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Couraçado «tipo Dreadnought»

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Espanha
Couraçado «tipo Dreadnought» classe
España

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 15452 Ton
Deslocamento máx. : 15700 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 140 M - Largura: 24M
Calado: 7.8 M.
12 x Caldeiras (carvão) Yarrow (0)
4 x Turbina a vapor Parsons (15500cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 850 Autonomia: 9000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 19.5 nós

Canhões / armamento principal
8 x Vickers Defence 305mm L/50 MkXI / XII M.1906 (Calibre: 305mm/Alcance: 19.4Km)


Forum de discussão

A construção dos couraçados da classe España, resultou do plano naval espanhol de 1908, que tinha como objectivo construir uma marinha equilibrada, para substituir os navios que tinham sobrevivido à guerra contra os Estados Unidos em 1898.

Após a batalha de Tsushima em 1905, que resultou na destruição da frota russa perante navios armados com equipamento inglês, fora decidido que os navios espanhóis deveriam seguir os conceitos britânicos.

Os três couraçados do tipo Dreadnought, estariam portanto armados com armamento de calibre tipicamente britânico, ou seja,com canhões de 12 polegadas (305mm). Técnicos de estaleiros britânicos ficariam responsáveis pelo desenvolvimento dos navios.

As restrições de orçamento levaram no entanto a que os navios tivessem dimensões e deslocamento relativamente reduzidos, quando comparados com os seus congeneres. O deslocamento destes navios ficou limitado a 16,000 toneladas, o que os transforma nos mais pequenos couraçados do tipo Dreadnought.

A sua classificação é colocada em causa por algumas fontes, que consideram que os navios pela sua fraca blindagem, deveriam ser considerados como cruzadores de batalha.
De facto, a configuração de coberta corrida e a colocação das torres todas ao mesmo nível, parece inspirada nos cruzadores de batalha britânicos. No entanto, a velocidade máxima dos navios (19,5 nós), não seria compativel com essa classificação e a sua blindagem de 8 polegadas também era superior à blindagem de 6 polegadas dos cruzadores de batalha.

Blindagem inferior e armamento moderno
A construção de um navio armado com quatro torres, cada uma delas com dois canhões de 305mm implicou sacrificios e o principal de todos foi a blindagem que ficou reduzida a um cinturão principal de oito polegadas (203mm), bastante menos que as 12 polegadas dos couraçados britânicos lançados na mesma altura, mas mais que as seis polegadas (152mm) da blindagem dos cruzadores de batalha.
As oito peças de 305mm eram modernas e aparentemente idênticas (e contemporâneas) às utilizadas pelos couraçados britânicos da classe St. Vincent. Foram os mais poderosos canhões de 305mm produzidos pelos britânicos.
No entanto, a potência do armamento tinha um inconveniente. O nível de desgaste, que afectou também os navios britânicos era considerado muito elevado, comprometendo a precisão dos disparos. A colocação das torres em plataformas terrestres reduziu o problema.

Dado a construção dos navios ter ocorrido nos estaleiros de Ferrol, mas com materiais britânicos, houve vários problemas e atrasos por causa do periodo da I guerra mundial. O primeiro navio, o España foi lançado em 1909 e entregue ainda em 1914, o segundo foi entregue em 1915 e o terceiro em 1917. No entanto neste último caso, apenas cinco dos oito canhões tinham sido entregues. O navio só ficou completo em 1919.

Uma peça de 305mm recuperada do couraçado España afundado na costa de Marrocos. A arma foi instalada em Cadiz.
A vida operacional dos navios foi turbulenta. O couraçado España, chegou a ser enviado a Portugal em Maio de 1915, na sequência do sangrento golpe de estado levado a cabo pelos radicais portugueses. Na altura chegou a ser noticiado que o navio era a ponta de lança de uma invasão espanhola contra Portugal.

Logo em 1923 o primeiro dos navios o couraçado España, encalhou próximo à costa marroquina, durante operações relacionadas com as revoltas no Marrocos espanhol. Não foi possivel salva-lo, mas o seu armamento principal foi retirado e colocado em baterias de defesa costeira.

Alfonso XIII / España
Quando foi implantada a República em 1931, o couraçado Alfonso XIII foi rebaptizado España e quando a guerra civil começou, o navio estava no porto de Ferrol, com tripulação reduzida.
Após recontros com unidades rebeldes nacionalistas de Francisco Franco, que possuiam artilharia com a qual ameaçaram bombardear o navio, este foi entregue às milícias franquistas.
O España, foi um dos principais troféus dos rebeldes nacionalistas , pois a maioria das unidades da marinha espanhola tinha continuado ao lado do governo legítimo.
Logo em Agosto de 1936, o navio foi utilizado contra o enclave da República que se formou no norte de Espanha, bombardeando portos e participando nos bloqueios contra as cidades de San Sebastian, Bilbao e Santander.

O afundamento do couraçado España, ex Alfonso XIII na costa norte de Espanha em Abril de 1937.
A República tentou afunda-lo utilizando submarinos e colocando minas. Finalmente em Abril de 1937, ao tentar impedir o avanço de um navio britânico para um porto republicana o España manobrou mal, e embateu numa mina. O navio rebelde foi ainda atacado pela aviação espanhola com base em terra e afundou-se três horas depois da primeira explosão.

Jaime I
Já o couraçado Jaime I, foi o último a ser terminado e participou em operações militares na costa marroquina.
Quando em 1936 começou a guerra civil de Espanha o navio estava em Santander, no norte de Espanha, mas como estava ao serviço, ele foi de imediato utilizado para atacar alvos rebeldes.

Entre meados de Julho e Agosto de 1936 ele foi enviado para o sul, onde foi utilizado para bombardear as posições dos rebeldes franquistas apoiados pela Alemanha Nazi. A aviação nazista logrou atingir o navio com uma bomba em 13 de Agosto de 1936, mas sem danos de maior.

O navio voltou a ser enviado por algumas semanas para o norte, onde o couraçado España (do lado rebelde) ameaçava a navegação, mas os resultados da campanha foram mínimos e o navio recebeu ordem para voltar para o Mediterrâneo, participando ainda em 1936 em operações militares costeiras.
Em 15 de Abril de 1937 o navio encalhou e teve que refugiar-se em Almeria antes de ser rebocado para reparações em Cartagena. Enquanto estava em reparações foi atacado pela aviação nazista. O navio não se afundou, mas em Junho de 1937 uma explosão interna de origem não determinada provocou danos irreparáveis. O navio afundou-se em águas rasas.
Seria removido em 1941 e parte do seu armamento principal seria utilzada como baterias terrestres.


Ainda durante o periodo da I guerra mundial a Espanha teve planos para construir outra classe de navios couraçados (Victoria Eugenia), armados com oito canhões de 13,5 polegadas (343mm). O projecto foi no entanto cancelado após o final da guerra.
Informação genérica:


   
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