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Carro de combate pesado



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M26 «Pershing»
Carro de combate pesado

M103-A2
Carro de combate pesado

 

M26 «Pershing»
Carro de combate pesado (Chrysler Corporation)
M26 «Pershing»

Projeto: Chrysler Corporation
Estados Unidos da América
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
6.3
8.65m
3.51m
2.78M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
38.5t
41.891t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
Ford GAF V-8
500cv
40 Km/h
25 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Lagartas
N/disponível
160Km
5
31º
40º
1.22M
2.44M
1.17M

Armamento básico
- 1 x 90mm M3 (T7) (Calibre: 90mm - Alcance estimado de 0.1Km a 1.8Km)
Sistema de radar auxiliar:

País: Turquia
Designação Local:M-26
Qtd: Máx:100 - Qtd. em serviço:0
Situação: Retirado
Operacionalidade:
OS carros de combate M-26 Pershing, estiveram entre os primeiros carros de combate pesados que a Turquia recebeu após o fim da II Guerra Mundial. Fazendo directamente fronteira com a União Sociética, a Turquia foi um dos países da NATO que mais ajuda recebeu dos Estados Unidos neste campo.


Forum de discussão

Quando entrou ao serviço no inicio de 1945 enquanto as forças americanas ainda avançavam pela Alemanha, o M-26 Pershing marcou uma modificação e um corte radical com a familia de carros das famílias M-3 e M-4 Sherman e Grant.

O desenvolvimento do Pershing esteve envolvido em questões internas e debates dentro das forças armadas americanas, onde muitos responsáveis do exército consideravam que não havia necessidade para um carro de combate pesado no exército dos Estados Unidos.

Os principais responsáveis americanos, não tinham entendido até meados de 1942, que estava a ocorrer um processo de constante e alarmante desenvolvimento da arma blindada. Este processo levou a que o Sherman, que tinha sido desenhado para combater contra tanques alemães armados com canhões de 37mm e eventualmente de 50mm, estivesse ultrapassado em 1943 quando foi referenciado o primeiro tanque Tiger.
Em Agosto de 1943, depois da batalha de Kursk e por informação dos soviéticos, um outro tanque, armado com canhão de 75mm e blindagem inclinada foi referenciado.

Ao contrário dos ingleses, que já contavam com o aparecimento de armas alemãs mais poderosas, os americanos não tomaram esta informação em consideração.

A substituição do canhão de 76mm do caça tanques M10, por um canhão de 90mm foi uma das concessões feitas, mas o desenvolvimento de tanques pesados continuou sem ser uma prioridade, mesmo quando os americanos sofreram perdas no norte de África perante os tanques alemães.

Durante o ano de 1943, com tropas americanas já a combater na Itália, nos Estados Unidos ainda se debatiam tácticas e doutrinas sobre a arma blindada e os estrategas americanos colocaram em dúvida que a vitória na guerra dependesse ou não do desenvolvimento de um tanque superior ao Sherman.

Vários sectores, continuaram a defender os caça tanques, que em teoria eram viaturas propositadamente construidas para destruir tanques inimigos (M10 e M36).
Chegados ao final de 1943, já com os aliados a defrontar algumas das mais poderosas unidades alemãs, começou a tornar-se evidente a fraca qualidade do tanque Sherman quando tinha que enfrentar os Tiger, Panther[1] e os «Elephant». É nessa altura que o programa de desenvolvimento do tanque pesado recebeu maior prioridade.




Armado com um canhão de 90mm idêntico ao do caça-tanques M36, o Pershing ainda assim não era capaz de se superiorizar aos tanques alemães armados com peça anti-carro de 88mm, como o Tiger-B e mesmo no confronto diracto com o Panther - que apenas tinha um canhão de 75mm - não era claro qual seria o vencedor natural.

Por isso, foram feitos testes no inicio de 1945, com a utilização experimental de dois tanques M-26 equipados com um canhão extra longo, versão T15E1 de 90mm (versão conhecida como T-26E4).

