Navios deste tipo:

Dreadnought
Couraçado «tipo Dreadnought»
Minas Geraes
Couraçado «tipo Dreadnought»
Neptune / Colossus
Couraçado «tipo Dreadnought»
Bellerophon
Couraçado «tipo Dreadnought»
St. Vincent
Couraçado «tipo Dreadnought»

Listar navios do tipo
Couraçado «tipo Dreadnought»


Reino Unido
Couraçado «tipo Dreadnought» classe
Neptune / Colossus
(tipo Dreadnought)
Dreadnought

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 20225 Ton
Deslocamento máx. : 23050 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 166.4 M - Largura: 25.9M
Calado: 8.8 M.
18 x Caldeiras (carvão) Babcock & Wilcox (0)
4 x Turbina a vapor Parsons (25000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 755 Autonomia: 12000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 21 nós

Canhões / armamento principal
10 x Vickers Defence 305mm L/50 MkXI / XII M.1906 (Calibre: 305mm/Alcance: 19.4Km)
16 x Vickers Defence 102mm L/50 (BL) Mark VII (Calibre: 102mm/Alcance: 10.6Km)


Forum de discussão

O couraçado Neptune e os dois quase gémeos Colossus e Hercules podem ser considerados como uma classe experimental, pois serviram para testar novos conceitos quanto à disposição do armamento principal dos couraçados britânicos.

Se era verdade que os Dreadnought eram navios poderosos com o seu armamento principal de canhões de um só calibre, os britânicos também se tinham apercebido da desvantagem que constituía ter dois dos dez canhões impossibilitados de disparar ao mesmo tempo.

A marinha dos Estados Unidos já tinha demonstrado as vantagens de navios com todas as torres numa posição central e essa configuração tinha sido adoptada pela Argentina, quando os militares daquele país fizeram uma comparação entre projectos europeus e americanos.
Para tentar fazer todos os canhões disparar ao mesmo tempo, os britânicos surgiram com uma solução que podia funcionar, mas que se considerava estar longe do ideal.

Basicamente, desenharam um navio em grande medida idêntico ao Dreadnought e seus derivados, com a diferença de as torres laterais serem escalonadas.
Esta configuração permitia à segunda e terceira torres (que estavam colocadas nos bordos) disparar por cima da coberta do próprio navio, permitindo (ainda que num reduzido ângulo), disparar todos os dez canhões ao mesmo tempo. O disparo dava-se por cima da coberta e por debaixo dos suportes em ponte que alojavam as embarcações salva-vidas.

A solução demonstrou não ser boa, porque os estragos provocados ao próprio navio pelo disparo dos canhões eram inaceitáveis.
Na verdade, mesmos as duas torres sobrepostas X e Y (as duas torres à popa) mostraram problemas, pois quando a torre superior disparava, provocava problemas à torre inferior, danificando o sistema de pontaria.

Esta classe de navios é muitas vezes considerada separadamente, porque os dois navios que se seguiram ao Neptune tinham diferenças pontuais e foram resultado da pressão da opinião pública para que fossem construídos mais oito couraçados. Os outros seis navios de outro tipo foram igualmente construídos.
As carreiras dos navios deste tipo não tiveram grandes peripécias. O Neptune foi o primeiro dos navios a ser entregue. Em Maio de 1911 foi colocado no comando da «Home Fleet» e em Maio do ano seguinte juntou-se ao primeiro esquadrão, onde estava em 1914 quando começou a guerra. O navio esteve envolvido numa colisão com um navio mercante de que não resultaram danos especiais e participou em 1916 na batalha de Jutlandia, não sofrendo danos. Passou à reserva logo em 1919.

O Colossus foi entregue em Agosto de 1911 e serviu na II Divisão da esquadra metropolitana. Foi navio almirante do primeiro esquadrão de batalha em 1914. Em 1916 participou na batalha de Jutlandia e foi o único navio almirante britânico a ser atingido pelos tiros de navios alemães. O navio foi posteriormente reparado juntou-se ao quarto esquadrão de couraçados mas não participou em mais recontros.
Entre 1919 e 1920 serviu como navio de treino para cadetes mas foi retirado de serviço nesse mesmo ano, sendo vendido em 1928.

O Hércules teve uma existência ainda mais curta. Ele foi entregue à marinha em Julgo de 1911, sendo colocado como navio almirante da II divisão da esquadra metropolitana. O navio ficou danificado após uma colisão em 22 de Março de 1913 e após rápidas reparações juntou-se ao primeiro esquadrão.
Em Agosto de 1914 juntou-se à «Grand Fleet» e participou na batalha de Jutlandia integrado na VI divisão. Foi navio almirante do IV esquadrão entre 1916 e 1918.
O navio transportou uma comissão aliada até Kiel, quando a Alemanha anunciou o armistício que levaria à assinatura da Paz.
O navio foi retirado de serviço em 1919 e foi vendido para sucata em 1921.



No esquema da disposição dos canhões destes navios, pode ver-se a posição que assumiam as peças laterais, para permitir uma «bordada».
Na foto o couraçado Colossus: Notar a torre lateral de estibordo com os canhões voltados para a proa. Com uma rotação de 270 graus, era possível disparar para bombordo.

Informação genérica:
Embora o nome «HMS Dreadnought» seja apenas o nome de um navio da Royal Navy, o primeiro couraçado deste tipo foi de tal forma revolucionário, que «Dreadnought» passou a designar não só o navio, como a classe de navios idênticos que lhe seguiu, e foi utilizada até para designar todas as classes de navios tanto da Grã Bretanha quanto de outros países que seguiam as mesmas regras básicas de configuração.

Até ao lançamento do HMS Dreadnought era corrente a existência de múltiplos calibres de canhões com função anti-navio.

O HMS Dreadnought, lançado em 1905, alterou radicalmente essa aproximação ao problema da artilharia embarcada, incorporando dez canhões de 305mm, e excluindo o até ali tradicional armamento secundário.
O impacto do novo navio foi de tal forma grande, que os outros navios construidos anteriormente se tornaram de um momento para o outro obsoletos, passando a ser referidos como pré-Dreadnought.

Influência italiana
Curiosamente, o conceito ou ideia inicial não vieram de um britânico, mas sim de um engenheiro naval italiano de nome Vittorio Cunimberti, que em 1903 tinha proposto a ideia de armar os couraçados com canhões de grande calibre, forçando os combates navais a ocorrer a distâncias muito maiores.

O objectivo era destruir os navios inimigos a uma distância tal, que tornasse inutil o lançamento de torpedos, que na altura eram vistos como a maior ameaça contra os navios couraçados.

A partir do aparecimento do HMS Dreadnought, o poder das marinhas do mundo passou a ser determinado e contado em termos de numero de navios do tipo Dreadnought que cada marinha possuia.

Os derivados e os originais

Conforme explicado acima, embora se apelidem de navios do tipo «Dreadnought» os couraçados com canhões principais de um só calibre e em maior numero, a classe e derivados directos é constituida pelas seguintes classes de navios:

Classe Dreadnought (o navio original)
Classe St. Vincent (Classe idêntica mas com ligeiras modificações)
Classe Bellerophon

Além destas classes da Royal Navy, foram construidos dois navios que se seguiram imediatamente à construção do próprio Dreadnought. Trata-se dos dois couraçados brasileiros da classe «Minas Geraes». Estas quatro classes de navios são por definição parte da mesma família de navios embora tenham sido construidos não para a Royal Navy mas sim para a marinha brasileira.


   
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