Navios deste tipo:

Bayern
Couraçado «Super-Dreadnought»
Bismarck
Couraçado rápido

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Couraçado rápido

Acontecimentos relacionados
Operação Rheinubung
Afundamento do Tirpitz



III Reich / Alemanha
Couraçado rápido classe
Bismarck
(tipo Bayern / Bismarck)
Bayern / Bismarck

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 43586 Ton
Deslocamento máx. : 53441 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 251 M - Largura: 36M
Calado: 10.6 M.
12 x Caldeiras de alta pressão Wagner Deschimag ()
3 x Turbinas acopladas Brown Boveri (150000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 2608 Autonomia: 17000Km a 16 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 29 nós

Canhões / armamento principal
8 x Krupp 380mm/52 SK C/34 - Ger.Mod.1936 (Calibre: 380mm/Alcance: 36.52Km)
12 x Krupp 150mm SK C/28 - Ger.Mod.1934 (Calibre: 150mm/Alcance: 23Km)
16 x Krupp 105mm SK C/33 - Ger.Mod.1933 (Calibre: 105mm/Alcance: 17.7Km)

Aeronaves embarcadas
- 4 x Arado Ar-196A-3


Forum de discussão

O Bismarck é o mais conhecido dos navios alemães da II Guerra Mundial.
A construção do Bismarck, fazia parte do plano de construções navais da Alemanha, que se destinava a pelo menos fazer frente à Royal Navy.

Como haviam sido negociados limites ao deslocamento dos navios alemães, limites esse que tinham nomeadamente sido negociados com a Grã Bretanha, o Bismarck oficialmente foi referido como um navio com deslocamento na casa das 35.000 toneladas.

Na verdade porém, esse limite tinha sido secretamente ultrapassado e segundo várias fontes, com o reconhecimento tácito dos britânicos, que apenas pretendiam evitar criar problemas com os alemães.

Na realidade os navios da classe ultrapassavam as 53.000 toneladas e eram por isso muito mais pesados que quaisquer outros navios europeus da altura.
Os seus equivalentes britânicos eram os couraçados da classe King George V, com um deslocamento máximo na ordem das 43.000t.
Ainda assim, com 10 canhões modernos de 356mm os King George V, tinham um alcance superior ao dos navios alemães.
Os Franceses lançaram quatro couraçados da classe Richelieu, com deslocamento similar e oito peças de 380mm mas a sua construção estava atrasada e foi interrompida com a invasão alemã.

Na verdade, embora especialmente na Grã Bretanha a capacidade do couraçado Bismarck tenha sido realçada, para dar mais importância à sua destruição, as reais qualidades do navio não eram tão grandiosas quanto os britânicos fizeram parecer.

Vários problemas se depararam perante os engenheiros navais alemães aquando do desenvolvimento do Bismarck, nomeadamente o fato de durante mais de uma década a Alemanha não ter desenvolvido navios couraçados, tendo por isso ficado relativamente para trás.

Quando foi decidido construir estes navios a solução mais simples foi partir do projeto do último super-couraçado alemão da I Guerra Mundial, a classe Bayern e desenvolver e melhorar o conceito, incluindo armamento mais poderoso, novos e mais poderosos motores, e naturalmente novos e modernos sistemas de controlo de tiro.

Como resultado, o Bismarck estava poderosamente armado e era considerado por muitos o mais poderoso navio de guerra do mundo no inicio dos anos 40.
Quando foi lançado à água, apenas havia um couraçado moderno na marinha real britânica e outro no estaleiro, em estado avançado de construção apressada.
Tal era o receio que a frota britânica tinha deste navio que desenvolveu todos os esforços para o afundar na sua viagem inaugural.

Quando iniciou a sua primeira e única missão, acompanhado do cruzador pesado Prinz Eugen, o Bismarck foi alvo da atenção de toda a marinha real britânica.

Perseguido por cruzadores e aviões, o Bismarck afundou num rápido recontro o cruzador de batalha Hood e colocou fora de ação o Prince of Wales, o segundo navio da classe King George V, que foi para o mar às pressas ainda com pessoal do estaleiro a bordo.

No entanto, operando numa área onde se encontrava um porta-aviões britânico o Bismarck foi atingido por um torpedo que embora não o afundasse, provocou danos no leme, impedindo que o couraçado alemão se dirigisse para França onde ficaria protegido pela aviação alemã.

Após ter sido imobilizado o Bismarck mostrou ser extremamente dificil de afundar, mas relativamente fácil de colocar fora de acção, por fogo cerrado a grande distância.

Como o projeto do Bismarck tinha a sua origem em navios da I guerra mundial, a principal proteção blindada estava a um nivel muito baixo, o que forçou os projetistas a colocar os sistemas eletronicos de controlo de tiro numa posição elevada e não protegida.
Quando o Bismarck sofreu os primeiros impactos de disparos dos canhões do velho couraçado HMS Rodney ele perdeu os sistemas directores de tiro que não estavam protegidos.

Cego a partir daí, o Bismarck limitou-se a disparar os seus canhões contra os navios que o cercavam, mas sem grande possibilidade de acertar.

