Navios deste tipo:

Caio Duilio
Couraçado rápido
Conte di Cavour
Couraçado rápido
Novorossiysk
Couraçado rápido

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Couraçado rápido


União Soviética
Couraçado rápido classe
Novorossiysk
(tipo Cavour / Duilio)
Cavour / Duilio

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 23622 Ton
Deslocamento máx. : 29032 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 182 M - Largura: 28.063M
Calado: 9.15 M.
8 x Caldeiras (oleo) Yarrow (0)
2 x Turbinas acopladas Belluzzo (93000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 0 Autonomia: 8000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 27 nós

Canhões / armamento principal
10 x Ansaldo 320mm L/44 M1933 (i) (Calibre: 320mm/Alcance: 29Km)


Forum de discussão

A doutrina naval soviética não favoreceu a construção de grandes navios e a rivalidade entre exército e marinha sempre foi uma das razões que impediram a construção de grandes navios por parte da União Soviética mesmo após o final da II guerra mundial.

A URSS tinha exigido que lhe fosse entregue uma terça parte do que restava da marinha de guerra italiana a título de indemnização de guerra. Os países ocidentais propuseram vários navios britânicos e americanos e os soviéticos chegaram a incorporar um couraçado da classe Revenge, que foi utilizado na frota do mar do norte até 1949.

Os soviéticos continuaram a exigir os navios italianos e após negociações, o couraçado Giulio Cesare foi cedido à marinha soviética em 1947, sob condição de se efectuarem reparações que permitissem ao navio deslocar-se pelos seus próprios meios.

O navio foi submetido a algumas reparações enviado para a Albânia, onde foi feita a transferência para a marinha sovíetica, que depois o conduziu para o Mar Negro.

Alí, o navio foi vistoriado mas os soviéticos concluiram que ele se encontrava em estado relativamente mau. Durante cinco anos o navio tinha enferrujado e na linha de água encontravam-se grandes aglomerações de moluscos e formações calcárias.
Já o casco encontrava-se bastante limpo, resultado do tratamento quimico que os italianos davam ao casco dos seus navios.

A transferência do couraçado foi complicada. A maquinaria funcionava, mas todas as indicações estavam em italiano. Além disso, a construção do navio implicava doutrinas de operação completamente opostas às soviéticas.
Os italianos por exemplo, mantinham a tripulação fora do navio em instalações no porto, enquanto os soviéticos mantinham a tripulação dentro do navio.
O navio italiano não tinha cozinhas para alimentar a tripulação e estava apenas preparado para alimentar a tripulação durante missões de combate que nunca demorariam mais de 72 horas.

A temperatura dentro do navio também era um problema, pois ele tinha sido desenhado para operação no mediterrâneo e não tinha nenhum sistema de aquecimento, típico dos navios russos. A condensação do vapor em temperaturas negativas, aumentava a humidade e tornava a vida a bordo insuportável.

Foram feitas algumas alterações mas a substituição do armamento original de 320mm por armamento principal construido na União Soviética (10 canhões de 12 polegadas / 305mm) não chegou a ser feita. Em vez disso os soviéticos optaram por desenvolver munição de 320mm adequada para utilização nos canhões italianos.




Tragédia e segredo de estado

O couraçado afundou-se em 1955, após uma violenta explosão estimada em 1200kg de TNT, que perfurou vários decks e que ocorreu à 01:30 da manhã.
O navio adernou lentamente e voltou-se às 04:15. O afundamento só ocorreu 18 horas após a explosão.
Morreram 608 marinheiros, principalmente resultado de o navio se ter voltado e não propriamente da explosão.

Os soviéticos foram incapazes de proceder à extração de centenas de marinheiros que se encontravam dentro do navio voltado, tendo todos morrido afogados.

O desastre constituiu-se na maior tragédia da história da esquadra soviética, ultrapassada apenas pelo desastre da batalha de Tsushima contra os japoneses.

A responsabilidade foi atribuida ao comandante da esquadra do mar negro, vice-almirante Victor Parkhomenko, que alegadamente teria pensado que a profundidade da baía impediria o couraçado de se voltar e teria dado mostras de querer tomar chá, enquando o navio se afundava com mais de 600 homens no interior.

O próprio almirante Kuznetsov, ministro da defesa foi de alguma forma criticado pela tragédia. Porém o acidente foi completamente ocultado, pelo que até à queda da União Soviética, ninguém sabia o que efectivamente tinha ocorrido ao navio.
Oficialmente, tinha sido afundado como alvo flutuante para treino de tiro.


Informação genérica:
Os navios couraçados italianos da classe Conte di Cavour e da classe Caio Duilio, lançados no inicio do século XX, antes do inicio da I Guerra Mundial, foram sujeitos ao mais radical programa de reconstrução de couraçados do periodo entre guerras. Apenas 40% da estrutura original foi mantida, tendo todo o resto sido substituido ou modificado.

As duas classes de navios, foram submetidas a modificações que os tornaram quase gémeos, ficando as diferenças limitadas às baterias de canhões secundários.

O armamento principal, constituido por canhoes de 305m reconvertidos para o calibre 320mm é igual nos quatro navios das duas classes, com dez canhões distribuidos por duas torres triplas e duas torres duplas.



Os navios da classe Caio Duilio / Julio Cesare: Na imagem podem-se se ver as diferenças antes da reconstrução e após a reconstrução


Acima, esquema demonstrativo da radical modificação a que foram submetidos os couraçados italianos entre as duas guerras


Ao serviço da União Soviética

Um dos navios sobreviventes, o Giulio Cesare, foi transferido para a União Soviética ao abrigo do acordo de armistício estabelecido com a Itália.
O navo foi entregue em 1949.


   
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