Navios deste tipo:

Invincible (1909)
Cruzador de batalha
Indefatigable
Cruzador de batalha
Lion
Cruzador de batalha
Tiger
Cruzador de batalha
Renown
Cruzador de batalha
Hood
Cruzador de batalha

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Cruzador de batalha


Reino Unido
Cruzador de batalha classe
Lion
(tipo Cruzadores de batalha britânicos)
Cruzadores de batalha britânicos

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 26270 Ton
Deslocamento máx. : 29680 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 213.4 M - Largura: 27M
Calado: 8.4 M.
4 x Turbina a vapor Parsons (0)
42 x Caldeiras (carvão) Yarrow (70000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 997 Autonomia: 10000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 4 - Velocidade Máxima: 27 nós

Canhões / armamento principal
8 x Armstrong 343mm /50 mm Mk V (2x) (Calibre: 343mm/Alcance: 21.8Km)
16 x Vickers Defence 102mm L/50 (BL) Mark VII (Calibre: 102mm/Alcance: 10.6Km)


Forum de discussão

À medida que o armamento principal dos grandes couraçados da Royal Navy aumentava, decidiu-se que também os cruzadores de batalha deveriam ser equipados com armamento de calibre equivalente.
Por isso os Lion têm armamento equivalente aos couraçados da classe Orion, ou seja peças principais de 13.5 polegadas (343mm).

Ao contrário dos navios anteriores, os Lion podiam disparar uma bordada completa (todos os seus oito canhões na mesma direção) pois tinham as suas quatro torres colocadas numa posição central.

Velocidade, a principal característica

Se é verdade que os Lion possuiam um armamento poderoso, a sua mais importante característica - para a qual os cruzadores de batalha tinham sido idealizados - era a sua velocidade máxima de 27 nós, conseguida colocando quarenta e duas caldeiras para alimentar quatro turbinas que produziam 70.000cv, ou seja 70% mais que os navios da classe Invincible.

No entanto a influência de modelos anteriores foi mantida, com uma torre a meio do navio, que tinha um arco de tiro limitado pela superestrutura.
Além disso, havia paiois no meio dos conjuntos de caldeiras e turbinas, o que poderia ser problemático em caso de combate.

Para atingir a elevada velocidade de 27 nós, a proteção máxima dos Lion estava restrita a projecteis de 11 polegadas (280mm), pelo que praticamente todo o navio era vulneravel aos disparos dos couraçados mais modernos da Alemanha.

Os britânicos desenvolveram uma politica de intoxicação da opinião pública, pelo que foi dado a entender aos jornalistas que os Lion eram de facto mais blindados que o que na realidade eram e que a sua blindagem era superior à que realmente tinham.
A politica de intoxicação também se extendeu à velocidade máxima com um dos navios, o Princess Royal a ser acreditado com uma velocidade máxima de 34.7 nós, algo impossível de replicar por alemães ou franceses com a tecnologia da época.

Naturalmente que os oficiais ao comando do navio sabiam que não poderiam enfrentar navios com peças de grosso calibre e que a principal vantagem dos navios do tipo, residia na sua capacidade para navegar a alta velocidade, afastar-se dos navios mais poderosos e atacar os menos armados, ainda que os navios nunca tivessem sequer atingido 28 nós.

O elevado número de caldeiras e o reduzido número de chaminés, rapidamente resultou em problemas de sobreaquecimento. Ainda que as chaminés estivessem colocadas atrás dos postos de observação dianteiros, os militares não podiam sair dos seus postos quando o navio navegava a grande velocidade porque toda a estrutura ficava demasiado quente.

Os Lion são normalmente vistos como os mais publicitados e ao mesmo tempo os piores navios da Royal Navy numa relação entre custo e efetiva capacidade de combate.

Queen Mary, tentativa de corrigir erros

O lançamento do terceiro navio da classe, o cruzador de batalha Queen Mary, foi uma confirmação dos erros e dos problemas que os dois navios anteriores haviam demonstrado.
As modificações foram tantas que na prática o único navio construido pode quase ser considerado uma classe diferente, no entanto o resultado final acabou por não ser o melhor.

