Navios deste tipo:

Dunkerque
Couraçado rápido
Richelieu
Couraçado rápido

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Couraçado rápido

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Queda da França



França
Couraçado rápido classe
Richelieu
(tipo Dunkerque/Richelieu)
Dunkerque/Richelieu

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 35560 Ton
Deslocamento máx. : 44704 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 247.9 M - Largura: 33M
Calado: 9.6 M.
6 x Caldeiras (oleo) Indret (0)
4 x Turbinas acopladas Parsons (150000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 1550 Autonomia: 15000Km a 15 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 30 nós

Canhões / armamento principal
8 x French State Factories 381mm L/45 Mod.1935 (f) (Calibre: 381mm/Alcance: 41.7Km)


Forum de discussão

Embora tenham construido dois couraçados destinados a conter a ameaça dos cruzadores pesados da classe «Deutschland» os franceses viram-se perante a necessidade de lançar uma nova classe de navios, quando a Itália e a Alemanha anunciaram a intenção de lançar novas classes de couraçados rápidos com armamentos superiores aos dos navios franceses (ver classe Littorio e classe Bismarck).

Os estudos preliminares dos franceses começaram em 1934 e tiveram como base a configuração dos dois navios da classe Dunkerque. Inicialmente os franceses consideraram a possibilidade de instalar 12 canhões de 340mm ou de 350mm em três torres quadruplas. Este armamento seria grosso-modo equivalente às peças de 356mm que equipavam os couraçados da classe King George V, em construção na Grã Bretanha.

Mas quando as especificações dos navios alemães e italianos se confirmaram, então foi tomada a opção de instalar oito canhões de 380mm numa configuração idêntica à já adoptada para os Dunkerque com todo o armamento principal à proa.

Embora tendo como base o projeto daqueles dois navios couraçados, rapidamente o projecto dos Richelieu evoluiu para um navio de dimensões bastante maiores e com várias modificações como foi o caso da junção da chaminé com a torre directora traseira de que resultou uma chaminé em ângulo.

O Richelieu recebeu apenas três torres triplas de 152mm optando por substituir as restantes torres previstas, por armas anti-aéreas de 100mm e de 37mm. Mesmo assim considera-se que os navios estavam insuficientemente protegidos contra ameaças aéreas.

Os navios não estavam completados quando a guerra começou em 1939 e quando em Junho de 1940 a situação da França se tornou desesperada, o Richelieu foi enviado para Dakar, onde chegou a 23 de Junho de 1940, já depois da assinatura do armistício. Em Dakar o navio deveria completar a instalação de equipamentos de controlo de tiro e finalizar a instalação das torres de 152mm de armamento secundário.

Os britânicos, que tinham em Dakar o porta-aviões Hermes, tentaram convencer os comandantes franceses a passar para a França Livre, mas sem sucesso.

Em 3 de Julho os navios franceses em Dakar receberam um ultimatum britânico para se renderem. Os franceses recusaram render-se e avisaram que responderiam caso fossem atacados.
Em 8 de Julho foi atacado por aviões torpedeiros britânicos do porta-aviões Hermes e os ataques provocaram vários danos que foram sendo reparados, embora o navio tivesse muitos dos seus compartimentos inundados.
As reparações não poderiam ser feitas por nenhum estaleiro da França de Vichy, pelo que só estaleiros aliados ou alemães o poderia realizar, pois havia problemas tanto resultado dos ataques britânicos, como problemas de «dentição» resultado de se tratar de um navio acabado de sair do estaleiro, que precisava de várias modificações pontuais para se declarar operacional.

Em 23 de Setembo foi levada a cabo uma tentativa por parte das forças de DeGaulle para tomar Dakar e ficar de posse do couraçado, mas a tentativa falhou.
No dia seguinte os britânicos voltaram a bombardear o navio e em resposta o Richelieu disparou, mas um problema com a polvora danificou um dos canhões.
Na noite de 24 para 25, com o director de tiro operacional os franceses dispararam os seus canhões de 380mm contra o couraçado britânico Barham. Quando o couraçado britânico Ramilies foi atingido por um torpedo de um submarino francês, a acção foi interrompida.

