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Caravela de Guerra «de Armada»
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Navios da renascença


Reino de Portugal
Navios da renascença classe
Caravela de Guerra «de Armada»
(tipo Caravela / Dhow)
Caravela / Dhow

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 140 Ton
Deslocamento máx. : 160 Ton.
Tipo de propulsão: Aparelho vélico
Comprimento: 0 M - Largura: 0M
Calado: 0 M.
Tripulação / Guarnição: 60 Autonomia: 4000Km a 8 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 10 nós


Forum de discussão

A grande diversidade de navios utilizados pelas potências europeias durante os séculos XV XVI e XVII explica porque muitas vezes se confundem as funções a as características de navios conhecidos muitas vezes pelo mesmo nome, mas que tinham funções bastante diferentes.

Um dos mais interessantes navios desenhados em Portugal, decorre da análise efectuada pelos mestres em construção naval nos estaleiros portugueses, que ao mesmo tempo que se especializavam na construção de navios cada vez maiores, chegaram à conclusão de que embora muito poderosos, navios como Carracas e Naus, eram demasiado lentos e que embora fossem poderosas plataformas de artilharia, eles teriam dificuldade em enfrentar navios mais rápidos.

Em 1522, navios portugueses são derrotados pelos navios de defesa costeira chineses e a lentidão das Naus (além do seu pequeno numero), foi provavelmente uma das razões da derrota.

Surge então a possibilidade de criar um navio de guerra resultante do aumento do tamanho de uma versão da caravela latina, conhecida como caravela redonda, a qual utiliza tanto pano latino (triangular) como pano redondo (que na realidade é quadrado).

Esta caravela, em vez de ser um navio de apoio (para transportar víveres e assim reduzir a carga das naus) receberia em vez disso um complemento de artilharia, que lhe poderia permitir entrar em combate.

Cria-se assim a «Caravela de Armada» que neste site designamos como «Caravela de Guerra» para que mais facilmente se entendam as funções dos vários navios que descrevemos.

Este tipo de navio apresentava um grande número de vantagens que resultavam da sua grande manobrabilidade e superior velocidade. Aliada a uma bateria menos poderosa que a das naus e carracas, a caravela de armada poderia ainda assim atacar de forma eficiente outros navios, mesmo da maiores dimensões.

Como outras caravelas, a «Caravela de Guerra» tinha um armamento díspar e muito dependente das escolhas do comandante do navio e das peças que estivessem disponíveis, mas o normalmente aceite seria que a Caravela estivesse equipada com um total de 18 peças de artilharia, a saber:

2 peças do tipo Colubrina ou meia-colubrina (esperas); 4 Canhões pedreiros (Sacres ou outro tipo mais pequeno); 6 Falcões e 6 Falconetes, estes dois últimos sendo canhões ligeiros para tiro anti-pessoal.

A caravela de armada, podia atacar qualquer navio mais pequeno e podia afastar-se rapidamente de qualquer navio mais poderoso. Ao mesmo tempo, podendo navegar contra o vento, poderia mesmo atacar navios mais poderosos mas mais lentos e dificeis de manobrar.

Conceito contestado

A ideia parecia ter futuro do ponto de vista militar, mas para um país que tinha já na terceira década do século XVI alguma dificuldade em armar as esquadras da India e que precisava rentabilizar as viagens transportando o máximo possível de produtos, a caravela de armada apresentava alguns problemas.

Em primeiro lugar, o navio era basicamente uma unidade de escolta, que como todos os navios do tipo não podia carregar víveres. A sua guarnição precisava por isso ser abastecida por outros navios.
A caravela mesmo a caravela de armada era mais ligeira e menos resistente às intemperies pelo a possibilidade da sua perda era elevada.

Além disso, vários problemas se levantavam em caso de combate. A caravela de armada podia realmente ter vantagens mas quando bolinava (navegava contra o vento) o navio ficava de tal forma inclinado que isso tornava impossível a utilização dos canhões de maiores dimensões.

A somar a isto, o custo de construção e armamento dos navios, juntamente com o custo da tripulação tornava-o demasiado caro.

Mais tarde provou-se que o conceito fazia todo o sentido, especialmente nas guerras europeias. A grande esquadra organizada pelo rei Filipe I de Portugal (Felipe II de Castela) em 1588 contra a Inglaterra e que ficou conhecida como «Armada invencível» não contava com navios com estas características. O grande problema da armada, foi a sua incapacidade em navegar contra o vento para responder ao fogo dos navios ingleses.
Um pequeno número de navios deste tipo, poderia ter mudado o rumo da história.


Informação genérica:
As origens da Caravela são normalmente associadas ao navios ligeiros utilizados no mediterrâneo, especialmente os navios de origem árabe que utilizavam vela triangular.

As origens mais remotas no mediterrâneo encontram-se nas embarcações de um povo árabe, conhecido como «Nabateus» que habitavam na costa do Mediterrâneo oriental e do Mar Vermelho. Estes árabes, utilizavam os tradicionais «Dhows»[1] da peninsula arábica, em várias versões, entre as quais se encontravam navios de vela triangular com um pequeno castelo de popa.

O Dhow e a chamada Caravela latina, partilham a vela triangular e a grande manobrabilidade como principal característica.

A estrutura do navio e forma de construção é no entanto diferente consoante se trate de construção mediterrânica, atlântica ou índica.

A enorme vantagem dos Dhows e das Caravelas que foram utilizados como navios de transporte, de pesca mas também de guerra estava na manobrabilidade e não na sua capacidade de transportar armamento.



[1]Designação para quase todo o tipo de embarcação árabe que no entanto é contestada, dado não só terem existido os navios de grande porte (ver Ghanga e Baghala) como ainda vários outros tipos de navios com diferentes denominações e configurações. Não se tratava no entanto de navios com capacidade militar.


   
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