Duelo de igual para igual com os «Panzer»

Nos derradeiros dias da guerra, quando até as forças alemãs que defrontavam os americanos recuaram para enfrentar os russos a leste é que se provou que com esse canhão de alta velocidade o Pershing conseguia bater de facto os tanques alemães.
M-47
Tanque «Super Pershing»

Em 21 de Abril, quando se deu o único recontro entre tanques alemães e os Super-Pershing (em Dessau), um M-26 foi atacado de emboscada por um tanque Tiger armado com canhão de 88mm. O primeiro disparo do Tiger resaltou na blindagem do Pershing sem o afectar. O tanque americano respondeu ao ataque dos alemães, mas a munição utilizada era explosiva e não perfurante, pelo que embateu na couraça frontal do tanque alemão que nada sofreu.

Apressadamente os americanos voltaram a carregar o canhão agora com munição perfurante, tendo entretanto a tripulação do tanque americano sido sacudida com outro impacto que não perfurou a blindagem.

O disparo do Pershing, atingiu o tanque alemão quando este se movia por cima de um monte de destroços, perfurou a blindagem e destruiu o tanque tendo a munição interna também explodido.

Considera-se que a dificuldade que o tanque alemão teve em destruir o tanque americano, se deve não só à blindagem do Pershing, mas provavelmente também à inexperiência da tripulação alemã. No entanto, a tripulação americana também era constituida por soldados com 18 anos de idade.

De qualquer das formas o exército americano não gostou da ideia e achou o canhão de 90mm complicado de utilizar e não foram feitos pedidos para esse modelo.

Embora fosse inicialmente um tanque pesado, ele foi rapidamente reclassificado de tanque médio logo em 1946.

Foram produzidos cerca de 2356 exemplares do M26.

Informação genérica:
Embora o mais numeroso carro de combate norte-americano durante a II guerra mundial tenha sido o M4 Sherman, os militares americanos desenvolveram varios modelos de carro de combate, destinados a estudar qual seria a opção mais eficiente para derrotar os carros de combate alemães.

É importante frisar que nos Estados Unidos, ao contrário da Grã Bretanha ou da União Soviética os especialistas consideravam duvidosa a necessidade de um carro de combate pesado. Os estudos de desenvolvimento dos veículos pesados começaram ainda antes de os Estados Unidos entrarem na guerra.

O primeiro veículo com estas características, ficou conhecido como M6 e só foi apresentado no inicio de 1942. Tratava-se de uma viatura lenta e desajeitada cujo peso e armamento não justificava a produção.

Por causa das diferentes doutrinas britânicas, as forças armadas da Grã Bretanha tinham pedido à industria americana uma viatura blindada mais protegida que o Sherman.
Esse veículo foi apresentado na forma do T14 e tratava-se de um veículo parcialmente inspirado no «Sherman», com uma parte frontal idêntica, um grande. Uma versão americana deste carro de combate foi desenvolvida e recebeu a designação T20.
Além do T20 foram desenvolvidas várias derivações, como o T20-E2 e depois derivados como o T22 e o T23.
Estes carros de combate foram testados com várias armas, entre as quais o canhão de 76mm que também equipava o M4 «Sherman». Até ao final de 1942 estes veículos continuaram em desenvolvimento mas apenas como objetos de estudo, não havendo uma clara intenção de os produzir.

No inicio de 1943, os americanos entraram pela primeira vez em contacto com o Tiger-I alemão, armado com uma peça de 88mm e que dispunha de uma poderosa blindagem. De imediato os técnicos americanos procuraram adaptar os seus vários modelos de forma a desenvolver um carro de combate que pudesse ser equivalente.
Desse estudo surgiu o T23, cuja versão E3 ficou pronta em Março de 1943, tendo-se cogitado a possibilidade da sua produção a partir de 1944 e também o T25, que se distinguia por possuir uma peça principal de 90mm, dando-lhe assim um poder de fogo que em teoria era equivalente ao do Tiger I alemão.

Uma versão melhor protegida do T25, conhecida como T26, viria a resultar no tanque Pershing, que só chegou ao campo de batalha na Europa, quando a guerra estava praticamente no fim.

Os americanos foram apanhados desprevenidos, como resultado da incapacidade em perceber que o tanque Panther alemão seria um tanque médio destinado a substituir o Panzer IV e que seria produzido em grande quantidade. A falta de consenso entre os americanos também criou problemas, por causa da padronização. Os comandos do exército queriam 7.000 tanques T25, a que se somariam 1.000 unidades do T26, mas armados com peças de 75mm e 76mm respectivamente.
Já os comandantes da arma blindada norte-americana, não estavam interessados em nenhum desses carros, porque queriam tanques com canhão de 90mm
O resultado foi a perda de grandes quantidades de tanques Sherman para os alemães.

