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Derrota da Armada Invencível



Reino de Portugal
Navios da renascença classe
Galeão de guerra português
(tipo Galeão)
Galeão

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 400 Ton
Deslocamento máx. : 700 Ton.
Tipo de propulsão: Aparelho vélico
Comprimento: 0 M - Largura: 0M
Calado: 0 M.
Tripulação / Guarnição: 300 Autonomia: 3500Km a 5 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 7 nós


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Se existe confusão (ou falta de concordância) da parte de muitos autores e investigadores entre Galeão e Nau, maior ainda é a confusão que se estabelece entre os vários tipo de Galeões que navegaram pelos mares do mundo a partir do século XVI.
Aparentemente, o Galeão português é um tipo de navio que se distingue dos restantes navios do mesmo tipo, por várias razões.

Tendo uma experiência naval que necessitou de desenvolver os seus próprios navios à medida que as caravelas e caravelões iam avançando para Sul, Portugal deparou-se no inicio do século XVI com um controlo e quase monopólio do comercio de especiarias entre a Índia (ou as Índias) e a Europa.

A riqueza de Portugal, decorrente da exploração do comércio com o oriente rapidamente atraiu o interesse de outras potências europeias, as quais estariam em condições de atacar os navios comerciais portugueses.

Com experiência na construção naval, os portugueses iniciaram no século XVI, tentativas no sentido de desenhar um tipo de navio que deveria servir de apoio militar às esquadras portuguesas normalmente constituídas por naus e caravelas armadas (ver ficha da caravela de guerra ou caravela de armada). Não parece ter havido nenhuma politica consequente de desenvolvimento tecnologico, mas si, ao longo dos anos, vários exemplares mais ou menos desgarrados que incorporaram novas soluções à guisa de experiência.
As experiências feitas com as caravelas armadas, não foram as melhores e a engenharia naval portuguesa terá tentado encontrar uma solução que embora fosse menos manobravel, era mais poderosa do ponto de vista militar.

Surge assim o Galeão Português, embora não se possa ter a certeza de quando é que este tipo de navio começou efectivamente a ser incorporado nas esquadras, sendo essa a razão de tanta confusão entre galeões, carracas, naus e até caravelas.

Uma das teses mais credíveis, aponta para que o Galeão português tenha uma origem completamente diferente dos outros navios do tipo, pois ele será resultado de um casamento entre a Caravela de Armada e a Nau armada.

Quadro do Sec. XVI, onde se identificam à esquerda duas naus, um Galeão português à direita e outros navios mais pequenos
Se esta tese estiver certa, então uma das características que permite diferenciar o galeão português é o facto de embora não ter uma proa tão baixa quando a dos galeões ingleses (que vão aparecer dezenas de anos mais tarde), ele ter uma proa muito mais baixa que a dos galeões da Coroa de Castela, com os quais, por causa da união dinástica de 1580-1640 eles se confundem. Esta característica, seria explicada pelo facto de o galeão português aproveitar a proa ligeira da Caravela de Armada, o que permitia ao navio ser muito mais fácil de manobrar que uma Nau.

Navios da Coroa de Portugal na armada invencível
De facto, quando ocorre a União Dinástica entre Portugal e as várias coroas dos reinos Habsburgos de Filipe II e este decide criar uma grande armada do Mar-Oceano para atacar a Inglaterra, são os galeões portugueses que levam a que Filipe II encare a iniciativa com mais confiança.

Curiosamente, o mais famoso dos galeões portugueses, chamou-se São Martinho, e por causa de ser o mais poderoso dos navios portugueses, foi transformado em navio almirante da esquadra e é referido pela historiografia espanhola como «Galeon San Martin» sendo a sua origem portuguesa na esmagadora maioria dos casos pura e simplesmente omitida, e em muitos casos apresentada como «nave do Levante» construída na costa mediterrânica. É ainda referido por alguns historiadores espanhóis como navio castelhano.

Na verdade, e conforme comprovam os documentos históricos, os navios portugueses, ou construidos em Portugal segundo os planos portugueses, continuaram a ser galeões da Coroa de Portugal. É apenas o facto de o nome do navio almirante (por exemplo) ter sido traduzido do português para o castelhano que levou a que seja referido como «San Martin».

Dos restantes galeões portugueses que participaram na batalha, alguns foram construídos em Portugal já depois de 1580, mas continuaram para todos os efeitos (tal como o São Martinho) a fazer parte da esquadra da Coroa de Portugal, sendo construídos exactamente com as mesmas regras e planos de construção tipicamente portugueses.

Problema de concepção ?
Existem teses com algum interesse sobre a armada invencível, em que se afirma que os galeões portugueses, pelas suas características, eram mais fáceis de manobrar que os seus equivalentes de construção castelhana.
As mesmas teses sustentam que a pouca manobrabilidade apresentada pelos navios portugueses nos combates que decorreram em 1588, poderia ser explicada pelo facto de os oficiais castelhanos terem observado entre 1580 e 1588 que os navios portugueses, por terem proas muito baixas, metiam demasiada água alegadamente porque o seu castelo de proa não era suficientemente elevado.

