Navios deste tipo:

Alfa
Submarino nuclear de ataque
Charlie
Submarino nuclear / mísseis de cruzeiro
Victor I / II
Submarino nuclear de ataque
Victor III
Submarino nuclear / mísseis de cruzeiro

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Submarino nuclear de ataque


União Soviética
Submarino nuclear de ataque classe
Alfa
(tipo Alfa / Charlie / Victor)
Alfa / Charlie / Victor

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 2300 Ton
Deslocamento máx. : 3200 Ton.
Tipo de propulsão: Reactor nuclear
Comprimento: 81.4 M - Largura: 9.5M
Calado: 7.6 M.
Profundidade: 350 M
Numero de tubos: 6
2 x Reactor nuclear OK-550 (45000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 32 Autonomia: 99999Km a 30 nós - Nr. Eixos: 1 - Velocidade Máxima: 40 nós

Misseis
Sistema de lançamento N/DSS-N-16 «Stalion» / RPK-6/712 x Soviet State Factories SS-N-16 «Stalion» / RPK-6/7 (Anti-navio)


Forum de discussão

Os submarinos da classe «Alfa» são o resultado da análise feita na União Soviética no final dos anos 50, sobre as capacidades que se previam para as novas classes de submarinos ocidentais. Os navios foram designados como Project.705/Lira.
Os Alfa, foram em muitos aspectos revolucionários e pretendiam ser superiores aos submarinos ocidentais, aatingir velocidades mais elevadas e profundidades maiores.

Eles foram dos mais pequenos submarinos nucleares do mundo, com um deslocamento à superfície pouco superior a 2000 toneladas, tendo (à superficie) um deslocamento inferior aos submarinos nucleres franceses do tipo «Rubis».

Os primeiros navios do tipo foram aprovados no inicio dos anos 60, mas o desenvolvimento demorou bastante tempo.

Um novo tipo de reactor nuclear de pequenas dimensões e arrefecimento a metal líquido, foi desenvolvido, mas mesmo assim as suas dimensões eram grandes para o submarino.
A solução foi criar uma configuração muito compacta, de tal forma que a instalação nuclear era pura e simplesmente inacessível quando o submarino estava na água.
Este problema - reduzia a autonomia do navio. Mesmo que o reactor nuclear tivesse uma avaria, tornava-se necessário voltar à base.
A pequena dimensão do submarino também mostrou ser um problema, pois um submarino maior poderia absorver parte da vibração do sistema motriz.

O problema mais grave dos Alfa no entanto, foi o sistema de arrefecimento do reactor nuclear. Os russos desenharam um reactor que utilizava urânio enriquecido a 90% (normalmente outros submarinos utilizam urânio enriquecido a 10% - 15%). Isto permitiu extrair grande potência do reactor, mas o calor produzido levou à utilização de um igualmente potente sistema de arrefecimento.
Porém, quando o reactor era desligado, o sistema de refrigeração era tão potênte que podia ocorrer o congelamento de todo o sistema de arrefecimento. Este problema levou a que o primeiro dos navios fosse rapidamente retirado de serviço.

Outra característica dos Alfa, era a utilização de um casco de Titânio, que foi aliás utilizado em vários modelos de submarinos soviéticos. Este casco permitia ao submarino operar a profundidades muito elevadas.

Os submarinos deste tipo foram utilizados como interceptores.
Esta característica era potênciada pelo bom coeficiente hidrodinâmico aliado à potência do reactor. Alegadamente a velocidade máxima dos Alfa, poderia atingir os 40 a 41 nós, o que transforma estes submarinos nos mais rápidos submarinos construidos.

Eles ficariam nas suas bases e seriam enviados contra potênciais alvos inimigos, aproveitando a sua elevada velocidade, voltando posteriormente às suas bases. Este tipo de doutrina era especialmente adequado para a operação na esquadra do Mar do Norte.

