Navios deste tipo:

Carraca
Navios da renascença
Nau portuguesa
Navios da renascença
Nau turca
Navios da renascença
Madre de Deus
Navios da renascença

Listar navios do tipo
Navios da renascença


Reino de Portugal
Navios da renascença classe
Madre de Deus
(tipo Nau / Carraca)
Nau / Carraca

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 700 Ton
Deslocamento máx. : 1600 Ton.
Tipo de propulsão: Aparelho vélico
Comprimento: 50 M - Largura: 14.5M
Calado: 0 M.
1 x Aparelho vélico 3 mastros (0)
Tripulação / Guarnição: 150 Autonomia: 9999Km a nós - Nr. Eixos: 0 - Velocidade Máxima: 7 nós


Forum de discussão

De entre os grandes navios construidos pelos estaleiros portugueses na segunda metade do século XVI e na primeira década do século XVII destaca-se a grande nau ou carraca Madre de Deus.

A sua construção resultou da necessidade de construções de emergência, destinadas a recuperar das perdas sofridas durante a campanha da felicíssima armada, conhecida pelos ingleses como «Invincible Armada» e que tinha resultado em desastre em 1588. A Madre de Deus começou a ser construida ainda antes do final do ano e estava pronta para zarpar para a India no ano seguinte.

Embora seja construida já durante o periodo dos monarcas da casa de Habsburgo (que reinaram em Portugal entre 1580 e 1640), a Madre de Deus segue no entanto o que se tinha tornado regra no último quartel do século XVI, a construção de navios de grandes dimensões para permitir rentabilizar o custo de armar os navios. Assim, os navios da coroa de Portugal continuavam a ser muito maiores que os navios da coroa de Castela e Leão ou da Coroa de Aragão ou do Reino de Nápoles.

Assim, se durante a primeira metade do século XVI, os portugueses utilizaram naus e carracas de dimensões médias (400 a 600t) durante a seguda metade do século, começaram a aparecer navios cada vez maiores, com o intuito de tornar a relação entre o custo da viagem e o lucro obtido com a venda das mercadorias mais favorável.

Esta tendência vinha-se agravando de tal forma, que durante o reinado de D.Sebastião, foram mesmo emitidas leis destinadas a limitar a dimensão dos navios portugueses.
Na verdade esses navios tinham-se tornado demasiado grandes e a sua resistência e manobrabilidade eram inferiores às dos navios anteriores.

O historiador Oliveira Martins faz referência ao aumento do número de naufrágios, apontando a redução na qualidade de construção, sem no entanto referir o problema do aumento da tonelagem.
Daqui se pode concluir que o aumento no número de acidentes não teria resultado tanto de alguma redução da qualidade de construção, mas acima de tudo, da dificuldade em manter os mesmos padrões em navios de dimensões muito maiores.
Ainda assim, os navios construidos em Portugal eram de dimensões superiores a quaisquer outros construidos na Europa.

A nau Madre de Deus, era disso exemplo, sendo três vezes maior que os maiores navios que se construiam na Inglaterra, conforme relatos dos próprios ingleses.
Em 1589 construiram-se 5 naus em Lisboa, a um custo total de 101.7 milhões de reis, mas estima-se que a Madre de Deus terá absorvido 30% desse valor.
As restantes naus construidas terão tido um custo entre os 15 e os 20 milhões.


A captura.

A nau Madre de Deus saiu de Lisboa em 1589 e fez apenas uma única viagem à India. Na viagem de volta, enquanto passava pelos Açores, foi vítima de um ataque levado a cabo por piratas ingleses, que tomaram o navio e posteriormente o rebocaram com toda a carga para Inglaterra.

O navio estava carregado com mercadorias preciosas e impressionou os ingleses quer pelas riquezas que transportava, quer pelo seu enorme tamanho, algo que nunca tinha sido visto em Inglaterra.
A sua dimensão e o facto de transportar grandes riquezas atraiu milhares de pessoas, o que levou a coroa a enviar soldados para proteger o saque, embora a maior parte dos tesouros tenham sido roubados antes da chegada dos soldados da rainha.
Estima-se que o valor da carga poderia atingir £500.000, numa altura em que o tesouro real inglês deveria contar com 1.1 a 1.2 milhões de libras.
No entanto apenas uma parte da carga foi reclamada pela rainha, já que a maior parte foi roubada antes que os homens de Isabel I conseguissem chegar ao navio.

Conta-se que a captura da Madre de Deus, foi uma das razões que aumentou o interesse da Inglaterra pelo oriente, e que levaria ao inicio da expansão marítima da Inglaterra.

Isabel I de Inglaterra
A rainha isabel I de Inglaterra (1533 - 1603), que chegara ao trono em 1559, não tinha meios financeiros para manter uma grande esquadra com capacidade para desafiar em todos os mares os navios da coroa dos Habsburgos. Embora tivesse derrotado com a ajuda de uma tempestade uma esquadra enviada por Filipe II de Castela e Leão em 1588, no ano seguinte as suas debilidades tinham-se mostrado claras quando tentou uma operação idêntica que resultou em fracasso.

Sem outra opção Isabel I recorreu ao corso, ou seja ao apoio indireto à pirataria como forma de fazer a guerra no mar contra os monarcas Habsburgos espanhóis.
A opção, que nos dias de hoje seria equivalente a terrorismo de estado, era no entanto vista como aceitável pelos monarcas, que distinguiam mesmo os piratas sem lei, dos piratas munidos de «carta de corso», documento oficial que autorizava os piratas a roubar navios de países inimigos.


Informação genérica:
A Carraca e a Nau , são muitas vezes confundidas pelas suas funções idênticas como navios de transporte, embora se trate de navios diferentes pela sua configuração e características.

Como noutros casos, não existe unanimidade nem sequer um consenso minimo quando se trata de designar os navios, mas de qualquer forma, a Carraca aparece em principio como um grande navio de transporte europeu, tanto utilizado no norte da Europa como no Mediterrâneo.

A Nau teve funções idênticas, mas foi essencialmente utilizada pelos portugueses, considerando-se normalmente que a Nau, tinha menor necessidade de tripulação e era mais adequada para viagens mais longas. Tinha um calado maior, tornando o navio mais estável e velas quadradas, tal como a Carraca, embora utilizasse velas latinas de compensação.

Foram igualmente utilizadas Naus no Mediterrâneo, quer por Veneza quer também pelos turcos otomanos, que terão utilizado a experiência naval de várias cidades da costa do Adriático para construir os seus navios de alto bordo.


   
---