Navios deste tipo:

Bayern
Couraçado «Super-Dreadnought»
Bismarck
Couraçado rápido

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Couraçado «Super-Dreadnought»


Império Alemão
Couraçado «Super-Dreadnought» classe
Bayern
(tipo Bayern / Bismarck)
Bayern / Bismarck

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 28074 Ton
Deslocamento máx. : 31690 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 179.8 M - Largura: 30M
Calado: 9.37 M.
3 x Caldeiras (oleo) Schultz-Thornicroft (0)
11 x Caldeiras (carvão) Schultz-Thornicroft (0)
3 x Turbinas acopladas Parsons (48000)
Tripulação / Guarnição: 1271 Autonomia: 9000Km a 13 nós - Nr. Eixos: 3 - Velocidade Máxima: 21 nós

Canhões / armamento principal
8 x Krupp 380mm SK L/45 M.1913 (g) (Calibre: 380mm/Alcance: 25Km)
16 x Krupp 150mm SK L/45 C13 m.1908 (Calibre: 150mm/Alcance: 18Km)


Forum de discussão

Os dois couraçados da classe Bayern [1] (quatro foram começados mas apenas dois foram concluidos) foram os únicos super-Dreadnought da marinha do Império Alemão.

Eles foram concebidos como resposta aos super-Dreadnoughts britânicos das classes Revenge e Queen Elizabeth, as duas equipadas com canhões de 381mm (15").

Ao contrário das classes anteriores em que os alemães possuiam navios com armamento principal de calibre ligeiramente inferior que era compensado com a sua maior potência e cadência de fogo, os alemães neste caso decidiram responder à letra, com navios que tivessem o mesmo poder de fogo.

Foi considerada inicialmente a possibilidade de lançar a nova classe de navios, com um total de 12 canhões de 305mm, o que tornaria a construção mais rápida dado que a arma já estava desenvolvida, mas seis torres duplas foi considerado um passo atrás na evolução dos couraçados, ao mesmo tempo que os militares e engenheiros navais alemães viam com desconfiança as torres triplas, porque consideravam que a sua complexidade e tamanho reduzia a rigidez estrutural do navio, ao mesmo tempo que a complexidade do municiamento de três armas por torre em vez de duas, reduziria a cadência de tiro por arma.

É assim que o anuncio em 1913, de que os britânicos se preparavam para construir «couraçados rápidos» com canhões de 381mm (15") levou os engenheiros navais alemães a passar directamente do calibre 305mm para o 380mm sem passar primeiro por um calibre intermédio (330 ou 356mm).

Para que a marinha alemã pudesse estar à altura, o projecto considerou a necessidade de instalar maquinaria com uma potência de até 75.000cv, o que daria aos Bayern uma velocidade máxima de 25 nós.

A pressa em garantir a superioridade levou a que os quatro couraçados da classe Bayern, fossem lançados ainda antes de os Queen Elizabeth.

O Bayern já tinha sido entregue à marinha alemã quando ocorreu a famosa batalha de Jutlandia, o maior recontro entre couraçados da I Guerra Mundial, mas não participou no confronto porque ainda estava em treino.

O Baden, chegou a ser objecto de uma tentativa de sabotagem, en que foi alvo de minas, foi reparado mas não teve nenhuma participação de relevância no conflito em combate.

Os dois navios foram enviados para Scapa Flow na Grã Bretanha onde a esquadra alemã ficou aprisionada durante as negociações de Paz e foi afundado pela própria tripulação.
Já o couraçado Baden, foi salvo ainda antes de ser afundado e foi porteriormente utilizado como alvo de tiro no inicio dos anos 20.

A importância da classe Bayern para o futuro
Os Bayern foram os últimos grandes couraçados lançados pela Alemanha, e o país não foi autorizado a desenvolver ou construir navios do tipo durante muitos anos.
Quando a Alemanha começou a rearmar-se o único projecto que havia para um couraçado de grandes dimensões era o dos Bayern.

É do projecto de couraçados da classe Bayern que os engenheiros navais alemães vão partir para chegar ao couraçado Bismarck, o qual tem basicamente a mesma configuração (quatro torres duplas de calibre 380) de armamento principal.

Classe Sachsen
O Império alemão desenhou uma classe de mais dois navios que eram basicamente navios do tipo Bayern melhorados, o Sachsen e o Wurtenberg.
Eles teriam a mesma bateria principal com oito peças de 380mm e uma bateria secundária de 16 peças de 150mm. Seriam capazes de 21,5 nós e teriam dois eixos ligados a turbinas e um eixo ligado a motores a Diesel. O deslocamento ma´ximo estava estimado em 31 987t.

