Navios deste tipo:

Liberty Ships
Navio Auxiliar
Victory Ships
Navio Auxiliar
Haskell
Navio de desembarque pesado

Listar navios do tipo
Navio Auxiliar


Estados Unidos da América
Navio Auxiliar classe
Victory Ships
(tipo Liberty / Victory)
Liberty / Victory

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 4450 Ton
Deslocamento máx. : 15200 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 139 M - Largura: 19M
Calado: 7.6 M.
2 x Caldeiras (oleo) Babcock & Wilcox (0)
1 x Turbina a vapor Lentz Type (6000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 63 Autonomia: 40000Km a 14 nós - Nr. Eixos: 1 - Velocidade Máxima: 16.3 nós


Forum de discussão

Em 1943 as autoridades americanas decidiram desnvolver uma nova classe de navios mercantes, que complementasse as capacidades dos navios «Liberty». A industria tinha demonstrado uma grande capacidade de adaptação, pelo que se tinha tornado possível produzir em série navios de maiores dimensões e com características mais modernas.

Um Liberty mais rápido
Provavelmente a mais importante diferença entre os novos navios Victory e os Liberty era a da velocidade.
Enquanto que os Liberty tinham sido desenhados pelos britânicos para permitir uma rápida produção em 1940/1941 os Victory contavam com uma já reconhecida capacidade instalada e experiência demonstrada e podiam utilizar sistemas mais modernos e sofisticados.

A velocidade máxima atingia os 16 a 17 nós, consoante o motor instalado (contra 11.5 nós nos Liberty), o que era extremamente importante já que os submarinos alemães atingiam uma velocidade máxima de 7.6 nós quando em imersão. Esta velocidade permitia aos submarinos alemães alguma flexibilidade de movimento, pois ainda que mais lentos que os Liberty eles podiam manobrar para se colocarem em posição.

Já com os Victory tudo mudava. Com uma velocidade máxima de 16 ou 17 nós, só emergindo é que os submarinos alemães (a classe VII-C atingia ligeiramente menos de 18 nós à superficie enquanto que a classe IX atingia ligeiramente mais de 18 nós) poderiam acompanhar os novos navios e mesmo assim com pouca margem.

O primeiro navio da classe Victory, foi lançado em 28 de Fevereiro de 1944 e baptizado «United Victory».

Outras diferenças
Além de uma capacidade para transportar mais carga e da velocidade mais elevada os navios do tipo Victory tinham uma estrutura mais leve e mais flexivel, que diferia dos Liberty que eram considerados demasiado rigidos, o que provocava fraturas e em alguns casos a abertura de brechas nos navios.

USS Liberty 1967 / navio espião
Em 1967 um derivado desta classe, o USS Liberty, foi torpedeado por forças de Israel em 8 de Junho de 1967, que alegadamente terão confundido o navio americano com um navio egipcio, em plena guerra dos seis dias. O navio foi atingido por um torpedo e recebeu danos extensos mas não se afundou. Do incidente resultaram cerca de 34 mortos e 173 feridos americanos.
O USS Liberty era um navio da classe Belmont, na realidade um derivado dos navios Victory, equipado para pesquisa, ou seja, espionagem electrónica.


Entre Fevereiro de 1944 e Novembro de 1945, os seus estaleiros designados para produzir os navios do tipo Victory entregaram um total de 417 navios, o que somando aos 117 navios do tipo Haskell, atinge um total de 534.
Informação genérica:
Embora sejam conhecidos por causa da sua participação decisiva na II guerra mundial, podemos encontrar a origem deste tipo de navios numa determinação do governo dos Estados Unidos datada de 1936 (Merchant Marine Act), destinada a impulsionar a construção naval no país.

Este programa, destinava-se acima de tudo a impulsionar a economia americana que estava a saír da grande depressão que tinha começado em 1929.
No entanto, não foram colocadas encomendas significativas durante a 2ª metade da década.

Quando em 1939 começou a II guerra mundial, os norte-americanos receberam consultas por parte da Grã Bretanha para analisar a possibilidade de construir em estaleiros americanos, navios que permitissem substituir as perdas durante a guerra.

