Navios deste tipo:

Canarias
Cruzador pesado

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Cruzador pesado


Espanha
Cruzador pesado classe
Canarias
(tipo County)
County

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 10840 Ton
Deslocamento máx. : 13700 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 194 M - Largura: 20M
Calado: 6.53 M.
8 x Caldeiras (oleo) Yarrow (0)
2 x Turbinas acopladas Parsons (90000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 765 Autonomia: 15000Km a 15 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 33 nós

Canhões / armamento principal
8 x Vickers Defence 203mm L/50 MkVIII (UK) (Calibre: 203mm/Alcance: 28Km)


Forum de discussão

Durante a segunda e terceira década do século XX, o programa espanhol de construção naval, passou pela aquisição de alguns navios com base em desenhos britânicos.
Os dois cruzadores pesados da classe Canárias são exemplo dessa influência. Eles são na realidade uma derivação da classe County, navios concebidos na Grã Bretanha nos anos 20, para responder às exigências do tradado de Washington.

Três navios foram encomendados em 1926 e entre as principais diferenças relativamente à classe original britânica estava a inclusão de um sistema motriz ligeiramente mais potente, já que os projetistas optaram por manter as bossas laterais anti-torpedo.
A casa das máquinas também foi colocada num arranjo distinto, permitindo que todas as caldeiras utilizassem a mesma chaminé.

O armamento secundário dos navios também era distinto dos seus equivalentes britânicos, já que foram utilizados oito canhões de utilização múltipla de 119mm e mais doze de 40mm.

Participação na guerra civil espanhola
Os navios estavam ainda em aparelhamento e testes no porto de Ferrol quando começou a guerra civil, pelo que foram tomados pelos rebeldes nacionalistas que controlaram a cidade logo que se iniciou a revolta.

O Canárias foi o principal navio da esquadra franquista (e era o seu único cruzador pesado quando começou o conflito), tendo tido um papel crucial no combate contra a marinha da república, que estabeleceu um bloqueio naval para impedir as forças rebeldes de enviar reforços de tropas muçulmanas de África para a Peninsula.
O Canárias envolveu-se numa acção contra o contra-torpedeiro Ferrandiz da marinha republicana, afundando-o em 28 de Setembro de 1936. Também atingiu gravemente outro contra-torpedeiro republicano em Agosto de 1938.
Pode-se dizer que o afundamento daquele navio foi importante na medida em que condicionou as acções seguintes das duas marinhas em conflito.

Por causa da sua reduzida velocidade a importância dos dois couraçados espanhóis (cada um dos lados ficou com um) na guerra no mar foi reduzida. Isso transformou o Canarias e o seu irmão gémeo «Baleares» nos navios de guerra mais poderosamente armados do conflito. Eles juntavam a uma velocidade elevada, oito canhões de 203mm que podiam disparar a distâncias de até 23km, uma bordada de 928kg de projecteis.
Os cruzadores ligeiros republicanos podiam disparar uma bordada de 360kg.

O navio sobreviveu à guerra civil e durante a II guerra mundial permaneceu como navio almirante da esquadra espanhola, tendo mesmo participado em operações de salvamento de marinheiros alemães, após o afundamento do Bismarck.
O Canárias continuou ao serviço após o final da guerra e foi objeto de várias modernizações, que incluiram a montagem de radar.
O navio era já um dos mais antigos cruzadores pesados do mundo, quando foi retirado de serviço em 17 de Dezembro de 1975, sendo desmantelado em 1977.

O Baleares foi terminado à pressa e entregue às forças rebeldes franquistas em Dezembro de 1936. O navio tinha apenas três das suas quatro torres instaladas.
Aparentemente o navio ficou operacional com o apoio da marinha portuguesa que terá fornecido os directores de tiro em Setembro de 1936, retirados dos contra-torpedeiros da classe Guadiana.
A quarta torre só seria instalada em em Junho de 1937.

Embora o navio estivesse no estaleiro durante algum tempo para a instalação da torre em falta ele esteve envolvido em alguns recontros com forças republicanas durante o ano de 1937. Em Setembro foi atingido pelo fogo de contra-torpedeiros republicanos.
Em Março de 1938 durante um recontro nocturno em que o Canárias e o Baleares e envolveram com cruzadores ligeiros republicanos, os contra-torpedeiros efectuaram um ataque com torpedos tendo atingido o cruzador pesado Baleares, que se afundou durante a madrugada de 6 de Março de 1938.


Abaixo o cruzador Canarias após uma das suas modernizações.
Notar a inclusão de radar e a substituição da chaminé única (característica inicial do modelo) por duas chaminés de menores dimensões.
Informação genérica:
Lançados entre 1923 e 1924 os cruzadores pesados da classe County foram a resposta britânica aos projetos de outros países após o acordo de limitação de construções conhecido como «Tratado de Washington».

Os County, deveriam ter oito canhões de 8 polegadas e uma velocidade de 33 nós. Mas isto deixava muito pouco lugar para blindagem, pelo que os navios acabaram ficando com uma velocidade máxima menor, mas com uma blindagem ligeiramente superior.

Na globalidade o design destes navios não foi visto como muito bom. Com 190m de comprimento eles eram quase tão longos quanto os couraçados da classe Nelson, mas o seu poder de fogo era bastante menor e a sua manutenção cara.
Isto levou aliás à construção de uma classe alternativa de navios com seis canhões em vez de oito (cruzadores pesados da classe York).

Distinguem-se quatro variações dentro da classe County:

Classe Kent
Composta por sete navios (dois deles para a marinha da Australia)

Classe London
Constituida por quatro navios, com a remoção das características bossas de protecção contra torpedos que os tornou quase 1 nó mais rápidos. A falta da proteção foi substituida por uma placa interior adicional que em teoria teria o mesmo efeito.
Foram incluidos canhões anti-aéreos de 4 polegadas.

Classe Norfolk
Embora estivesse prevista a construção de quatro, apenas dois navios foram construidos por razões políticas e de economia em tempos de crise. As torres instaladas eram mais modernas. O armamento anti-aéreo também foi colocado numa posição diferente para facilitar a operação das aeronaves de reconhecimento.

Classe Canárias
A Espanha adquiriu uma licença de fabrico para navios deste tipo. A classe Canárias foi desenhada na Grã Bretanha segundo padrões britânicos embora os dois navios da classe tenham sido construidos em Espanha.
Embora fossem basicamente navios da classe County, os navios espanhois tinham uma aparencia exterior diferente por causa de no projeto feito para a Espanha as três chaminés terem sido juntas numa única e por causa da superestrutura de grandes dimensões.


   
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