A construção dos dois navios começou em 1914 (Sachsen) e 1915 (Wurtenberg) e foram lançados à água respectivamente em 1916 e 1917, mas nunca chegaram a ser completados. Foram vendidos para sucata em 1921.




[1] - Em algumas publicações esta classe é designada por classe Baden, porque o Baden foi lançado primeiro. No entanto o Bayern foi o primeiro a entrar ao serviço.
Informação genérica:
Colocar como membros da mesma família os dois couraçados da classe Bayern e os dois couraçados da classe Bismarck pode parecer estranho, mas faz sentido quando analisamos o que aconteceu às marinhas do mundo no período que se seguiu à primeira guerra. Ao contrário das potências vencedoras, a Alemanha foi proibida de desenvolver os seus próprios projectos e acabou ficando relativamente atrasada quando em comparação com os seus rivais, que tiveram a possibilidade de fazer várias experiências, tendo em consideração as novas realidades da guerra no mar.

Os Bayern foram os únicos navios alemães armados com canhões de 380mm durante a primeira guerra mundial, embora o calibre provavelmente se tornasse comum nos navios alemães, se a guerra não tivesse chegado ao fim, com a Alemanha forçada a entregar toda a sua marinha aos aliados.

Embora poderosos, os navios estiveram ao serviço durante muito pouco tempo e a marinha alemã não teve tempo para retirar lições sobre as virtudes e defeitos da configuração.
Quando Hitler chega ao poder e inicia um programa acelerado de construção naval, os alemães partem do único projecto que têm, que se compara com os navios mais poderosos na altura, o projecto dos dois Bayern que tinham sido concebidos ainda durante a I guerra mundial.

O Bismarck
O resultado, é que o Bismarck é um navio muito bem protegido contra fogo lateral, mas com uma protecção vertical que embora poderosa, era inferior à de alguns navios contemporâneos. Juntando a isto, e resultado da influência do projecto dos dois Bayern, quer o Bismarck quer o seu irmão Tirpitz, embora muito bem construídos tinham o convés blindado muito baixo, pelo que grande parte dos sistemas e sensores estavam colocados acima dessa área blindada e e eram muito pouco protegidos.

Esses sistemas e sensores pura e simplesmente não existiam vinte anos antes, e precisavam ser colocados em algum lugar. A solução foi coloca-los em áreas pouco protegidas, o que se revelou fatal.

Para os Bismarck, os alemães chegaram a considerar vários tipos de propulsão, mas por uma questão de segurança e tempo, optaram pelo sistema já conhecido e testado das turbinas de alta pressão, que podiam dar ao navio uma velocidade de ponta bastante elevada.

Os planos alemães para grandes e poderosos navios couraçados não se restringiam porém aos navios da classe Bismarck.
Os Bismarck não eram dos navios mais modernos do seu tempo, tendo sido em grande medida pensados com base em projetos alemães do periodo da I guerra mundial.

A classe seguinte, deveria aproveitar os ensinamentos que pudessem ser recolhidos com a classe Bismarck e seria muito mais poderosa.

Classe Hindenburg



Os couraçados da classe Hindenburg deveriam complentar os Bismarck e a sua construção deveria começar depois dos Bismarck serem lançados.

No entanto, todo o desenvolvimento foi cancelado em 1939 com o inicio do conflito, dado ser óbvio que os navios não poderiam estar concluidos em tempo útil.

Os Hindenburg seriam o contraponto aos couraçados britânicos da classe Lion.

O deslocamento dos navios seria de 55,453t base, atingindo as 62,497 em carga máxima.
Como os Bismarck, os Hindenburg teriam três eixos e os motores teriam uma potência máxima de 165,000cv, que deveriam permitir atingir os 30 nós.

Com um cinturão de 300mm de espessura e 387mm nas torres o Hindenburg seria mais blindado que o Bismarck que tinha um cinturão de 320mm e uma blindagem de 360mm nas torres.
No entanto a principal diferença entre os dois navios estaria no armamento principal, que seria constituido por oito peças de artilharia de 406mm.
O navio deveria ter uma guarnição de 2600 homens.

Análises recentes no entanto, afirmam que os Hindenburg sofriam dos mesmos problemas do Bismarck e das mesmas falhas de construção.
Ao insistir nas torres duplas, os alemães colocariam apenas oito canhões nos navios, contra nove canhões nos seus equivalentes britânicos, os Lion.


   
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