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Fragata


Portugal
Fragata classe
D. Fernando II e Glória

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 1500 Ton
Deslocamento máx. : 1849 Ton.
Tipo de propulsão: Aparelho vélico
Comprimento: 86.75 M - Largura: 12.8M
Calado: 6.4 M.
Tripulação / Guarnição: 145 Autonomia: 999Km a 0 nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 8 nós

Canhões / armamento principal
20 x Varios Caronada (18 libras) (Calibre: 134mm/Alcance: 0.915Km)
24 x Royal Ordnance Factories Canhão 12 libras (1800) (Calibre: 117mm/Alcance: 1.7Km)


Forum de discussão

A fragata D. Fernando II [1] foi o último grande navio construido em estaleiros da India para a marinha portuguesa. Essa tinha sido uma tradição de séculos, pois a qualidade da madeira da região de Nagar-Haveli e a qualidade dos artífices era reconhecida desde o século XVI.
O navio foi por isso construido em madeira de Teca, tendo a construção propriamente dita tido inicio em 1832.

Essa construção foi no entanto muito lenta, também como resultado da instabilidade politica portuguesa e da guerra civil entre Miguelistas (conservadores) e Liberais.
O Estado da India era predominantemente a favor de D. Miguel que reinava quando o navio começou a ser construido. Mas dois anos depois do inicio da construção os Miguelistas foram derrotados e o Estado da India, estava do lado dos derrotados.

A fragata só será completada em 1843, tendo sido rebocada de Damão para os estaleiros de Goa, zarpando para Lisboa em 1845. O navio servirá como navio de guerra, armado com 50 peças de artilharia, e tinha capacidade para o transporte de até 650 pessoas, ainda que em condições muitíssimo dificeis e insalubres. Fez ligações entre a India, Moçambique, Angola e as ilhas atlânticas e naturalmente o continente português.

Efectuou operações militares, nomeadamente de transporte de tropas durante os anos de conflitos com tribos africanas, na década de 50 e 60 do século XIX, periodo após o qual deixou de efectuar a «carreira das Índias».

A chegada do vapor e o fim da era dos veleiros

Em meados do século XIX, ocorrem dois fatos determinantes para o futuro deste tipo de navios.

Em termos militares, a batalha de Sinope em 1853 durante a guerra da Crimeia, demonstrou que os navios de madeira tinham deixado de ser eficientes em combate naval. Por outro lado com o inicio da era dos navios a vapor (inicialmente com navios hibridos, que utilizavam máquinas a vapor e aparelho vélico), a fragata D. Fernando tornou-se demasiado lenta. O navio estava portanto obsoleto, para a função que lhe tinha sido inicialmente destinada.

Por causa destas modificações, o navio, que estava armado com até 44 peças de artilharia [4] até 1854, viu esse número ser reduzido para apenas 10 peças no ano seguinte.
Entre 1868 e 1890 ele esteve armado com diferentes configurações.

O navio continuou ao serviço até 1889, altura em que foi convertido em navio de treino de artilharia, função que manteve desde 1889 até 1938. Entre outras armas, esteve equipado com peças francesas de 75mm e pelo menos uma peça alemã da Krupp, de calibre 152mm.
Entre 1938 e 1940 o navio desempenhou funções cerimoniais até à Exposição do Mundo Português.

Depois de 1940 o navio serviu como abrigo para crianças, numa obra social que apoiava crianças abandonadas e as treinava para serviço na marinha.
É nessa função que se encontra o navio em 1963, altura em que foi atingido por um violento incêndio em pleno estuário do Tejo [2].
O navio adernou e encalhou em águas rasas no «Mar da Palha» onde ficou durante vários anos. Foi feita uma tentativa para recuperar o navio nos anos 70, mas sem sucesso. O navio, ou o que restava dele chegou a ser dado como perdido, até que surgiu a ideia de o recuperar como simbolo da Exposição Mundial de 1998 (Expo-98).

Recuperação

A recuperação e reconstrução da fragata D. Fernando II foi um feito de engenharia e de uma qualidade técnica considerável, pois o navio encontrava-se num estado deploravel, parte dele apodrecido, por ter estado semi-afundado durante vários anos. Em grande medida nem se pode falar em recuperação, dado essencialmente se ter tratado de uma reconstrução.

Os restos do navio foram retirados do estuário do Tejo no inicio dos anos 90 e transportados numa doca flutuante para os estaleiros Ria-marine em Aveiro, onde se procedeu à sua reparação e reconstrução, que teve um custo de cerca de 8 milhões de Euros a preços de 1997.

