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Muçulmanos
Navios da renascença classe
Ghanga / Baghala
(tipo Caravela / Dhow)
Caravela / Dhow

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 150 Ton
Deslocamento máx. : 400 Ton.
Tipo de propulsão: Aparelho vélico
Comprimento: 40 M - Largura: 0M
Calado: 0 M.
Tripulação / Guarnição: 45 Autonomia: 4000Km a 6 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 9 nós


Forum de discussão

Embora todos os navios das potências islâmicas do oceano indico sejam normalmente designados como «Dhows», há na alguns derivações destes navios que se distinguem especialmente pelo seu tamanho.

Embora o deslocamento deste tipo de navios seja normalmente colocado entre 150 e 400 toneladas, existem referências históricas a navios utilizados pelos árabes com tamanho superior.
De notar que quer as Ghangas quer as Baghalas, não parecem ter sido construidos com o intuito serem utilizados para a guerra, ainda que as necessidades tenham obrigado a essa utilização.

Sabemos de fontes árabes, que grandes navios deste tipo terão sido construidos, a partir do século XIV e que pelas suas dimensões poderiam atingir um deslocamento próximo das 1,000 toneladas e em alguns casos excepcionais mesmo 1,500 toneladas.

Estes navios eram essencialmente destinados ao transporte, quer de mercadorias quer de peregrinos para o «Hadj» a peregrinação a Meca que é obrigação de todos os muçulmanos.
Os muçulmanos do sub-continente indiano, já no século XVI, aquando da chegada dos portugueses utilizavam este tipo de navios para fazer a travessia entre a Índia e a peninsula arábica, dado ser muito mais seguro e rápido efectuar a viagem por mar.

Popa de um Dhow de grande porte, aparentemente uma Baghala. Comparar com a imagem de destaque acima que mostra a popa de uma Ghanga. Mas mesmo esta designação não é pacífica entre os árabes, pois pelo menos no Koweit, chama-se Baghala aos navios com a popa mais reta e larga.
A Baghala e a Ghanga são navios com origens e métodos de construção idênticos, e aparentemente a principal diferença resulta do facto de a popa (a parte traseira) na Baghala ser mais estreita, projectando-se sobre a água.
Já na Ghanga a popa é direita e reta, acreditando-se que esta modificação foi introduzida por inspiração das Carracas dos portugueses.

Os historiadores e cronistas portugueses referem-se por várias vezes às Naus e Galeões de grande porte dos países que os defrontavam no Índico. Embora seja certo que parte desses navios de alto bordo eram turcos ou de construção de inspiração turca, é de crer que alguns dos navios de maior tamanho a que os cronistas fazem referência fossem na realidade Dhows de grande porte preparados para combate, com a utilização de canhões e arqueiros.

No entanto, não tendo sido inicialmente desenhados para essa função, também é facil de supor que embora pudessem utilizar a sua manobrabilidade para enfrentar navios portugueses de menor porte, como caravelas e caravelões, eles seriam sempre inferiores em termos de armamento às Naus, Carracas e Galeões.

Já na segunda e terceira décadas do século XVI, sabe-se que ainda que em pequenos numeros, os portugueses introduziram um novo tipo de navio, que não tendo vingado a longo prazo, poderia explicar as vitórias consecutivas dos portugueses no mar naquele periodo.
Trata-se da chamada caravela de armada (que designamos como da Caravela de Guerra), a qual juntava um elevado poder de fogo a uma grande mobilidade que lhe era conferida pela configuração do seu aparelho vélico.
Perante uma caravela-de-armada nenhum navio deste tipo teria qualquer hipotese de sobrevivência.

É a partir do momento em que começa a haver referências às caravelas-de-armada, que deixa de haver referência aos navios de grande porte das potências do Índico.

Com a Caravela de Armada, as frotas árabes, mesmo armadas com Ghangas ou Baghalas enfrentariam um navio muito melhor armado, que além do mais era tão rápido, quando não mais rápido que eles.

O fim do grandes Dhow como navios oceânicos

Com a total superioridade da artilharia das Carracas e Naus de Portugal, aliada à superior manobrabilidade das Caravelas ficou marcado o fim do domínio árabe no Oceano Índico. Os turcos e egipcios, conseguiram impedir a entrada portuguesa no Mar Vermelho, utilizando alguns navios de alto bordo, mas rapidamente os portugueses se desinteressaram dessa rota, quando começaram a explorar o comércio com a China e o Japão.

Os portugueses também poderão ter utilizado navios deste tipo, nomeadamente apresados, mas a sua utilização só poderia ocorrer por falta absoluta de navios de concepção portuguesa, vistos como superiores em todos os aspectos.

As Ghanga e as Baghala continuaram a ser utilizadas apenas como navios costeiros, sendo construidos poucos desde que foi estabelecido o domínio europeu no Índico.


Informação genérica:
As origens da Caravela são normalmente associadas ao navios ligeiros utilizados no mediterrâneo, especialmente os navios de origem árabe que utilizavam vela triangular.

As origens mais remotas no mediterrâneo encontram-se nas embarcações de um povo árabe, conhecido como «Nabateus» que habitavam na costa do Mediterrâneo oriental e do Mar Vermelho. Estes árabes, utilizavam os tradicionais «Dhows»[1] da peninsula arábica, em várias versões, entre as quais se encontravam navios de vela triangular com um pequeno castelo de popa.

O Dhow e a chamada Caravela latina, partilham a vela triangular e a grande manobrabilidade como principal característica.

A estrutura do navio e forma de construção é no entanto diferente consoante se trate de construção mediterrânica, atlântica ou índica.

A enorme vantagem dos Dhows e das Caravelas que foram utilizados como navios de transporte, de pesca mas também de guerra estava na manobrabilidade e não na sua capacidade de transportar armamento.



[1]Designação para quase todo o tipo de embarcação árabe que no entanto é contestada, dado não só terem existido os navios de grande porte (ver Ghanga e Baghala) como ainda vários outros tipos de navios com diferentes denominações e configurações. Não se tratava no entanto de navios com capacidade militar.


   
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