A divulgação inicial das supostas capacidades destes submarinos provocou alguns calafrios aos comandantes dos países da NATO e especialmente à marinha norte-americana. Inicialmente foram divulgados valores exagerados sobre a capacidade de imersão do submarino, chegando a haver informações que implicavam que ele poderia atingir os 700m de profundidade, ou mesmo mais.
Fontes russas confirmaram já nos anos 90 que o submarino podia navegar sem dificuldade a 350m de profundidade, pode atintingir uma profundidade de 400m e o valor de «profundidade de esmagamento» é de 700m, enquanto que fontes no mesmo país garantem que o submarino podia navegar a até 320m e tinha uma profundidade de esmagamento avaliada em 400m.

Outro do problema dos norte-americanos era a alta velocidade dos Alfa, numa altura em que os submarinos ocidentais tendiam para ser mais lentos. O resultado era que os submarinos americanos poderiam facilmente detectar o submarino soviético, mas sem uma clara vantagem de velocidade, não os poderiam interceptar.
Ainda que mais tarde se tenha provado que os Alfa não tinham as capacidades que lhes foram atribuidas, são esses dados e receios por parte das marinhas da NATO e especialmente da marinha dos Estados Unidos que levaram ao desenvolvimento no ocidente de torpedos mais sofisticados e de longo alcance, como é o caso do Mk.48-ADCAP, o Mk.50 e o Spearfish.

Fontes russas confirmaram já nos anos 90 que o submarino podia navegar sem dificuldade a 350m de profundidade, pode atintingir uma profundidade de 400m e o valor de «profundidade de esmagamento» é de 700m.


Problemas
A configuração pouco convencional dos Alfa, levou a que o primeiro navio fosse retirado de serviço apenas três anos após ter sido entregue à marinha soviética.
O projecto na sua totalidade não foi considerado satisfatório.

Provavelmente a razão principal que levou os soviéticos a não prosseguir com a construção de navios do tipo foi o elevado nível de ruido produzido pelos dois reactores e pelo sistema de propulsão.
Na água o ruido propaga-se a distâncias enormes e um Alfa podia ser detectado a centenas de milhas de distância.


Os Alfa serviram acima de tudo para estudar soluções para submarinos de maiores dimensões. A maioria dos navios teve uma vida útil inferior a 10 anos e foram retirados de serviço ainda durante a era Gorbachev, antes do fim da União Soviética, por causa da sua caríssima manutenção.
Um dos navios, o K-123, foi objecto de um longo periodo de reparações que tinha acabado na altura da implosão da União Soviética. Por isso ele passou para o serviço da marinha da Rússia até ser retirado em 1996.

Até 2002 todos os sete cascos estavam por desmantelar e em três deles o combustível atómico ainda não tinha sido retirado. Foi necessário auxilio financeiro de países da NATO, nomeadamente da Noruega, preocupada com a presença dos cascos radioactivos nas proximidades das suas fronteiras para resolver o problema da remoção do combustível.
Informação genérica:
Os submarinos dos tipos Alfa, Charlie e Victor sendo diferentes, estão todos relacionados entre si, e a sua construção é resultado das influência inovadora do almirante Sergei Gorshkov na marinha da União Soviética.

Podemos identificar dentro desta «familia» de navios os seguintes modelos:

Alfa - Submarino de ataque de pequenas dimensões e casco simples.

Victor / Projecto 671 - Submarino de ataque lançado no final dos anos 60. (A classe Victor-I tem capacidade para disparar torpedos, a Victor-II pode lançar mísseis anti-navio)

Victor-III - Série de submarinos de ataque com melhor isolamento e características que o tornavam mais dificil de detectar. Este modelo também recebeu capacidade para transportar mísseis de cruzeiro, além dos mísseis anti-navio e dos torpedos.

Charlie / Projecto 670 - Classe complementar de submarinos soviéticos, destinados à produção em série e em grande número, com várias características simplificadas.
Complementado com o 670M, conhecido como Charlie-II


   
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