Com a invasão do Norte de África, em Novembro de 1942 o Richelieu foi entregue às forças da França livre e levado para os Estados Unidos onde foi reparado entre Fevereiro e Agosto de 1943, altura em que recebeu novo equipamento anti-aéreo. Os canhões de 37mm foram substituido por catorze torres quadruplas Bofors de 40mm. Também recebeu 14 canhões de 20mm que mais tarde foram aumentados para 50.
O navio serviu junto com a frota britânica do oriente, ode foi utilizado para operações de bombardeamento contra posições japonesas. No final da guerra o navio ficou destacado na Indochina francesa.

O Jean Bart tinha sido lançado à água em Março de 1940 mas em Maio de 1940, com os alemães em plena invasão da frança, o navio não podia mover-se pelos seus próprios meios.
Reboca-lo era uma possibilidadem mas num mar infestado de submarinos era uma opção suicida.
Por isso, foi feito um esforço tremendo para terminar à pressa a instalação dos motores do navio, das helices, do sistema electrico e de uma miriade de detalhes necessários para permitir que ele saísse pelos seus próprios meios.

Corrida contra o tempo
3000 (3500 nos últimos dias) trabalhadores em turnos de 12 horas trabalharam de 18 de Maio até 20 de Junho, para que pelo menos dois dos eixos do navio pudessem operar, garantindo uma velocidade de 26 nós. Metade dos canhões não estavam instalados e tentou-se transporta-los separadamente (tendo o navio que transportava dois deles sido afundado pelos alemães. Os outros dois foram destruidos). O equipamento secundário não estava pronto e os navios receberam à pressa, torres anti-aéreas de 90mm.

Às 12:15 do dia 18 de Junho de 1940, com os alemães a apenas 65km de distância, a bandeira francesa foi içada e os geradores de energia electrica do navio começaram a funcionar. O navio teve que sair do porto sem combustivel, para evitar que encalhasse e foi necessário reabastece-lo no mar, debaixo de bombardeamentos alemães.

Foi nestas condições que o couraçado Jean Bart escapou de St.Nazaire no dia 20 de Junho com destino a Casablanca no Marrocos francês. Vários sistemas falharam e a velocidade do navio ficou reduzida a 7 nós. Reparações de emergência permitiram atingir 14 nós durante a tarde de 20 de Junho. Só no dia 21, a velocidade máxima prevista de 26 nós foi atingida, mas acabou chegando a Casablanca às 17:00 do dia 22 de Junho de 1940.

O navio estava longe de estar finalizado, pelo que embora os aliados considerassem a possibilidade de ele ser tomado pelos alemães, a possibilidade de estes sequer removerem o navio de Casablanca era considerada mínima.

Em 8 de Novembro de 1942, mesmo com apenas uma torre instalada e atracado no porto, o Jean Bart serviu como bateria flutuante para tentar deter um desembarque norte-americano. Foi atacado por bombardeiros de voo picado do porta-aviões Ranger com bombas de 454kg. Os ataques provocaram graves danos especialmente na proa do navio e na lateral direita próximo da popa.

A 10 de Novembro os americanos aproximaram-se de Casablanca, acreditando que tinham colocado o navio fora de acção,. O cruzador pesado Augusta foi surpreendido pelos disparos dos canhões de 380mm e teve que escapar apressadamente.

Quando os aliados tomaram o Norte de África, considerou-se que o navio não poderia ser reparado rapidamente. Como a necessidade deste tipo de navios era reduzida, os trabalhos só foram reiniciados depois do fim da guerra. O navio foi apenas entregue em 1949 e esteve ao serviço até meados dos anos 50, sendo a sua mais conhecida missão a realizada em 1956 durante a operação anglo-francesa contra o Suez.

O Jean Bart, o último couraçado de uma marinha europeia deixou serviço de primeira linha em 1961, embora ainda tivesse continuado ao serviço como navio de treino até 1969, tendo sido oficialmente abatido em 1970.


Informação genérica:
Os navios das classes Dunkerque e Richelieu são projectos franceses dos anos 30 e foram os primeiros (e únicos) couraçados que o país construiu após a I Guerra Mundial.

Trata-se de navios diferentes, com deslocamentos diferentes e armamentos diferentes, mas são baseados em principios e conceitos idênticos, como por exemplo a configuração do armamento principal.
Os Richelieu vistos como uma versão modernizada e aumentada dos Dunkerque.

Por causa da rendioção da França os navios tiveram uma reduzida participação no conflito. Os dois Dunkerque foram desactivados em 1942. Já os dois Richelieu, o primeiro passou para a França Livre e voi reparado nos Estados Unidos. Outro (Jean Bart) só foi concluido e entregue à marinha francesa em 1949.


   
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