchill ainda mais blindada e equipada com o poderoso canhão de 17 libras (76mm e alta velocidade), projeto A43 «Black Prince» mas a velocidade do veículo era tão reduzida (18km/h) que ele foi cancelado. É com o cancelamento do A43 que aparece como opção o projeto do A45, inicialmente conhecido como FV-200 e que posteriormente entraria em produção como modelo FV-214 que viria a ser designado «Conqueror».

O Conqueror, é portanto um carro de combate pesado, que tem na doutrina britânica a função de apoio aos tanques Centurion. O Conqueror utilizaria o seu poderoso armamento de 120mm para destruir viaturas blindadas inimigas a grande distância, onde a peça de 76mm (posteriormente 84mm) do Centurion não pudesse ser utilizada por falta de alcance.

A viatura quando entrou em produção era considerada extremamente sofisticada, embora rapidamente alguns dos sistemas mostrassem desvantagens.

O sistema de ejeção automática das cargas era demasiado complexo e acabava por encravar.
Por causa da dimensão da peça principal, um sistema automático levava o canhão para uma posição estabilizada fixa, sempre que a viatura ultrapassava os 2 km/h.
Isto implicava que o Conqueror só podia disparar um tiro certeiro, quando estava praticamente parado.

Para compensar isto, o Conqueror foi equipado com um sistema de controlo de tiro que era extremamente sofisticado para a época e que permitia atingir um alvo a grande distância.

O Conqueror era no entanto um carro de grandes dimensões, extremamente ruidoso e inconvenientemente pesado.
A única função que lhe restava era a de destruir alvos a distâncias que a peça de 84mm do Centurion Mk.III não podia atingir.

Até 9 viaturas deste tipo foram entregues a cada um dos regimentos das forças britânicas na Alemanha. Em exercicios, eles eram normalmente utilizados como armas anti-tanque para proteger a retirada dos Centurion, mas a elevação máxima e mínima da peça principal, complicavam de sobremaneira a operação.
O Conqueror também não podia utilizar munição de alto-explosivo para apoio da infantaria e estava por isso limitado à função anti-tanque, o que reduzia a sua utilidade.

A somar a isto o Conqueror sofria várias avarias resultado de ser um veículo relativamente novo, em que muitas das técnologias ainda não estavam amadurecidas.

Quando as forças armadas britânicas introduziram a peça de 105mm L7 no Centurion, a potência e capacidade dessa arma mostrou ser pelo menos equivalente à peça de 120mm do Conqueror.

Resultado disso, o FV-214 Conqueror começou a ser retirado, sem que os militares britânicos tivessem nunca mostrado qualquer nostalgia.

Informação genérica:
Desenvolvido na Grã Bretanha após o fracasso do projeto «Black Prince» o conceito do FV-200 foi inicialmente apresentado como um projeto de família de viaturas de combate que poderiam responder a vários requisitos operacionais, podendo existir em várias derivações.

A sua principal característica seria a maior blindagem e o armamento principal que deveria dominar o campo de batalha, mas o Conqueror também deveria de origem ser concebido de forma a permitir o desenvolvimento de vários sistemas secundários auxiliares.

Assim, o FV200 teria várias derivações, de entre as quais se destacava aquela que seria utilizada pelos «Royal Engineers» chamadas de AVRE, um deles um veículo anti-minas e o outro um lança pontes.

Também seria concebido desde o inicio uma viatura blindada de transporte de pessoal, que deveria transportar a infantaria de apoio, além de vários veículos destinados à artilharia britânica.

O motor deveria ser um Meteor de 750cv, o qual deveria ser utilizado nos vários veículos da família FV200.
A suspensão seria idêntica ou pelo menos inspirada na do Centurion. O veículo deveria ter capacidade para se mover a pelo menos 30km/h e a autonomia deveria atingir cerca de 180km.

Como o FV-201 aguardava o desenvolvimento da arma principal, os modelos de engenharia FV-202 receberam maior prioridade, mas concluiu-se que o modelo inicial para utilização pela engenharia teria que ter dimensões distintas, pelo que a universalidade do conceito começou desde logo a ser posta em causa.
Verificou.se que era mais adequado utilizar o chassis do tanque Centurion para a função.

As notícias sobre o desenvolvimento dos carros de combate soviéticos, nomeadamente o grande número de tanques IS-3 que os soviéticos estavam a colocar em serviço, levou ao desenvolvimento de uma viatura alternativa, quando se concluiu que a peça principal de 120mm que estava em desenvolvimento nos Estados Unidos não estaria pronta a tempo.

Essa viatura utilizou o chassis FV-201 mas tinha instalada uma torre do carro de combate Centurion. O modelo foi conhecido como FV-221 Caernarvon, dos quais apenas 21 foram produzidos, já que a viatura não apresentava nenhuma vantagem relativamente ao Centurion equipado com o mesmo armamento de 84mm.

Numerosas variantes foram apresentadas e propostas, mas apenas o carro de combate pesado FV214 foi produzido em quantidades significativas.