O deslocamento máximo era de 31.650t e o comprimento máximo de 214.4m. O número de caldeiras era idêntico, mas a potência foi elevada para 75.000cv. A guarnição era de 997 homens.
O cruzador de batalha Queen Mary, o terceiro da classe ainda que diferente dos anteriores. Ele acabou sendo igualmente um navio deficiente, sendo afundado pelos alemães na batalha de Jutlandia em 1916


Entre as modificações encontrava-se a munição do armamento principal ligeiramente diferente, modificações no cinturão, que não alteraram a blindagem mas apenas a área protegida e uma nova mastreação. O navio ficou pronto em Setembro de 1913, menos de um ano antes do inicio da guerra.

O navio esteve presente na batalha de Jutlandia, onde o maior peso da sua munição mostrou aumentar a precisão dos disparos, tendo acertado quatro vezes no cruzador de batalha alemão Seydlitz. No entanto ele foi atingido por um projetil na torre Q (meio do navio) e posteriormente por outros dois projeteis de 12 polegadas (305mm). O primeiro entre as duas torres da frente que aparenta ter perfurado a fina blindagem, resultando na explosão quase simultanea de dois paiois. Um segundo tiro atingiu novamente a torre Q. O navio afundou rapidamente, apenas 38 minutos após o inicio da batalha, sem que houvesse sobreviventes de entre os 1266 que estavam a bordo. A deficiente blindagem e a má qualidade dos propelentes utilizados pelos britânicos (cordite) são as causas normalmente apontadas para o desastre.



Navio Almirante do esquadrão de cruzadores de batalha

Independentemente da duvidosa qualidade dos navios, a grande publicidade em seu redor levou a que o Lion fosse a opção do almirante Beatty, para instalar o comando do esquadrão de cruzadores de batalha, e foi a bordo do Lion que o almirante acompanhou o desenrolar da batalha de Jutlandia em Maio de 1916.

O HMS Lion saiu da sua base em Rosyth na madrugada de 31 de Maio de 1916, acompanhado por outros cinco cruzadores de batalha, 13 cruzadores ligeiros e 29 contra-torpedeiros. Com ele seguia também o quinto esquadrão de couraçados (quatro dos mais poderosos e rápidos couraçados britânicos)

O Lion era o navio almirante de uma esquadra rápida que os britânicos pretendiam utilizar como isco para atrair os alemães para o combate com a poderosa esquadra principal que tinha saído de Scapa Flow e era constituida por 24 couraçados e três cruzadores de batalha, além de 11 cruzadores ligeiros, 8 cruzadores blindados e 51 contra-torpedeiros.
Informação genérica:
Quando os grandes navios blindados começaram a dominar as águas, cedo se tornou evidente que eles poderiam ser atacados por navios muito mais pequenos, logo que os torpedos começaram a fazer parte da guerra no mar.
Como resultado disso, os couraçados tinham que ser escoltados por navios mais rápidos que poderiam atacar os torpedeiros.

É assim que surgem os contra-torpedeiros e depois os navios com capacidade para atacar os contra-torpedeiros, os cruzadores, que vão aumentando de blindagem para se debaterem uns contra os outros, nascendo os cruzadores protegidos e posteriormente os cruzadores blindados blindados, além dos cruzadores ligeiros.

Rapidamente, a estratégia naval tem que entrar em linha de conta com duas realidades:

Por um lado o combate entre os navios principais, os couraçados, e por outro o combate entre os navios mais rápidos.

Cruzadores de batalha com peças de 343mm

Com a corrida aos armamentos a aquecer, as peças de 12 polegadas (305mm) que equipavam os principais navios britânicos fora abandonadas em favor do calibre 13.5 polegadas (343mm).

