Navios deste tipo:

Independence
Porta aviões ligeiro
Saipan
Porta aviões ligeiro
Lafayette 1951
Porta aviões ligeiro
Dedalo
Porta aviões ligeiro

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Porta aviões ligeiro


Estados Unidos da América
Porta aviões ligeiro classe
Independence
(tipo Independence /Saipan)
Independence /Saipan

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 10662 Ton
Deslocamento máx. : 14751 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 190 M - Largura: 33.3M
Calado: 7.4 M.
4 x Caldeiras (oleo) Babcock & Wilcox (0)
4 x Turbina a vapor General Electric (100000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 1569 Autonomia: 0Km a 0 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 31.6 nós

Canhões / armamento principal
2 x Armstrong 40mm /L60 Mod Mk.V (4x) (Calibre: 40mm/Alcance: 7.2Km)
8 x Bofors / BAE Systems 40mm /L60 Mod Mk.V (2x) (Calibre: 40mm/Alcance: 7.2Km)

Radares
- Westinghouse SK / CXFA (Combinado Aerea/superficie - Al.med: 17Km)

Aeronaves embarcadas
- 24 x Grumman F6F-3 «Hellcat»


Forum de discussão

Ainda antes do ataque japonês a Pearl Harbour, o presidente dos Estados Unidos tinha confessado a sua preocupação pelo facto de os Estados Unidos terem um plano naval que apenas permitia a entrada ao serviço de novos porta-aviões de esquadra em 1944 (classe Essex).
Foi por isso pedido um estudo sobre a viabilidade de converter alguns dos navios em construção de cruzadores para porta-aviões.

Inicialmente, ainda antes do ataque japonês, a marinha dos Estados Unidos não gostou da ideia e considerou que os navios a serem convertidos nunca responderiam às exigências de doutrina da Marinha norte-americana.

Com o ataque japonês no entanto, a necessidade tornara-se mais que evidente. O programa de construção dos porta-aviões de esquadra da classe Essex foi apressado, mas foi novamente revisto o projeto de conversão de cruzadores ligeiros em porta-aviões.
Uma reunião de emergência ocorreu a 3 de Janeiro de 1942 e uma semana depois, a 10 de Janeiro, pouco mais de um mês após o ataque japonês, foi colocada a primeira encomenda para a construção de um porta-aviões ligeiro.

O trabalho de estudo recebeu prioridade máxima. Um mês depois da primeira reunião com os estaleiros de Camden (Nova Iorque) a 3 de Fevereiro os planos preliminares foram apresentados e a 27 de Março tinham já sido revistos pela marinha americana.

A solução foi encontrada, com a conversão de emergência de cruzadores ligeiros da classe Cleveland. O hangar do navio seria construido 1.2m acima da coberta principal do navio, para garantir a rigidez estrutural do projeto do cruzador. A pista seria construida a uma altura de 5,3m.
Foi necessário colocar 74,4t métricas de concreto (cimento) para equilibrar o navio para poder construir a ilha, onde ficaria a ponte de comando.

Foram colocados dois elevadores com 12,8m de lado para transportar os aviões do hangar para a pista com capacidade para 14t. E instalada uma catapulta a bombordo.

A elevada potência das turbinas fez com que a velocidade projetada para os cruzadores ligeiros da classe Cleveland (33 nós) não fosse especialmente reduzida. Em testes o primeiro porta-aviões da classe, o USS Independence atingiu 31,6 nós.

Armamento:

O primeiro navio da classe, ainda recebeu um canhão de 127mm (6 polegadas) mas os restantes navios receberam apenas canhões anti-aéreos do tipo Bofors de 40mm.
Como os porta-aviões de esquadra os porta-aviões ligeiros deveriam ser protegidos por outros navios.

A proteção dos navios foi dos pontos em que eles mais problemas tinham. Os primeiros navios convertidos nem sequer tinham cinturão de proteção contra torpedos e só a partir do terceiro foi colocado um cinturão de 127mm de espessura.
Esta blindagem não era eficaz contra torpedos e destinava-se apenas a proteger o navio contra tiros de canhões inimigos de até 152mm.

Aviões:

Inicialmente previu-se que os porta-aviões ligeiros embarcassem aeronaves em menor número, mas com um grupo de bombardeiros de voo picado e um grupo de aviões torpedeiros e um grupo de caças, como ocorria nos porta-aviões de esquadra.
Porém, rapidamente se percebeu que havia problemas que não tinham solução.
Os aviões de bombardeio de voo picado não dobravam as asas e por isso tiveram que ser abandonados. Por isto, estes navios começaram sendo equipados com vinte e quatro caças F6F «Helcat» junto com nove aviões torpedeiros TBF/TBM «Avenger».

