Navios deste tipo:

Vasco da Gama (1876)
Corveta
Vasco da Gama (1901)
Cruzador blindado

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Cruzador blindado

Acontecimentos relacionados
Golpe de Estado de 14 de Maio



Portugal
Cruzador blindado classe
Vasco da Gama (1901)
(tipo Vasco da Gama)
Vasco da Gama

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 2900 Ton
Deslocamento máx. : 3300 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 71.3 M - Largura: 12.28M
Calado: 5.5 M.
6 x Caldeiras (carvão) ()
2 x Máquinas a vapor - (6000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 259 Autonomia: 6000Km a 10 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 15.5 nós

Canhões / armamento principal
2 x Armstrong 203mm UK Mod.1895 (Calibre: 203mm/Alcance: 14Km)
1 x Armstrong 152mm/45 TR Mod.1895 (Calibre: 152mm/Alcance: 0Km)
1 x DCN - Naval 75mm / generic (Calibre: 75mm/Alcance: 5Km)
8 x Hotchkiss & Comp. 47mm/44 Mk.I Mod.1886 (Calibre: 47mm/Alcance: 7.2Km)


Forum de discussão

O Vasco da Gama, que tinha inicialmente sido construído para defender a barra do Tejo com dois poderosos canhões de 260mm, foi estruturalmente alterado, na que foi provavelmente a maior reconstrução de um navio na marinha portuguesa.

As modificações no armamento foram idealizadas pelo Cap. De fragata Almeida Lima, consistindo na remoção da bateria principal constituida por dois canhões Krupp de 260mm, e na sua substituição por duas peças de 203mm (8 polegadas) instaladas em duas torres, de cada um dos bordos do navio. Esta configuração permitia uma maior facilidade e rapidez no disparo da peça, resultando numa cadência e alcance superiores.
As características originais do navio, não permitiam colocar as peças principais numa posição mais elevada e por isso elas tiveram que ser colocadas em projecções laterais.
Naturalmente,. Isto impedia que as duas peças de 203mm pudessem ser utilizadas simultaneamente.

O armamento - ainda - que escasso era relativamente moderno. Também foram instaladas novas peças de artilharia secundária e metralhadoras.
A alteração mais significativa resultou do corte do navio, que foi acrescentado em cinco metros e meio, passando de um comprimento de 65.8M para 71.3M. O aumento do comprimento do navio teve como objectivo aumentar a velocidade, mantendo a potência dos motores nos 6,000cv, permitindo atingir a velocidade de 15,5 nós.
As obras decorreram em Itália, mas o armamento instalado foi de origem britânica e francesa.

A modificação custou um total de 533,812,500 réis.

As alteração introduzidas, permitiram o transporte de mais combustível e por isso o navio ficou com mais autonomia, o que lhe permitia não só proteger a barra de Lisboa, como ainda servir como escolta aos navios mercantes que iam de Portugal para África.

Em 13 Abril de 1906, o navio esteve envolvido numa das várias sublevações que afectaram também o cruzador D. Carlos I, sendo estes dois navios, os mais poderosos da armada.


Cruzador Couraçado Vasco da Gama
Acima: Porta da casamata do cruzador couraçado Vasco da Gama. Em baixo: Placa utilizada para testes da blindagem do navio: Museu de Marinha (Lisboa)


Já depois da implantação do regime republicano em 1910, o cruzador Vasco da Gama esteve presente no golpe militar liderado pelos republicanos radicais que teve lugar a 14 de Maio de 1915. Os radicais, comandados por Leote do Rego tomaram o navio e mataram o comandante, provocando centenas mortos na ação. Com o navio controlado e ao lado dos revoltosos (que acabariam por vencer), o Vasco da Gama bombardeou Lisboa entre o dia 14 de Maio e o dia 17 de Maio, altura em que o couraçado espanhol «España» entrou na barra do Tejo.

O Vasco da Gama teve na marinha portuguesa uma vida longa, desde a sua incorporação em 1876, ainda com três mastros, sendo abatido em 1936, já durante o governo do Estado Novo, após praticamente sessenta anos de serviço.
As duas peças de 280mm foram removidas e utilizadas como artilharia de costa.

Acima: O cruzador-couraçado Vasco da Gama em 1903, pouco depois de ter sido convertido, navegando a todo o vapor.


Ver também o artigo sobre a Corveta Couraçada Vasco da Gama


Informação genérica:


Esta classe foi constituida por apenas um navio, embora devido à reconstrução a que foi submetido, ele apareça com um novo aspecto e nova classificação de Corveta-Couraçada para Cruzador-Couraçado. Tratando-se do mesmo navio, as modificações foram de tal forma radicais que se incluiram descrições separadas.

A compra do Vasco da Gama na Grã Bretanha, como navio de bateria central, deveu-se à política de modernização levada a cabo por Fontes Pereira de Melo, que considerou a necessidade de defesa do litoral português mas também do extenso império. A aquisição do navio, que era relativamente moderno para a altura foi acompanhada da compra de navios mais pequenos e adequados para funções em África e na Ásia.


   
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