Até ao dia de hoje, continuam a existir dúvidas sobre se o navio foi realmente afundado pelos torpedos disparados pelos contra-torpedeiros britânicos ou se terá ido ao fundo porque os alemães abriram as válvulas no casco que permitiram o afundamento.

Tirpitz

O segundo navio do tipo, teve uma vida operacional muito mais calma. Ele serviu no mar Báltico, onde se esperava a possibilidade de uma ação por parte da esquadra soviética em Leningrado. Quando os navios soviéticos foram colocados fora de ação o Tirpitz foi enviado para o mar do Norte, onde concentrou as atenções da Royal Navy, que manteve vários navios na esquadra por causa da ameaça.

Em Setembro de 1943 o Tirpitz bombardeou a base aliada na ilha de Spitzbergen, quando foi destruida a estação metereologica que ali estava instalada.
O navio foi atingido por um mini submarino em 1944 e em Novembro desse ano atingido por duas bombas Tallboy, que levaram a que o navio se voltasse, não se chegando a afundar por estar em águas rasas.


Informação genérica:
Colocar como membros da mesma família os dois couraçados da classe Bayern e os dois couraçados da classe Bismarck pode parecer estranho, mas faz sentido quando analisamos o que aconteceu às marinhas do mundo no período que se seguiu à primeira guerra. Ao contrário das potências vencedoras, a Alemanha foi proibida de desenvolver os seus próprios projectos e acabou ficando relativamente atrasada quando em comparação com os seus rivais, que tiveram a possibilidade de fazer várias experiências, tendo em consideração as novas realidades da guerra no mar.

Os Bayern foram os únicos navios alemães armados com canhões de 380mm durante a primeira guerra mundial, embora o calibre provavelmente se tornasse comum nos navios alemães, se a guerra não tivesse chegado ao fim, com a Alemanha forçada a entregar toda a sua marinha aos aliados.

Embora poderosos, os navios estiveram ao serviço durante muito pouco tempo e a marinha alemã não teve tempo para retirar lições sobre as virtudes e defeitos da configuração.
Quando Hitler chega ao poder e inicia um programa acelerado de construção naval, os alemães partem do único projecto que têm, que se compara com os navios mais poderosos na altura, o projecto dos dois Bayern que tinham sido concebidos ainda durante a I guerra mundial.

O Bismarck
O resultado, é que o Bismarck é um navio muito bem protegido contra fogo lateral, mas com uma protecção vertical que embora poderosa, era inferior à de alguns navios contemporâneos. Juntando a isto, e resultado da influência do projecto dos dois Bayern, quer o Bismarck quer o seu irmão Tirpitz, embora muito bem construídos tinham o convés blindado muito baixo, pelo que grande parte dos sistemas e sensores estavam colocados acima dessa área blindada e e eram muito pouco protegidos.

Esses sistemas e sensores pura e simplesmente não existiam vinte anos antes, e precisavam ser colocados em algum lugar. A solução foi coloca-los em áreas pouco protegidas, o que se revelou fatal.

Para os Bismarck, os alemães chegaram a considerar vários tipos de propulsão, mas por uma questão de segurança e tempo, optaram pelo sistema já conhecido e testado das turbinas de alta pressão, que podiam dar ao navio uma velocidade de ponta bastante elevada.

Os planos alemães para grandes e poderosos navios couraçados não se restringiam porém aos navios da classe Bismarck.
Os Bismarck não eram dos navios mais modernos do seu tempo, tendo sido em grande medida pensados com base em projetos alemães do periodo da I guerra mundial.

A classe seguinte, deveria aproveitar os ensinamentos que pudessem ser recolhidos com a classe Bismarck e seria muito mais poderosa.

Classe Hindenburg



Os couraçados da classe Hindenburg deveriam complentar os Bismarck e a sua construção deveria começar depois dos Bismarck serem lançados.

No entanto, todo o desenvolvimento foi cancelado em 1939 com o inicio do conflito, dado ser óbvio que os navios não poderiam estar concluidos em tempo útil.

Os Hindenburg seriam o contraponto aos couraçados britânicos da classe Lion.

O deslocamento dos navios seria de 55,453t base, atingindo as 62,497 em carga máxima.
Como os Bismarck, os Hindenburg teriam três eixos e os motores teriam uma potência máxima de 165,000cv, que deveriam permitir atingir os 30 nós.

Com um cinturão de 300mm de espessura e 387mm nas torres o Hindenburg seria mais blindado que o Bismarck que tinha um cinturão de 320mm e uma blindagem de 360mm nas torres.
No entanto a principal diferença entre os dois navios estaria no armamento principal, que seria constituido por oito peças de artilharia de 406mm.
O navio deveria ter uma guarnição de 2600 homens.

Análises recentes no entanto, afirmam que os Hindenburg sofriam dos mesmos problemas do Bismarck e das mesmas falhas de construção.
Ao insistir nas torres duplas, os alemães colocariam apenas oito canhões nos navios, contra nove canhões nos seus equivalentes britânicos, os Lion.


   
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