Entrada ao serviço e problemas

O primeiro navio da classe Independence entrou ao serviço em Dezembro de 1942. Quando o terceiro ficou pronto em Abril de 1943, os estaleiros já tinham entregue dois grandes porta-aviões de esquadra da classe Essex, sendo que um destes últimos navios, tinha mais capacidade que dois porta-aviões ligeiros.

Mas os problemas não se ficaram pela rapidez de produção. O projeto, conforme tinha sido previsto pela marinha, implicou a violação de inumeras regras que impediam a utilização dos navios conforme a doutrina estabelecida.
Os navios eram demasiado pequenos para serem eficazes, eram dificeis de operar com mau tempo, as instalações eram demasiado acanhadas e a proteção dos navios era absolutamente ineficiente.

Todos os navios previstos foram entregues antes do final de 1943.

Perdas

Apenas um dos navios se perdeu, em 24 de Outubro de 1944 durante as confrontações que tiveram lugar durante o desembarque norte-americano em Leyte nas Filipinas. Às 09:38 da manhã do dia 24, um bombardeiro japonês «Judy» conseguiu atingir o porta-aviões Princeton com uma bomba de 250kg.

A bomba perfurou o deck de voo e perfurou também o hangar, onde se encontravam seis aviões torpedeiros TBM carregados com combustível e com um torpedo cada um. Ao perfurar o hangar a bomba também atingiu em cheio um dos seis aviões, que explodiu e provocou o incendio do combustivel. Por razões desconhecidas o sistema automático de extinção de incêndios não funcionou e o fogo propagou-se, tendo o fumo penetrado em todo o navio.
Foram feitas várias tentativas para salvar o porta-aviões, com água lançada de outros navios. Mas esses navios tiveram que se retirar por causa de um aviso de aproximação de forças japonesas.
Pelas 15:23, quando outros navios já haviam voltado à área novas explosões sacodem o porta-aviões, tornando a sua perda irreversível.
O casco continuou a arder, mas o navio teve que ser torpedeado para se afundar. Foi o último porta-aviões perdido durante a guerra.

A perda do navio, veio salientar as deficiências conhecidas e a fraca proteção que o navio oferecia.

Ao serviço de outros países

Embora tivessem sido retirados da primeira linha de serviço à medida que os novos porta-aviões de esquadra entravam ao serviço, eles ainda eram navios com alguma capacidade militar.
Os Estados Unidos cederam dois deles à França e em 1967 modernizaram um terceiro que foi entregue à Espanha.


Informação genérica:
A urgência norte-americana em evitar ficar sem novos porta-aviões quando a guerra se aproximava levou o governo dos Estados Unidos a pressionar a marinha para que desenvolvesse uma classe de porta-aviões ligeiros aproveitando o casco de cruzadores.

A marinha não acho boa ideia mas o inicio da guerra no pacífico e a falta de outras opções favoreceu o programa.

Os resultados não foram dos melhores.
Em primeiro lugar o programa de construção de porta-aviões de esquadra foi muito acelerado, pelo que o ritmo de construção destes acabou sendo superior.
Em segundo lugar, os receios da marinha relativamente às prestações de navios originalmente construidos para serem cruzadores ligeiros foram confirmados.

Na imagem acima o USS Cowpens CVL-25 em alto mar, demonstrando o problema de instabilidade dos navios da classe Independence.


Os navios eram demasiado pequenos e acanhados e comportavam-se mal em mar aberto com condições meteorologicas difíceis.

A classe Saipan pelo contrário, difere da classe Independence porque ao invés de serem construidos com base em projetos de cruzadores, eles utilizaram apenas o casco alongado mas foram completamente redesenhados e construidos propositadamente para a função.

Três navios da classe Independence foram colocados ao serviço das marinhas da França (Lafayette e Bois Belleau) e da Espanha (Dedalo).




Os dois navios da classe Saipan só entraram ao serviço depois do fim do conflito, mas eram de melhor qualidade, mais equilibrados e adequados para as funções que lhe tinham sido destinadas.
Mantiveram-se ao serviço até 1970.



Na foto seguinte, imagem do desmanche do porta-aviões Dedalo, o último navio do tipo.
Notar que se pode identificar o deck original de cruzador e a dimensão do hangar e da altura da pista.


   
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