Navios deste tipo:

Liberty Ships
Navio Auxiliar
Victory Ships
Navio Auxiliar
Haskell
Navio de desembarque pesado

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Navio Auxiliar


Estados Unidos da América
Navio Auxiliar classe
Liberty Ships
(tipo Liberty / Victory)
Liberty / Victory

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 3280 Ton
Deslocamento máx. : 14245 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 129.81 M - Largura: 16.76M
Calado: 8.16 M.
2 x Caldeiras (oleo) Babcock & Wilcox (0)
1 x Máquinas a vapor (trip exp.) (2500cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 41 Autonomia: 30000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 1 - Velocidade Máxima: 11.5 nós


Forum de discussão

O navio que ganhou a II guerra

Durante a II guerra mundial, muitos navios com nomes sonantes são conhecidos. Desde os grandes couraçados aos porta-aviões passando por submarinos e mesmo pelas lanchas torpedeiras americanas, que entraram em combate contra couraçados japoneses.

No entanto, um tipo de navio é provavelmente mais responsável pela vitória dos aliados que qualquer outro.

Os navios Liberty, parcamente armados para se poderem defender contra submarinos ou contra aeronaves foram a ligação vital entre a América e a Europa e abasteceram os exércitos da Europa Ocidental e da União Soviética com as armas, os equipamentos e as matérias primas que permitiram vencer a Alemanha e o Japão.
Quando viu pela primeira vez um navio Liberty, o próprio Roosevelt afirmou que se tratava de um navio feio.



O primeiro navio Liberty foi lançado à água em 27 de Setembro de 1941 e completado em 30 de Dezembro de 1941, pouco mais de três meses depois. Este ritmo de construção era elevado, mas chegaria a atingir níveis impensáveis. O record de construção de um navio entre o lançamento da quilha e o seu lançamento completo ficou em quatro dias e meio. No áuge da produção os estaleiros americanos completavam um navio a cada oito horas.

Eles começaram por ser conhecidos como «ugly duckling» ou patinho feio. De fato a beleza estética não era um dos pontos positivos dos navios, e o próprio presidente americano fez referência a isso.


O Patrick Henry na cerimónia de lançamento: O primeiro Liberty Ship.
Patrick Henry
O primeiro dos navios a ser entregue foi baptizado com o nome de «SS Patrick Henry». O nome foi especialmente escolhido, por se tratar de um politico norte-americano que ficou conhecido por um discurso que fez em defesa da independência dos Estados Unidos, no qual utilizou a frase «give me liberty or give me death», «dá-me a Liberdade ou a Morte».

Desta forma os navios foram baptizados como navios Liberty, em homenagem a Patrick Henry, e ao mesmo tempo demonstravam a determinação norte-americana em apoiar o seu último aliado europeu.

Estaleiros de emergência
Como a capacidade de produção instalada não era suficiente e os maiores estaleiros tinham que produzir navios de guerra, foi necessário recorrer a um programa de emergência destinado a criar novos estaleiros de construção naval.

Um total de nove estaleiros foram criados propositadamente em 1941 para construir os navios Liberty. Tal como nas fábricas americanas de armamento, os estaleiros trabalhavam dia e noite com três turnos de 8 horas.

No total, foram produzidos 2710 navios do tipo (incluindo os navios standard e os navios modificados para utilizações especiais. Um total de 18 estaleiros estavam dedicados à produção deste tipo de navios.

Além da construção nos estaleiros, o projeto previa a construção em módulos, que poderiam ser construidos no interior e transportados por caminho de ferro, onde poderiam ser montados num curto periodo de tempo.

Características

Como navios de transporte, eles destinavam-se acima de tudo ao transporte de carga geral e armamento. À velocidade de 10 nós, um navio Liberty poderia percorrer a distância entre o porto de N.York e Southampton ou Liverpool entre 11 a 13 dias.