Interpretando mal o problema, e partindo do principio de que os navios seriam utilizados para abordagens (táctica de guerra naval utilizada deste os tempos do Império Romano a que os comandantes hispânicos continuavam tenazmente agarrados), o comandante da esquadra, Alvaro de Bazan, mandou que lhes fosse aumentado o «beque» ou esporão de abordagem e também o castelo de proa (à moda dos galeões hispânicos).

Por esta razão, quer o São Martinho, quer outros galeões da Coroa de Portugal acabaram (por inspiração do comandante castelhano) por se transformar em navios lentos e tremendamente difíceis de manobrar, pois a sua estrutura e proporções não estavam concebidas para a incorporação de uma proa pesada.

A grande incompetência naval dos comandantes hispânicos, normalmente de origem castelhana, e com uma visão continental e mediterrânica da guerra naval ( que continuavam por isso agarrados às tácticas da batalha de Lepanto), acabaram por selar o destino da esquadra.
No entanto, e apesar da desastrosa modificação efectuada pelos castelhanos, a qualidade de construção dos estaleiros portugueses era sufiente para que mesmo tremendamente danificado, e tendo que ter muitos orifícios abaixo da linha de água reparados em combate tenha sido impossível aos os ingleses afundar o navio almirante da esquadra.


Informação genérica:
O termo Galeão, é utilizado por vários países para definir navios com características algo diferentes.

No entanto, em praticamente todos os casos, o Galeão está ligado a um navio armado com canhões normalmente de calibre grande, e capaz de destruir outros navios do mesmo tipo.

Entre as principais e distintivas características do Galeão, parece estar a sua maior resistência de contrução e uma maior compartimentação, que deveria permitir ao navio maior resistência perante o fogo do inimigo, dado naturalmente se tratar de um navio primariamente destinado ao combate.

Porém, diferentes países parecem ter desenvolvido os seus projectos de Galeão com base em ideias diferentes.

As três principais distinções que efectuamos nas descrições de navios deste site, no que respeita a Galeões, são:

- O Galeão Hispânico, de dimensões médias caracterizadas pelo grande castelo de proa, e que deriva dos navios comerciais utilizados na Europa.

- O Galeão português, que nos aparece como uma mistura de algumas características da Carraca com a caravela de armada. O Galeão português de guerra, decorre da necessidade de encontrar um navio para fazer face aos «predadores» do império e por isso é um navio que só aparece no último quartel do século XVI e designamos como Galeão de Guerra.

- O Galeão inglês, derivado das grandes carracas do norte da Europa, que evoluiu mais rapidamente no sentido da redução do castelo de proa por necessidades de manobrabilidade nos mares do norte da Europa, e que nos finais do século XVI também parece ter função eminentemente guerreira e não de comércio.

É importante notar que não existe unanimidade entre os vário historiadores, e quando foi efectuada a pesquisa para estabalecer a diferença entre os vários navios de guerra do periodo quinhentista, que deverão explicar melhor o periodo aureo dos descobrimentos portugueses, vários autores apresentaram descrições distintas.

Baseando-nos nas obras, anállises e comentários a que tivemos acesso, esta pareceu ser a divisão mais lógica quando se pretende enteder a História.

A utilização do termo Galeão
Como já foi dito anteriormente, os países Hispanicos, tanto na coroa de Castela e Leão como na Coroa de Aragão existia a tradição de chamar Galeão, a um grande navio armado para a guerra. Esse navio poderia ser tanto uma grande Urca como uma Carraca, o que na realidade aconteceu.

No entanto, também os portugueses utilizaram essa denominação, pois temos registos da construção na Índia de navios de grandes dimensões que foram referidos como Galeões.
António Borges Coelho dá como exemplo o Galeão S. Dinis contruido na Índia, afirmando que esse navio era mais longo que a Nau, estando poderosamente armado.
No entanto, também sabemos que há um navio mais longo que a Nau e mais estreito que a Nau, mas a esse navio normalmente dá-se o nome de Carraca.

Já C.R.Boxer, no seu conhecido livro " O Império Marítimo Português 1415-1825" fala sempre em Carracas, e distingue posteriormente os Galeões. Logo, quando se fala em Galeões portugueses da primeira metade do séuclo XVI, estamos provavelmente a falar de Carracas ou grandes Carracas muitas vezes armadas para a guerra, as quais viam os seus canhões retirados das posições de tiro, para transportar mercadorias de volta a Portugal.

Estas várias teses, levam-nos à conclusão de que o Galeão português do final do século XVI, foi um navio que herdou da caravela de guerra a sua inferior capacidade de transporte, um proa baixa e por isso tinha maior manobrabilidade, dispondo ainda (ao contrário do armamento das Carracas) de um maior numero de canhões de tiro de longa distância do tipo colubrina ou meia colubrina (esperas), o que seria normal num navio desenhado especificamente para a guerra.


   
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