O navio foi posteriormente rebocado para o estuario do Tejo, onde foi aparelhado, recebendo mastros e restantes aprestos nos estaleiros do Alfeite. Como a reconstrução seguiu a traça original, o navio não possui qualquer motor, tendo por isso que ser rebocado.

Na imagem acima, pode-se ver a D. Fernando II após a primeira fase da sua reconstrução, ao flutuar pela primeira vez após mais de 30 anos.



Na imagem, uma caronada de 18 libras. 20 destas peças estavam na coberta. Esta arma tinha um alcance reduzido e só era útil para combates a curta distância. As caronadas, como os canhões foram fundidos para a exposição na Expo-98.
Reincorporação na marinha portuguesa



Em 28 de Abril de 1998, após a reconstrução, o navio foi reincorporado na marinha de guerra portuguesa como Unidade Auxiliar, recebendo o numero «UAM 203».

A fragata D. Fernando II foi um dos mais conhecidos (e reconhecidos) simbolos da Exposição Mundial de Lisboa de 1998, onde foi visitada por 1,300,000 pessoas.[3]
O navio pertence à marinha portuguesa e é um dos mais antigos navios de guerra do mundo técnicamente no activo, ainda que servindo como navio-museu.

Após o sucesso da Expo-98 o navio cessou a sua actividade como «museu» e foi-se degradando. Tratando-se de um navio em madeira, reconstruido em Portugal, a qualidade da madeira utilizada não é a mesma que o navio original (Construido em estaleiros na Índia) tinha, pelo que a sua degradação é mais rápida.
Para a reconstrução foi utilizada a madeira de Teca original que ainda estava em estado aceitável e onde a madeira original tinha desaparecido, foi utilizada madeira de Iroko, que também é chamada de «Teca africana», ainda que nada tenha a ver com aquela madeira exótica que se encontra na Índia, a qual foi utilizada para revestimento do forro, forro interior e pavimentos.
A madeira de Iroko é menos resistente que a de Teca, embora também seja adequada para a construção de navios.
Além de Iroko (também chamado de Cambala) foi utilizada madeira de Carvalho e de Pinho.

10 anos após a Expo-98, voltou a ser necessário considerar a recuperação do casco do navio, que tem mazelas naturais num navio de madeira com 10 anos. Os custos de manutenção de um navio com estas características são cada vez mais altos, pois a mão de obra especializada em trabalhos de madeira é cada vez mais escassa.
A manutenção do navio implica a continuada necessidade de reparos.

A fragata D. Fernando II e Glória, encontra-se na margem sul do Tejo, em Cacilhas-Almada, e está aberta ao público.

A fragata D. Fernando II e Glória em Cacilhas-Almada na margem sul do Tejo. O local onde o navio permanece tem sido alvo de várias críticas, não sendo considerado dos mais adequados.

Pintura da fragata D. Fernando II e Glória em Lisboa, provavelmente por volta dos anos 60 do século XIX, antes das modificações a que o navio foi submetido.



[1]- A expressão «e Glória» é acrescentada ao nome do navio e está relacionada com a devoção dos cristãos da India portuguesa a N. Sra. Da Glória. Outra versão diz que a intenção dos goeses era a de cair nas boas graças da rainha D. Maria II (D. Maria da Gloria).
[2] - Na altura o navio era utilizado como instalação correccional para jovens. Rezam os rumores, que foram os próprios, que não gostando das condições a bordo, pegaram fogo ao navio.
[3] - Estima-se que ocorreram 1,300,000 visitas, num total de 900,000 pessoas
[4] - A fragata estava armada normalmente com 44 peças, sendo 24 canhões e 20 caronadas de 18 libras (peso de 406kg). Os canhões eram alegadamente de 12 libras, com 22 na «bateria» e mais dois à proa no convés.
Depois de 1854, foram mantidas apenas 10 canhões. Quando o navio passou a operar como navio-escola foram colocadas armas mais modernas e ainda mais diversas quando o navio operou como plataforma de treino de tiro.



Nota adicional: A fragata D. Fernando II foi modificada em 1889, quando foi transformada em navio de treino para artilheiros. Nessa altura foram-lhe colocados mastros inteiriços, que podem ser vistos na fotografia de topo, tirada durante a exposição do mundo português de 1940, último ano em que o navio serviu como plataforma de artilharia.
Quando o navio foi reconstruido, foi-lhe colocada uma mastreação igual à original.
Informação genérica:


   
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