A velocidade máxima de 11.5 nós era incompativel com qualquer operação de combate, pelo que se atacados os navios tinham que se defender. Embora o projeto britânico não o considerasse, os americanos incluiram duas peças de artilharia que podiam ser utilizadas tanto contra submarinos (no caso de eles emergirem) como contra aeronaves.
Uma guarnição militar era transportada em instalações à popa. Eles serviam as duas peças de artilharia e também os pontos onde eram instaladas metralhadoras.


Muitos navios deste tipo foram cedidos a países aliados. Outros navegavam com nomes russos e com bandeira soviética, levando assistência militar dos Estados Unidos para a URSS pelo Pacífico. Na imagem o SS Graham Taylor, rebaptizado Mikhail Kutuzov e abaixo o Thomas F.Flaherty, rebaptizado Volgograd.


O custo de cada Liberty Ship foi estimado em 592.000 horas de trabalho. A utilização de soldadura em vez da técnica de rebitagem, também reduziu o tempo necessário para completar o navio. O valor do navio em dólares de 1945 era de aproximadamente 2 milhões.

A versão base do navio Liberty destinava-se a transportar carga geral, mas muitos destes navios foram convertidos para utilização específica.

Transporte de Tropas
Um total de 247 navios foram convertidos para transportar tropas. Esta foi a adaptação mais numerosa. Eles transportavam 308 homens, mas posteriormente foram feitas alterações para permitir o transporte de 504 militares. Na viagem de volta à américa os navios transportavam prisioneiros em números equivalentes, embora haja registos de navios que chegaram a transportar até 1800 prisioneiros.
Os transportes de tropas foram dos navios mais modificados, pelo que quando a guerra chegou ao fim foram dos primeiros a seguir para a sucata.

Navio Hospital
Pelo menos seis Liberty Ships foram convertidos para utilização como navio hospital pela marinha dos Estados Unidos

Navio tanque
Um total de 62 navios foram convertidos para o transporte de combustível e foi concebido apenas em 1942 quando os Estados Unidos já estavam na guerra e previam a necessidade de dispor de grandes quantidades de combustível para suportar o alto nível de motorização dos seus exércitos.

Os navios tanque mantinham no entanto as gruas/guindastes dos navios de transporte normais, para evitar que fossem identificados como alvos priooritários.

Navio carvoeiro
Destinado essencialmente ao transporte de carvão este tipo de navio era diferente dos restantes e facilmente identificável. Os motores e a ponte de comando estavam colocadas à popa e não a meio do navio. Um total de 42 navios deste tipo foram construidos, tendo já em consideração as necessidades para depois do fim do conflito.

Navio oficina
11 navios deste tipo foram construidos, especialmente para a Royal Navy, mas também para a marinha dos Estados Unidos principalmente para as operações no Pacífico.

Transporte especial
Durante a guerra, vários equipamentos eram demasiado pesados para serem transportados em navios com a configuração normal. Para isso alguns Liberty foram modificados para permitir o transporte de equipamentos mais pesados.
Estes navios eram operados pelas forças armadas norte-americanas e não por civis. Foram construidos 44 exemplares no total.


Informação genérica:
Embora sejam conhecidos por causa da sua participação decisiva na II guerra mundial, podemos encontrar a origem deste tipo de navios numa determinação do governo dos Estados Unidos datada de 1936 (Merchant Marine Act), destinada a impulsionar a construção naval no país.

Este programa, destinava-se acima de tudo a impulsionar a economia americana que estava a saír da grande depressão que tinha começado em 1929.
No entanto, não foram colocadas encomendas significativas durante a 2ª metade da década.

Quando em 1939 começou a II guerra mundial, os norte-americanos receberam consultas por parte da Grã Bretanha para analisar a possibilidade de construir em estaleiros americanos, navios que permitissem substituir as perdas durante a guerra.

