Navios deste tipo:

Adamastor
Cruzador ligeiro
São Rafael
Cruzador ligeiro
Almirante Reis
Cruzador protegido

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Cruzador ligeiro


Portugal
Cruzador ligeiro classe
São Rafael
(tipo Cruzadores ligeiros / Portugal)
Cruzadores ligeiros / Portugal

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 1500 Ton
Deslocamento máx. : 1771 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 73.78 M - Largura: 10.82M
Calado: 4.34 M.
2 x Máquinas a vapor trip.exp. (4000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 242 Autonomia: 6000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 17.5 nós

Canhões / armamento principal
2 x Armstrong 152mm/45 TR Mod.1895 (Calibre: 152mm/Alcance: 0Km)
4 x Elswick Shpb. (Armstrong) 120mm/40 m.1886 (UK) (Calibre: 120mm/Alcance: 9.05Km)
8 x Hotchkiss & Comp. 47mm/44 Mk.I Mod.1886 (Calibre: 47mm/Alcance: 7.2Km)


Forum de discussão

Os cruzadores ligeiros da classe S.Rafael foram adquiridos por Portugal no inicio do século XX

Os navios foram construidos na França como parte do plano naval português da última década do século XIX. Ainda que as relações entre Portugal e a Grã Bretanha tivessem melhorado desde o Ultimatum Britânico de 1890, continuava a haver descofiança de vários setores politicos portugueses relativamente ao que estes consideravam ser uma traição do mais antigo aliado de Portugal.

Logo a seguir ao Ultimatum, Portugal adquiriu navios de guerra à Itália e a França foi uma outra opção para a aquisição de navios de guerra para a marinha, que pudessem ser utilizados para defesa das águas territoriais dos territórios ultramarinos portugueses.

O armamento era constituido por duas peças de 152mm (45 calibres) identicas às que estavam instaladas no cruzador D.Carlos I / Almirante Reis, quatro peças de 120mm em projeções laterais no casco e oito peças de 47mm. A proteção vertical era de 35mm.
O armamento principal, era de calibre britânico, já que a França não produzia armas navais de calibre 150mm.

Dos dois navios, que eram conhecidos como os «anjos» o que mais se distinguiu foi o São Rafael, especialmente por causa da sua participação no golpe de estado republicano que derrubou a monarquia constitucional entre 3 e 5 de Outubro de 1910.

Os primeiros disparos de navios, ocorreram ainda no dia 4 de Outubro pouco depois da 01:30 quando foi feito fogo com uma peça de 47mm como sinal de aviso de que o navio se encontrava revoltado. Por volta das 09:00 da manhã de 4 de Outubro de 1910 o navio navegou para Alcântara, a oeste de Lisboa, seguido do cruzador Adamastor.
Posteriormente, entre as 11:00 e a 15:00 o navio efectuou sere disparos com as peças de 152mm sobre palácio real. Às 16:00 voltou a subir o rio para se posicionar frente à praça do Comércio tendo disparado dois tiros com as peças de 120mm de bombordo.

Por volta das 22:00, militares do navio, iniciaram uma operação para tomar o controlo do cruzador D. Carlos I que não tinha aderido ao golpe. O navio manteve durante a noite o controlo da zona ribeirinha de Lisboa, facilitando o processo de implantação da república, na manhã do dia seguinte, 5 de Outubro.

O navio arvorou a bandeira da organização terrorista «carbonária», que se transformara no braço armado dos grupos maçonicos que tinham organizado o golpe e disparou juntamente com o cruzador Adamastor contra o palácio real das necessidades.

Os disparos das peças de artilharia 120mm levaram a que o governo aconselhasse o rei a abandonar Lisboa, o que acabou por levar à rendição das forças leais ao governo e à proclamação da República.

No entanto, no ano seguinte em 21 de Outubro de 1911 numa deslocação ao norte de Portugal, para fiscalizar as águas territoriais numa altura em que continuava a haver contestação ao regime republicano implantado em Lisboa, acabou por encalhar junto à foz do rio Ave em condições de nevoeiro e ondulação forte. O navio teve que ser abandonado e durante a operação um marinheiro morreu. Tendo-se afundado.

Até hoje subsistem dúvidas sobre o afundamento do navio, principalmente quanto às razões que levaram ao afundamento do São Rafael. O envolvimento de forças monarquicas em algum tipo de sabotagem nunca foi completamente descartado. O processo de investigação foi arquivado sete anos depois do seu inicio, sem conclusões claras.

O outro navio do tipo o São Gabriel teve um percurso menos tumultuado, porque por razões mecânicas ficou grande parte do tempo que esteve ao serviço, em reparações. O seu ato mais significativo foi ter efectuado uma volta ao mundo

Classificados como cruzadores, os dois navios dificilmente tinham dimensão para serem classificados dessa forma. A sua velocidade máxima de 17 nós também não deixava grande margem. O cruzador protegido D. Carlos I, (mais tarde Almirante Reis), podia atingir 22 nós.


Informação genérica:
Na última década do século XIX e na primeira década do século XX, a marinha de Portugal comprou vários navios de guerra, de entre os quais se destacam os cruzadores encomendados ainda antes do virar do século.

Destacam-se nesta lista o cruzador D. Carlos I / Almirante Reis de mais de 4.000t de deslocamento e outros navios mais pequenos com deslocamento inferior a 2.000t


   
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