Navios deste tipo:

General Garibaldi
Cruzador blindado
Cristobal Colon
Cruzador blindado

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Cruzador blindado


Espanha
Cruzador blindado classe
Cristobal Colon
(tipo Giuseppe Garibaldi)
Giuseppe Garibaldi

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 6900 Ton
Deslocamento máx. : 7300 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 111.8 M - Largura: 18.2M
Calado: 7.3 M.
4 x Caldeiras (carvão) Niclause (0)
2 x Máquinas a vapor Trip.exp. (13000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 543 Autonomia: 15000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 20 nós


Forum de discussão

O agudizar da tensão entre os Estados Unidos e a Espanha na segunda metade do século XIX levou este país a adquirir vários navios de guerra num programa de aquisições de emergência.

Dessas aquisições de emergência, talvez a mais demonstrativa da necessidade que a Espanha tinha de navios novos tenha sido a aquisição do cruzador blindado Cristobal Colon.
A aquisição do navio resultou de negociações entre a Argentina e a Espanha. Os argentinos tinham o navio em construção em estaleiros italianos e aceitaram cede-lo aos espanhóis.

No entanto a compra do navio pela Espanha (que o rebaptizou Cristobal Colon) esteve envolvida em polémica, já que os estaleiros britânicos terão sido pressionados para que o armamento não fosse instalado a tempo. Dificuldades burocráticas e outras são apontadas como justificação para que desde 16 de Maio de 1897, quando o navio entrou oficialmente ao serviço até Julho de 1898, os canhões principais não tivessem sido instalados.

Sem o armamento principal o cruzador, que inicialmente deveria receber duas peças de 254mm (10 polegadas) ou 240mm (de construção espanhola) mas acabou sendo entregue apenas com armamento secundário, com o qual foi posteriormente enviado para Cuba.
Segundo o comandante da esquadra terá dito, «é preferível um navio sem canhões, que navio nenhum» (ou «é preferivel pão duro que pão nenhum»).

Canhões falsos em madeira foram instalados no navio, para confundir as forças americanas.
O Cristobal Colon embora não estivesse equipado com os seus dois canhões principais, era o mais moderno navio da frota do almirante Cervera e o mais rápido.

O Cristobal Colon chegou a Santiago de Cuba em Maio de 1898, mas o cerco daquela cidade por forças norte-americanas levou a que fosse necessário saír do porto, que no entanto se encontrava bloqueado pela esquadra norte-americana.

Os americanos tinham os seus navios em regime de poupança de carvão e os couraçados americanos não podiam perseguir os navios espanhois se estes saissem do porto rapidamente.
No entanto, sair do porto rapidamente era algo virtualmente impossível dada a largura diminuta do canal que liga ao mar, pelo que os navios tiveram que sair em linha, lentamente.

O Cristobal Colon era o terceiro navio na linha que saiu da baía de Santiago de Cuba em 3 de Julho de 1898. O Cristobal colon era o mais rápido dos cruzadores blindados espanhóis presentes na refrega, mas também era o menos armado de todos, já que a sua bateria principal não estava instalada.

O comandante do navio decidiu aproveitar essa vantagem para escapar aos navios americanos, mas alguma falta de astúcia, fez com que seguisse a linha de costa. Sabendo os americanos que quando o Cristobal Colon chegasse às proximidades da ensenada de la mula e ensenada de la cueva teria que ajustar a rota ligeiramente para bombordo (esquerda), alteraram a rota para facilitar a interceção do navio espanhol.

O Cristobal Colon por seu lado navegou durante 55 milhas marítimas à velocidade máxima, que se terá aproximado dos 20 nós (2h e 45m), tentando iludir o cruzador blindado Brooklin, mas para isso utilizou a reserva de hulha, carvão de alta qualidade e alto valor térmico, que permitia uma temperatura mais elevada e logo, maior velocidade.

Mas a reserva de carvão de alto rendimento esgotou-se. Mais ou menos ao mesmo tempo, a necessidade de infletir a rota aproximou o navio espanhol do navio americano. Mas o Cristobal Colon aproximou-se não apenas do Brooklin (8 peças de 203mm), mas também do couraçado Oregon (4 peças de 330mm e 8 de 203mm) que embora mais lento, estava também a utilizar a sua maior reserva de carvão de alto rendimento, conseguindo atingir a sua velocidade máxima de 15 a 16 nós.

