Navios deste tipo:

Leander (1933)
Cruzador ligeiro
Perth
Cruzador ligeiro
Delhi (1948)
Cruzador ligeiro

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Cruzador ligeiro


Australia
Cruzador ligeiro classe
Perth
(tipo Leander / Perth)
Leander / Perth

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 7105 Ton
Deslocamento máx. : 9150 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 159.1 M - Largura: 17.27M
Calado: 5.64 M.
4 x Turbinas acopladas Parsons (0)
4 x Caldeiras (oleo) Admiralty (72000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 645 Autonomia: 18000Km a 14 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 33 nós

Canhões / armamento principal
8 x Vickers Defence 152mm /50 MK.XXIII (UK) (Calibre: 152mm/Alcance: 23.3Km)
4 x Vickers Defence 102mm L/45 Mk.V - XV (UK) (Calibre: 102mm/Alcance: 14.95Km)


Forum de discussão

Os navios desta classe são também conhecidos como «Modified Leander» por se tratar de navios idênticos aos Leander mas com modificações internas radicais, ao nível dos motores.

O navio tinha o sistema de propulsão separado com dois conjuntos independentes de caldeiras e turbinas, um mais à proa e outro mais à ré.
Esta configuração deveria apresentar a vantagem de permitir ao navio continuar a navegar mesmo que um dos grupos propulsores estivesse inoperacional. O conjunto de motores da proa movia as duas hélices exteriores e o conjunto de motores à ré movia as duas hélices interiores.

Esta característica (específica destes navios), permite que eles sejam facilmente distinguidos dos seus meio-irmãos, porque a instalação dos dois grupos propulsores separados implicou a necessidade de uma segunda chaminé, enquanto que os Leander originais apenas têm uma.

O armamento secundário de 4 polegadas (101,6mm) não era do mesmo modelo em todos os navios, o que aliás foi comum em vários navios da marinha britânica e das marinhas associadas do Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

O afundamento do HMAS Sydney.
Um dos mistérios que durante muitos anos continuaram a fazer parte dos livros sobre história naval, foi o do desaparecimento em 1941 do cruzador ligeiro «Sydney» da marinha real australiana.

Em 19 de Novembro de 1941, ainda o Japão não tinha entrado na guerra, o cruzador australiano rumava a sul para a base de Fremantle (na região de Perth, na costa leste da Austália, portanto na costa do Oceano Índico) após uma missão de escolta nas próximidades de Batávia, nas índias orientais holandesas (Indonésia).
O navio tinha já percorrido 2,400km e aproximava-se da costa australiana, devendo percorrer outros 800km até chegar à base.
Porém, ao final da tarde o navio detectou a presença de fumo e dirigiu-se a um navio mercante que se afastava da costa australiana. O comandante decidiu investigar que navio era.
Tratava-se de um navio que navegava com bandeira da Holanda, país que tinha sido ocupado pela Alemanha, mas que mantinha o seu governo favorável aos aliados com capital em Batávia, actual Jakarta.

O cruzador aproximou-se do navio cargueiro, que entretanto emitiu uma mensagem em holandês, informando da aproximação de um navio desconhecido. Tratava-se de uma tentativa de enganar os australianos, mas não resultou. Quando o navio australiano comunicou directamente com o cargueiro, o comandante alemão, que já tinha previsto a possibilidade, mandou que os canhões ocultos a bordo do navio abrissem fogo contra o cruzador australiano.
Seguiu-se aquela que foi talvez a mais estranha batalha da II guerra mundial.

O Kormoran, era um navio de carga, que tinha sido equipado com seis canhões de 150mm, calibre idêntico ao dos oito canhões principais do navio australiano (152mm).

À partida o Kormoran não teria qualquer possibilidade perante um navio de guerra, mas o factor surpresa foi determinante. Na verdade o logro dos alemães tinha funcionado parcialmente. O fogo dos canhões do navio alemão foi certeiro. A primeira salva não atingiu o cruzador, mas a segunda foi devastadora e terá atingido a ponte de comando do cruzador australiano que ficou desgovernado.

A precisão de tiro dos canhões principais do cruzador também não parece ter sido das melhores. Depois o Kormoran disparou torpedos contra o Sydney, que provocaram ainda mais destruição. O navio australiano afastou-se em chamas, não sem antes ter desferido alguns tiros certeiros no Kormoran.

Tratando-se de um cargueiro, o Kormoran não tinha qualquer blindagem e não resistiu aos disparos. Um fogo foi declarado a bordo e o comandante mandou evacuar a tripulação. Os receios do comandante do navio alemão justificavam-se, pois o fogo acabou por atingir rapidamente os paiois onde se encontravam minas. O Kormoran foi completamente devastado pelas explosões e afundou-se.

Os alemães que se salvaram, foram feitos prisioneiros e afirmaram que o Sydney se tinha afastado em chamas, mas durante 67 anos nunca mais ninguém ouviu falar do cruzador australiano.

Em 17 de Março de 2008, todas as dúvidas foram finalmente esclarecidas, quando os destroços do HMAS Sidney foram finalmente encontrados. Além dos destroços do Sidney, a equipa de pesquisadores tinha encontrado também, os destroços do cargueiro armado alemão Kormorant, a 12 milhas marítimas de distância (cerca de 22km).

Várias teorias foram avançadas para a ocorrência, mas as análises aos destroços permitiram chegar a uma conclusão plausivel:
O comandante do Sydney, contou com as diferenças que caracterizavam aquela classe de navios, a existência de dois conjuntos de caldeiras/turbinas separados, que permitiam ao navio continuar a navegar mesmo que um dos conjuntos fosse destruído.
Parece ser o que aconteceu.

No entanto, o piorar das condições atmosféricas levou a que as ondas exercessem uma enorme pressão sobre a proa do navio, que tinha sido danificada com as explosões. A proa do Sydney foi completamente arrancada pelas ondas, e o navio afundou-se sem que houvesse tempo sequer de colocar os salva-vidas na água.
A tripulação terá aparentemente considerado que os incêndios estavam sob controle e que o navio poderia ser salvo, mas não foi feita nenhuma análise sobre a capacidade de resistência mecânica do cruzador, perante condições de mar que pioraram após o combate.


Notas:
O Hobarth foi retirado de serviço em 1962 e o Perth foi afundado pelos japoneses em 1 de Março de 1942.
Informação genérica:
Os navios da classe Leander, dividem-se normalmente em duas sub familias.

Os cinco Leander propriamente ditos são navios que serviram na Royal Navy Esta classe foi constituida por cinco navios.

Outros três navios, com características ligeiramente diferentes, que foram inicialmente baptizados como Apollo, o Amphion e o Phaeton, foram transferidos para a Austrália. Naquela força eles foram rebaptizados como Hobart, Perth e Sydney.
O primeiro navio da classe foi o Perth, pelo que foi atribuido a essa classe o nome do primeiro navio, embora eles também sejam conhecidos como «Leander modificados».

Um dos navios da classe, o HMS Achiles foi transferido em 1948 para a marinha da União Indiana, onde recebeu o nome de «Delhi».


   
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