Navios deste tipo:

Galera Ibérica «Subtíl»
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Reino de Portugal
Navios da renascença classe
Galera Ibérica «Subtíl»
(tipo Galera Atlântica)
Galera Atlântica

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 150 Ton
Deslocamento máx. : 200 Ton.
Tipo de propulsão: Velas e remos
Comprimento: 35 M - Largura: 5M
Calado: 2.5 M.
Tripulação / Guarnição: 200 Autonomia: 2500Km a 3 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 8 nós


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A Galera Ibérica do Atlântico, não é muito diferente do mesmo tipo de navio utilizado pelos árabes no ocidente do mar Mediterrâneo.

Dos países da Península Ibérica, nem Portugal nem Castela e Leão se destacaram pelas suas galeras. Portugal tinha um mar oceânico onde este navio não era muito adequado e Castela tinha uma costa atlântica no norte (Galiza, Astúrias e Cantábria) que lhe colocava o mesmo tipo de problemas.
A sul, os navios dos dois países também operavam no mediterrâneo, juntamente com os navios do reino de Granada e posteriormente pelos corsários berberes que foram expulsoso do sul de Espanha.

De notar, que em teoria a Galera Ibérica, também conhecida como «Galera subtíl» pode-se distinguir das restantes galeras do seu tempo, exactamente por ter uma proa mais elevada e mais adequada para vencer as condições do Atlântico. A expressão Galera Subtil, era também utilizada no mediterrâneo para designar uma galera mais pequena e na realidade as galeras no Atlântico normalmente não atingiam as dimensões das galeras mediterrânicas, exactamente porque havia navios de alto bordo, normalmente considerados mais adequados.

É importante frisar, que pela necessidade de dispor de um navio que navegasse melhor no Atlântico, a galera construida tanto em Portugal como na região do golfo Biscaia viu na maioria dos casos ser suprimido o esporão de abordagem, o qual não tinha nenhuma utilidade nas águas agitadas porque não podia ser utilizado convenientemente para abalroar navios inimigos como se fazia no Mediterrâneo.

As imagens da época, mostram que os seus remos estão colocados a maior altura. Isto também acontecia porque para aproveitar as técnicas permitidas pelo velame latino, as galeras tinham que navegar com um maior grau de inclinação, sendo necessário evitar a entrada de água.
Estes navios eram considerados navios de segunda linha e inferiores aos navios de alto bordo desprovidos de remos.

O seu armamento, quando o tinham, era igualmente inferior ao das galeras mediterrânicas de Veneza, estando muitas vezes limitado a uma, duas ou no máximo três armas de pequeno calibre.
Escusado será dizer que do ponto de vista militar estes navios tinham mais dificuldade em enfrentar as galeras pesadas de Aragão, de Veneza ou dos turcos otomanos.

Evidentemente que a sua vantagem, era a sua superior mobilidade, que também lhe era dada pela proa alta e afilada que mais facilmente cortava as águas.

Algumas galeras deste tipo terão sido utilizadas pela esquadra enviada para a batalha de Lepanto por Filipe II, as quais tiveram alguma intervenção na batalha, mais pela perícia da sua utilização utilizando a sua maior velocidade para auxiliar as outras forças em perigo, que pela qualidade de construção dos navios propriamente dita.

Alguns destes navios participaram também na batalha no canal da Mancha em 1588 contra a frota inglesa mas a sua completa inadequação para as condições de mar típicas naquela região do globo, resultaram em desastre.

A Galera Bastarda
Há um tipo de galera utilizada por Portugal, e por outros países do Atlântico, chamada de Galera Bastarda, porque não utilizava apenas pano latino (vela triangular), como também as chamadas velas redondas.

A Galera Bastarda, era também mais larga que a chamada Galera Subtil, tinha maior dimensão mas era no entanto menos manobrável.


Informação genérica:
Embora a galera seja por definição um navio do mar Mediterrâneo, também existiram navios deste tipo a operar no Atlântico.

Embora existam muitos relatos de navios meciterrânicos que passaram o estreito de Gibraltar e foram utilizados no oceano, cedo se entendeu que as condições climatéricas do oceano não eram minimamente adequadas para navios de baixo bordo, que metiam demasiada água.

Um navio mais pequeno, normalmente cavalga a onda, em vez de a perfurar e no caso de navios de baixo bordo isso podia ser de grande importância.

Assim, os navios a remos do Atlântico, eram mais pequenos e dispunham de uma proa mais adequada a enfrentar mar mais encapelado.

A mais conhecida galera de alto-mar, é sem dúvida a galera Viking ou Drakkar, que começou a aparecer nas costas do norte da Europa depois da queda do Império Romano.

Tal navio, não teria tido possibilidades de defrontar uma grande galera romana, mas esse tipo de navio nunca demonstrou ser adequado para as condições do norte da Europa, mesmo que os romanos tenham (como de facto ocorreu) tentado introduzir as suas galeras no norte da Europa.

Mais tarde, e com base não nos navios Drakkar, mas nas galeras que se continuavam a construir no mediterrâneo, foram adaptados os conhecimentos navais para construir navios que pudessem enfrentar melhor as condições de mar.

Mas à medida que as técnicas navais melhoravam, os navios de alto bordo passaram a ser considerados os mais adequados para as condições do Atlântico e as galeras passaram a ser navios secundários, utilizados ainda para combate em zonas costeiras e para dar caça aos corsários.


   
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