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Aviso / Canhoneira


Portugal
Aviso / Canhoneira classe
Afonso de Albuquerque

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 1780 Ton
Deslocamento máx. : 2440 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 99.6 M - Largura: 13.49M
Calado: 3.81 M.
2 x Caldeiras (oleo) Yarrow (0)
2 x Turbinas acopladas Parsons (8000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 189 Autonomia: 18000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 20 nós

Canhões / armamento principal
4 x Vickers Defence 120mm/45 QF Mk. IX/XII (m.1928) (Calibre: 120mm/Alcance: 15Km)


Os dois navios da classe Afonso de Albuquerque, classificados como «Avisos de 1ª classe» foram pensados para operações nas águas ultramarinas, onde era necessário manter uma presença ainda que simbólica nas vastas possessões portuguesas não só em África como também na Ásia. A classificação foi posteriormente alterada para fragata.

Na verdade a designação «Aviso» pode ser enganadora pois quando entraram ao serviço, no inicio dos anos 30, eram os dois navios mais significativos da marinha, embora não tivessem nem de longe a velocidade superior a 36 nós dos contra torpedeiros da classe Vouga.

Inicialmente encomendados a estaleiros italianos eles acabaram por ser encomendados ao Reino Unido. São navios armados com o mesmo tipo de canhões dos contra-torpedeiros da classe Vouga e a sua principal diferença é a motorização. Os dois navios tinham capacidade para transportar um hidroavião mas essa funcionalidade não foi implementada.
Os avisos ou canhoneiras não foram pensados para atingir grandes velocidades mas sim para garantir a soberania nas proximidades da costa, pelo que a velocidade era menos importante que a autonomia dos navios.

Eles estiveram ao serviço durante a II Guerra Mundial, onde foram a principal presença militar portuguesa nos mares do Indico e também em Macau. A seguir ao final da guerra, foram-lhes removidos os quatro canhões anti-aéreos de 40mm que foram subsituidos por oito canhões de 20mm. Além deste equipamento e do armamento principal (quatro peças de 120mm) estavam ainda equipados com duas peças de 76mm.

O Afonso de Albuquerque foi destruido em combate em Dezembro de 1961 por uma força da União Indiana. O seu irmão Bartolomeu Dias foi rebaptizado São Cristovão em 1967 e transformado em navio depósito até ser abatido.



O afundamento do Afonso de Albuquerque
O navio NRP Afonso de Albuquerque era praticamente a única unidade militar com condições mínimas para oferecer qualquer tipo de resistência perante a invasão do Estado de Goa efectuada por tropas da União Indiana em Dezembro de 1961.

O navio, preparado apenas para combates contra forças em terra, defrontou seis navios de guerra da marinha da União Indiana, conforme os planos previamente estabelecidos.
As ordens determinavam que em caso de clara superioridade das forças indianas o navio deveria ser encalhado num lugar conhecido como «Praia de Dona Paula» com o objectivo de utilizar a sua artilharia.

O desenrolar das operações:

04:00 da manhã do dia 18 o oficial de serviço tomou conhecimento da invasão
06:40 Informação oficial de que a invasão havia começado
06:55 O pessoal ocupa os postos de combate
07:00 Aeronaves indianas bombardeiam o aeroporto de Dabolim e a estação radio-naval de Bambolim que ficou inoperacional.
07:30 O navio consegue comunicação com Lisboa, mantendo essa comunicação aberta durante três horas até às 10:30. Até esse momento o Afonso de Albuquerque é o principal meio de informação em Lisboa sobre o desenrolar das operações
08:30 É reestabelecida a comunicação com o Comando Naval de Goa

09:00 Surgem ao largo, três fragatas indianas a uma distância entre 6 e 14 milhas. São guarnecidos os canhões, mas não há pessoal suficiente para guarnecer simultaneamente as metralhadoras antiaéreas.
11:00 Bombardeiros a jacto indianos bombardeiam o porto de Mormugão a grande altitude e também o aeroporto.
12:00 A toda a velocidade as fragatas indianas aproam em direcção ao porto e começa a disparar com toda a sua artilharia[1]
Ao mesmo tempo, o comandante do Afonso de Albuquerque manda «picar a amarra» e sair do porto para enfrentar os navios indianos [2] transmitindo por rádio para Lisboa a mensagem: « Estamos a ser atacados, Respondemos »
Por entre os disparos os indianos enviam em morse sinais para que o navio se renda.
O comandante dá ordem para que o navio continue a disparar.

12:10 - O Afonso de Albuquerque, atinge uma das fragatas indianas que se retira. O navio é de imediato substituida por um dos contra-torpedeiros indianos.

12:15 - O Afonso de Albuquerque foi atingido e os estilhaços atingem o director de tiro. As armas principais não podem ser apontadas eficientemente.

12:20 O comandante, que na posição em que o navio se encontrava, apenas podia utilizar os dois canhões à proa não tendo ângulo de tiro para utilizar os canhões à ré manda posicionar o navio para poder utilizar todos os quatro canhões.

12:25 - Ao efectuar essa operação, oferece um maior alvo aos navios indianos e o navio é novamente atingido, desta vez no próprio director de tiro tendo a explosão resultado num morto e num ferido grave, o próprio comandante do navio. Manda que o iomediato assuma o comando e dá ordens para que o navio não se renda.

O imediato dá ordem para encalhar o navio. Uma vez que as caldeiras e as máquinas tinham sido atingidas, não seria possível encalha-lo no local previamente previsto.

12:35 O Afonso de Albuquerque é encalhado frente à praia de Bambolim ficando a 150 metros da margem direita do rio Zuari.

Entretanto o Sargento de sinais terá dado ordem para que fosse içada uma bandeira branca, o que foi feito. Mas como na realidade ninguém tinha dado ordem de rendição, a bandeira voltou a ser arriada. A bandeira não foi de qualquer das formas avistada pelos indianos por causa das condições de vento e fumo.

O navio disparou entre 350 e 400 tiros, segundo os cálculos feitos na altura. Ocorreram cinco mortes e treze homens ficaram feridos.

12:50 - É dada ordem ao pessoal fogueiro para abandonar o navio, o que é feito em baleeiras ou a nado.

13:10 - A maioria do pessoal cumpre a ordem de abandonar o navio, enquanto o fogo dos navios indianos continua, a atingir o navio e a área circundante, no claro propósito de atingir os homens que já se encontravam na margem.

O navio foi rebaptizado Saravastri pelos indianos e posteriormente rebocado para Bombaim. Foi mais tarde vendido para sucata e algumas das suas armas encontram-se hoje em exposição em Bombaim, actual Mumbai.

[1] A cadência de tiro dos navios indianos era bastante superior à do navio português, que no máximo poderia atingir uma cadência de 5 disparos por minuto.
[2] Além das duas fragatas referidas, estavam na zona mais dois contratorpedeiros e o cruzador Mysore, um navio da classe Fiji, construido durante a II guerra mundial.


Para descrever os acontecimentos de 18 de Dezembro tivemos como referência o livro «A queda da Índia portuguesa» Carlos Alexandre de Morais, Editorial Estampa.
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