Só quando os americanos desembarcaram na França e tiveram que defrontar as poderosas unidades blindadas alemãs que colocaram na frente ocidental os seus carros de combate mais poderosos como Tiger-II e grande quantidade de tanques médios Panther e caça-tanques «Panzerjagger»), os comandos americanos finalmente perceberam que o armamento de 75 e 76mm era completamente desadequado para enfrentar a ameaça alemã. Foi pedido que os carros de combate passassem a dispor de uma peça principal de 90mm e que houvesse viaturas de apoio com obus de 105mm.

O T26E3 foi finalmente escolhido para equipar o exército norte-americano em Janeiro de 1945, tendo recebido a designação M26 «Pershing» em homenagem ao general americano John J.Pershing.
O modelo T26E2, equipado com obus de 105mm foi igualmente adoptado com a designação M45.

A partir do desembarque na Normandia, os americanos começaram a olhar com muito mais cuidado para o desenvolvimento dos carros de combate pesados e com o aproximar do fim do conflito ficou claro que os soviéticos também possuiam vários modelos de carros de combate pesados.

O contacto com o Tiger II, convenceu os americanos a desenvolverem carros de combate mais pesados. O primeiro destes veículos foi o T29. Depois foi desenvolvido o T30 e posteriormente o T34 (nada tem a ver com o famoso modelo russo) que era um Pershing aumentado, com oito rodas laterais e com um armamento mais poderoso, uma peça de 120mm.

O fim da II guerra mundial, levou à suspensão do desenvolvimento destes carros de combate, mas as notícias do desenvolvimento pelos russos de carros de combate pesados, como o IS-3 e posteriormente o T-10, levaram a que os norte-americanos reatassem o seu programa de desenvolvimento de carros de combate pesados.

Em 19 de Maio de 1948, foi aprovado o desenvolvimento de uma derivação do T34, designada T43. Em 4 de Janeiro de 1952 foram encomendados 80 pelo exército dos Estados Unidos. Só em Setembro de 1953 o projeto deixou de ser secreto. A produção começa em Dezembro de 1952 e termina em Junho de 1954.

Em Abril de 1943 o T43-E1, a versão de produção, passa a ser designada M103.








M46 «Pershing»

Já depois do final da guerra, os esforços dirigiram-se no sentido de melhorar as prestações do M26, nomeadamente instalando um motor mais poderoso. O projecto conhecido como T40, passará a ser produzido como M46.
Este veículo diferencia-se especialmente pela utilização de um novo motor Continental, de 810cv, que pretendia melhorar as prestações do M26.
Os desenvolvimentos posteriores levariam aos modelos M-47 e M-48 De notar no entanto que, o Pershing, embora desenvolvido como carro de combate pesado antes do final da II guerra, foi reclassificado como carro de combate médio, pouco depois do fim do conflito.


[1] - O erro de avaliação americano, sobre os carros pesados alemães.

Ainda que inicialmente a questão fosse considerada secundária, hoje aceita-se que os estrategas norte-americanos cometeram um enorme erro de avaliação, quando pela primeira vez tomaram conhecimento do desenvolvimento do tanque PzKpfw-V / «Panther» ou «Pantera». O «Panther» era tão grande e tão pesadamente armado, que os americanos pensaram que ele seria um tanque pesado, uma espécie de substituto do Tiger-I. Por isso concluiram que esses carros de combate seriam produzidos em quantidades relativamente pequenas.
Porém, e ao contrário do que os norte-americanos previram, o Panther era de facto classificado como tanque médio pelos alemães. Ele destinava-se a substituir o PzKpfw-IV e não o Tiger (que seria substituido pelo PzKpfw-VI-B «Tiger-II»).

Esta análise americana, levou a que o tanque Sherman fosse considerado suficiente para combater os principais carros alemães, relegando para segundo plano o desenvolvimento de um carro mais pesado que o Sherman e atrasando por isso a entrada ao serviço do tanque «Pershing».