Os britânicos apresentaram um projeto de navio que a principio parecia completamente anacrónico. Eles queriam que os estaleiros americanos construissem navios, com um motor a vapor desenvolvido havia já mais de meio século (1880). O motor que pesava 130 toneladas e era completamente obsoleto, numa altura em que os navios americanos eram produzidos com motores de turbina a vapor.
Mais estranho que isso era a intenção dos britânicos de mover esses motores com vapor produzido em caldeiras alimentadas a carvão. A medida era estratégica, porque os britânicos não tinham petroleo nas ilhas britânicas mas possuiam enormes reservas de carvão que podiam utilizar como combustível. Além de tudo o mais, os navios podiam ser construidos rapidamente.

Os americanos aceitaram a ideia da máquina a vapor. Várias empresas nos Estados Unidos e no Canadá, começaram a construir o ultrapassado motor a vapor de tripla expansão, mas a ideia de instalar caldeiras a carvão não foi aceite. Os americanos disseram aos ingleses que forneceriam todo o petróleo que fosse preciso.
Para os americanos a medida era também estratégica, já que eles tinham mais facilidade em conseguir o petróleo que extraiam em grandes quantidades no sul do país e os navios começariam a navegar a partir dos Estados Unidos.

Um navio Liberty tinha uma autonomia elevada (30,000km). Ele nem precisava atestar seus depósitos de combustível, para chegar à Inglaterra e voltar de volta aos Estados Unidos, numa viagem de ida e volta de 13,000 a 16,000km (dependendo dos lugares de partida e chegada).



VICTORY SHIPS

A partir de 1943 os Estados Unidos começaram a conceber um novo tipo de navio de transporte que complementasse e posteriormente substituisse os navios do tipo Liberty.
Esse navio transportaria um pouco mais de carga, teria uma compartimentação e configuração parecidas, mas seria bastante mais rápido, conseguindo assim iludir submarinos alemães submersos.

Tratou-se da série Victory.

Os Victory diferiam dos Liberty em vários aspectos, mas também diferiam entre si, já que várias sub-séries foram desenvolvidas.
A mais importante diferença estava nos sistemas propulsores, que poderiam desenvolver 6,000 ou 8,500cv. A diferença de 2,500cv no entanto apenas permitia aumentar em um nó, a velocidade máxima, no entanto essa pequena diferença poderia ser importante, quando a velocidade máxima de um submarino alemão era pouco superior a 17 nós e mesmo assim o submarino tinha que navegar à superfície para atingir essa velocidade.

Foram concebidos cinco modelos do navio.

VC2-S-AP2 - O tipo básico com motor de 6,000cv. Este foi o mais produzido de todos com 272 exemplares fabricados.

VC2-S-AP3 - Tipo mais veloz, com um motor com uma potência de 8,500cv.

VC2-M-AP4 - Tipo experimental, de que apenas foi construido um exemplar, com motores Diesel.

VC2-S-AP5 - Também conhecido como classe Haskell, esta série era considerado um navio de transporte e ataque. Destinava-se a transportar tropas para operações de desembarque e 117 deles foram completados (ver ficha específica deste modelo).

VC2-S-AP7 - Navios da série VC2-S-AP2 completados depois do fim da guerra (3 unidades concluidas).

AGTR - Belmont - Em 1964 dois navios do tipo Victory foram convertidos para a função navio de pesquisa (eufemismo para navio espião). O USS Belmont e o USS Liberty estiveram no entanto ao serviço durante pouco tempo. O Liberty seria mesmo atingido por um torpedo lançado pela marinha de Israel durante a guerra dos seis dias em 1967


Importante mas não único
Embora os navios Liberty e Victory constituissem as mais numerosas classes de navios mercantes produzida durante a II guerra mundial, e a mais numerosa alguma vez construida (no caso dos Liberty), elas representaram 54% do total de 6.000 navios mercantes construidos pelos estaleiros norte-americanos (além dos navios militares).


   
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