Navios deste tipo:

Agincourt
Couraçado «tipo Dreadnought»

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Couraçado «tipo Dreadnought»


Reino Unido
Couraçado «tipo Dreadnought» classe
Agincourt
(tipo Agincourt)
Agincourt

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 27500 Ton
Deslocamento máx. : 30250 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 204.7 M - Largura: 27.1M
Calado: 8.2 M.
22 x Caldeiras (carvão) Babcock & Wilcox (0)
4 x Turbinas acopladas Parsons (34000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 1115 Autonomia: 8100Km a 10 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 22 nós

Canhões / armamento principal
14 x Armstrong 305mm/45 Mk.X / XIII - UK (Calibre: 305mm/Alcance: 19Km)


Forum de discussão

O HMS Agincourt, foi inicialmente construido para a marinha do Brasil e foi posteriormente vendido para a Turquia (ver informação abaixo), mas acabou sendo confiscado pelos britânicos para incorporação na Royal Navy.

Foi um dos três couraçados praticamente novos que foram confiscados pelos britânicos no inicio da I guerra mundial. Outro foi o HMS Erin, propositadamente construido para a Turquia e o HMS Canada, construido para o Chile e que acabaria sendo entregue após o conflito terminar.

O Agincourt (ex Rio de Janeiro) tinha sido projectado para enfrentar os dois couraçados argentinos (Rivadavia e Moreno) que estavam armados com canhões de 305mm.
Porém a sua blindagem era equivalente à do Minas Geraes, com um cinturão anti-torpedos com um máximo de 230mm de espessura que era considerado insuficiente para combate de primeira linha em 1914 (Os Iron Duke da Royal Navy tinham um cinturão lateral com 300mm).

Quando incorporaram o navio os britânicos efetuaram muitas modificações mas não podiam alterar a blindagem do navio, nem a configuração do seu armamento e sistemas relacionados que não eram compatíveis com os da marinha britânica.
Na Royal Navy, a fraca blindagem do navio sempre foi vista como o seu principal calcanhar de Aquiles.
O Agincourt era visto como um depósito de polvora flutuante cuja única vantagem era o tremendo poder de fogo dos seus 14 canhões.
Na verdade, chegaram a circular rumores de que o navio não poderia disparar todas as suas armas ao mesmo tempo e que se isso ocorresse o navio se poderia virar.

O rumor acabou por se provar incorreto. O Agincourt chegou a disparar todos os seus canhões e participou na batalha de Jutlandia em 1916.
Na verdade, o poder de fogo do Agincourt era tal, que da única vez que os seus canhões dispararam contra a frota alemã em Jutlândia, pensou-se que se tratava da explosão de um cruzador de batalha.

O navio foi relegado para posições de segunda linha e quando a guerra acabou ele foi imediatamente colocado na lista de navios a abater. Em 1921 ele chegou a voltar ao serviço durante um curto periodo de tempo, como navio experimental.
Ainda foi cogitada a possibilidade de o Brasil voltar a aceitar o navio, mas essa possibilidade nunca se concretizou. O navio foi vendido para sucata em 1922, para cumprir com o estipulado pelo tratado de Washington.


Informação genérica:
Quando a marinha do Brasil adquiriu os dois couraçados tipo Dreadnought, (Minas Geraes e São Paulo), teve inicio uma corrida aos armamentos navais por parte das três principais potências navais da América do Sul. A Argentina, o principal rival do Brasil, adquiriu dois navios com armamento idêntico, mas melhor blindagem e velocidade superior.

Como resposta, ainda no outono de 1911 o Brasil solicitou aos estaleiros Armstrong o desenvolvimento de um novo navio que permitisse garantir superioridade sobre a Argentina, que tinha encomendado dois navios equivalentes.
Inicialmente o Brasil tinha pedido um navio com 12 peças de 14 polegadas (356mm, na altura era um calibre não standard da Royal Navy). Posteriormente a especificação foi alterada para 14 peças de 12 polegadas, mantendo o mesmo calibre dos Minas Geraes, mas garantindo uma bordada completa de todos os 14 canhões, contra uma bordada de 12 canhões[1] dos navios argentinos (e de 10 nos Minas Geraes que possuíam torres nos bordos, que só podiam disparar num ângulo de aproximadamente 150 graus).

No entanto, o rápido desenvolvimento da industria levou a que as autoridades brasileiras considerassem que o armamento principal do couraçado Rio de Janeiro, mesmo com 14 peças de 305mm fosse considerado obsoleto. A isto juntou-se a crise económica brasileira que se agravara por causa dos preços das matérias primas.
Por estas razões, o Brasil colocou o navio à venda em Julho de 1912, ainda ele não estava concluído.
O Rio de Janeiro foi então comprado no inicio de 1914 pelo governo do Império Otomano que pagou 2,725,000 libras estrelinas pelo navio e o rebaptizou «Sultan Osman I».
Quando a I guerra mundial começou o navio já estava concluido e encontrava-se no porto de Devonport.

Nessa altura, antecipando a preferência do império otomano pelas potências centrais, o primeiro Lord do Almirantado, Winston Churchill ordenou que a entrega fosse atrasada até que a posição internacional da Turquia na guerra ficasse clara.

Quando se tornou evidente que o Império Otomano alinharia com o Império Austro-Hungaro e e com o Império Alemão Churchil ordenou que o navio fosse confiscado e integrado na Royal Navy como HMS Agincourt.

Este couraçado foi o mais longo navio de guerra da Royal Navy durante a I guerra mundial e o último armado com peças de 305mm.

[1] - Os dois couraçados argentinos podiam disparar todos os seus 12 canhões mas de forma relativamente limitada. Eles também possuiam torres escalonadas mas foram desenhados para permitir o disparo tanto para bombordo quanto para estibordo. No entanto a torre que estivesse do lado oposto ao alvo, tinha uma utilidade muito limitada pois podia provocar danos no próprio navio.


   
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