Navios deste tipo:

Maine (1902)
Couraçado «Pré Dreadnought»
Connecticut (1903)
Couraçado «Pré Dreadnought»

Listar navios do tipo
Couraçado «Pré Dreadnought»


Estados Unidos da América
Couraçado «Pré Dreadnought» classe
Connecticut (1903)
(tipo Pre Dreadnoughts americanos)
Pre Dreadnoughts americanos

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 16000 Ton
Deslocamento máx. : 17666 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 139 M - Largura: 23.4M
Calado: 7.46 M.
12 x Caldeiras (carvão) Babcock & Wilcox (0)
2 x Máquinas a vapor Trip.Exp (16500cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 881 Autonomia: 0Km a 0 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 18 nós


Forum de discussão

Os seis navios desta classe, são às vezes separados em duas sub-séries, com os dois primeiros navios, o Connecticut e o Louisiana a serem separados dos restantes quatro.
No entanto, desses restantes quatro, apenas o New Hampshire (BB-25) tinha capacidades militares realmente distintas, mercê na instalação de canhões que podiam elevar-se num angulo maior.

Estes seis navios, são uma demonstração da adoção por várias marinhas do mundo, na última década do século XIX e até 1905, de navios armados com peças de artilharia de múltiplos calibre, cada uma com a sua função específica.

Este tipo de solução também foi experimentado pelos britânicos quando lançaram os couraçados do tipo Lord Nelson, os quais também estavam armados com uma bataria de quatro peças de 305mm e uma outra com dez peças de 234mm.

Assim, os dois primeiros Connecticut, encomendados em 1902, foram lançados com uma bataria principal de quatro canhões de 305mm (12 polegadas), com uma bataria secundária com oito canhões de 203mm (8 polegadas) e ainda com uma bataria tercearia constituida por 12 canhões de 178mm (7 polegadas) que deveria ser utilizada para atacar contra-torpedeiros.
Além destas 24 peças principais estavam ainda instalados 20 canhões de 76mm (3 polegadas) e mais 18 peças de calibres menores, totalizando 60 canhões de seis diferentes calibres.

Esta classe é por isso uma classe de transição. Os quatro navios seguintes (que em algumas publicações são referidos como classe Vermont e que foram encomendados em 1903 e 1904) apresentam características ligeiramente diferentes quanto à blindagem, nomeadamente no que respeita às áreas protegidas.
O armamento era idêntico, como eram a motorização a velocidade e o deslocamento dos navios.

O último navio da classe, o USS New Hampshire, recebeu modificações nas suas peças principais de 305mm, que permitiam que os canhões fossem carregados independentemente do ângulo em que se encontravam.

O USS Connecticut foi o navio almirante da Grande Esquadra Branca, que entre 1907 e 1908 fez uma travessia à volta do mundo, com o intuito tanto de mostrar bandeira como de mostrar a capacidade militar dos Estados Unidos, já que todos os navios da esquadra tinham sido construidos após a guerra hispano-americana de 1898.

Ainda que fossem relativamente modernos, todos os navios estavam obsoletos quando começou a I guerra mundial. Eles foram relegados para missões de patrulha e quando os Estados Unidos entraram na guerra, havia já navios muito mais poderosos para participar no conflito, os quais já nem eram necessários porque a marinha alemã estava encerrada nos portos.

Os navios foram sendo modificados durante a década de 1910 e quando acabou a guerra eles apenas mantinham o armamento principal de 305mm, tendo as peças de 203mm e 178mm sido removidas e substituidas por peças de 76mm para uso multiplo (anti-aéreo e anti-torpedeiros).

Todos os navios foram retirados de serviço após o tratado de Washington de limitação de armamentos.


Informação genérica:
Desde a guerra de 1812 entre os Estados Unidos e a Grã Bretanha, que este último país era visto como a principal ameaça à soberania norte-americana e à sua navegação.
Depois da guerra hispano-americana de 1898 em que os Estados Unidos ficaram na prática na posse de um império, que incluia possessões das caraíbas até Guam e as Filipinas, os Estados Unidos iniciaram um grandioso plano naval, destinado a construir um número de navios de guerra principais (couraçados) capaz de mostrar a capacidade industrial e militar do país.

Desde logo, várias das classes de navios projetados adotaram configurações idênticas às dos navios britânicos e alemães. Os norte-americanos fizeram estudos e desenvolveram teorias próprias sobre a utilização dos navios couraçados e estudaram e introduziram conceitos que também estavam em estudo na Europa.

Depois da derrota russa em Tsushima, os Estados Unidos também sentiram necessidade de reforçar o seu poder naval no Pacífico e continuaram a lançar novas classes de navios.
Ainda assim, os norte-americanos também foram influenciados pelo lançamento do primeiro couraçado monocalibre do mundo, o HMS Dreadnought, e abandonaram a construção de navios mais pequenos e armados com um número variado de canhões.

Desta forma, embora os norte-americanos (como os britânicos) mantivessem os seus navios mais antigos ao serviço durante a I guerra mundial, eles foram rapidamente relegados para funções de segunda linha, ainda antes do inicio daquele conflito.

Great White Fleet - A grande esquadra branca

Depois de derrotar a Espanha na guerra de 1898, e após a vitória japonesa em Tsushima (utilizando navios de projeto britânico), os Estados Unidos consideraram a necessidade de mostrar ao mundo a sua capacidade militar e a sua capacidade de projeção de poder através dos mares.

Assim, em 1907, teve o inicio da viagem da grande esquadra branca (em tempos de paz era normal pintar os navios de branco), constituida por nada mais nada menos que dezoito couraçados[1] a que se juntaram seis contra-torpedeiros[2] e várias outras unidades menores ao longo dos percursos (a esquadra estava dividida em dois esquadrões).

O navio almirante dessa esquadra era o USS Connecticut, o último dos pré-Dreadnought da marinha americana e também o mais poderoso navio americano em 1907. A viagem demorou 14 meses e a bordo da esquadra iam 14,000 marinheiros.

Porém na altura (1907-1907), o pre-dreadnought era já um navio obsoleto, dado dois anos antes os britânicos terem lançado o Dreadnought. Mesmo os Estados Unidos já tinham o seu primeiro navio desse tipo em construção acelerada.

Ainda assim, a primeira grande demonstração de poder global da marinha dos Estados Unidos, foi feita com este tipo de navios.


[1] - A viagem foi longa e alguns navios não a completaram por causa de problemas mecânicos. Durante a maior parte da viagem havia de facto 16 couraçados e não 18.
[2] - Os seis contra-torpedeiros escoltavam os navios auxiliares e não acompanhavam os couraçados.


   
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