FV200 - Nome base do projeto
FV201 - Carro de combate
FV202 - Viatura de engenharia
FV203 - Viatura de engenharia
FV204 - Vietura anti-minas
FV205 - Viatura caça-tanques
FV206 - Artilharia auto-propulsada
FV207 - Artilharia pesada auto-propulsada
FV209 - Viatura de recuperação
FV210 - Trator de artilharia
FV211 - Trator artilharia pesada
FV212 - Transporte de infantaria
FV213 - Viatura de engenharia (praias)
FV214 - Tanque pesado
FV215 - Viatura pesada de engenharia
FV215b - Caça-tanques pesado
FV220 - não atribuído
FV221 - Tanque pesado (peça de 84mm)
FV222 - Viatura de recuperação
FV223 - Viatura de engenharia

Abaixo, o FV221 Caernarvon, uma versão lançada antes do FV214 equipada com a torre do Centurion Mk III, que estava armada com uma peça de 20 libras / 84mm.

Carros de combate pesados do pós guerra



Após o final da II guerra mundial, os países vencedores lançaram-se numa corrida para desenvolver carros de combate pesados, poderosamente blindados e armados, que pudessem controlar o campo de batalha, no caso de o conflito entre ocidente e leste se transformar numa guerra mundial.


A União Soviética tinha a clara liderança. Ainda antes da invasão alemã os russos tinham sido os primeiros a estudar grandes carros de combate, alguns deles com multiplas torres. Esses estudos resultaram no poderoso tanque KV-1, que estava operacional quando a Alemanha invadiu a URSS.

Os técnicos russos continuaram a aprimorar o KV-1, que posteriormente se transformou no carro de combate IS-1 e IS-2. Depois da morte do ditador comunista Estaline, a última derivação da viatura ficou conhecida como T-10. Com 52t e uma peça principal de 122mm o T-10 atingia uma velocidade de 50km/h, e tinha uma autonomia de 300km.


Já os britânicos, desenvolveram doutrinas durante a década de 1930 que pediam carros de combate pesados, mas extremamente lentos. A industria britânica continuou a desenvolver carros mais pesados, tendo em consideração a esperada evolução dos blindados alemães. Apóa a guerra, a Grã Bretanha passou a desenvolver uma viatura ainda mais pesada, que acabaria por se concretizar na forma do tanque Conqueror, armado com uma peça de 120mm. Lento, o Conqueror tinha como principal vantagem o poder da sua arma principal. Com o aparecimento da peça de 105mm instalada nos carros britânicos, a única vantagem do Conqueror desapareceu.

Por seu lado os americanos, embora tivessem desenvolvido tanques pesados, fizeram-no praticamente por questões de estudo, já que os comandos das forças terrestres americanas estavam absolutamente convencidos de que os tanque Sherman seria suficiente para derrotar os alemães.
Tendo entendido de forma amarga a seguir a Junho de 1944 que o Sherman era virtualmente inutil perante os carros alemães, os americanos injetaram recursos nos projetos de tanques pesados, que no entanto apenas permitiram colocar um carro pesado no terreno em Março de 1945, um mês antes da derrota da Alemanha.

Só com a guerra na Coreia, os projetos de tanques pesados sofreram um novo impulso, perante o continuo aparecimento de novos tanques pesados soviéticos, como o T10. No entanto, o principal resultado de todo o esforço americano resultou no carro de combate M103, que com um peso de 56,6t atingia uma velocidade de 34km/h. A enorme torre e o armamento pouco eficiente, levaram a que o veículo não fosse bem visto. Apenas os marines o utilizaram durante algum tempo.

A França desenvolveu no periodo que se seguiu ao conflito, alguns modelos mais pesados de entre os quais se destaca o ARL44, no entanto, armado com uma peça de 90mm este modelo era pouco mais que um Char B1.bis da II guerra mundial, com um armamento mais poderoso, não podendo realmente ser considerado um carro pesado.

Os três tanques pesados de russos britânicos e americanos, acabaram por ser retirados de serviço por diversas ordens de razões. A União Soviética retirou os seus T-10 de serviço porque se verificou que eles tinham poucas vantagens perante os novos T-55, tendo cedido muitos deles a países satélites como o Egito. Os britânicos retiraram os Conqueror porque a sua principal vantagem desapareceu com a introdução de novos armamentos. Os americanos nunca gostaram do conceito e o exército retirou-os de serviço durante a década de 1960.

Posteriormente, tanto os Estados Unidos quanto a Grã Bretanha, desenvolveram carros de combate mais pesados, no entanto a partir da década de 1960/1970 a evolução foi no sentido de adotar apenas um modelo de carro de combate, pelo que os carros M1 Abrams, ou os Chieftain e Challenger britânicos já não têm uma função específica e passaram a ser designados como MBT (Main Battle Tank).

A União Soviética nunca voltou a desenvolver carros de combate pesados. O seu modelo T-64 e T-72 transformou-se no carro principal da URSS e posteriormente da Russia, assumindo-se como carro de combate médio.