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Cruzador ligeiro


Brasil
Cruzador ligeiro classe
Bahia

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 2885 Ton
Deslocamento máx. : 3150 Ton.
Tipo de propulsão: Turbinas acopladas
Comprimento: 122.37 M - Largura: 11.18M
Calado: 4.15 M.
6 x Caldeiras (carvão) Yarrow (0)
3 x Turbinas acopladas Parsons (Depois Brown Curtiss) (18000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 368 Autonomia: 11900Km a 10 nós - Nr. Eixos: 3 - Velocidade Máxima: 26 nós


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Lançados ainda na primeira década do século XX, para servirem de navios de escolta aos grandes couraçados da classe Minas Gerais, os cruzadores da classe Bahia tiveram uma vida muito longa na marinha brasileira.

Os navios eram parte dos projetos da marinha brasileira de 1904, que passavam pela incorporação de couraçados do tipo pre-Dreadnought, no que era a resposta brasileira à corrida ao armamento naval entre a Argentina e o Chile.

No entanto esses planos sofreram uma alteração radical depois de 1905, e do colapso da esquadra russa em Tsushima. Tudo foi alterado, exceto os cruzadores ligeiros, que se mantiveram.

Com uma bataria principal de 10 peças de 120mm[1], esta classe de navios destinava-se a perseguir e destruir navios mais pequenos, nomeadamente torpedeiros. Ele tinha por isso uma velocidade máxima extremamente elevada para a primeira década do século XX.

Com uma velocidade alta, o Bahia poderia perseguir outros cruzadores ou torpedeiros que pudessem ser uma ameaça para os couraçados da classe Minas Geraes.

Modificação em 1925
Os dois navios desta classe foram submetidos a uma grande modificação em meados da década de 1920, a qual passou pela substituição das suas turbinas (de que resultou uma potência que atingia os 22.000cv) e das suas caldeiras a carvão Yarrow, por caldeiras a oleo da Vosper-Thornycroft. (Os dados desta ficha são relativos à configuração original). O número de chaminés também passou de duas para três.

A partir de Outubro de 1942 os dois navios fizeram parte do destacamento brasileiro que foi incorporado na 4ª esquadra norte-americana, para o Atlântico Sul, onde desempenharam operações de escolta a navios aliados que faziam transportes entre os Estados Unidos e o norte de África e a Europa.

Os navios estavam equipados para luta anti-submarina e tinham por isso capacidade para tranportar cargas de profundidade. O cruzador Rio Grande do Sul, foi retirado de serviço em 1947, após várias missões de escolta.

Maior tragédia da história da marinha brasileira
Em 4 de Julho de 1945, já tinha terminado a guerra na Europa, o cruzador Bahia, estava a realizar exercicios de tiro anti-aéreo ao largo dos rochedos de São Pedro e São Paulo. Disparos acidentais de um canhão anti-aéreo de 20mm terão ocorrido sobre as cargas de profundidade que estavam na coberta à popa, provocando uma enorme explosão.
Estima-se que 101 dos tripulantes tenham morrido ou ficado gravemente feridos, tendo-se afundado com o navio.
Dos 271 homens que não se afundaram com o navio, muitos estavam gravemente feridos.
As dificuldades de comunicação fizeram com que todos esses homens tenham ficado à deriva desde a manhã do dia 4 de Julho, sem que se soubesse o que ocorrera.
A falta de comunicação com o navio, fez com que só na noite do dia 7 de Julho, um navio tenha chegado à última posição conhecida do cruzador Bahia, mas os sobreviventes já tinham sido levados pela corrente marítima.
Foi então iniciada uma operação de resgate, mas na manhã do dia 8 de Julho, quatro dias após a tragédia, apenas 33 homens [2] foram resgatados vivos.

Chegou a ser cogitada a possibilidade de o navio brasileiro ter sido atacado por um submarino alemão, que poucos dias depois chegou a um porto argentino para se render. No entanto a possibilidade era vista como pouco provavel, dado um navio submarino alemão preferir seguramente não ser visto até chegar ao porto de destino.

Um relatório com base em um inquérito feito aos sobreviventes, concluiu que o Bahia tinha começado a fazer fogo com os canhões anti-aéreos ligeiros de 20mm. Um disparo acidental, provocou a explosão de cargas de profundidade (anti-submarinas) que se encontravam à popa, o que conduziu ao afundamento do navio.



[1] - As peças da bataria principal dos Bahia eram as mesmas da bataria secundária dos couraçados da classe Minas Geraes.
Trata-se de canhões de 120mm e 50 calibres, derivados do modelo britânico de 40 calibres.
[2] - O número varia entre 33 e 36 homens.
Informação genérica:


   
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