Naturalmente que, com a introdução deste tipo de armamento, os cruzadores de batalha também receberam o novo armamento. Duas classes foram construidas com este armamento, os Lion e Tiger, que foram muito acarinhados pela imprensa, mas que na realidade nunca foram navios eficientes


Cruzadores de batalha com peças de 381mm

No final de 1914, a vitória britânica na batalha naval das Falkland e a volta ao almirantado do almirante Fisher (o homem que mais tinha advogado o conceito), a ideia dos cruzadores de batalha muito rápidos voltou a ser defendida e verbas atribuidas à construção de novos navios, que deveriam desenvolver velocidades muito elevadas (mais de 30 nós). Com a introdução das peça de 15 polegadas (381mm) este calibre também começou a ser introduzido nos cruzadores de batalha, ainda que o entusiasmo da marinha para com estes navios tivesse vindo a ser reduzido.
Por isso apenas dois navios foram lançados numa altura de transição. Os dois navios armados com seis peças de 381mm chegarão à II guerra mundial.

Ainda que a batalha de Jutland tenha arrefecido o interesse pelos cruzadores de batalha antes do fim da guerra, uma classe ainda mais poderosa, também armada com peças principais de 381mm foi lançada, mas apenas uma unidade, o cruzador de batalha Hood chegaria a entrar ao serviço.

O almirante John Fisher: O homem que impulsionou a construção de cruzadores de batalha.
Estratégia para um desastre

Em Agosto de 1914, logo no inicio da I guerra, durante a batalha de «Helligolang Bight», o prestigio dos cruzadores de batalha atingiu o seu ponto alto.
O recontro, aparentava confirmar que tudo o que se tinha dito de positivo sobre este tipo de navio se confirmava.

Grandes e extremamente rápidos, os cruzadores de batalha da Royal Navy podiam aparecer rapidamente, desferir golpes tremendos com o seu poderoso armamento e desaparecer rapidamente antes que pudessem aparecer couraçados inimigos.

Interpretação dos resultados dos confrontos envolvendo cruzadores de batalha

Os sinais no entanto não foram todos positivos. Ainda no final desse ano, e ainda que os britânicos tenham afundado os navios do esquadrão alemão do pacífico nas Falkland, notou-se que a leve blindagem dos cruzadores de batalha tinha sido perfurada pelos tiros de 210mm dos cruzadores blindados alemães.
Mas estas informações, não foram consideradas importantes, pelo que na Grã Bretanha o almirante Fisher, o principal defensor do conceito continuou a impulsionar a construção de mais cruzadores de batalha.

Nesta imagem uma das mais dramáticas fotos da I guerra mundial: o cruzador de batalha HMS Invincible explode durante a batalha de Jutlandia.



Jutlandia: Desastre para os cruzadores de batalha

Poucas semanas depois de o HMS Hood e outros três navios iguais terem sido encomendados (Tratou-se da mais poderosa classe de cruzadores de batalha alguma vez concebida), ocorre a batalha de Jutlândia. M Jutlândia, por um conjunto de razões, os cruzadores de batalha foram utilizados como se fossem couraçados e mandados enfrentar uma esquadra alemã.

A blindagem dos cruzadores de batalha era demasiado fina e a proteção contra projecteis disparados a grande distância era pura e simplesmente desadequada. Os navios podiam ser facilmente atingidos pelos disparos das peças alemãs de grande calibre, nomeadamente pelos canhões de 280mm e 305mm.

O resultado de Jutlândia foi desastroso. Embora os britânicos tenham obtido uma vitória táctica, o país perdeu em um único dia três cruzadores de batalha. Um deles afundou-se após receber 6 impactos de armas de grande calibre, quando na mesma batalha um couraçado britânico recebeu 16 impactos e não se afundou.

A ideia e o conceito do Almirante Fisher caiu por terra em Jutlândia. Dos navios do tipo que tinham sido encomendados apenas um foi terminado e mesmo esse seria destruido em combate, por causa dos mesmos problemas que foram encontrados neste tipo de navios durante a I guerra mundial


   
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