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Cruzador ligeiro
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Cruzador ligeiro
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Cruzador ligeiro


Portugal
Cruzador ligeiro classe
Adamastor
(tipo Cruzadores ligeiros / Portugal)
Cruzadores ligeiros / Portugal

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 1750 Ton
Deslocamento máx. : 1993 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 75.21 M - Largura: 10.7M
Calado: 4.7 M.
4 x Caldeiras (carvão) ()
2 x Máquinas a vapor Orlando (4000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 206 Autonomia: 10000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 18 nós

Canhões / armamento principal
2 x Ansaldo 150mm 30 Cal Mod.1895 (Calibre: 150mm/Alcance: 14Km)
4 x Krupp 105mm GR Mod. 1895 (Calibre: 105mm/Alcance: 9Km)
2 x Hotchkiss & Comp. 47mm/44 Mk.I Mod.1886 (Calibre: 47mm/Alcance: 7.2Km)


Forum de discussão

Entregue à marinha portuguesa em 1897, o Adamastor é um navio importante para a história de Portugal por duas razões especiais.
A sua compra, veio na sequência do ultimatum britânico, em que Portugal foi intimado pela Grã Bretanha a abandonar as posições que tinha ocupado no actual Zimbabwe, na tentativa de unir os territórios de Angola à África Oriental Portuguesa (Hoje Moçambique).

O ultimatum britânico, que levou Portugal a desistir dos planos acertados com a Alemanha de unir Angola a Moçambique, provocou um movimento de comoção nacional que foi aproveitado para numa subscrição pública que durou oito anos, obter dinheiro para adquirir navios de guerra.

Na realidade, o Adamastor não era um navio especialmente poderoso e o seu armamento e autonomia eram mais adequados para operar nas colónias, onde Portugal tinha um numero considerável de pequenas canhoneiras, mas não possuía grandes navios, como os cruzadores e couraçados das esquadras dos maiores países europeus.

A subscrição pública rendeu dinheiro para a compra do cruzador Adamastor e de quatro outros pequenos navios a estaleiros Italianos.

Entre as operações em que o navio participou, conta-se a que ocorreu 13 anos depois de ter sido incorporado na marinha. O navio esteve ligado ao golpe de estado de 5 de Outubro de 1910 - golpe liderado pela marinha portuguesa - e que teve como objectivo implantar um sistema republicano.
O navio chegou mesmo a hastear a bandeira da carbonária, uma obscura organização para-militar de indole terrorista, que era o braço armado da maçonaria portuguesa - a qual teve participação na campanha para a compra do navio.

Ainda que sem apoio popular (para lá de uma pequena parte da burguesia lisboeta) os revoltosos dispõem de alguns trunfos, de entre os quais se destaca o trunfo constituido pelos canhões do cruzador ligeiro São Rafael e do Adamastor, que contava com duas peças de de 150mm e quatro de 105mm. Os navios estavam fundeados no rio Tejo e chegaram a disparar pelo menos três salvas em 4 de Outubro contra o Palácio das Necessidades, onde se encontrava o Rei (D.Manuel II), acção que apressa a saída do monarca em direcção a Mafra e daí para o exílio.

É menos conhecida, mas militarmente relevante a acção do cruzador em Maio de 1916, como apoio às forças portuguesas que lutavam contra as tropas alemãs de Von Letow durante a primeira guerra mundial, pouco depois de Portugal ter entrado na guerra. Nessa altura, uma força alemã, constituída por 4000 alemães e 11000 africanos invadiu território do norte de Moçambique, deslocando-se com facilidade em território português praticamente sem oposição. O Adamastor deu apoio à forças que tentaram (sem sucesso) deter os alemães.

Por causa da sua autonomia, foi dos navios mais utilizados pela marinha durante o seu período de serviço. Com o golpe de estado de 1926, o navio foi enviado para Macau. Voltou a Portugal seis anos depois, bastante maltratado e seria abatido no ano seguinte.

Abaixo, imagem de maquete do Adamastor no Museu de Marinha em Lisboa:


Informação genérica:
Na última década do século XIX e na primeira década do século XX, a marinha de Portugal comprou vários navios de guerra, de entre os quais se destacam os cruzadores encomendados ainda antes do virar do século.

Destacam-se nesta lista o cruzador D. Carlos I / Almirante Reis de mais de 4.000t de deslocamento e outros navios mais pequenos com deslocamento inferior a 2.000t


   
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