Os britânicos apresentaram um projeto de navio que a principio parecia completamente anacrónico. Eles queriam que os estaleiros americanos construissem navios, com um motor a vapor desenvolvido havia já mais de meio século (1880). O motor que pesava 130 toneladas e era completamente obsoleto, numa altura em que os navios americanos eram produzidos com motores de turbina a vapor.
Mais estranho que isso era a intenção dos britânicos de mover esses motores com vapor produzido em caldeiras alimentadas a carvão. A medida era estratégica, porque os britânicos não tinham petroleo nas ilhas britânicas mas possuiam enormes reservas de carvão que podiam utilizar como combustível. Além de tudo o mais, os navios podiam ser construidos rapidamente.

Os americanos aceitaram a ideia da máquina a vapor. Várias empresas nos Estados Unidos e no Canadá, começaram a construir o ultrapassado motor a vapor de tripla expansão, mas a ideia de instalar caldeiras a carvão não foi aceite. Os americanos disseram aos ingleses que forneceriam todo o petróleo que fosse preciso.
Para os americanos a medida era também estratégica, já que eles tinham mais facilidade em conseguir o petróleo que extraiam em grandes quantidades no sul do país e os navios começariam a navegar a partir dos Estados Unidos.

Um navio Liberty tinha uma autonomia elevada (30,000km). Ele nem precisava atestar seus depósitos de combustível, para chegar à Inglaterra e voltar de volta aos Estados Unidos, numa viagem de ida e volta de 13,000 a 16,000km (dependendo dos lugares de partida e chegada).



VICTORY SHIPS

A partir de 1943 os Estados Unidos começaram a conceber um novo tipo de navio de transporte que complementasse e posteriormente substituisse os navios do tipo Liberty.
Esse navio transportaria um pouco mais de carga, teria uma compartimentação e configuração parecidas, mas seria bastante mais rápido, conseguindo assim iludir submarinos alemães submersos.

Tratou-se da série Victory.

Os Victory diferiam dos Liberty em vários aspectos, mas também diferiam entre si, já que várias sub-séries foram desenvolvidas.
A mais importante diferença estava nos sistemas propulsores, que poderiam desenvolver 6,000 ou 8,500cv. A diferença de 2,500cv no entanto apenas permitia aumentar em um nó, a velocidade máxima, no entanto essa pequena diferença poderia ser importante, quando a velocidade máxima de um submarino alemão era pouco superior a 17 nós e mesmo assim o submarino tinha que navegar à superfície para atingir essa velocidade.

Foram concebidos cinco modelos do navio.

VC2-S-AP2 - O tipo básico com motor de 6,000cv. Este foi o mais produzido de todos com 272 exemplares fabricados.

VC2-S-AP3 - Tipo mais veloz, com um motor com uma potência de 8,500cv.

VC2-M-AP4 - Tipo experimental, de que apenas foi construido um exemplar, com motores Diesel.

VC2-S-AP5 - Também conhecido como classe Haskell, esta série era considerado um navio de transporte e ataque. Destinava-se a transportar tropas para operações de desembarque e 117 deles foram completados (ver ficha específica deste modelo).

VC2-S-AP7 - Navios da série VC2-S-AP2 completados depois do fim da guerra (3 unidades concluidas).

AGTR - Belmont - Em 1964 dois navios do tipo Victory foram convertidos para a função navio de pesquisa (eufemismo para navio espião). O USS Belmont e o USS Liberty estiveram no entanto ao serviço durante pouco tempo. O Liberty seria mesmo atingido por um torpedo lançado pela marinha de Israel durante a guerra dos seis dias em 1967


Importante mas não único
Embora os navios Liberty e Victory constituissem as mais numerosas classes de navios mercantes produzida durante a II guerra mundial, e a mais numerosa alguma vez construida (no caso dos Liberty), elas representaram 54% do total de 6.000 navios mercantes construidos pelos estaleiros norte-americanos (além dos navios militares).


   
---