Navios deste tipo:

Galera «Trireme»
Navios da antiguidade
Galera «Quinquereme»
Navios da antiguidade
Galera bizantina «Dromon»
Navios da antiguidade
Galera turca «Kadirga»
Navios da renascença
Galera do Levante «Real»
Navios da renascença
Galera Veneziana
Navios da renascença
Galeaça Veneziana
Navios da renascença

Listar navios do tipo
Navios da renascença

Acontecimentos relacionados
Batalha de Lepanto



Coroa de Aragão
Navios da renascença classe
Galera do Levante «Real»
(tipo Galera mediterrânica)
Galera mediterrânica

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 200 Ton
Deslocamento máx. : 250 Ton.
Tipo de propulsão: Velas e remos
Comprimento: 48 M - Largura: 7.5M
Calado: 2.5 M.
Tripulação / Guarnição: 1000 Autonomia: 2000Km a 2 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 5 nós


Forum de discussão

Ao contrário dos reinos de Portugal, Leão e Castela, os reinos ibéricos da costa mediterrânica, ou Levante, estabeleceram fortes relações com os portos do mar Mediterrâneo e absorveram também as suas técnicas de construção naval.

A Galera levantina, construida tanto nos reinos de Aragão como no Reino de Nápoles era idêntica à galera veneziana embora não tivesse sido tão eficiente quanto o navio veneziano especialmente na qualidade da sua construção em série.

Não sendo utilizada no oceano, tinha uma proa mais baixa e um calado menor que as galeras utilizadas pelos reinos peninsulares com costa atlânticca.

Em termos de capacidades, a galera do levante tinha um armamento relativamente ligeiro até ao século XV, e que era idêntico ao armamento dos navios congéneres de Veneza. Mas quando os reinos de Aragão, com a União dinástica dos reis católicos e depois com Carlos V passaram a fazer parte do Sacro Império, os navios passaram a ser equipados com quatro canhões de 8 libras capazes de disparar uma única vez, passando a previligiar o combate naval com infantaria a bordo, ao contrário do que era normalmente preferido pelos venezianos que preferiam sempre que possível a táctica de combate naval puro, tentando afundar o navio inimigo sem combate homem a homem.

Por isso a utilização dada pelos reinos mediterrânicos espanhóis a este navio passou a ser essencialmente diferente daquela que lhes era dada pelos venezianos.

Maior que a galera tradicional dos reinos de Nápoles e de Aragão, a «La Real» distinguia-se pela sua decoração que mostrava ser o navio almirante, mas não se tratava de um navio especialmente armado.
Nesta página, fazemos referência ao navio almirante da esquadra que defrontou o turcos na batalha de Lepanto. Foi numa galera deste tipo que o comandante da Liga Santa se deslocou. A Galera era naturalmente maior que as galeras comuns construida pelos catalães, maiorquinos ou valencianos as quais tinham dimensões idênticas às galeras de Veneza..

Na realidade, o navio almirante da esquadra de Juan de Áustria era mais reforçado e maior que a Galera comum fabricada em Barcelona, mas embora fosse praticamente tão grande quanto as seis grandes Galeaças de 40 canhões que Veneza construiu para defrontar os turcos, o navio era muito inferior às galeaças venezianas.

A Galera Almirante também conhecida como «La Real» foi fabricada em Barcelona e tinha um madeiramento tão ligeiro quanto possível, diferenciando-se especialmente pela sua popa sumptuosamente trabalhada. Ela era locomovida pelos remos em combate e para viagens maiores utilizava-se o aparelho vélico de duas velas latinas uma no traquete de 126 metros quadrados e outro no mastro grande, com 565 metros quadrados.

O navio contava com um canhão grande de 36 libras(equivalente a um canhão de 203mm na actualidade) à frente e com quatro canhões mais pequenos montados ao seu lado no castelo de proa (dois de 8 libras e dois de 6 libras), e não podia disparar para os lados. Estaria igualmente equipada com até seis pequenos falcões ou falconetes, três de cada lado. O navio tinha 35 remos de cada lado, cada um com seis remadores, totalizando 420.

No entanto, seguindo a tradição naval dos estrategas dos reinos Habsburgos, a «La Real» destinava-se a abordar os navios turcos, despejando a enorme guarnição de 500 homens que levava a bordo. Os quais deveria combater a pé, utilizando tácticas identicas às tácticas terrestres.


Informação genérica:
A galera é o mais comum e mais conhecido navio utilizado pelas potências mediterrânicas desde a antiguidade.
Praticamente todas as potências que controlaram toda ou parte da costa mediterrânica utilizaram este tipo de embarcação.

Pode-se mesmo afirmar que o primeiro navio deste tipo foi construido no antigo Egipto.

O que caracteriza a Galera, é a existência de remos, juntamente com um aparelho vélico, em muitos casos rudimentar, que se destinava a aproveitar os ventos dominantes no mar Mediterrâneo.
As caracteristiscas desse mar, impedem que se navegue numa direcção aproveitando o vento e que depois se faça uma viagem de volta.

Como os ventos mudam consoante as estações do ano e as viagens eram de curta duração, era necessário adaptar o navio a que pudesse movimentar-se mesmo com ventos contrários ou pura e simplesmente quando não havia ventos algum.

A utilização dos remadores, tinha no entanto os seus inconvenientes. Como era necessário alimentar um grande numero de homens, o navio tinha que transportar consigo consideráveis quantidades de água e comida. Por isso, a Galera não tinha uma grande autonomia, tendo que fazer viagens relativamente curtas, para o que era necessário e vantajoso dispor de entrepostos pelo Mediterrâneo.

Fenicios, Gregos, Cartagineses e Romanos estão entre os principais utilizadores deste tipo de embarcação, acrescentando-lhe sempre algumas características próprias.

Com a queda do império romano este tipo de embarcação passou a ser menos utilizado, e foi necessário esperar pelo fim da baixa idade média e pelo reatar das relações comerciais para que novamente se voltassem a ver embarcações com estas características em maiores quantidades.

Veneza, o Império Otomano e, os reinos Ibéricos e em menor quantidade os árabes, utilizaram este tipo de embarcação.
Segundo os registos, Portugal construiu duas Galeaças na Índia, mas a experiência não vingou nas águas daquela região e a sua utilidade era mínima em águas onde normalmente era possível navegar com o auxílio dos ventos dominantes.


   
---