Perante a superioridade dos canhões americanos (16 peças de 203mm e 4 peças de 330mm), contra as quais apenas podia dispor das suas 10 peças de 152mm (já que o armamento principal de 256mm não estava instalado), o comandante do navio Almirante Cervera, decidiu dirigir o navio para a costa onde encalhou.

Foto tirada no dia 3 de Julho de 1898, quando após ter mandado encalhar o navio foi ordenado o seu abandono.


Informação genérica:
Durante a última década do século XIX os desenvolvimentos da industria naval rapidamente deixavam para trás navios e classes de navios que ainda alguns anos antes (em alguns casos meses) eram os melhores do mundo.

A marinha italiana, ciente da dificuldade da Itália em responder de igual para igual aos navios de potências industrialmente mais poderosas, considerou por isso a necessidade de equipar os navios mais ligeiros com armamento mais poderoso.

Por volta de 1892, o engenheiro naval italiano Edoardo Masdea recebeu ordens para estudar o desenvolvimento de um cruzador protegido que juntasse características do projeto de cruzador «Vettor Pisani» com algumas características armamento e blindagem que estavam a ser utilizadas na construção dos couraçados do tipo «Emanuele Filiberto».

Após vários estudos, o resultado foram os navio da classe Garibaldi, cuja primeira unidade foi lançada nos estaleiros Ansaldo.

O navio tinha um deslocamento de 7300t, um canhão de 10 polegadas (256mm) à proa, dois canhões de 8 polegadas (203mm) e 14 canhões de 6 polegadas (152mm), sendo considerado um navio extremamente equilbrado, dado atingir uma velocidade máxima de 20 nós.

Imagem de origem argentina, que mostra o cruzador couraçado Pueyrredon, e que mostra a configuração da maioria dos navios do tipo.



Garibaldi italianos

A Itália colocou uma encomenda para dois navios em 1893, mas esses navios foram vendidos à marinha argentina ainda antes de terem sido entregues, sendo substituidos por outros dois cascos.

Esses dois navios porém não chegariam a ser entregues à marinha italiana, dado um ter sido vendido para Espanha e o outro também para a Argentina.

O quinto navio construido foi alvo de uma disputa, pois o Chile tentou adquirir o navio aos italianos, que após várias pressões acabaram por também o vender à Argentina

Outros três navios foram então construidos para a marinha italiana (Giuseppe Garibaldi, Varese e Francesco Ferruccio)

Garibaldi argentinos

As relações entre a Argentina e o Chile tinham atingido em meados da década de 1895 uma situação insustentavel que perecia estar à beira da guerra entre os dois vizinhos. Os argentinos aproveitaram as relações familiares com empresários de origem italiana a residir na Argentina, para convencer o governo italiano a vender os dois navios da classe que já estavam em construção.

A Argentina também adquiriu os dois navios de substituição, embora tenha cedido um deles à Espanha, passando a frota para um total de três navios do tipo.
Um quarto navio foi ainda adquirido pelos argentinos, que o disputaram com os chilenos.

A Argentina encomendou ainda mais dois navios, mas quando chegou a um acordo de paz com o Chile, a encomenda teve que ser cancelada, pelo que os dois navios acabaram por ser vendidos para o Japão.

O armamento dos navios argentinos diferia do dos italianos, já que estes optaram por uniformizar o armamento. O cruzador San Martin recebeu duas torres com duas peças de 203mm (8 polegadas) enquanto que os outros três receberam duas torres armadas com uma peça de 256mm (10 polegadas)

Garibaldi espanhóis
A Espanha adquiriu um dos navios do tipo à Itália, quando este já estava em construção. A necessidade espanhola foi decorrente do aumento da tensão entre a Espanha e os Estados Unidos que acabaria por resultar na guerra de 1898. O navio espanhol foi baptizado «Cristobal Colon».

Garibaldi japoneses

O Japão adquiriu dois navios deste tipo que tinham sido inicialmente construidos para a Argentina. Quando aquele país sul americano assinou um acordo de paz com o Chile, esse acordo incluia uma clausula de controlo de armamentos que previa o cancelamento da compra do dois cruzadores blindados da classe General Garibaldi. Os navios foram postos à venda, sendo adquiridos pelo Japão.


   
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